perspectivas

Sexta-feira, 21 Fevereiro 2014

O pensamento duplo orwelliano coelhista

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 11:35 am
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“A vida das pessoas não está melhor, mas o país está muito melhor”Luís Montenegro, membro do Partido Social Democrata e da maçonaria

O pensamento duplo é um termo cunhado por George Orwell no seu livro “1984” , que descreve o acto de se aceitar como correctas simultaneamente duas crenças mutuamente contraditórias e exclusivas entre si, e muitas vezes em contextos sociais diferenciados.

Por exemplo: “A paz é a guerra”; ou “viver bem é viver mal”.

Quinta-feira, 15 Março 2012

A prática da teoria da conspiração

« Writing in The Daily Telegraph, Lord Brennan said, “familiar words such as ‘husband and wife’ and ‘mother and father’ are disappearing from the statute books in the small minority of countries that have begun the experiment in social engineering”.

He went onto explain that, in Spain, marriage was redefined in 2005 and, “the following year, it was announced that Spanish birth certificates would read ‘Progenitor A’ and ‘Progenitor B’ instead of ‘father’ and ‘mother’.”

“This kind of language is Orwellian. Can we expect the same kind of thing here if marriage is redefined?” «

via Labour Peer: Gay marriage could have Orwellian results | News | The Christian Institute.

Somos obrigados a reconhecer que o lóbi político gayzista é muitíssimo poderoso, e devemos levá-lo muito a sério e temê-lo. A prova disto é o caso do Reino Unido onde governa um primeiro-ministro dito “conservador”, David Cameron, que estabeleceu o “casamento” gay como uma prioridade máxima da sua governança, colocando-o mesmo acima da própria economia. O que leva um primeiro-ministro inglês e dito “conservador” a considerar o “casamento” gay mais importante do que a economia do seu país?! Realmente assustador…!
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Terça-feira, 15 Março 2011

Não sejas carneiro! Diz “NÃO” ao Censos 2011

“Falar Claro”, no Porto TEDX

Vinha há pouco no carro e ouvi na Antena 1 da RDP o anúncio — com direito a entrevista — de um evento a realizar no Porto TEDX sobre o tema “Falar Claro”. A “coisa” é mais ou menos assim:

Uma vez que o nosso ensino está a formar analfabetos funcionais, é necessário reduzir a complexidade da linguagem escrita (a todos os níveis, incluindo a das instituições do Estado), de modo a que os novos analfabetos possam ser integrados na sociedade. Em vez de tentarmos elevar o nível cultural dos cidadãos, vamos baixar o nível e a complexidade da comunicação, através da redução da significação da linguagem ao mínimo possível.


Eu não conheço os promotores dessa conferência no Porto, e portanto, não vou fazer juízos de valor acerca das pessoas. Vou só analisar as ideias.

O cientista político dinamarquês Kresten Schultz-Jørgensen (ver página dele no FaceBook) escreveu recentemente um artigo com o título “Technology, Superficiality, and Fascism” (Tecnologia, Superficialidade e Fascismo). Eu não tenho tempo para traduzir o artigo, mas o leitor poderá fazer-me o favor de utilizar o tradutor do Google.

A certa altura do texto, Kresten Schultz-Jørgensen escreve o seguinte:

[A simplificação da linguagem] é um retrocesso, e George Orwell tinha razão : a dissolução da competência linguística com justificação na necessidade, leva à erosão do poder mental [do cidadão] e ao aparecimento de um fascismo auto-criado.

Menos palavras, menos espaço mental, mais preconceitos: os componentes-chave do fascismo.

A iniciativa “Falar Claro” faz parte de um projecto social-fascista, certamente ligado a uma Esquerda fascista protagonizada pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista. Até que ponto os organizadores do tal evento têm a consciência disso, é secundário. O que interessa são os factos.

Quarta-feira, 10 Março 2010

A falta de coragem moral

Posso estar errado, mas tenho a noção de que a maioria de qualquer povo ― incluído o português ― não é de esquerda (no sentido ideológico do termo) e que existe (isso, sim) uma grande falta de coragem moral. O povo não é de esquerda porque esta desafia e pretende destruir o senso-comum que se baseia na estrutura objectiva da realidade, e seria uma contradição que o senso-comum não pertencesse por natureza à maioria do povo.

A falta de coragem moral decorre do medo da expressão livre do pensamento ou da simples indiferença em relação ao mundo. Ortega Y Gasset escreveu sobre esta maioria de pessoas:

“De baixo da aparente indiferença da despreocupação está latente um pavor secreto de ter que resolver por si mesmo, originariamente, os actos, as acções, as emoções ― um humilde afã de ser como os demais, de renunciar à responsabilidade ante o próprio destino, dissolvendo-o na multitude; é o ideal eterno do débil: fazer o que faz o mundo todo, é a sua preocupação.”

Contudo, o “pavor secreto” e íntimo de que nos fala Ortega y Gasset deixou de ser apenas a expressão do ignaro que prevalecia no tempo em que o filósofo escreveu essas palavras, para lhe ser acrescentado hoje o medo da livre expressão. As pessoas passaram a ter medo de ser livres. Este fenómeno é assustador.

Hoje, a maioria já nem sabe sequer se pode ou deve fazer aquilo que faz o mundo todo: para além de débil, passou a ser moralmente covarde, em consequência da destruição dos símbolos por parte do marxismo cultural que mergulhou a sociedade numa confusão de significados. Instalou-se a torre de Babel dos símbolos e da linguagem.

Aquilo que a maioria sente já não o diz abertamente senão no núcleo mais íntimo das suas relações; e mesmo aqui corre o risco de ter problemas. Aquilo que lhe parece óbvio é calado pelo medo da crítica política e ostracismo social promovidos pelo Poder. Tem-se medo de perder amigos, de perder o emprego e sobretudo de ser prejudicado na sua carreira no emprego no Estado, e por isso, o silêncio passa a ser a norma da sobrevivência. Se o “débil” do tempo de Gasset aceitava o status quo sem pensar, para além dessa despreocupação e estupidez natural, o covarde moral contemporâneo vive o terror da contradição auto-evidente entre a sua percepção da realidade do mundo e aquilo que o Poder político lhe impõe como sendo a realidade.

A minha esperança é que essa maioria silenciosa ― à semelhança da maioria silenciosa nos anos 70 ― um dia resolva acabar com o totalitarismo das ideias e com a censura do pensamento.

Quarta-feira, 19 Agosto 2009

Eu sou madeirense!

Automóveis: Madeira recusa lei dos chips nas matrículas

chip“O Parlamento Regional invoca o receio de um Big Brother e as dúvidas da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) sobre as implicações relativas à privacidade dos cidadãos e respectivos direitos, liberdades e garantias. O decreto regional contesta a inclusão da Madeira prevista na legislação publicada a 18 de Maio, e segundo a qual a matrícula electrónica será obrigatória em todos os veículos automóveis a partir de 2010. O chip permite o controlo e a gestão de várias funcionalidades, que vão do pagamento electrónico de portagens – solução do governo para a cobrança nas scut (auto-estradas sem custos para o utilizador) – à fiscalização rodoviária e localização de veículos, a qualquer momento, para efeitos de segurança rodoviária e controlo de criminalidade.”

A segurança pública não pode depender da instalação de uma sociedade de Big Brother, em que é colocada em causa paulatina e seriamente a privacidade do cidadão; antes passa pelo controlo da imigração, pela revisão da lei penal no que respeita à celeridade da justiça e aplicação das penas, investimento a sério na Justiça e nas infraestruturas prisionais, e modernização das forças policiais.

Segunda-feira, 16 Junho 2008

Citação de George Orwell

Freedom of thought and of the press are usually attacked by arguments which are not worth bothering about. Anyone who has experience of lecturing and debating knows them off backwards. Here I am not trying to deal with the familiar claim that freedom is an illusion, or with the claim that there is more freedom in totalitarian countries than in democratic ones, but with the much more tenable and dangerous proposition that freedom is undesirable and that intellectual honesty is a form of anti-social selfishness.

A liberdade de pensamento e de imprensa são usualmente atacadas através de argumentos que não valem que percamos tempo com elas. Quem tem experiência em docência e em debates sabe disso de cor. Não estou aqui a tentar trazer à discussão o vulgar argumento de que a liberdade é uma ilusão, ou o argumento de que existe mais liberdade nos países totalitários que nos países democráticos, mas com a mais consistente e perigosa proposição de que a liberdade é indesejável e que a honestidade intelectual é uma forma de egoísmo anti-social.

The enemies of intellectual liberty always try to present their case as a plea for discipline versus individualism. (…) Freedom of the intellect means the freedom to report what one has seen, heard, and felt, and not to be obliged to fabricate imaginary facts and feelings. The familiar tirades against ‘escapism’ and ‘individualism’, ‘romanticism’, and so forth, are merely a forensic device, the aim of which is to make the perversion of history seem respectable.

Os inimigos da liberdade intelectual tentam sempre apresentar o seu caso como uma defesa da disciplina em detrimento do individualismo. (…) A liberdade intelectual significa a liberdade de transmitir a realidade que cada um viu, ouviu e sentiu, e não o ser obrigado a fabricar factos e sentimentos imaginários. As conhecidas tiradas contra o “escapismo” e contra o “individualismo”, o “romanticismo”, e por aí fora, são meros artefactos legalistas cujos objectivos são os de fazer com que a perversão da História pareça digna de respeito.

George Orwell — The Prevention of Literature / 1942 (tradução livre do autor do blogue).


Agora leiam este artigo do Vasco Pulido Valente que fui “sacar” (com a devida vénia) ao Socratinices:


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Domingo, 15 Junho 2008

Balanço do “não” irlandês

As predicted recently by economist David McWilliams, the Lisbon Treaty result hinged very much on a question of class, and access to wealth. Yesterday’s result proved him not only to be right, but exposed the brutally the ignorance of the Irish and European political establishments to the needs and wants of the Irish people.

Esta análise no blogue Irish Bulletin é acertada. Do que se trata, quando discutimos o Tratado de Lisboa — e para além da perda de soberania e da humilhante subordinação nacional a interesses inconfessáveis –, é de uma questão de classes sociais. O Tratado de Lisboa transporta no seu bojo uma estratégia neoliberal radical de distanciamento progressivo de rendimentos entre ricos e pobres (países do norte e do sul, do centro e da periferia), com a agravante de tentar legitimar uma crescente injustiça social através da repressão autoritarista sancionada pelos governos que delegam o seu poder na União. O fenómeno irlandês não é isolado.

Those supporting Lisbon are the political and media establishments, the rich in their strictly Anglo-Irish bubble settlements, the pension-proud elderly, the cosmopolitan and those who have excelled in climbing the ladders of the civil service. (…) In one form or another, miserable and Masonic plans for a European superstate have been rejected by the people of Holland, France and now Ireland, and yet still they plot with the cards they still hold. And let’s not be under any illusion here – while the cards they hold are backed by the pokerfaces of the media, the legal and political professions and the world of high finance, as long as right-thinking people exist in large numbers, their foothold is as flimsy as a house of those same cards.

O que está em causa é a legitimação de uma elite plutocrata controlada pela maçonaria e a consolidação de uma nomenclatura social que a sustente, à custa de medidas repressoras que mantenham as classes mais baixas controladas através de uma repressão autoritária que se acentuará inexoravelmente, se o Tratado de Lisboa seguir em frente. Por isso, existe, de facto, um paralelismo entre a UE do leviatão e a ex-URSS; uma as diferenças é que o leviatão europeu ainda não está consumado nem consolidado, sendo ainda muito cedo para falarmos na brutalidade de um sistema que ainda não existe — mas os sinais estão todos lá para quem quer ver.

Sábado, 29 Dezembro 2007

1984 (de Sócrates)

Als die Nazis die Kommunisten holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Kommunist.

Als sie die Sozialdemokraten einsperrten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Sozialdemokrat.

Als sie die Gewerkschafter holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Gewerkschafter.

Als sie die Juden holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Jude.

Als sie mich holten,
gab es keinen mehr, der protestieren konnte.

(Martin Niemöller — pastor luterano, 1892 – 1984)

Lembrei-me deste poema quando li isto.
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