perspectivas

Quarta-feira, 20 Julho 2016

A preocupação com a desconstrução da História de Portugal

Filed under: Política — O. Braga @ 12:58 pm
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brasoes-lxDizem os radicais de esquerda da Câmara Municipal de Lisboa que “os brasões da Praça do Império não existem, e por isso não estão a apagar nada” (no sentido de “apagar” a memória histórica). Ou seja, parece que deixaram propositadamente a erva daninha cobrir os brasões; e depois de transformar os jardins da Praça do Império em um matagal, dizem que “não está lá nenhum brasão”.

Este episódio dos brasões do império português é apenas um pequeno exemplo do que nos espera: a sistemática obnubilação da memória portuguesa e a desconstrução da nossa História. Estaline retirou Trotski da fotografia; a Esquerda utiliza o mesmo método em relação à História de Portugal: retira determinados símbolos da fotografia histórica nacional. Não tarda nada mudam o nome da Praça do Império para (por exemplo) “Praça da Lusofonia” ou “Praça do Acordo Ortográfico”.

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Domingo, 15 Fevereiro 2015

O Recentismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:18 pm
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O Recentismo é uma teoria de desconstrução da História segundo a qual , por exemplo, Jesus Cristo terá nascido no ano de 1053 e crucificado no ano de 1086; e as cruzadas terão acontecido logo após a morte de Jesus Cristo em 1086… o Livro do Apocalipse terá sido escrito em 1486, e o Antigo Testamento terá sido escrito na Baixa Idade Média.

Isto significa que Portugal não poderia ter sido fundado em 1143, porque nesta data não havia Antigo Testamento e os textos da Igreja Católica do tempo da fundação da nacionalidade portuguesa já faziam referência ao Antigo Testamento. Portanto, Portugal terá sido fundado em fins da Idade Média e D. Afonso Henriques simplesmente não existiu ou viveu no século XV. Provavelmente, a I dinastia portuguesa não existiu e os descobrimentos portugueses terão começado no século XVII… !

O Recentismo é uma teoria russa que coloca em causa a História ocidental e ataca a Igreja Católica: diz que foi a Igreja Católica que aldrabou a História da Europa. Na modernidade tudo é possível, incluindo colocar em causa factos históricos documentados. Nenhum documento histórico é hoje considerado fiável pelo Recentismo.

Quarta-feira, 26 Novembro 2014

As causas primevas da letargia do povo português

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:52 am
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“Como é que os portugueses passaram de um povo guerreiro que em tempos se destacou pela tenacidade com que empreenderam a Reconquista e posteriormente a fantástica epopeia dos Descobrimentos, para um povo que arrisco chamar de letárgico, é coisa que não consigo compreender e sinceramente duvido que alguém seja capaz de tal.”

A Podridão do Regime

Uma resposta parcial pode ser encontrada em Maquiavel (não gosto dele, mas por vezes ele tinha razão). Outra razão foi a eliminação da diferença cultural hierarquizada. E, finalmente, a decadência das elites a partir de metade do século XVI que fez descambar Portugal para o domínio da Espanha dos Filipes.

Estas três componentes, digamos assim, devem ser vistas em conjunto, ou seja, estão interligadas e coincidiram fatidicamente as três em um espaço de tempo inferior a 100 anos: foi quanto bastou para a “letargia” de Portugal, que só foi mitigada no tempo através do apoio político e militar de Inglaterra.

Vamos a Maquiavel.

Nas suas Cartas, Maquiavel criticou o “otium” (lazer, inacção, ócio), porque, segundo ele, o ócio corrompe. Enquanto que para Petrarca e os filósofos do seu tempo, o lazer permitiria o regresso da pessoa a si própria, Maquiavel via no lazer a condição da dissolução do compromisso civil. Petrarca argumentava que poderia existir um ócio activo (“otium negotiosum”), mas Maquiavel afirmava que era tudo a mesma coisa: ócio é ócio, e nada mais do que isso.

Dizia Maquiavel que “as letras seguem as armas”, e que, “nas cidades, os capitães aparecem à frente dos filósofos”; “o poder de homens de armas não se pode corromper mais honradamente do que pela prática das letras, nem a ociosidade instalar-se na cidade de maneira mais pérfida e perigosa”. Isto foi o que aconteceu em Portugal até meados do século XVI, em que, por exemplo, o poeta Luiz de Camões seguiu a saga e a acção dos capitães dos Reino, e não o contrário disto. Até 1550, sensivelmente, os poetas e filósofos portugueses seguiam as armas; o regime político de antanho era “anti-ócio”.

Dizia Maquiavel que o lazer intelectual é ocioso, porque, alegadamente e segundo ele, nasceu da paz e nela se instalou criando a ilusão de ter toda a razão de ser nela própria: erradamente pensa-se, então, que bastaria amar a paz para ter a paz, o que faz com que se transforme o repouso, conquistado pelas armas, na ociosidade que faz baixar as armas e leva à extinção da virtude guerreira.

Por isso, diz Maquiavel, é preciso imitar Catão, que vendo a juventude romana afeiçoar-se a filósofos gregos Diógenes e Carnéades, “e sabendo o mal que tão honesta ociosidade podia trazer à pátria”, “tudo fez para que nenhum filósofo pudesse ser recebido em Roma”.

Portugal, até meados do século XVI, esteve praticamente fechado a influências ideológicas externas e, portanto, quase imune a qualquer tipo de desnacionalização (com excepção da influência dos reis católicos de Espanha), por um lado, e de contágio ideológico corruptor, por outro lado.

Maquiavel também se refere à localização geográfica onde vive um determinado povo. ¿Qual será o melhor local? — pergunta Maquiavel: ¿será preferível um local fértil ou um local estéril?

“Os homens agem por necessidade ou por opção (…) e daí que haja mais virtude onde a escolha é menos livre” — diz Maquiavel. A vantagem de um país menos rico em recursos é, em primeiro lugar, a de obrigar os homens a serem industriosos e menos preguiçosos, e a reforçar a sua unidade interna. Ao reforçar a concórdia interna, a necessidade satisfaz, então, a primeira condição da segurança da comunidade ou da nação. Porém, e para além dessa segurança interna, é necessário (segundo Maquiavel) ter capacidade de resistência às agressões externas, e por isso há que expandir o território através da criação de colónias, criando riqueza para aumentar o poder defensivo. Mas a criação de colónias apresenta o inconveniente de introduzir o ócio que ameaça a unidade dos cidadãos…

Para Maquiavel, o lazer adormece a consciência dos cidadãos em relação aos perigos latentes e faz perder as energias comunais, por um lado, e por outro lado contribui para o aumento exacerbado das ambições particulares que são sintoma de corrupção pública. Lazer e desunião são correlativos.

“As causas das desunião das repúblicas não são as mais das vezes a ociosidade e a paz; as causas da união, pelo contrário, são o medo e a guerra. Se, portanto, os habitantes de Véiès — que não cessaram de ofender os romanos com ataques e insultos — tinham sido sábios, mais o foram quando vendo Roma desunida, desviaram o pensamento da guerra e procuraram oprimir os romanos com a arte da paz”.

Quando a elite portuguesa (nobreza e o clero) da primeira metade do século XVI se apresentou desunida, foi oprimida pela “arte da paz” da potência espanhola.

Por fim, temos a eliminação da diferença cultural hierarquizada. Karl Popper chama à atenção para o facto de as civilizações surgirem em territórios onde existem diferenças culturais que coabitam, mas em que essas diferenças estão sujeitas a uma hierarquia de valor — as culturas coabitantes não são consideradas iguais entre si, mas antes há uma cultura que é preponderante e mais valorizada do que outras, ou seja, a antítese do actual multiculturalismo.

Com a perseguição aos moçárabes, e principalmente com a expulsão dos judeus a partir de D. Manuel I, Portugal deixou de ser uma sociedade em que existia uma diferença cultural hierarquizada.

Sábado, 1 Junho 2013

Luiz de Camões, Shakespeare e o efeito Trickle-down de Georg Simmel

Só tive consciência plena de quem era Camões quando fui obrigado a estudar, no antigo 4º Ano dos Liceus, os Lusíadas. A “coisa” metia medo. Os Lusíadas não eram apenas lidos: eram estudados. E eram mesmo decorados, em algumas partes. E como escreveu Edouard Herriot (e não André Gide, como alguns dizem), “a cultura é o que fica quando se esqueceu tudo”.

A “coisa” era levada muito a sério. A tolerância era quase zero: quem não estudava os Lusíadas não passava na disciplina de Português. De vez em quando lá surgia um professor meio canhoto e canhestro que, identificando Camões com o Estado Novo, via no poeta um símbolo do “fascismo”. E foi aqui que começou o problema do negacionismo da nossa cultura, quando o reviralho fez associações simbólicas indevidas e irracionais entre a História de Portugal, por um lado, e as ideologias políticas coevas, por outro lado. A verdade é que Camões nada teve a ver com o “fascismo”, quanto mais não seja porque no século XVI ainda não tinha surgido o Afonso Costa.

E os doutos picaretas ideológicos das canhas começaram, então, a martelar na cultura. Por exemplo, davam uma ligeira ensaboadela d’Os Lusíadas em um mês, e depois impunham o estudo de Aquilino Ribeiro durante um trimestre inteiro. Foi assim que os invertidos políticos destruíram a cultura portuguesa. Não é que Aquilino não seja legível: o que é, é que o cu não tem nada a ver com as calças, e o estudo de um não proíbe o estudo de outro. Mas os professores do reviralho silencioso, no Estado Novo, não pensavam assim.

Depois veio o 28 de Abril de Troca-O-Passo. A “coisa” piorou. Na filosofia, por exemplo, a teoria do conhecimento foi erradicada e substituída por Karl Marx. Passamos a conhecer as ideias de Karl Marx e Engels sem termos mínima ideia do que era o Conhecimento. Iniciou-se o desconstrutivismo histórico – tão caro a Fernando Rosas e ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista – que transformou a História de Portugal em uma narrativa acerca de gerações multi-seculares de malfeitores façanhudos sem escrúpulos. Os nossos tetravós passaram a ser uns filhos da puta, e o Camões da família deles. “Vai chatear o Camões!”, passou a ser o slogan. Isto é uma das “coisas” que eu nunca perdoarei à Esquerda! Jamais!

Mas se eu só tive consciência plena de quem era Camões quando fui obrigado a estudá-lo, já tinha ouvido falar nele através do efeito de Trickle-down. Camões era mencionado amiúde em conversas de família, ou em conversas entre adultos a que a criança assiste. Apesar do negativismo comuna embutido no sistema, Camões era falado, conversado, e mencionado às mesas dos cafés, em tertúlias de amigos, nas famílias – e as crianças ouviam. Hoje, as crianças não ouvem nada porque ninguém fala.

Portanto, não admira que as crianças inglesas não saibam hoje quem foi Shakespeare , assim como não me admiro que as crianças portuguesas só conheçam o Camões quando querem mandar alguém à bardamerda. A Esquerda venceu a guerra cultural. E depois, ainda se queixam

Adenda: o que interessa é ensinar, nas escolas, a “educação sexual”, e a ideia de que “não existem sexos”. E que se lixe o Camões! A cultura faz-se nas alcovas!

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