perspectivas

Quinta-feira, 24 Outubro 2013

Portugal não tem futuro porque está a desaparecer

 

Um país desenvolvido não é aquele que aborta as suas crianças. Um país desenvolvido é aquele que consegue repor a sua população com a passagem de gerações e simultaneamente consegue manter baixas a sua taxa de mortalidade infantil e a taxa de mortalidade da maternidade.

O que está a acontecer hoje com as exigências da Troika, é o reconhecimento internacional de que Portugal não tem futuro e que a dívida portuguesa deve ser paga quanto antes e a qualquer custo nacional.

Note-se que “repor a população” não é a mesma coisa que “aumentar a população”: o ideal seria que a população aumentasse apenas e só em função do território disponível do país e da densidade populacional. Por exemplo, a Itália tem uma densidade populacional de 224 pessoas por km^2, ao passo que Portugal tem uma densidade populacional de 118 por km^2. Isto significa que a taxa de fertilidade italiana (1,41 crianças por mulher), sendo muito baixa, não é tão grave para a sustentabilidade desse país como é a taxa de fertilidade em Portugal (1,51 crianças por mulher), porque a Itália tem ainda um rácio de reserva de densidade populacional que Portugal não tem.

Outro aspecto é a mortalidade da maternidade. Os políticos da III república portuguesa, sem excepção, defenderam a tese segundo a qual o aborto diminui a mortalidade feminina porque alegadamente extingue ou diminui drasticamente o aborto clandestino. Porém, os factos contradizem os políticos da III república: por exemplo, na Irlanda o aborto não é legal, e a taxa de mortalidade feminina na maternidade deste país (6/100.000) é inferior à taxa portuguesa (8/100.000).

O caso da Irlanda é o exemplo de um país com futuro: para além de ter uma taxa de fertilidade de 2,1 por mulher — que é a taxa necessária de reposição populacional —, tem uma idade média da mulher de 35,8 anos, ao passo que Portugal, com uma taxa de fertilidade de 1,51 por mulher, tem uma idade média da mulher de 42,9 anos (já entra pela menopausa adentro).

Uma idade média da mulher de 43 anos (no caso português) torna irreversível o processo de decadência e o caminho rumo ao sub-desenvolvimento do país. O que está a acontecer hoje com as exigências da Troika, contra as quais o CDS/PP (hipocritamente) protesta, é o reconhecimento internacional de que Portugal não tem futuro e que a dívida portuguesa deve ser paga quanto antes e a qualquer custo nacional. O mote da Troika em relação a Portugal é o seguinte: “queremos o nosso dinheiro já, antes que essa merda de país impluda”.

Se eu fosse empresário investiria na Irlanda porque é, de facto, um país de futuro, e nunca investiria em Portugal.

O mote da Troika em relação a Portugal é o seguinte: “queremos o nosso dinheiro já, antes que essa merda de país impluda”.

Portanto, a III república falhou. E como falhou, terá que ser destituída, a bem ou a mal. Portugal é um país que não tem futuro, não porque exista uma fatalidade portuguesa qualquer, mas porque a ideologia predominante e comum, imposta pelas elites políticas da III república maçónica portuguesa, destruiu o país. Os fundadores dos partidos políticos, que estão na génese da nossa desgraça — gente como Freitas do Amaral, Cavaco Silva, Pinto Balsemão ou Mário Soares — são responsáveis e devem ser julgados pela História e pelo país. Precisamos de uma classe política com características diferentes (esta que temos, não nos serve e até é prejudicial ao país).

A única forma de inverter a actual tendência de desaparecimento de Portugal é acabando com a III república, utilizando a violência se necessário for.

Quarta-feira, 16 Outubro 2013

A espiral da III república

 

A espiral não tem fim: baixam os salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, cortam na Saúde, cortam nos salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, cortam na Educação, cortam nos salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, cortam na Defesa Nacional, cortam nos salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, cortam no dinheiro para as autarquias, cortam nos salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, cortam na manutenção de estradas, cortam nos salários, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, aumentam o preço da energia, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, baixam os salários, baixa a colecta dos impostos, vende-se o país a retalho, baixa o investimento do Estado, baixa o consumo, baixa a colecta dos impostos, baixam os salários…

e… temos depois um outro Salazar outra vez.

espiral republicana

Quarta-feira, 14 Agosto 2013

A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios

“Portanto – como sempre! -, não se busque nos outros a razão da nossa desgraça política. É dentro da direita que se consente esta corrupção de Estado. E é por causa da nossa debilidade moral – votação corrupta – que os socialistas mandam (é sempre «culpa nossa»). Não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção.”

Eu só não recomendo a leitura deste verbete porque está escrito “desconforme o desacordo ortográfico”; mas façam de conta que está escrito correctamente: a nossa imaginação não tem limites.

Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Diz o texto que “não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção”. Ora, essa “limpeza”, efectuada dentro do e pelo sistema, é absolutamente impossível! O Direito Positivo apoia-se espontaneamente nos costumes, e no caso específico da política, nos costumes das elites; e o fundamento dos costumes das elites deve ser procurado nas tradições (boas ou más) mantidas vivas pela História, costumes esses que se manifestam de forma inconsciente na vida política.

A partir do momento em que o Direito Positivo se separou totalmente do Direito Natural – o que aconteceu já na III república, mas principalmente com a alienação progressiva da nossa soberania à União Europeia (e porque no tempo de Salazar ainda existia uma ligação entre os dois tipos de Direito) – o problema ético-político agravou-se. A alienação da soberania portuguesa desresponsabilizou a classe política nacional. Os portugueses vivem hoje num limbo, em que existe uma classe política dentro de num sistema que já não é soberano e que não pertence cabalmente a qualquer soberania. Portugal está à deriva.

A “limpeza da corrupção” não é possível nem à Esquerda nem à Direita – porque na esquerda também existe corrupção, embora diferente. Vemos o que se passa, por exemplo, no Brasil de Dilma Roussef governado à esquerda. Ou o que se passa em França socialista de François Hollande governado pela maçonaria. E se tivermos um governo do Partido Comunista ou do Bloco de Esquerda, a corrupção passa a ser escondida da opinião pública através de uma “ideologia de granito” que confunde a sociedade civil com o Partido, e este com o Estado – mas não deixará de haver corrupção.

Por outro lado, é uma ilusão falar em Direita em Portugal; estamos a enganar-nos a nós próprios! A política e a realidade não se reduzem à economia! Não existe “direita” em Portugal.

Quando o ethos que rege o Partido Socialista é essencialmente semelhante – senão idêntico – ao que rege a tal “direita”, essa “direita” simplesmente não existe. Qualquer “reviravolta” no ethos político português conduzir-nos-ia a uma versão nacional da democracia húngara, e nesse caso teríamos a União Europeia de Durão Barroso a condenar e a perseguir Portugal. Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Dizer que é possível uma “limpeza da corrupção” dentro do actual sistema é equivalente a dizer que o teorema de Gödel está errado. O teorema de Gödel diz que é impossível demonstrar a não-contradição de um sistema pelos seus próprios meios, ou mediante meios mais fracos. O actual sistema político não pode logicamente demonstrar, pelos seus próprios meios, as suas contradições. A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios.

A classe política transformou a língua portuguesa em dialecto

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Imagem tirada do FaceBook

Alguém escreveu, no FaceBook, o seguinte: “Eu aprendi uma regra que dizia que todas as palavras esdrúxulas eram acentuadas”; ao que eu respondi: “A regra, agora, é a de que se deve escrever conforme se fala. Ou seja, a regra é subjectiva. A língua portuguesa transformou-se numa língua subjectiva, o que significa que passou a ser um dialecto”.

A descendência da classe política da III república será amaldiçoada; terá vergonha de ter herdado o seu nome. Transportará consigo o ónus de descender de criminosos lesa-pátria, porque este Acordo Ortográfico é um ataque feroz e soez à cultura; e um ataque desta índole é um crime contra um povo, uma tentativa de etnocídio.

Anseio pelo dia de ver sentados, no banco dos réus, os principais figurões do regime. E mesmo que não estejam vivos e/ou presentes, que sejam condenados à revelia; e mesmo que não sejam encarcerados, que fique para a História o exemplo da condenação, para que a vergonha dos descendentes ontológicos de Miguel de Vasconcelos não se extinga.

Sexta-feira, 26 Abril 2013

Cavaco Silva passou um cheque em branco a Passos Coelho

Filed under: acordo ortográfico,Política — O. Braga @ 8:17 pm
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Cavaco Silva não é pior presidente da república do que os seus antecessores; mas o que nunca compreendi foi a áurea que lhe colocaram. Otelo tem razão mas esqueceu-se de mencionar que os outros presidentes, na minha opinião, ainda foram piores do que Cavaco Silva.

Cavaco Silva, no seu discurso de 28 de Abril, deu carta-branca ao governo de Passos Coelho — e Otelo deveria estar calado porque ele também assinou mandatos de captura em branco no tempo do PREC. No fundo, é uma coisa parecida: Cavaco Silva assinou por baixo as asneiras que Passos Coelho possa vir a cometer no futuro. Passos Coelho pode agora voltar à ideia de aumentar a T.S.U. dos trabalhadores sem medo de qualquer confronto com o presidente da república.

Cavaco Silva foi o principal responsável por este Acordo Ortográfico, porque foi um governo dele que o assinou. Para quem não fez o Liceu e mal sabe escrever correctamente, não poderíamos esperar outra coisa. Provavelmente, um governo de Mário Soares ou de Sampaio também teria assinado o dito: mas destes já esperamos tudo em nome da utopia. Em contraponto, seria de esperar de Cavaco Silva, não sendo da esquerda, um pouco mais de prudência em relação às utopias.

Tudo isto deixa-me preocupado, porque não foi apenas Cavaco Silva que endoidou: está tudo doido!

Quarta-feira, 14 Março 2012

Palavras para quê? É um artista português…

“O professor universitário José Pacheco Pereira alertou hoje que Portugal vive numa ambiente propício ao surgimento de um novo Sidónio Pais montado num cavalo branco, populista e demagógico, que ponha em causa a democracia.”

via ‘A cama está posta para um novo Sidónio Pais’ – Política – Sol.

« “Demagogia” é o vocábulo que os democratas empregam quando a democracia os assusta. »
— Nicolás Gómez Dávila

A democracia irrita a classe política que temos. E por que é que a democracia irrita a classe política? Porque para esta classe política não convém que exista grande espírito crítico no meio da populaça. Para esta classe política, a democracia directa é sinónimo de demagogia. Esta classe política habituou-se ao conceito de “vontade geral” de Rousseau como sendo “aquilo que nos dá na real gana”.

Houve referendo sobre o Tratado de Lisboa? Nem podia haver referendo, porque a “vontade geral” impõe automaticamente o estatuto de ignorância ao povo. Antes, a classe política aposta no “progresso da opinião pública”: o povo burro vai sendo ensinado a comer palha, por uma elite de iluminados.

Houve referendo sobre o Acordo Ortográfico? Claro que não! A novilíngua foi assinada e imposta em 1990 por um secretário-de-estado da Coltura que adorava os “violinos de Chopin”, e por um primeiro-ministro que não fez o liceu e que é hoje presidente da república.

Houve referendo sobre o “casamento” gay? Claro que não! Os referendos custam dinheiro que faz falta para a classe política poder ostentar e gastar aquilo que não possui. E por aí fora… a cultura antropológica de todo um povo vai sendo corrompida em nome de promessas de bem-estar material que ou não se cumprem, ou sofrem agora uma regressão histórica: o povo passa a ter um nível de vida dos anos 80, mas tem “casamento” gay, aborto livre, divórcio unilateral e na hora e, por exemplo, ainda tem que pagar as inspecções periódicas dos automóveis como se fosse alemão.

Portanto, a verdade é que já vivemos em demagogia; José Pacheco Pereira está equivocado. O nosso sistema não é democrático: antes, é demagógico. Democracia é outra coisa.

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