perspectivas

Quinta-feira, 30 Junho 2011

Bernard de Mandeville e a sociedade ocidental da ética anética

“Vícios privados são virtudes públicas” — Bernard de Mandeville

Se quisermos encontrar as causas ideológicas próximas do desastre ético que acontece hoje no Ocidente, teremos que recordar o bisavô da ética utilitarista: Bernard de Mandeville — mais conhecido em Inglaterra do princípio do século XVIII, como “Man Devil”. Normalmente, dizemos que Bentham foi o avô da ética utilitarista, e é verdade; mas o conceito de “maior felicidade para um maior número de pessoas” não é da autoria de Bentham, mas do outro bisavô do utilitarismo inglês: Hutcheson.
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Quinta-feira, 23 Junho 2011

A essência da modernidade e o preconceito

A maioria dos católicos — e mesmo dos cristãos em geral — critica Kant e com razão: a ética de Kant pretendeu ser um substituto da ética humanista cristã e falhou em toda a linha. Porém, eu insisto sempre na ideia de que não faz sentido concentrarmos as nossas críticas em Kant, pela simples na razão de que — em minha opinião — ele não foi o pior dos modernistas. Incomparavelmente mais nefastos do que Kant foram Espinoza, Hume e Hegel.


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Domingo, 10 Abril 2011

O mistério da mentecapcia minoritária que ainda apoia José Sócrates

Pergunto-me como é possível que depois do descalabro da governança socratina, as sondagens ainda lhe dêem 30% das intenções de voto. Esses 30% não podem ser todos de militantes do Partido Socialista; e também não aceito a ideia de que sejam todos gente que depende de esmolas ou de prebendas do Estado. Poderia aceitar a ideia de que as sondagens estão erradas, mas então, e por uma questão de coerência, não estaria a escrever este postal.
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Quarta-feira, 27 Fevereiro 2008

Exercício sobre a opinião da ministra, à luz de Hume e de Kant

Enunciado

No último programa dos Prós + Contras na TV, a ministra da educação respondeu a uma crítica de uma professora que sustentava a ideia de que a gestão da educação tem sido sistematicamente entregue a ministros que não têm conhecimento directo da área educativa. A ministra ripostou com o argumento que não é necessário que uma pessoa tenha conhecimentos específicos sobre uma determinada área para ser ministeriável. Será verdadeira esta afirmação da ministra?

Observação

Na minha opinião, trata-se de uma inverdade transformada em verdade cultural sagrada pelo tipo de sociedade que temos. Vou recorrer à “Crítica da Razão Pura” de Kant para provar que a ministra não tinha razão na sua afirmação.
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Domingo, 23 Dezembro 2007

John Gray

Filed under: Religare — O. Braga @ 6:38 am
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Não há nada de novo em John Gray, senão o desenvolvimento e a actualização do cepticismo de Hume, e só encontra algo de novo nele quem não conhece a história da filosofia. “As crenças convencionais estão sempre muito afastadas da realidade”, e o mesmo se pode dizer da ciência – que é uma crença lógica e empiricamente fundamentada, e é “crença” porque se acredita precária e temporariamente que ela contenha a verdade – que todos os dias descobre que estava errada no dia anterior. Quando Gray critica os gregos, critica toda a ética que com eles nasceu muito antes do cristianismo – e é exactamente aí onde ele quer chegar, por motivos estritamente pessoais e subjectivos.

Terça-feira, 4 Dezembro 2007

A ideologia neoliberal

O Neoliberalismo tem muito pouco a ver com o liberalismo capitalista clássico, que sempre foi uma teoria económica com repercussões na política, e não uma ideologia política propriamente dita. O Neoliberalismo resulta de uma filosofia antropocêntrica, à semelhança do Marxismo, e o actual tipo de globalização está directamente relacionado com a expansão da ideologia política resultante da filosofia de Hayek.

As influências filosóficas de Hayek

Já aqui falei em Kant e em Heidegger, mas ainda não me referi a Hume e a Aristóteles; os quatro são os filósofos em que se sustentou Hayek para lançar as bases da sua filosofia.
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