perspectivas

Quinta-feira, 5 Setembro 2013

Um bom filme e outro mau (1)

Filed under: curiosidades — O. Braga @ 9:56 am
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Dian Fossey

Um bom filme é, por exemplo, ” Gorilas na Bruma “, que conta a história da vida de Dian Fossey entre os gorilas do Ruanda. Gostei do filme, não porque considere que os gorilas tenham “direitos humanos”, mas porque segundo a tradição cristã, os animais são seres criados por Deus. Os primeiros ecologistas de sempre foram católicos, como por exemplo, S. Francisco de Assis que chegou a elogiar a natureza inerte:

“Louvado sejas Tu, Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas, pelo irmão vento e pelo ar e as nuvens e o tempo, louvado sejas Tu, Senhor, pela nossa irmã Terra que é bondosa e nos sustenta com vigor e nos oferece os seus muitos frutos, com flores coloridas e pradarias.”

Um mau filme é, por outro exemplo, o ” 88 ” em que figura Al Pacino . Para ser um mau filme basta uma frase de Al Pacino – que faz o papel de um psiquiatra forense – que diz o seguinte: “A loucura é matéria jurídica, e não do foro da psiquiatria”. Esta frase reflecte a “verdade” actual acerca da loucura, e quer dizer o seguinte: a loucura é definida pelas leis, e não pela psiquiatria; e se as leis mudarem por força da acção política, a loucura pode passar até a ser a norma e a norma a loucura.

Desde os antigos gregos até Freud, a loucura era considerada “separada” da razão, mas não constituindo um “obstáculo” em relação à razão na medida em que a loucura era também vista como “parente” da genialidade. Enquanto que, até Freud, a norma social (a normalidade) era entendida simultaneamente como produto da lei natural (da Natureza humana) e da razão (por exemplo, com os estóicos), com Freud passamos a ser todos loucos, uns mais do que outros. Em teoria, a norma foi abolida. E com a abolição freudiana da norma, G. K. Chesterton ironiza em relação à concepção contemporânea de loucura:

“O louco não é o homem que perdeu a razão; antes, é o homem que perdeu tudo, excepto a razão.”

Quarta-feira, 7 Julho 2010

O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (1)

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Os três mestres da suspeita

Para que seja possível entender cabalmente não só esta Nova Esquerda que desponta — conforme retratada por Ernest Sternberg —, como o movimento revolucionário em geral, é necessária a leitura do livro “As Religiões Políticas” de Eric Voegelin e, se possível, “A Nova Ciência da Política” do mesmo autor, sendo que esta segunda obra de Eric Voegelin reveste-se já de alguma complexidade de linguagem que talvez não seja acessível a muita gente.

Para além das ditas obras de Eric Voegelin, seria também aconselhável a leitura da obra de Hans Jonas “The Gnostic Religion” ( “A Religião Gnóstica”) que serve de suporte científico à própria obra de Eric Voegelin. Outras obras de outros autores contemporâneos, como Kurt Rudolph, Giovanni Filoramo, Yuri Stoyanov e Michel Tardieu, concedem à obra de Eric Voegelin a autoridade científica irrefutável que o movimento gnóstico moderno (através dos seus ideólogos) recusa, por razões que toda a gente pode compreender.
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Segunda-feira, 19 Abril 2010

A eliminação da culpa

Freud está para a psiquiatria/psicologia como Nietzsche está para a filosofia. Ambos deixaram uma espécie de vírus ideológico nas respectivas áreas de intervenção. Ambos criaram falsas teorias a partir de evidências de senso-comum que permanecem como um vírus nas memórias de quem os leu ou estudou.

Freud eliminou a moral e a liberdade humanas; transformou o Homem em um autómato. A política totalitária adoptou Freud; o marxismo cultural, que aumentou a sua influência na nossa sociedade a partir da queda do muro de Berlim, não pode sobreviver sem Freud nos intestinos da sua estrutura ideológica. E o mais perverso que Freud nos trouxe foi a justificação mecanicista e robotista da culpa — como se o Homem tivesse um mero software no seu cérebro que pode ser modificado sem dano para ele próprio e para a sociedade. Através da justificação mecânica da culpa, fenómenos de despersonalização criaram mecanismos psicológicos de defesa contra a culpa, o que levou à insensibilização social — já não falando aqui no homem-robô dos campos de concentração nazi ou dos Gulag.
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Quarta-feira, 2 Setembro 2009

Ainda vamos ver o Dr. Daniel Sampaio no Magistério

Segundo Karl Popper e o princípio da falsificabilidade, a psicanálise não é uma ciência positiva, mas transformou-se em mito social de tal forma que desde que Freud inventou o “inconsciente” anda toda a gente com um meteco dentro de si que passa a justificar todas as nossas acções. Antes da invenção do inconsciente no âmbito da psicanálise, os vícios eram moralmente criticados porque se partia do princípio de que o Homem podia modificar-se, e só não o fazia porque não queria; a partir de Freud, quando alguém não quer alterar o seu comportamento pensa-se imediatamente que não pode ― e ai de quem pretenda modificar o comportamento de quem não pode! Cruzes canhoto! É heresia. Quando uma pessoa não pode alterar o seu comportamento não é livre de o fazer e portanto há que justificar tudo. Não foi por acaso que Adorno e Marcuse adoraram a psicanálise de Freud.
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Sexta-feira, 15 Agosto 2008

A estética, segundo Kant, Kierkegaard e Adorno (3)

Teodoro Adorno foi um marxista cultural; sobre o marxismo cultural, ler isto ― só percebendo o que é o marxismo cultural se poderá entender o juízo estético de Adorno.
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