perspectivas

Segunda-feira, 26 Janeiro 2015

Crítica sucinta da fenomenologia (Husserl)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:38 am
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  1. A fenomenologia é um idealismo.

  2. Existe na fenomenologia uma tensão (ou mesmo uma contradição) entre um mundo que precede a consciência (a consciência é vista como estritamente humana), por um lado, e por outro  lado a consciência (humana) que dá todo o sentido ao mundo.

  3. A fenomenologia coloca em causa o absoluto da consciência — seja esse absoluto imanente (Hegel), seja transcendente.

Embora a fenomenologia tenha sido útil em áreas da ciência cognitiva, na psiquiatria ou na sociologia, sob ponto de vista da filosofia (e por ser um idealismo) não é uma corrente filosófica que me mereça especial atenção.

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Sábado, 22 Dezembro 2012

Husserl (4)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:16 am
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Husserl introduziu o conceito de “noema” (ver explicação deste conceito em fenomenologia)
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Segunda-feira, 17 Dezembro 2012

Husserl (3)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 9:07 pm
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O Padre Nuno Serras Pereira levanta aqui uma questão pertinente: as lágrimas de Obama, quando apareceu na televisão e face à tragédia da cidade de Newton, Estados Unidos, ¿terão sido lágrimas de crocodilo? À primeira vista, a abordagem do Padre Nuno Serras Pereira parece ser agostiniana — voluntarista e de análise subjectiva da intenção de Obama —, mas vendo melhor, chegamos à conclusão de que a sua abordagem é aristotélica e tomista: o que conta são os actos e coerência dos actos ao longo do tempo, e não uma presumível intenção da acção. E eu estou totalmente de acordo com S. Tomás de Aquino. Aliás: é dos autores que me dá mais prazer a leitura.


Mas antes de falar nas lágrimas de crocodilo de Obama, o Padre levanta o problema da interpretação das lágrimas que Jesus derramou perante o leito de morte do Seu amigo Lázaro, e na presença das suas (deste) duas irmãs (João, 11, 17-44), e apresentou duas interpretações diferentes. Ambas as interpretações implicam dois níveis semânticos: o nível factual (facto), e o nível simbólico (símbolo). Nas duas interpretações, só muda o simbólico, mantendo-se o factual.

Ora bem: a realidade do nosso mundo é um facto; ou seja, é algo feito por nós. Naturalmente que existe a “realidade em si” que não é criada por nós; ou seja, nós não inventamos os dados da realidade a partir dos quais a nossa consciência constrói as coisas. Porém, a “realidade para nós” é obra nossa, individual e subjectiva, ou colectiva e intersubjectiva. A “realidade para nós” é o “noese” de Husserl: o nosso cérebro monta precisamente aquelas coisas que estamos a ver à nossa frente (percepção), a partir dos dados da “realidade em si” mesma. Por isso, para as pessoas que acompanharam Jesus ao leito de morte de Lázaro, a ressurreição deste foi um facto: elas viram mesmo a ressurreição de Lázaro (“noema”).

Para o homem moderno, esse facto — testemunhado por aquelas pessoas que acompanharam Jesus Cristo ao leito de morte de Lázaro — é incompreensível, porque não o testemunharam. Não partilharam intersubjectivamente a noese que definiu aquele facto da ressurreição como noema.

Porém, para o homem moderno, por exemplo, o ponto como uma formação com dimensão zero já é compreensível e um facto, embora seja uma ideia completamente contraditória em si mesma, destarte seja tão necessária quanto absurda: uma formação sem qualquer dimensão é um nada em si mesmo. Ou seja, o homem moderno constrói as suas quimeras (embora úteis), mas recusa os factos que não vê ou não testemunha, porque não vê neles utilidade. O homem moderno vive apenas daquilo que pensa que lhe é materialmente útil: o homem moderno vulgar praticamente já não se distingue de um animal irracional.

Enfim, e para convencer o homem moderno do facto da ressurreição de Lázaro, poderíamos entrar na exegese do texto do Evangelho mediante uma terceira interpretação simbólica.

Lázaro vive com as suas irmãs de uma forma tal que lhe é coarctada a possibilidade de viver espiritualmente. Ele está tão condicionado por elas que perde a sua liberdade e a sua capacidade de desenvolvimento interior. Assim, nesse estado, ele é envolvido em faixas como morto (simbolismo) e colocado no túmulo pelas irmãs — e uma vez que está morto para o relacionamento social positivo, tudo apodrece nele. Lázaro cheira mal porque recalca a sua espiritualidade. E Jesus Cristo ressuscita-o: Ele “ergue os olhos para o Céu”, colocando-se em relação com o Pai, e chama Lázaro que estava morto, à vida: aquilo que fora recalcado terá assim que voltar à relação com ambas as irmãs, em uma comunicação onde deverá passar a existir a compaixão, abertura e equidade. E aquilo que tinha morrido — a possibilidade do desenvolvimento espiritual — ressuscitou.

Se esta terceira interpretação servir para sensibilizar o homem moderno para o facto da ressurreição de Lázaro, já terá valido a pena o esforço da exegese.

Domingo, 16 Dezembro 2012

Husserl (2)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 7:41 pm
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Adam Lanza, o assassino da escola da cidade de Newton, Estados Unidos, tinha o síndroma de Asperger. Porém, as crianças com Asperger são quase sempre mais vítimas do que agressoras, e portanto o síndroma de Asperger, por si só, não justifica o morticínio de Newton. Não existe nenhuma evidência científica segundo a qual as pessoas com Asperger sejam violentas devido à presença do síndroma.

Não se conhece a causa do síndroma de Asperger; não é possível afirmar que é de origem genética porque não se conhece uma etiologia genética para o síndroma, e não foi possível identificar uma patologia comum através de técnicas de imagens de sondagem do cérebro. Ou seja, não existe uma etiologia para o síndroma de Asperger, que se manifesta em crianças desde muito tenra idade e, à medida que se tornam adultas, podem-se então verificar alterações no cérebro das pessoas com Asperger — mas essas alterações não são idênticas em todos os indivíduos…

Em suma, a causa do síndroma de Asperger é mistério entre muitos mistérios com que nos deparamos todos os dias e à nossa volta, que envolvem o conceito “consciência” que tem influência na ética, na imaginação, na intuição, na percepção, na comunicação, e também no “tempo subjectivo” que é a referência da “consciência absoluta intemporal” que existe em cada pessoa e/ou indivíduo.

(continua)

Sábado, 15 Dezembro 2012

Husserl (1)

Filed under: filosofia — O. Braga @ 3:56 pm
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A matança ocorrida na cidade de Newton, nos Estados Unidos, sugeriu-me que escrevesse aqui alguma coisa acerca da fenomenologia de Husserl. Não é fácil.
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Terça-feira, 18 Maio 2010

O nominalismo e os universais

A Querela dos Universais, que se arrastou desde a antiga Grécia até ao modernismo, está essencialmente ligada à ausência de uma noção de “consciência” na História da Filosofia até depois de Descartes. Na proposição de Sócrates “conhece-te a ti mesmo” podemos notar uma alusão à consciência, mas de uma forma que não é suficientemente clara e inequívoca. Santo Agostinho teve também alguns conceitos de que podemos extrapolar a noção de consciência, mas só depois de Descartes esta foi plenamente desenvolvida.
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Domingo, 21 Março 2010

Entre Gandhi e Husserl

Estive ontem a rever (em DVD) o filme “Gandhi” que na minha opinião é um dos melhores filmes de sempre. Dei comigo a pensar que Einstein não esteve certo quando disse que “nas próximas gerações as pessoas se interrogarão sobre o facto de como foi possível que uma pessoa com as características dele (de Gandhi) tenha andado sobre esta terra”. Perguntem hoje a alguém na Europa com menos de 30 anos quem foi Gandhi e estou convencido de que a maioria tem uma ideia desfocada da personagem e o resto simplesmente não sabe; dêem mais duas gerações à Europa e Gandhi mergulhará no esquecimento total. E isto porque o aparecimento na Europa da idade moderna de um fenómeno minimamente semelhante ao de Gandhi ― por mais remota que seja essa semelhança ― seria praticamente impossível; alguém com uma mundividência semelhante à de Gandhi seria ― na Europa do filisteu actual ― considerado um maluco risível e “a quem se deve dar um desconto”.
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Quarta-feira, 28 Janeiro 2009

Edmundo Husserl

Num dos últimos postais fiz referência à fenomenologia de Husserl que foi utilizada pela Utopia Negativa, pelo Existencialismo contemporâneo e pelo desconstrucionismo esquerdista..
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Sexta-feira, 7 Março 2008

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Filed under: diarreias — O. Braga @ 6:15 pm
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