perspectivas

Domingo, 7 Abril 2013

O erro da crença ideológica de Carlos Fiolhais e do blogue Rerum Natura

Carlos Fiolhais ficará na história da ciência e da pedagogia portuguesas como um dos piores exemplos de seguidismo cego de um determinado paradigma totalmente submetido a um “espírito do tempo” marcado pela ideologia, por um lado, e por outro lado por ter caído no erro de colocar, num mesmo plano epistemológico, a física e a biologia.

dawkins-papaO Rerum Natura, através do seu “repórter” de serviço António Piedade, fala-nos de um novo livro acerca do darwinismo (ou neodarwinismo) cujo conteúdo é corroborado por Carlos Fiolhais. Eu não li o livro (com o título “A Evidência da Evolução – Porque é que Darwin Tinha Razão”), e apenas estou a fazer um juízo acerca do texto do verbete publicado no Rerum Natura. Não li o livro nem vou ler, porque o título indica “mais do mesmo”, e porque a própria sinopse de António Piedade confirma o “mais do mesmo”.

Carlos Fiolhais, ao corroborar o conteúdo deste livro, terá que estar pelo menos parcialmente de acordo com Richard Dawkins quando este escreveu acerca do dito: “Quem não acredita na evolução ou é estúpido, ou é louco, ou não leu Jerry Coyne” (SIC) Reparem bem!: quem não acredita”! Eu diria que se Carlos Fiolhais acredita no que escreveu Richard Dawkins, então são tão estúpidos um como o outro.

Em ciência, o “acreditar” — a crença — é justificável e não pode ser, à partida, criticável. Nem todas as crenças são injustificáveis ou irracionais.

Portanto, ninguém pode estar contra toda a crença em ciência. Quando Newton publicou a sua teoria, baseou-se numa “crença” a que Kant classificou de “juízo sintético a priori”. Alguns aspectos da teoria de Newton estavam errados, mas muita da sua teoria salvou-se e foi até adoptada, por exemplo, por Einstein. Mas a biologia não entra nos pressupostos necessários para a elaboração de um juízo sintético a priori — que Kant, e muito bem, reduziu à matemática e à física.

A biologia — e muito mais ainda, a paleontologia — é uma ciência que se baseia essencialmente no juízo sintético à posteriori, e por isso a “crença científica”, em biologia, não se pode aplicar do mesmo modo que é aplicada na matemática e na física. Em biologia, não é possível uma “crença científica” senão se se tiver como motor dessa “crença” uma determinada ideologia política, ou então mediante o predomínio de uma mundividência subjectivista que determine essa crença (por exemplo, o positivismo).

Numa altura em que as macromutações, entendidas segundo o neodarwinismo, estão claramente colocadas em questão, e em que a maioria dos cientistas concordam com a ideia segundo a qual só se aplicam as “leis de Darwin” às micromutações inerentes à adaptação ao meio-ambiente — e o mais interessante é que as micromutações são reversíveis! —, o Rerum Natura e Carlos Fiolhais insistem em uma determinada crença aplicada a uma ciência (a biologia) que não pode, por sua própria natureza, estar legitimamente sujeita ao juízo sintético a priori.

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Sexta-feira, 18 Janeiro 2013

Kant e a homeopatia

Filed under: Ciência,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 6:22 pm
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“Não há evidência que sustente a homeopatia. Nem lógica: o típico medicamento homeopático é preparado segundo diluições seriadas tão extensas que qualquer eventual princípio activo está ausente na diluição final. Sem conseguirem curar pessoas, é notável o estatuto que os homeopatas têm conquistado pela aposta no acessório: os mais de 200 anos da prática como sinal de garantia, um conceito de “medicina personalizada” que dificulta o seu escrutínio pelos testes da medicina convencional, e institutos, revistas da especialidade e licenças para os seus praticantes.”

via De Rerum Natura: Charlatanice em forma de lei.

Kant escreveu o seguinte, no século XVIII, no prefácio dos “Princípios Metafísicos da Ciência da Natureza”:

“(…) a ciência da natureza chamar-se-ia “genuína” ou “imprópria” ciência da natureza: a primeira trata o seu objecto totalmente segundo princípios “a priori”; a segunda, de acordo com as leis de experiência.

Ciência genuína só pode chamar-se aquela cuja certeza é apodíctica: o conhecimento, que unicamente pode conter certeza empírica, só impropriamente se pode chamar “saber”.

(…)

Mas se, por fim, estas razões ou princípios são nela apenas empíricos, como por exemplo, na química, e se as leis, em virtude das quais se explicam, mediante a razão, os factos dados, são simplesmente leis de experiência, não comportam então nenhuma consciência da sua necessidade (não são apodicticamente certas) e, por isso, a totalidade não merece, em sentido estrito, o nome de ciência; pelo que a química se devia chamar antes de arte sistemática, e não ciência.”

Quando Kant escreveu isto, a química era alquimia.

Seja como for, e eu concordo com ele neste particular, Kant considerava que a ciência pode ser apodíctica (ciência genuína) ou empírica (ciência imprópria). A “ciência apodíctica” — através da matemática — cria leis que explicam os fenómenos, ao passo que a “ciência imprópria” baseia-se apenas na experiência e, por isso, não cria uma consciência da necessidade de leis gerais. A esta última ciência, Kant prefere chamar de “arte sistemática”, em vez de ciência.

Se quisermos ser optimistas, a homeopatia é uma “arte sistemática”, segundo o conceito de Kant. Se quisermos ser realistas, nem isso é, porque a arte sistemática de Kant é, apesar de tudo, baseada na estatística (a repetição da ocorrência dos fenómenos), enquanto que, em homeopatia, a estatística aplica-se a cada indivíduo em particular, e por isso não é estatística propriamente dita.

Sábado, 8 Dezembro 2012

A diferença entre consciência e conhecimento, ou entre Razão e Entendimento

The internet is a new lifeform that shows the first signs of intelligence. So says brain scientist and serial entrepreneur Jeff Stibel.

via BBC – Future – Technology – Will the internet become conscious?.

A BBC (Bolshevik Broadcasting Corporation) traz esta pequena notícia que “é mais do mesmo”: cientismo que é incapaz de discernir entre Razão (consciência), por um lado, e processo conhecimento (ciência), por outro lado. Consciência é uma coisa; outra coisa, bem diferente, é ciência; e ainda outra coisa é a insciência da “ciência” actual.

Talvez tenha chegado o momento de “desenterrar” um velho conceito de Kant que a filosofia tinha considerado obsoleto: o conceito de Entendimento.

O que se passa hoje, com a “ciência”, é que esta já não consegue saber a diferença entre “consciência” e “conhecimento”; e por isso, já não tem a noção da diferença entre Razão, por um lado, e Entendimento, por outro lado. Exactamente porque já não tem consciência desta diferença, a “ciência” deixou de discernir as regras que devem determinar o Entendimento (“Em ciência vale tudo, até arrancar olhos!” — Feyerabend).

Para a “ciência”, o Entendimento passou a ser a própria Razão, uma vez que a “ciência” confunde e mistura as regras “a priori” do conhecimento com o próprio processo de conhecimento. E a Razão deixou, por sua vez, de existir, uma vez que foi substituída totalmente pelo Entendimento. Hoje, a “ciência” é irracional.

Segunda-feira, 3 Setembro 2012

Acordo do pensamento com a realidade

« Falar de acordo do pensamento com a realidade é o mesmo que falar de acordo do pensamento consigo mesmo, e reciprocamente. E isto não por o pensamento não poder sair de si e penetrar na realidade, nem por o pensamento ser a realidade, nem por a realidade ser o pensamento — mas porque pensamento e realidade são uma e a mesma coisa. »

— Edmundo Curvelo, Introdução à Lógica, Lisboa, 1942, Edições Cosmos, página 140

Edmundo Curvelo foi considerado o melhor lógico português do século XX, foi professor liceal de História e de Filosofia, e professor universitário de História da Filosofia Antiga, Moderna e Contemporânea, Teoria do Conhecimento, Moral e Lógica. Quem sou eu, um humilde ignaro, para contradizer ou mesmo discordar do professor Edmundo Curvelo?

Em princípio, a proposição em epígrafe está correcta porque decorre da validade do princípio de autoridade de direito que supostamente se baseia numa autoridade de facto.

Vemos nessa proposição a influência de Kant — embora alterada — e a tentativa de negar S. Tomás de Aquino. O santo dizia que “a verdade é a adequação do intelecto (pensamento) à realidade”. E na minha opinião, o santo dizia bem. E, portanto, segundo o santo, se o pensamento [implícito em “intelecto”] tem que se adequar à realidade para descobrir a verdade, pensamento e realidade não são a mesma coisa. Mas o professor Curvelo diz que não: que o santo estava errado…!

Por outro lado, Kant [e também, por exemplo, o neo-kantiano ou neo-criticista Karl Popper] diz — e bem — que o cérebro humano não é uma espécie de balde onde os sentidos despejam as sensações provenientes do mundo exterior. Em vez disso, dizia Kant que existe uma espécie de software implantado no cérebro humano que faz o tratamento dos dados das percepções sensoriais recebidas do exterior por via dos sentidos. Ou seja, o cérebro interpreta; e cada interpretação de um determinado fenómeno inerente à realidade é uma teoria.

Então, como é que o professor Curvelo chega à conclusão de que “o pensamento e a realidade são uma e a mesma coisa”?! Deixo a resposta para o caro leitor, que certamente terá mais perspicácia do que eu.

Porém, eu penso que o professor Curvelo era um hegeliano — o que aliás não era de espantar porque Hegel marcou o espírito do seu (do professor Curvelo) tempo. E Hegel foi conhecido por pegar nas ideias de Kant e adulterá-las. Dizia Hegel que “o que é racional é real”, e vice-versa, o que significa que, segundo Hegel, toda a realidade pode ser traduzida mediante categorias racionais (lógicas). E, portanto, se “o que real é racional”, então “o pensamento e realidade são uma e a mesma coisa” — conclui o professor Curvelo.

Mas não é.

Em primeiro lugar, o professor Curvelo parte do princípio segundo o qual, o pensamento enquanto tal, é sempre racional (ou seja, o pensamento é sempre sustentado pela lógica).

Em segundo lugar, o professor Curvelo parte do princípio de que a realidade, entendida em si mesma, não é nunca logicamente contraditória, e por isso pode ser categorizada racionalmente [Hegel].

Tanto o primeiro princípio como o segundo são falsos. E quando um princípio está errado, toda a concepção teórica está errada [Aristóteles], o que significa que, neste caso, o pensamento do professor Curvelo não se adequa à realidade — lá dizia S. Tomás de Aquino, e com razão!

Sexta-feira, 27 Julho 2012

A filosofia está bem viva

Filed under: Ciência,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 11:55 pm
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1. Kant tinha uma extraordinária visão da investigação científica, e portanto da ciência, mediante o conceito de Intenção da Natureza. Kant insistiu [“Crítica do Juízo”, 1790] que embora não pudéssemos provar que a natureza esteja intencionalmente organizada, devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a natureza como se fosse organizada. Isto significa a ideia de uma ordem pré-estabelecida; e a sistematização do nosso conhecimento é apenas possível se agirmos com base no pressuposto de que uma “compreensão”, ou uma “inteligência”, para além da nossa, nos forneceu leis empíricas organizadas de modo a que nos seja possível uma experiência unificada.

O Princípio da Intenção da Natureza — ou Princípio da Intencionalidade — diz-nos que se queremos construir uma subordinação sistemática das leis empíricas, devemos agir de acordo com a crença de que tal pretensão é possível.

2. Muita da ciência contemporânea, e sobretudo as ciências biológicas, afastaram-se radicalmente do Princípio da Intencionalidade que, mesmo durante o século XIX e a primeira parte do século XX, esteve fortemente presente na ciência e na investigação científica e apesar do Positivismo: uma coisa era o método científico; e outra coisa era o cientista comum e a sua mundividência. A partir do século XX, primeiro com o Círculo de Viena e depois com o neodarwinismo, essa ligação tradicional e inconsciente da comunidade científica, em geral, com o Princípio kantiano da Intencionalidade da Natureza, foi quebrado.

3. O “divórcio” da ciência com o Princípio da Intencionalidade de Kant significou também a quebra das relações — sempre precárias — entre a ciência e a filosofia. O Positivismo encarado não só como método, mas também como a mundividência do cientista, decretou a morte da filosofia. Este problema subsiste até hoje. A única “filosofia” aceite pela ciência parece ser aquela que corrobora uma certa visão exclusivamente naturalista coeva que evoluiu do Positivismo. Desde logo, uma filosofia sem espírito crítico não é filosofia; e depois, uma filosofia acrítica em relação à ciência pode ser mesmo prejudicial a esta última.

4. No dia em que o trabalho científico tiver perdido totalmente o contacto com as suas raízes especulativas e filosóficas, ficará completamente esgotado e cortado da tradição que o levou ao seu nível contemporâneo. E este risco existe. O pensamento técnico/tecnicista invade o pensamento científico, e isso pode ser o fim do espírito científico.

5. A ciência não vai nunca até ao fim das questões que levanta, e levar as questões até ao fim é o papel da filosofia. O campo da ciência já não é autónomo. Hoje, a fecundidade intelectual e o pensamento vivo consistem no diálogo entre a ciência e a filosofia [propriamente dita].

Sábado, 16 Junho 2012

A refutação da ética de Kant em 125 palavras

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 8:01 am
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A ética de Kant é uma fraude. O princípio do imperativo categórico apresenta duas falhas funestas.

A primeira diz respeito ao suicida. Segundo o imperativo categórico de Kant, o suicida, com o seu comportamento que o leva a desejar a morte, desejará também que toda a gente se suicide — o que é uma contradição em termos.

A segunda falha fatal da ética de Kant, é a de que eu não sou, de modo algum, inconsequente se prefiro que os outros sigam as regras que eu próprio não gostaria de seguir.

Por exemplo, se eu minto sempre que me apetece, mas desejo que todos os outros digam sempre a verdade, na minha qualidade de grande oportunista, e na medida em que sou e quero ser oportunista, sou também, em certa medida, perfeitamente consequente com a aplicação do imperativo categórico de Kant.

Sábado, 12 Maio 2012

O Absoluto, o princípio teleológico na natureza, e a vida

Filed under: Ciência,Darwinismo,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 5:29 am
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Podemos fazer uma analogia entre a nossa vida e uma viagem de comboio: sentados à janela, as imagens da paisagem passam rapidamente, e nós procuramos captá-las e interiorizá-las tanto quanto possível. Mas, no fim da viagem, reconhecemos que ficamos vazios: as imagens desvaneceram-se, tornaram-se irreais, e só fica a recordação. Perante a fugacidade das imagens da viagem, temos necessidade de encontrar um “centro” em nós próprios e não já nas imagens que discorrem ao longo da “viagem da vida”. Essa procura do “centro” em nós próprios é a procura ontológica — a procura do Ser —, a procura que sonda o Absoluto e que só é possível mediante a religião.
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Quinta-feira, 29 Março 2012

A contradição do imperativo categórico de Kant

Filed under: ética,Ut Edita — O. Braga @ 7:22 pm
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O imperativo categórico pode ser explicado, grosso modo, da seguinte forma: segundo Kant, não é permitido mentir, por exemplo, porque a mentira considerada como uma lei geral — “todos podem mentir” — significaria o fim de qualquer comunicação humana [de facto, é isto que está acontecer com os me®dia e com a política actuais: assistimos hoje ao advento do fim da comunicação humana].

Se o meu comportamento se orientasse por uma norma que me permitisse mentir sempre que quisesse, então todos os outros seres humanos teriam o mesmo direito de o fazer. No entanto, se todos podem mentir, não se acredita em ninguém e nenhum mentiroso alcança o seu objectivo.

Até aqui, Kant está correcto. Aplicada a todos os seres humanos de uma forma consequente, a máxima da mentira permitida, anula-se a si própria.

Porém, eu não sou, de modo algum, inconsequente se prefiro que os outros sigam as regras que eu próprio não gostaria de seguir. Se minto sempre que me apetece, mas desejo que todos os outros digam sempre a verdade, na minha qualidade de grande oportunista, sou, em certa medida, perfeitamente consequente com a aplicação do imperativo categórico de Kant.

Quinta-feira, 13 Janeiro 2011

Deus: o “missing link” da ética de Kant

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 7:03 am
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No seu livro “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”, Kant manifestou a sua (dele) vontade de explicar a moralidade de uma forma exclusivamente “racionalizada” (ou seja, no sentido da “razão” entendida estrita e exclusivamente como um conceito antropocêntrico e, portanto, sem Deus), e, para conseguir realizar esse seu desejo, começou, em primeiro lugar, por separar (divorciar) a vontade humana, da razão humana.

Num primeiro momento, Kant diz:

  • existe um Princípio Supremo da Moralidade que nada tem a ver com Deus e com o Cristianismo, mas antes tem a ver apenas e exclusivamente com a razão humana;
  • E num segundo momento, Kant diz:

  • esse Princípio Supremo da Moralidade tem como base a (boa) vontade humana, mas essa vontade humana nada tem a ver com a razão humana (é irracional).
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    Terça-feira, 27 Outubro 2009

    Valor e juízo (3)

    No último postal, questionei-me sobre se o gosto que existe eventualmente subjacente a um quadro de Vermeer ou de uma fotografia de Monroe como podemos ver mais abaixo, deveria ser considerado em plano de equivalência ― ou mesmo igualdade ― em relação a estes quadros expostos na Fundação de Serralves em 2005/2006, que passo a exibir (clicar para aumentar).

    cu1cu2cu3cu4cu5cu6

    Naturalmente que para fazer uma análise sobre o “gosto”, temos que nos “despir” de eventuais preconceitos negativos culturais o mais que nos for possível. Se alguns pintores se celebrizaram por reproduzir graficamente partes específicas do corpo humano, e fotógrafos artísticos fizeram o mesmo, porque razão o ânus (ou o vulgo “cu”) não pode ser objecto de obra de arte?! À partida, não existe nada de racional que possa impedir ou limitar o conceito segundo o qual a reprodução gráfica do cu não possa ser considerada como uma obra de arte. E o mesmo se pode dizer, à partida, de imagens pornográficas: porque razão uma imagem pornográfica ― seja fotográfica, seja pintada ― não pode ser considerada como uma obra de arte?
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    Segunda-feira, 26 Outubro 2009

    Não confundir religião com submissão em relação à política

    Estou de acordo com a ideia de que José Saramago tem todo o direito de publicar o que quiser e como quiser; o que se passa realmente é que a autoridade moral está sempre do lado de quem admite “a priori” a liberdade de expressão, e não de quem luta para que a nossa liberdade de expressão colectiva seja coarctada ― Voltaire dizia qualquer coisa deste género ― como é o caso de Saramago, que sendo defensor da ditadura do proletariado, luta activamente e todos os dias para que as opiniões dos cidadãos (que não as dele) sejam censuradas. Portanto, se existe uma autoridade moral quanto ao exercício da liberdade, ela é minha e de outros como eu, e não de Saramago. Desafio a quem quer que seja que coloque em causa, de uma forma racional, este ponto prévio.
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    Segunda-feira, 18 Agosto 2008

    Guilherme de Occam e a crença do cientificismo

    Podemos dizer que o positivismo que deu lugar ao cientificismo pós-moderno iniciou-se com Guilherme de Occam (1290 ― 1348), a última grande figura da Escolástica e a primeira da Idade Moderna. Occam ficou celebrizado pelo princípio conhecido como “Navalha de Occam”, segundo o qual o conhecimento implica uma relação imediata, e sem intermediários de qualquer espécie, entre o sujeito cognoscente e a realidade conhecida (princípio que regula o Empirismo).
    Um exemplo de um “intermediário” que Occam rejeitaria poderia ser a estátua da sereia que podemos ver na baía de Copenhaga: segundo Occam e o empirismo, a estátua da sereia de Copenhaga nunca conduziria ao conhecimento das sereias se não se conhecesse previamente o conceito do que é uma sereia. Portanto, segundo Occam, a estátua da sereia (o “intermediário”) é inútil para o processo de conhecimento.

    Mas será que as sereias existem? O empirismo científico iniciado por Occam não pode provar a não-existência de sereias. Quando alguém ouvir a um “cientista” dizer que “está provado que as sereias não existem”, pode dizer-lhe, com a maior autoridade do mundo, que ele mente; ou, em alternativa, convide esse “cientista” a explicar como é que a ciência chegou a essa conclusão.
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