perspectivas

Quinta-feira, 23 Setembro 2010

O amor da humanidade

« Nunca confie num homem que diz amar a humanidade. »

Li esta frase no Twitter. Está na moda “amar a humanidade”. Há políticos que fazem campanha pelo amor à humanidade. Em nome do amor à humanidade se falsificaram os dados do IPCC relativos ao alegado aquecimento global alegadamente antropogénico. Pelo amor à humanidade defende-se o aborto ilimitado. Pelo amor à humanidade defende-se o infanticídio e a eutanásia. Pelo amor à humanidade se combate contra a existência das nações e se defende a globalização através da implementação de um governo mundial. Este problema é (também) ético.
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Terça-feira, 16 Fevereiro 2010

Sobre a ideia de “progresso histórico”

Imaginemos uma estória passada no século XV, em que uma frota com navegadores portugueses se aventuravam para além do cabo Bojador. À medida em que esses homens iam avançando na sua viagem, iam conhecendo novas realidades até então totalmente desconhecidas na Europa. Significa ― esse conhecimento empírico de novas realidades ― que esses homens terão mudado as suas essências como seres humanos? Significa que o progresso no conhecimento do mundo, por parte desses homens, terá, de algum modo, alterado a sua essência humana ― ou na expressão de Eric Voegelin, “a ordem do ser”? É evidente que a ordem do ser nunca muda, independentemente do conhecimento e do chamado “progresso”.
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Sexta-feira, 15 Janeiro 2010

A tragédia humana no Haiti

Filed under: Religare — O. Braga @ 5:28 pm
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A terra tremeu no Haiti e a tragédia entrou pelas nossas casas adentro. Dezenas de milhares de mortos são estimados, famílias desfeitas, sobreviventes que lutam pela sobrevivência; um povo desesperado que não consegue sequer agora pensar no futuro. No Haiti vive-se um eterno presente, porque o passado é um inferno que se quer esquecer e o futuro não tem nome.

Em momentos de aflição como o que se vive no Haiti, reaparece a nossa alma neolítica; quando o chão treme violentamente debaixo dos nossos pés, deixamos por momentos de acreditar na ciência e na técnica; duvidamos do racional e do irracional. Apenas nos resta, nesses momentos em que a realidade objectiva parece desabar à nossa volta, a fé no arracional e no super-racional.

O arracional é tudo aquilo que não é racional nem irracional, como é o caso do Ser e da Existência. Perante uma tragédia daquela dimensão reduzimos a nossa realidade ao Ser e à Existência que, aparentemente sem razão de ser, são e não deixam de ser. E do arracional somos transportados para o super-racional que está presente em toda a criação e do qual deriva a arracionalidade da existência e do ser. E é por isso que, em uma situação-limite daquela natureza, rezamos nós como rezam os haitianos, para que possamos re-apreender o mito que tudo engloba ― o racional, o irracional, o arracional e o super-racional ― e sem o qual não podemos viver.

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