perspectivas

Quinta-feira, 8 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (4)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 12:09 pm
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Uma das características de alguma teoria política modernista (por exemplo, Hannah Arendt) ― recuso a designação de “filosofia política” pela razão explicada, assim como a designação de “ciências políticas” porque de acordo com o princípio de falsificabilidade de Karl Popper, as chamadas “ciências políticas e sociais” não podem ser consideradas como ciências positivistas e o mesmo acontece, por exemplo, com a psicanálise (Freud) e/ou com o marxismo ― é considerar que a liberdade depende [é efeito] da acção.
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Segunda-feira, 15 Junho 2009

Hannah Arendt

Filed under: filosofia — O. Braga @ 12:19 pm
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Hannah Arendt teve a qualidade de constatar a necessidade óbvia da denúncia dos totalitarismos do século XX, ao mesmo tempo que tentava branquear a História ao tentar justificar [como sendo uma evolução positiva] a epistemologia filosófica a partir da Idade Moderna. Existe, portanto, uma contradição interna no próprio pensamento de Hannah Arendt, que na minha opinião não é só dela: é comum a todas as mulheres que abordaram a filosofia de forma mais profunda. Por alguma razão não existem “mulheres filósofas”; para quem considerava Hannah Arendt uma delas, ela própria encarregou-se de o desmentir ao negar esse estatuto e atribuir a si própria o epíteto de “filósofa política”, como se a realidade pudesse ser compartimentada de forma a que a política ― como qualquer outra coisa ou fenómeno humano ― se pudesse destacar da filosofia. Outro exemplo de uma “filósofa política” foi Simone Beauvoir, que para além do feminismo, se cingiu à clonagem do existencialismo de Sartre. Aliás, nunca entendi muito bem o conceito de “filosofia política”, como se fossem possíveis conceitos quejandos como o de “filosofia médica”, ou “filosofia carpinteira”, ou “filosofia religiosa”; política é política, religião é religião, ciência é ciência e a filosofia abarca tudo. A compartimentação da filosofia consiste na sua própria negação, e nesse sentido, Hannah Arendt seguiu à risca o enviesamento positivista do pensamento moderno.
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Quarta-feira, 10 Dezembro 2008

A intenção totalitária de José Sócrates

Filed under: educação — O. Braga @ 10:55 am
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Se existe um filósofo ― neste caso, filósofa ― contemporâneo que eu respeite e aprecie, é Hannah Arendt. No seu texto “As Origens do Totalitarismo”, Hannah diz que o totalitarismo “é uma forma de governo moderno por excelência”, sendo a negação do “político”.

Segundo Hannah, o totalitarismo baseia-se, em primeiro lugar, na destruição do tecido social e na atomização da comunidade reduzida a um estado de massa inerte e indiferenciada. Os meios de coesão próprios do totalitarismo são a ideologia e o terror, que culminam — in extremis — com os campos de concentração e/ou Gulag.

Segundo os agentes totalitários ― escreve Hannah ―, “tudo é permitido, tudo é possível”, sendo que este critério ético é a chave da intenção totalitária.

Depois de duas gigantescas manifestações de professores num espaço de seis meses, depois de uma greve com adesão de cerca de 95% dos docentes, José Sócrates afirma que a maioria absoluta do PS lhe serve para defender a ideia de que tudo lhe é permitido, de que tudo lhe possível. A intenção totalitária é a mesma em Sócrates como em outros celerados da História; o que separa Sócrates de um ditador plenipotenciário é a forma do sistema político vigente que o inibe de ir mais longe; contudo, o ditador existe, é uma realidade incontestável.

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