perspectivas

Segunda-feira, 5 Agosto 2013

O fim anunciado da democracia espanhola

Filed under: Europa — O. Braga @ 7:23 am
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Numa altura em que a Catalunha pondera um referendo nacional sobre a sua independência, o governo espanhol resolveu embirrar com a Inglaterra por causa do penedo de Gibraltar. Mas não só a Catalunha: o País Basco e a Galiza podem ser as nações que se seguem no pedido de independência.

O embaixador espanhol no Reino Unido já foi chamado a Madrid por causa de uns blocos de cimento que o Reino Unido colocou ao largo de Gibraltar, alegadamente em águas territoriais espanholas. E mais: o governo espanhol pretende cobrar 50 Euros por cada entrada e saída de pessoas do rochedo de Gibraltar – ou seja, uma visita a Gibraltar, caso o governo espanhol avance com esta ideia obtusa e medieval, irá custar 100 Euros!

Mas o governo espanhol já não está preocupado com o caso de Olivença. E vendo tudo isto, até penso que foi uma boa ideia o presidente da república ter estado recentemente nas Ilhas Selvagens, no arquipélago da Madeira, porque para Espanha um rochedo qualquer justifica um incidente diplomático grave, e Olivença continua a ser espanhola apesar de Espanha nunca ter cumprido o que assinou no Tratado de Viena ratificado pelas potências europeias em 1817: o governo espanhol comprometeu-se solenemente a entregar a praça de Olivença a Portugal, coisa que nunca fez.

Das duas uma: ou a democracia espanhola continua alegremente rumo à decomposição do Estado espanhol nas suas diversas nacionalidades; ou é preciso arranjar um novo Franco.

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Segunda-feira, 16 Julho 2012

O albergue espanhol do Corta-fitas

Como abri aqui uma categoria para o blogue Rerum Natura, vou abrir também uma categoria para o blogue Corta-fitas. Ambos têm merecimento semelhante.

Tenho uma amiga que agora vive em Espanha e que ainda está muito sensível à comparação das duas sociedades, portuguesa e espanhola. Num jantar, no meio de uma conversa entre amigas, disse uma coisas muito interessante: “Em Espanha não há esta obsessão com as diferenças sociais que há cá, porque Espanha é uma enorme classe média, onde toda a gente convive informalmente. Naquele contexto percebe-se perfeitamente porque o Príncipe Filipe casou com a Letízia”. Ao que eu respondi, é esse o caminho que Portugal vai percorrer nas próximas gerações, se Deus quiser.

Os espanhóis são simples e directos, por isso é que Espanha está onde está e pesa o que pesa no mundo e Portugal vive agarrado a preconceitos bacocos que apenas dão a ilusão de uma perpetuação do status quo, porque na realidade não há nenhuma permanência, mas sim um empobrecimento generalizado. Está tudo mais pobre, mas alguns continuam a pavonear-se com tudo o que têm para se auto-convencerem que ainda são o Grande Elias.

via Por onde vamos? – Corta-fitas.

Como diria Fernando Pessoa, alguns dos escribas do Novo Corta-fitas “são servos submissos da primeira mesquinharia francesa, súbditos reles da hipnose do de-lá-fora”.

Em primeiro lugar, não existe uma definição para “espanhol”.

A primeira característica de uma nação é a língua, e uma língua franca não define uma nação nem uma nacionalidade. Existem catalães que falam o catalão; a propósito convém dizer que o catalão está etimologicamente mais longe do castelhano do que este último do português. Existem galegos que falam um português mais antigo. E existem os Bascos cuja língua não tem absolutamente nada a ver com qualquer das línguas referidas. Por isso, ser “espanhol” é uma abstracção, é uma metáfora; e quando alguém não compreende isto, ou nunca foi a Espanha ou é um espírito bacoco.
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Sexta-feira, 18 Fevereiro 2011

A esquerda, sem a cultura do aborto, morre!

Os erros ideológicos não são passíveis de correcção ; só esmagando-os, literalmente, os podemos eliminar.

Defender, hoje, coisas tão simples e do âmbito do senso-comum, como por exemplo a maternidade ou a família tradicional, é considerado como sendo de extrema-direita. Portanto, eu sou considerado de extrema-direita pela esquerda actual. A pergunta é esta: fui eu que me mudei para a extrema-direita, ou foi a esquerda que me mandou para lá?
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Terça-feira, 4 Janeiro 2011

Na Galiza, os professores têm agora o estatuto de Autoridade Pública

Filed under: cultura,curiosidades — O. Braga @ 7:32 pm
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Na Galiza, os professores têm agora o estatuto de Autoridade Pública, equivalente ao dos agentes da polícia. A palavra de um professor prevalece, em caso de polémica, e passa a ter uma protecção jurídica especial.

Quinta-feira, 24 Setembro 2009

O nacionalismo português incomoda Espanha?

Em vários postais ― que estão discriminados em rodapé ― referi-me a Espanha nos seguintes termos (resumidamente):

  • Argumento cultural: A Espanha de Zapatero é uma anedota em muitos países civilizados ― por exemplo, em França, Itália, Estados Unidos e Alemanha. E por isso, e dada a proximidade geográfica com Portugal , a Espanha de Zapatero é um termo de comparação que a esquerda portuguesa utiliza para importar uma agenda política de tipo gramsciana para Portugal, validando-a junto do povo português como sendo “moderna”.
  • Argumento político : os recentes acontecimentos da reacção espanhola ― incluindo a reacção do presidente da região espanhola da Extremadura, e outras ameaças ― em relação à intenção de Manuela Ferreira Leite em adiar a construção do TGV, e a interferência clara da PRISA SA (ligada ao PSOE) espanhola na TVI em tempo de eleições em Portugal, provam que para além do argumento cultural, existem já hoje claras e ilegítimas interferências do poder político espanhol na política portuguesa.

Isto são factos conhecidos por toda a gente.

Se considerarmos o facto de o Tratado de Lisboa permitir que as forças de segurança espanholas — que podem incluir polícias fardados ou forças militares — possam penetrar no território nacional, com um simples aviso ao governo português, desde que aleguem eventuais motivos de segurança interna, a actual atitude espanhola (não-oficial, mas oficiosa) preocupa-me, como deve preocupar qualquer português com bom-senso. O futuro encarregar-se-á de demonstrar que eu tenho razão.

Por outro lado, e para além do ministro socialista Mário Lino que se afirmou “iberista confesso”, o ministro socialista dos negócios estrangeiros Luís Amado defendeu publicamente uma “união política” com Espanha. Já não é só um ministro: já temos dois ministros da república a defender aberta e publicamente a alienação da soberania portuguesa a favor de uma federação com capital em Madrid.

Em função de todos estes factos, como português, indignei-me contra aquilo que eu considero ser uma vergonhosa interferência espanhola na vida política interna portuguesa, com a colaboração da maçonaria de ambos os países. E nesse sentido, escrevi os postais em rodapé.


Acontece que a minha defesa da independência de Portugal não agradou a dois blogues espanhóis, a ver:

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Domingo, 20 Setembro 2009

Os interesses de Espanha são incompatíveis com os interesses de Portugal, senão com o sacrifício do país mais pequeno (3)

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:27 pm
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Em relação a este postal que fez referência a estoutro da minha lavra:

Por otra parte, yo jamás he avistado en mi persona hispanofobia alguna en Portugal. Y me he dado cuenta de que si te ven chapurreando en portugués, te lo agradecen mucho y te tratan a las mil maravillas.

O mesmo não acontece quando um português se desloca a Espanha. É invariavelmente maltratado.

Tengo mi teoría que el portugués tiene en buena medida una mezcla exacerbada de gallego y extremeño, no sé si algún día lo podré demostrar….

O Portugal primordial é fruto da mesclas de diversas estirpes étnicas.
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Sábado, 7 Fevereiro 2009

Voltando ao Iberismo (e a Fernando Pessoa)

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:35 pm
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Volto ao tema do Iberismo porque li este postal de um cidadão espanhol que cita o catalão Pasqual Maragall: “Se os portugueses abrem a porta a uma união com Espanha, como espero, o iberismo dos nossos avós se fará realidade. Realizar-lo-ão os nossos netos”.
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Quinta-feira, 21 Agosto 2008

A Galiza apoia este Acordo Ortográfico?!

Filed under: acordo ortográfico — O. Braga @ 4:40 pm
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Via Hora Absurda (aqui e aqui), pude ver os discursos de Alexandre Banhos, da AGAL, e de Ângelo Cristóvão, numa sessão da “Comissão de Ética, Sociedade e Cultura” da Assembleia da República. Ou me enganei na interpretação dos dois discursos, ou ambos defendem uma ortografia única do português internacional, embora com diferentes ortofonias (pronúncias ou “prosápias”), o que, na prática, se traduz por um apoio ao Acordo Ortográfico de 1990.

Domingo, 3 Agosto 2008

Galécia

Guerreiro suevo

Guerreiro suevo

Li aqui uma resenha da fundação da nacionalidade portuguesa, e ao ler o texto lembrei-me de que os reis visigodos eram eleitos pelas tribos, embora a eleição fosse vitalícia. Cada tribo visigótica tinha um líder; a figura do rei, que adoptou a palavra latina REX, só surgiu com as assembleias representativas da sociedade: essas assembleias eram as “dietas” , que antecederam as “cortes”, onde o Rex era eleito para toda a vida, salvo esta lhe fosse tirada ou ele abdicasse.

Em alguns períodos da ocupação visigótica não se sabia bem quem era o Rex porque os chefes tribais lutavam entre si pelo poder, mas com a influência do clero católico mais esclarecido de toda a Europa de antanho, passou a existir uma lei escrita que regulava as disputas de poder, e mais tarde, já no fim do século 7 e com a coroação do Rex Ricaredo, e por influência e desejo desse mesmo clero, a sucessão do Rex passou a ser hereditária; mas não o era na sua origem.
A hereditariedade na sucessão do Rex teve como motivação primeira abolir as constantes disputas pelo poder entre os chefes tribais, muitas delas violentas, que desgastavam o reino.

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