perspectivas

Quinta-feira, 27 Outubro 2016

Nada mais foi do que um “homem de ciência”

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:36 pm
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Chamem-lhe o que quiserem; por exemplo, “homem de ciência” fica-lhe bem; mas nunca “príncipe da Renascença” — a não ser que a Maria João Avillez não tenha estudado a esmagadora maioria das ideias renascentistas, ou que reduza o Renascimento a um punhado de criaturas.

Se o João Lobo Antunes fosse um “príncipe da Renascença”, eu não teria reduzido a escombros a sua (dele) tese ambígua acerca da eutanásia.

Se ele fosse um “príncipe da Renascença”, nunca teria afirmado na rádio (eu ouvi) que “a única espiritualidade que existe é a que provém da música, e das artes em geral”, ou seja, negando qualquer essência espiritual para além da matéria (seja o que for que “matéria” possa significar).

¿Querem exemplos de “príncipes da Renascença” portugueses modernos? Agostinho da Silva, Fernando Pessoa, Leonardo Coimbra, Egas Moniz.

A ideia implícita (da Maria João Avillez) de que “a ciência nasceu com a Renascença” é absurda: o que se passou foi que antes do Renascimento, a pergunta intelectual era: “¿O quê?”; e durante o Renascimento passou a ser: “¿Como?”. O que mudou foi a forma de perguntar: foram os gregos esfarrapados que inventaram a ciência sem que a Maria João Avillez se desse conta disso.

E o verdadeiro “príncipe da Renascença” foi (e é) aquele que conseguiu conciliar as duas formas de perguntar — coisa que João Lobo Antunes não fez. Paz à sua alma.

Segunda-feira, 10 Agosto 2009

Não podem existir acordos de cavalheiros em política?

Filed under: ética,Política — O. Braga @ 6:54 pm
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quem pense que em política não existem compromissos fora do que é estipulado por lei, o que significa que, assim sendo, a ética nunca poderia ser aplicada na política na medida em que é impossível transpô-la inteira para o Direito Positivo. Por isso é que a palavra dada e os compromissos entre cavalheiros, não obstante sejam feitos sem que a lei os regule, são essenciais para complementar as lacunas naturais que o direito positivo tem e se lhe reconhece. Não é por acaso que ainda hoje existe o “princípio da equidade” aristotélico introduzido pela lei natural em determinados acórdãos judiciais.

O problema não são os compromissos entre cavalheiros; são antes os compromissos dos quais não há notícia pública — mas isso já é outra questão. O melhor que poderia ter acontecido fora que Cavaco Silva tivesse anunciado previamente ao País a existência de compromissos políticos com o governo, utilizando para o efeito um porta-voz com os meios necessários e adequados à realidade da sociedade de informação (incluindo a Internet) — porta-voz que não existe.

Domingo, 9 Agosto 2009

O argumento da “não-obrigação” da reprodução no casamento

Em postal pretende comentar estoutro.

A previsão dos movimentos do inimigo tem a virtude de impedir os ataques surpresa. Exactamente por isso tenho escrito sobre a agenda política gayzista desde 2003, e de certo modo fui contribuindo, dentro do pequeno horizonte da blogosfera, para que os ataques culturais gayzistas no nosso país não fossem imprevisíveis.

O gayzismo tem vários níveis de aprovação:

  1. Em primeiro lugar, na teologia secularista, que conglomera os ateístas, os naturalistas, a maçonaria e os marxistas; estes são os homófilos por conveniência política, usam os gays como carne para canhão;
  2. Em segundo lugar temos os próprios gays e derivativos, que se batem em causa própria;
  3. Em terceiro lugar, temos uma camada da população urbana da média / alta burguesia que expurga a sua consciência pensando com o coração e não com a cabeça, isto é, sujeitando-se a uma lobotomia ideológica que lhes retirou o juízo crítico para que não fosse obrigada a sacrificar outros valores de interesse próprio e de inalienável egoísmo; estes são os “tios”;
  4. Por último, temos os indiferentes, aqueles que por pura ignorância da qual decorre o desinteresse pela cultura acabam por não interferir na ética encontrada através do “método discursivo” oriundo do marxismo cultural.

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Sábado, 8 Agosto 2009

Ainda sobre o Dr. João Lobo Antunes e o Conselho de Ética

A esquerda tem uma aversão atávica à discussão filosófica, uma enraizada fobia ao diálogo e à Razão que lhe vem do marxismo.

«Os filósofos limitaram-se até agora a interpretar o mundo de diferentes modos; do que se trata é de o transformar.
(…)
O problema de saber se ao pensamento humano se pode atribuir uma verdade objectiva não é um problema prático. É na prática onde o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade,o poder, a terrenalidade do seu pensamento. A discussão em volta da realidade ou irrealidade do seu pensamento ― isolado da prática ― é um problema meramente escolástico.»

Karl Marx, “Os Manuscritos Económico-filosóficos”, tradução portuguesa de César Oliveira, Porto, 1971, pp. 165 – 168

É por demais evidente que deixou de existir um clima de compromisso na política nacional; podemos dizer que, a partir de agora, vale tudo.

Karl Marx nunca se questionou se o seu pensamento poderia estar “isolado da prática”. Por outro lado, Marx criticou ― e desprezou todos os filósofos ― toda a filosofia [pensamento humano] excepto a sua; a “transformação” que defende é segundo a sua filosofia que é a única correcta ― todo o pensamento de milhares de anos, segundo Marx, estava errado. A posição marxista é a favor da acção segundo uma determinada filosofia [a de Karl Marx] com desprezo total pela própria Razão Humana na medida em despreza qualquer outra teoria que não seja a sua. Tal como o islamismo, o marxismo é um princípio de ordem irracional: o que conta é unicamente a acção sem atender à Razão [“navegar é preciso, viver não é preciso”].

Com o decorrer do tempo, o marxismo transformou-se numa religião fideísta e irracional, através da qual o importante passa a ser não a revolução mas antes o processo revolucionário sem fim. Escreveu Boris Pasternak, em “Doutor Jivago”:

“As revoluções duram semanas, anos; depois, durante dezenas e centenas de anos, adora-se, como algo de sagrado, esse espírito de mediocridade que as suscitou.


O caso do afastamento do Dr. João Lobo Antunes do Conselho de Ética é preocupante porque significa que os compromissos assumidos pela esquerda são letra morta, o que pressupõe a predominância do radicalismo na política como nunca vimos em Portugal depois do PREC. Um radical nunca assume os seus compromissos.

Perante os argumentos do Dr. João Lobo Antunes sobre o “Testamento Vital”, o que faz a esquerda marxista cultural? Não respeita um compromisso assumido com o Presidente da República. É certo que o Presidente da República não é chamado a indicar qualquer nome para o Conselho de Ética ― embora, na minha opinião, devesse ter esse direito ―, mas existindo um compromisso de cavalheiros com o primeiro-ministro acerca do nome do Dr. João Lobo Antunes, a omissão da nomeação deste para o Conselho de Ética dá indicações da radicalização da política portuguesa.

Embora este caso seja importante porque se trata de uma lei que se pode transformar numa monstruosidade anti-ética, também são importantes os indícios da actuação política da esquerda. É por demais evidente que deixou de existir um clima de compromisso na política nacional; podemos dizer que, a partir de agora, vale tudo.

Sexta-feira, 7 Agosto 2009

A eliminação dos escolhos éticos à lei da eutanásia

“O despotismo impressiona pela estupidez do estilo” — Stendhal
O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer” — Roland Barthes
“Onde há tirania, houve cobardia” — Guez de Balzac
“A tirania, na Idade Média, começou pela liberdade. Tudo começa por ela” — Jules Michelet

José Sócrates e a escumalha socialista controlada pelo “efeito Bloco de Esquerda” na nossa sociedade, não reconduziu João Lobo Antunes no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV). As dificuldades em legalizar a eutanásia foi a gota de água que fez transbordar o copo socialista; agora, sem a influência de João Lobo Antunes, a legalização da eutanásia será mais fácil.

Cavaco “estupefacto” com a não-recondução de João Lobo Antunes ao Conselho Nacional de Ética

João Lobo Antunes não foi reconduzido pelo Governo ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV). Esta decisão foi tomada em desacordo com o compromisso assumido entre o primeiro-ministro José Sócrates e o Presidente Cavaco Silva, estando a causar “estupefacção” em Belém, avança o semanário “Sol”.

“A Casa Civil do Presidente da República está estupefacta. Não apenas pelo facto de o nome de João Lobo Antunes não figurar na lista das pessoas designadas pelo Governo para fazerem parte do Conselho, como também por, até ao momento, sobre o assunto não ter sido dada nenhuma explicação à Presidência”, reagiu ao semanário “Sol” fonte oficial de Belém.

João Lobo Antunes era, por nomeação do Governo, um dos membros do CNECV, um órgão consultivo ao qual o Presidente da República recorre e que recentemente rejeitou o projecto-lei socialista sobre o “testamento vital”. O parecer, redigido por Daniel Serrão e João Lobo Antunes, lançou muitas críticas ao diploma do PS.

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