perspectivas

Quinta-feira, 17 Janeiro 2013

ADSE tem inimigos nos radicalismos políticos: Daniel Oliveira e Passos Coelho

E defendi, e isto parece-me o ponto mais relevante, que “a ADSE, para quem se bate de forma coerente pelo Serviço Nacional de Saúde, é indefensável. Porque “é incoerente criticar as parcerias público-privado que dilapidam os cofres públicos ou o cheque-ensino e defender a ADSE.

via A ADSE, o papel do Estado e a coerência política – Arrastão: Os suspeitos do costume..

O Daniel Oliveira faz aqui uma confusão desgraçada entre conceitos diferentes, e entre meios e fins: ao contrário do que ele quis dizer, as PPP — (Parcerias Público-privadas) são essencialmente um negócio, e portanto, um fim em si mesmo; a ADSE é um serviço de um seguro de saúde, e por isso, é apenas um meio. O facto de ADSE beneficiar eventualmente entidades privadas, não é o fim último, ou o objectivo primeiro, da ADSE. Já no que respeita às PPP — (Parcerias Público-privadas), toda a gente verifica que o seu objectivo principal é “meter” os privados no negócio da saúde.

São coisas diferentes.

Podemos discutir se a ADSE é auto-sustentável, ou não; mas isso é outro assunto. O que não podemos fazer é comparar as PPP — (Parcerias Público-privadas) com a ADSE.

O igualitarismo radical tem destas confusões. Como escreveu Aristóteles, “a ciência e o dinheiro não têm uma unidade comum de medida”; mas o igualitarismo — assim como o neoliberalismo! — cria artificialmente (contra-natura) uma unidade comum de medida entre o dinheiro e a ciência (entendida aqui como “sabedoria”).

Se a ADSE não é auto-sustentável, terá que se exigir, por exemplo, que os seus beneficiários paguem mais por ela. Ou arranjar outra solução qualquer. O ideal seria que toda a gente pudesse (tivesse possibilidades financeiras) ser beneficiária de uma ADSE auto-sustentável. Não sendo isso possível, pelo menos por agora, não vamos nivelar por baixo (como tem feito Passos Coelho!) e “deitar fora o bebé com a água do banho”.

Adenda: sou insuspeito porque não sou beneficiário da ADSE.

Domingo, 12 Agosto 2012

Os Jogos Olímpicos e o culto da igualdade

Egalitarianism, rooted in the delusions of the pseudo-Enlightenment and first given bloody expression in the French Revolution, is the deadly enemy of civilisation and freedom. The Austrian political scientist Erik von Kuehnelt-Leddihn analysed the phenomenon 60 years ago in his book Liberty Or Equality. He maintained that all democracies eventually produce tyranny – a transition we are experiencing today in Europe and North America – because they are rooted in manipulation of popular sentiment, the seedbed of totalitarianism.

The cult of equality is a mental illness, derived from the psychosis that is liberalism, reaching pandemic proportions in western society. Every corporation has an “equality” division; every area of life, now including marriage, is to be engineered in the interests of equality. When a Conservative-led government has an equalities minister, who can seriously claim we live in a post-Marxist era? Ever since the charlatan Rousseau penned his Big Lie – “Man is born free, and everywhere he is in chains” – narcissistic egalitarianism has caused the violent deaths of millions. The same hypocrite and founder of sentimental “child-centred” education abandoned his own children; but his deluded theories rule British classrooms today.

The one class exempted from the constraints of equality is the plutocracy: nobody tugs the forelock to billionaires with more servility than the apostles of enforced equality. Banks that are pillaging the world proudly flaunt equality and diversity codes. Human beings are not equal physically, intellectually, morally or in any other respect; on the contrary, they exhibit as many distinctions as there are individuals on the planet. To pretend otherwise is pushing water uphill. Do not be surprised, though, if the British team at the next Olympics is based on quotas, with inclusive representation of electronically tagged ­offenders and the clinically obese.

via Gerald Warner: Scourge of equality will throw Britain off the podium – Comment – Scotsman.com.

Quarta-feira, 16 Fevereiro 2011

O utilitarismo anti-utilitarista de Nietzsche

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 2:47 pm
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O utilitarismo, conforme é comummente entendido, diz que aquilo que é considerado útil passa a ser moralmente válido. Por exemplo, para o nazismo, a aniquilação de milhões de seres humanos nos campos de concentração era considerado útil, e portanto, ética e moralmente validado pelos nazis.

Por outro lado, convencionou-se dizer que Nietzsche era contra o utilitarismo. Não li, até hoje, nada que contrarie esta ideia. E uma segunda ideia comummente aceite acerca de Nietzsche é a de que ele era contra o igualitarismo.

O utilitarismo particular de Nietzsche consiste em considerar como sendo ética e moralmente válido aquilo que ele pessoalmente considerava útil — nomeadamente, o anti-cristianismo e o anti-utilitarismo inglês.
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Quarta-feira, 30 Junho 2010

É preciso estarmos atentos às “elites” académicas

Filed under: ética,cultura — O. Braga @ 6:34 am
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Imaginem um mundo em que toda a gente teria um QI (coeficiente de inteligência) igual ou muito aproximado devido à manipulação genética, ou a igualização das qualidades humanas por via do chamado “melhoramento biomédico” (ou Biomedical Enhancement como sendo intervenções tecnológicas no sentido de “melhorar” as capacidades funcionais do ser humano, em vez de tratar as doenças).

No primeiro caso, a manipulação genética só estaria disponível para gente rica que, supostamente, teria uma prole de génios que governariam o mundo — assegurando que a riqueza ficaria sempre nas mãos de uma plutocracia intemporal geneticamente induzida. No segundo caso poderíamos antever uma sociedade em que as crianças eram bombardeadas com comprimidos, hormonas de crescimento ou outras, drogas várias para assegurar um bom desempenho na escola, cirurgia cosmética em barda para eliminar os malditos gordos e os feios, e a cirurgia neurológica supostamente para eliminar o excesso de imaginação nas crianças que as distraiam da matéria a aprender — e tudo isto para assegurar o “sucesso” na vida.

Isto pode parecer absurdo, mas há “intelectuais” e académicos que já prevêem este admirável mundo novo. Mas será que essa gente não vê que se todos fôssemos génios, deixariam de existir génios?

Lembro-me, a propósito, de Fernando Pessoa; já imaginaram se ele tivesse sido rico, com um físico apolíneo, com uma auto-confiança primária e super-exteriorizada que caracteriza o homem de sucesso burguês — já imaginaram esse outro Fernando Pessoa ter escrito a “Mensagem”? Já pensaram se ele teria tido a necessidade de recorrer a personalidades alternativas para nos dar a sua visão do mundo?

A ciência, e mormente a medicina, é necessária para mitigar o sofrimento humano na doença desde a antiguidade clássica. Porém, a visão segundo a qual é possível e mesmo desejável acabar com as diferenças naturais entre os seres humanos, é assustadora pela carga niilista que transporta consigo, porque parte do princípio de que as diferenças entre os seres humanos são um mal absoluto. E só o facto de existirem pessoas que pensam assim é motivo de alguma preocupação. É preciso estar atento às elites académicas, naturalmente merdícolas e merdívoras — crescem na merda e alimentam-se dela.

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