perspectivas

Quarta-feira, 20 Novembro 2013

Os monárquicos revolucionários e republicanos

Filed under: Portugal — O. Braga @ 1:17 pm
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Enquanto eu participei no blogue Prometheo Liberto (por convite explícito), alguns co-autores permaneceram calados e outros abstiveram-se de participar no blogue, talvez por receio do contraditório (as ideias totalitárias odeiam o contraditório). Quando eu deixei de participar no blogue, essas vozes caladas subitamente apareceram (talvez por “coincidência intencional”) cantando como grilos em noite de Verão.

Eis aqui um exemplo do que eu quero dizer:

“No livro « Pela Dedução à Monarquia », José Pequito Rebelo diz como é que a Monarquia, que, por definição só pode ser Tradicional, pode salvar Portugal: expulsando os políticos "que dilaceram" a Nação , fechando "o parlamento onde se geram as tempestades revolucionárias e as traições ao interesse público" e defende que, uma vez libertada, se entregue a guarda da Nação à chefia hereditária "daquele que a libertou".

Mas nós sabemos que nem sempre o que aparece como primeiro na linha da sucessão herda dos seus anteriores os princípios e valores que os nortearam, antes se desvia deles de um modo indecoroso e ostensivo (veja-se D. Pedro I do Brasil); nesse caso não deve repugnar, antes pelo contrário, ao monárquico a peleja pelo descartar esse presuntivo sucessor. Questionar, mesmo, a hereditariedade e se não se encontrar solução dentro desta.”

1/ existe uma “técnica” blogosférica vulgar que consiste em citar um determinado texto, e sem mais comentários; e o leitor fica sem saber se o autor do blogue concorda ou não, em todo ou em parte, com o teor do texto citado. Em princípio, podemos dizer que concorda; mas o autor sempre pode alegar que “citei o texto apenas para o colocar à discussão, e não significa que concorde com ele”. Por exemplo, um bloguista pode citar um texto de Hitler, e sem mais comentários; e depois pode vir dizer que não concorda com o texto e que se tratou apenas de uma “provocação”, ou que se pretendeu apenas discutir as ideias de Hitler. Ora, em política, dizia Salazar que “o que parece, é”; e quando alguém cita um texto de um determinado autor e sem mais comentários, parece que concorda com ele; e se parece, então devemos concluir que concorda.

2/ agora, vamos à citação em epígrafe.

O texto quer significar que é possível defender a monarquia tradicionalista através de uma acção típica do movimento revolucionário: o putsch, em que, neste caso, a vítima é o próprio herdeiro ao trono. O princípio subjacente ao putsch é darwinista: a selecção natural segundo critérios subjectivos e arbitrários de uma pseudo-elite qualquer.

José Adriano Pequito Rebelo foi apoiante da Action Française de Maurras que, por sua vez, apoiou o regime francês de Vichy de subordinação total ao nazismo. É disto que estamos falar, sem sofismas: não de tradicionalismo, mas do movimento revolucionário que se serve do tradicionalismo, distorcendo-o, para impôr uma visão totalitária da política. São estes os que se dizem “herdeiros de D. Miguel” e do absolutismo monárquico: só que esse absolutismo monárquico do Ancien Regime foi sinónimo, no século XX, da “Action Française de Maurras”.

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Sábado, 1 Maio 2010

A ucronia de António Sardinha

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 12:44 am
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Perante este texto de António Sardinha, cabe-nos, pelo menos, fazer três perguntas: 1) O que é que ele defende? Em função da resposta a esta, vêm as duas seguintes: 2) Onde é que ele está certo ? E, a existirem incoerências, 3) Onde é que ele erra?
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Terça-feira, 29 Setembro 2009

O Integralismo Lusitano, transportado para a realidade actual e do ponto de vista espanhol, é uma forma de iberismo

Filed under: Portugal — O. Braga @ 11:25 am
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Fiquei de demonstrar que a transposição tout-cours do Integralismo Lusitano de António Sardinha para a actualidade, é utilizada pelos unionistas monárquicos espanhóis para promover um iberismo de direita.

Embora António Sardinha fosse contra a União Ibérica, defendia “a individualidade portuguesa no seio da unidade hispânica, por um lado, e defendia, em alternativa à União Ibérica maçónica e republicana, a “Aliança Peninsular”.
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