perspectivas

Quinta-feira, 14 Abril 2016

¿Qual a diferença entre o João Semedo e um filho de pai incógnito?

Filed under: Geral — O. Braga @ 10:24 am
Tags:

 

É a de que o filho-de-puta não tem culpa.

Terça-feira, 22 Março 2016

O Alexandre Castro Caldas e a eutanásia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:38 am
Tags: , , , ,

 

Regra geral, quando um homem da ciência aborda a ética, não sai coisa boa. O Alexandre Castro Caldas deveria preocupar-se com o epifenomenalismo próprio da neurologia, em vez de se meter por becos que desconhece.

“O problema [da eutanásia] não é, também, de natureza religiosa, podendo, no entanto, ser considerado de natureza espiritual. É, sem sombra de dúvida, uma questão de ciência médica que tem que saber recrutar os seus melhores recursos para combater o sofrimento e trazer quem sofre à qualidade de vida que todos merecemos. Mas sobretudo temos que concordar que o problema não é de natureza política, e muito menos será de desentendimentos entre esquerda e direita”.

Alexandre Castro Caldas


No tempo de Aristóteles, praticava-se o infanticídio; o próprio Aristóteles defendeu o infanticídio. Hoje, Peter Singer defende o infanticídio por razões utilitaristas (utilidade). Mas não é por que um facto existe, que se pode defender uma norma que o legitime. Quando nos baseamos em factos para defender a imposição de uma norma (moral ou jurídica), incorremos no sofisma naturalista.

A ciência não pode determinar os valores da ética. A ideia de “responsabilidade moral” reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas”.

O Alexandre Castro Caldas revela a ignorância que grassa na nossas elites. Estamos entregues à bicharada. Por acaso, ele não defende a eutanásia; mas só por acaso, porque quando ele diz que o problema da eutanásia é, “sem sombra de dúvida, uma questão de ciência médica”, verificamos a precariedade da sua posição.

A normalização da eutanásia (porque é disto que estamos a falar: da normalização, da criação de uma norma), é um problema político, embora não seja uma questão partidária. O Alexandre Castro Caldas confunde “partidos políticos”, por um lado, e “política”, por outro lado.

E a eutanásia é um problema político porque se confunde o conceito de “autonomia da pessoa”, por um lado, com “individualismo” (partidos da direita) ou com “colectivismo” (partidos da esquerda), por outro lado. A partir do momento em que a realidade é definida como uma “construção social e cultural”, surge o individualismo (direita) e o colectivismo (esquerda) que já pouco têm a ver com o conceito de “autonomia da pessoa”.

O que une o Rui Rio (direita) ao João Semedo (esquerda) na defesa da eutanásia é a ideia de que a realidade é um produto de uma “construção social e cultural”.


eutanasia-cadeiras

Sendo um problema político, a eutanásia é também um problema religioso no sentido da cultura antropológica:

A ética está para a moral, assim como a musicologia está para a música. Podemos dizer que a ética está mais próxima das determinações do comportamento da subjectividade activa dos indivíduos, enquanto que a moral é a exigência universal irredutível e transcendente. A ética radica-se nos valores, ao passo que a moral radica-se na lei — lei esta que, nos tempos modernos, é escorada no enquadramento jurídico que pretende (e consegue-o, até certo ponto) moldar os costumes e a tradição da cultura antropológica.

A ideia, absurda, segundo a qual é possível existirem valores da ética sem lei moral, é uma característica do pós-modernismoporque a própria ausência de lei moral universal é, em si mesma, uma lei moral. Quando a lei moral não é universal, continua a existir uma lei moral que, neste caso, determina que ela não é universal. E quando os valores da ética não têm correspondência na lei moral, a ética deixa de fazer sentido na cultura antropológica: seria como se um musicólogo e se alheasse do sentido da música que estuda.

Os valores da ética existem por si mesmos: não podem ser deduzidos de qualquer utilidade. Assim, por exemplo, o valor da justiça vale por si, o que pode ser compreendido por cada ser humano. Se fizéssemos depender o valor da justiça de algo que não estivesse — de um modo ou de outro — já incluído no seu significado; se deduzimos o valor da justiça da utilidade ou de uma oportunidade política, o valor da justiça estaria em uma situação muito precária (que é o que acontece hoje na nossa “democracia”).

A diferenciação cultural introduzida pelos monoteísmos, e principalmente pelo Cristianismo, introduziu na cultura antropológica a noção do “realismo na ética”, segundo o qual os valores da ética existem por si mesmos, e não podem ser deduzidos de qualquer utilidade. Neste sentido, concordo com o Alexandre Castro Caldas: a eutanásia é um retrocesso civilizacional, porque também é um problema religioso.

Quinta-feira, 17 Março 2016

Hoje é coisa fina não ser “conservador nos costumes”

 

Hoje é chique não ser “conservador nos costumes”; fica bem; dá uma áurea de super-homem; é ser progressista, aparentemente partilhando com a Esquerda a excentricidade do “génio individual”. A preocupação do liberal que se preze é o de não ser “conservador nos costumes”, para poder defender, perante a Esquerda, o conservadorismo na economia. Cede num lado para poder afirmar-se noutro; trata-se de uma cedência. Mas a verdade é que não existe conservadorismo na economia nem nos costumes: o que existem são políticas económicas erradas (por exemplo, o socialismo) e costumes errados.

Dificilmente poderei ser considerado um conservador nos costumes. Sou a favor da legalização total das drogas, do jogo e contra a existência do crime de lenocínio. Acho que o contrato de casamento não deve ser tipificado, mas a sê-lo não deverá impôr restrições de género ou número. Acho que um casal deve poder recorrer aos métodos que achar necessários para constituir família desde que não viole os direitos de outrem, e considero a institucionalização como o pior destino possível a dar a uma criança que perca os pais biológicos. Com o aborto, é diferente”.

Como dizia Nicolás Gómez Dávila, “o individualismo é o berço da vulgaridade”. Porém, na Esquerda, a defesa das mesmas teses libertárias das do escriba liberal não tem um cariz individualista ou utilitarista — e é isto que é difícil de perceber. Ou seja, o liberal de direita e o “libertário” de esquerda concordam sobre as mesmas coisas, mas com fundamentos diferentes.

Por exemplo, o João Semedo (Bloco de Esquerda) diz que basta que os cuidados paliativos não se apliquem, na redução do sofrimento, a uma só pessoa, para que a eutanásia deva ser legalizada. Ou seja, basta que a situação de doença terminal de uma só pessoa não possa ser abrangida pelos cuidados paliativos, para se impôr a legalização da eutanásia para todos.

Isto é tudo menos utilitarismo, que se baseia na máxima da “maior felicidade para o maior número”, e não na da “maior felicidade para todos”.

Nos países anglo-saxónicos ou do norte da Europa, onde o aborto e a eutanásia foram legalizados, seguiu-se o princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número” — e por isso é que a eutanásia descambou e passou a ser “suicídio a pedido do cliente” de qualquer idade. Mas a Esquerda não tem uma tradição utilitarista; aliás, Karl Marx dizia pejorativamente que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

A posição do João Semedo acerca da “eutanásia para todos por causa de um só”, não é utilitarista.

Então, ¿o que é? ¿Será que a ética do João Semedo é ontológica (kantiana)? Também não. A ética do João Semedo é teleológica. É uma ética de terra queimada, na esteira de Gramsci; é preciso não olhar a quaisquer meios para atingir o fim da destruição da ética judaico-cristã que, alegadamente, sustenta o capitalismo.

A tese da “eutanásia para todos por causa de um só” aparece, na praça pública, travestida da defesa dos direitos daquele indivíduo.

Faz-se o apelo à emoção por causa daquele indivíduo em particular, entre milhões de outros, que não pode ser abrangido pelos cuidados paliativos. A tese da “eutanásia para todos por causa de um só”, do João Semedo, até parece a ética da Misericórdia cristã do papa-açorda Francisco. Um liberal de direita até poderia defender a legalização da eutanásia em nome do individualismo; o João Semedo defende a legalização da eutanásia em nome de uma utopia colectivista que subverta a ordem natural da realidade. No meio disto tudo, o inteligente é o João Semedo, e os liberais são os idiotas úteis.

O critério do João Semedo que se aplica à eutanásia foi o mesmo aplicado pela Esquerda à legalização do aborto.

Não é um critério utilitarista (como o que existe, por exemplo, em Inglaterra ou nos Estados Unidos em relação ao aborto) — porque a cultura antropológica portuguesa não tem uma tradição utilitarista —, mas é um critério subversivo e colectivista utópico, que visa minar a cultura antropológica no sentido de “criar as condições necessárias” na cultura antropológica para uma revolução (mais ou menos violenta).


O liberalismo do insurgente é um momento do processo revolucionário do João Semedo:

« Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflitantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de direito, ou gosta do Estado de direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um “conservador”; no segundo, é um “liberal”.

(…)

Ou você fundamenta o Estado de direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.

(…)

O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários.

O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de direito. O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito. »

Olavo de Carvalho, “Por que não sou liberal”

Segunda-feira, 7 Março 2016

A tentação totalitária da nossa época

Filed under: Política — O. Braga @ 9:53 am
Tags: , , , , ,

 

¿Como podemos compreender que o Bloco de Esquerda, que é constituído basicamente por trotskistas, seja hoje defensor radical dos “direitos do indivíduo”? ¿Como é que gente, como por exemplo o João Semedo que foi militante do Partido Comunista, defende hoje a “liberdade de consciência” do indivíduo para ter direito à eutanásia?

A resposta é simples: a expansão ilimitada do conceito de “direitos do indivíduo” está a ser utilizada para acabar com os direitos do individuo que diz defender, através de um Poder do Estado cada vez maior.

A lógica da Esquerda é seguinte:

1/ vamos invocar que o indivíduo tem direito a tudo e mais alguma coisa, em nome da sua liberdade de consciência;

2/ depois, vamos dizer só um Estado forte e totalitário pode garantir esses direitos do indivíduo;

3/ e quando a máquina de um Estado plenipotenciário estiver instalada, podemos retirar quaisquer direitos ao indivíduo sem que seja possível qualquer reacção por parte da sociedade.

É assim que raciocinam o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista (mas também do Partido Socialista de António Costa).


Vemos o caso do Canadá. A lei da eutanásia terá as seguintes características:

  • morte a pedido para pessoas com doenças graves;
  • morte a pedido para pessoas com deficiências;
  • idem, para pessoas com doenças mentais (se é um doente mental, ¿como pode pedir a sua própria morte?)
  • idem, para crianças “maduras”;
  • os enfermeiros e médicos serão obrigados a executar os doentes, sem qualquer direito a objecção de consciência;
  • os hospitais privados de cariz religioso (por exemplo, os hospitais católicos) serão obrigados a eutanasiar.

Ou seja, toda a sociedade é sacrificada, na sua consciência, para que alguns indivíduos tenham direito a ser eutanasiados, por um lado, e por outro lado para que o Estado adquira um maior Poder sobre a sociedade e sobre os indivíduos em geral. Em nome da liberdade do indivíduo, anula-se, a prazo, a liberdade do indivíduo através do reforço do poder do Estado.

É óbvio que o ataque da Esquerda é também contra a liberdade religiosa. A “liberdade do indivíduo” é colocada como motivo para se eliminar a liberdade dos indivíduos. Passam a existir indivíduos com mais direitos naturais que outros. Temos aqui uma nova versão da construção de uma espécie de URSS.

A perversidade e o cinismo desta estratégia política não se aplica apenas na lei da eutanásia. E os defensores de um Estado leviatão e absolutista serão sempre os guardiões das nossas consciências no futuro: nas palavras de Kant, “é o maior despotismo que pode existir”.

Sexta-feira, 12 Fevereiro 2016

¿Por que razão “os direitos individuais não são referendáveis”?

 

Perante o pensamento dogmático politicamente correcto, devemos fazer perguntas. O questionamento é a melhor forma de destruir o politicamente correcto que é uma burocracia do espírito.

"Um referendo sobre direitos individuais é virar a democracia de pernas para o ar, é virar a democracia contra ela própria", escreveu João Semedo em resposta à agência Lusa, considerando que referendar direitos individuais "não é democrático", embora o pareça.

É antes, disse, "admitir que um direito que é de todos possa ser retirado por alguns": "Alguém admitiria ou acharia democrático fazer um referendo em que o direito de todos à saúde ou ao trabalho, por exemplo, fosse retirado da lei por decisão de alguns?"

João Semedo


Em primeiro lugar, analisemos o aspecto formal da tese do João Semedo.

O direito à democracia participativa (direito ao referendo) é um direito de todos (é simultaneamente um direito negativo e positivo); mas o João Semedo e meia dúzia de estupores sentados nas cátedras do Poder da capital-do-império-que-já-não-existe, pensam que têm o direito de coarctar esse direito ao referendo que é de todos. Portanto, o João Semedo utiliza um argumento auto-contraditório: para ele, “os direitos são de todos” apenas e só quando lhe convém.

Em segundo lugar, vamos analisar o conceito de “autonomia” que fundamenta o “direito individual”.

Quando falamos de “autonomia da pessoa”, há duas mundividências que são inconciliáveis.

A primeira é a de que existe uma natureza humana, que é fundamentalmente idêntica desde que surgiu o homo sapiens sapiens. A segunda é a de que a dita “natureza humana” nada mais é do que uma “construção social e cultural”.

Quando falamos em “direitos do indivíduo”, devemos situar os fundamentos desses direitos em uma das duas mundividências que não são conciliáveis entre si (são mesmo antagónicas). Ou optamos por uma ou por outra. Das duas, uma: ou a autonomia é uma tendência da Natureza Humana, ou é um conjunto de valores construídos cultural e socialmente e que podem ser moldados através de engenharias sociais; ou a autonomia é promotora natural e progressiva do bem-estar do indivíduo e da sociedade, ou o seu papel de promoção do bem-estar é relativo e depende dos valores que a sociedade atribui à autonomia.

Autonomia não é a mesma coisa que individualismo e/ou colectivismo.

Decorrente da diferença entre estas duas mundividências, surgem o individualismo e o colectivismo, que não são a mesma coisa que “autonomia”. A autonomia é uma necessidade psicológica fundamental do organismo humano (a Natureza Humana perene), ao passo que o individualismo e o colectivismo são doutrinas socialmente construídas acerca das relações entre o indivíduo e a sociedade, e que consistem em diversos valores e práticas que podem ser mais ou menos interiorizadas.

Portanto, quando falamos em “autonomia”, não a podemos confundir com individualismo e/ou colectivismo. Ora, é essa confusão que é feita (propositadamente) pelo João Semedo.

Quando os conceitos de “autonomia” e de “Natureza Humana” não são senão “construções sociais e culturais”, o direito positivo é retirado ao cidadão em nome do individualismo (Paula Teixeira da Cruz e Rui Rio) ou do colectivismo (João Semedo) e transferido para uma elite de iluminados. Em ambos os casos, o cidadão só fica com o direito negativo.

Quando a autonomia é entendida em termos de necessidade de uma Natureza Humana perene e intemporal, a noção de autonomia implica o direito negativo e o direito positivo: temos o direito à nossa individualidade, mas também temos o direito de legislar sobre a sociedade. É este direito positivo (a do cidadão e do legislador) que legitima que todos possamos definir os direitos de todos.
Neste sentido de autonomia, os direitos de todos são referendáveis por todos.

Portanto, caro leitor, você tem que escolher uma destas duas mundividências. Ou você dogmatiza o conceito de autonomia e transfere o seu direito positivo para uma elite política, ou você racionaliza o conceito de autonomia e assume o seu papel de cidadão e de legislador e, neste caso, os seus direitos, como os de todos, são por princípio igualmente referendáveis.

Segunda-feira, 17 Março 2014

O doutor miraculoso

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 7:46 am
Tags: ,

 

joao semedo web

Respigado aqui.

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: