perspectivas

Terça-feira, 7 Junho 2016

A guerra do papa Chico contra o clericalismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:57 am
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papa-freak-webO conceito de “clericalismo” mudou: no século XIX, era concebido como a influência da Igreja Católica na política. Com o papa Chico, “clericalismo” passou a ser “hierarquia da Igreja Católica”. O papa Chico aproveita-se da posição que ocupa na hierarquia para demolir a hierarquia.

A vida é feita de hierarquias, e só a morte é totalmente democrática. A alternativa à hierarquia é a anarquia e a dissolução. Quando este papa critica a hierarquia, defende a dissolução.

Tal como acontece com o politicamente correcto em geral, o papa Chiquito identifica “hierarquia” com “desigualdade”: a hierarquia é vista como sinónimo de desigualdade.

E, segundo este raciocínio, para que os laicos católicos seja iguais ao clero, é preciso acabar com o clericalismo, ou seja, com a hierarquia.

Os direitos e deveres são dissociados: todos têm os mesmos direitos independentemente dos deveres. Um Bispo tem deveres acrescidos dentro da estrutura da Igreja Católica, mas (segundo o papa Chico) deve ter os mesmos direitos de decisão evangélica de um qualquer laico. No fundo, o que o papa Chiquinho defende é uma inversão da hierarquia, em que o laico está livre de alguns deveres e passa a ter direitos acrescidos.

Esta dicotomia, criada pelo papa-açorda, entre o clericalismo e a laicidade, é falsa.

Os laicos têm e terão sempre liberdade de agir dentro da Igreja Católica, embora sob escrutínio da hierarquia. A ideia do papa-açorda segundo a qual “os laicos devem operar em roda livre” e sem supervisão da hierarquia, conduzirá à pulverização da Igreja Católica e à sua “protestantização”.

O papa Chiquitito defende uma Igreja Católica protestante.

Segunda-feira, 6 Junho 2016

O Frei Bento Domingues e o epicurista papa Francisco

 

1/ O Frei Bento Domingues escreveu o seguinte:

“Para o grande cientista, Francisco J. Ayala, professor de Genética na Universidade da Califórnia, o comportamento ético é determinado pela nossa natureza biológica. Por comportamento ético, ele não entende a boa conduta, mas o imperativo de julgar as acções humanas como boas ou más.

A constituição biológica do ser humano determina-lhe a presença de três condições necessárias – e, em conjunto, suficientes – para que se dê esse comportamento ético: a capacidade de prever as consequências das suas próprias acções; a de fazer juízos de valor; a de escolher entre linhas de acção alternativas. A capacidade de estabelecer relação entre meios e fins é a aptidão básica que permitiu o desenvolvimento da cultura e das tecnologias humanas.

Este cientista sustenta que as normas morais e os códigos éticos não dependem da nossa natureza biológica, mas da evolução cultural. As premissas dos nossos juízos morais provêm da tradição religiosa e de outras tradições sociais, mas apressa-se a acrescentar: os sistemas morais, assim como qualquer outra actividade cultural, não podem sobreviver muito tempo se evoluem em franca contraposição com a nossa natureza biológica”.

O Frei Bento Domingues utilizou todo este relambório para dizer o seguinte:

“Uma cultura e uma sociedade não podem sobreviver se se posicionarem contra a Natureza”.

Por um lado, o Frei Bento Domingues concorda com o papa Chiquinho que mantém reservas sobre o dogma da infalibilidade do papa; mas, por outro lado, o Frei Bento Domingues serve-se do dogma da infalibilidade do papa para deificar o Chico ao ponto de o comparar com o próprio Jesus Cristo.

Por um lado, o Frei Bento Domingues concorda com o papa Chiquinho que mantém reservas sobre o dogma da infalibilidade do papa; mas, por outro lado, o Frei Bento Domingues serve-se do dogma da infalibilidade do papa para deificar o Chico ao ponto de o comparar com o próprio Jesus Cristo.

Ele podia ter resumido o trecho a uma linha; mas teve que se escorar na autoridade de direito da ciência para corroborar a própria Lógica. A Lógica passou a depender de uma qualquer teoria científica: faz falta que apareça uma teoria científica que defenda a ideia de que “a Lógica não existe” senão como uma construção cultural e social, e que tenha por defensores os amigos do Frei Bento Domingues da Esquerda romântica.

Vivemos em um tempo alienado, em que é preciso recorrer à ciência positivista para demonstrar uma qualquer evidência. Um dia destes, terei que recorrer à ciência para provar que eu existo, mas manter-se-á o “escândalo da razão”, de Kant, segundo o qual não me é possível, em bom rigor, provar nada exterior a mim mesmo. Como dizia Karl Popper (um kantiano), o mundo exterior a nós próprios é apenas uma hipótese de trabalho para a ciência.

(more…)

Sábado, 4 Junho 2016

O Anselmo Borges, o Chiquitito e a Jihad cristã

 

O Anselmo Borges escreve aqui um artigo acerca da “resistência ao papa Chico”; segundo ele, na Igreja Católica existem os maus e os bons: os bons, são bons porque são bons; e os maus são maus, porque sim!. Os critérios de “bondade” e de “maldade” dependem da nossa emoção de esquerdistas, da nossa sensibilidade progressista e da nossa interpretação e susceptibilidade subjectivas.

É claro que o Anselmo Borges não falou — porque é uma evidência, e o que é evidente nem merece menção — na recente comparação que o Chiquinho fez entre a Jihad islâmica de conquista violenta, por um lado, e o a acção evangélica dos primeiros apóstolos cristãos na Europa, por outro lado. Para o Chiquitito, S. Mateus é uma espécie de Bin Laden:

“Today, I don’t think that there is a fear of Islam as such but of ISIS and its war of conquest, which is partly drawn from Islam. It is true that the idea of conquest is inherent in the soul of Islam. However, it is also possible to interpret the objective in Matthew’s Gospel, where Jesus sends his disciples to all nations, in terms of the same idea of conquest”. (Pope Chiquitito).

dalai-lama-refugiadosPara um cristão, é triste saber que S. Tiago, por exemplo, foi um jihadista perigoso e violento que se fez explodir em Compostela, matando centenas de pessoas. A virtude deste papa é a de nos chamar à atenção para a mediocridade de todas as religiões, dado que são todas iguais.

Um exemplo de que o Chiquitito tem razão, em relação à merda das religiões, foi o facto de o Dalai-lama ter afirmado que “a Alemanha é dos alemães” e que “já há imigrantes a mais na Europa”.

¿Então faxisto?!

Anda o “irresistível Chicutito”, do Anselmo Borges, a apelar ao sentimento maternal frustrado das mulheres europeias sem filhos, no sentido de acolher os homens imigrantes muçulmanos em idade militar, ¿e vem agora um budista fedorento qualquer, dizer que “a Alemanha é dos alemães”?! Catixa!

O Anselmo Borges tem razão numa coisa: o Chico é irresistível para os ateus. Não conheço nenhum ateu ou maçon que não ande feliz com ele — o que significa que vamos ter a Igreja Católica cheia de ateus convertidos.

O Chiquitito vai operar uma espécie de “milagre das rosas”, transformando ateus em apóstolos cristãos: ele vai conseguir o que nem Jesus Cristo conseguiu: o que é preciso é ter fé no papa Chiquinho.

Domingo, 22 Maio 2016

A verdade acerca do papa Chiquinho

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:30 am
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Sexta-feira, 13 Maio 2016

O papa Chico e o diaconato feminista

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:12 am
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O papa Chico criou uma comissão para avaliar a possibilidade de “recuperação” do diaconato feminino na Igreja Católica. Mas, segundo o Padre Ariel S. Levi di Gualdo, nunca existiu ou diaconato feminino na Igreja Católica.

O catecismo da Igreja Católica não prevê a possibilidade do diaconato feminino. O diácono não pode celebrar a Eucaristia (só os sacerdotes, presbíteros e bispos podem celebrar a missa), mas pode celebrar um casamento, presidir a funerais e proclamar o Evangelho dentro da igreja.

O que o papa Chiquinho pretende não é recuperar aquilo que nunca existiu: é, em vez disso, instituir uma nova situação na Igreja Católica (o diaconato feminino).

A minha posição é a seguinte: tudo o que possa alimentar a ideologia feminista, dentro e fora da Igreja Católica, deve ser combatido. E quando as feministas cantam vitória em função da atitude do papa Chiquito, o diaconato feminista não me parece boa ideia.

Sábado, 7 Maio 2016

O problema do Anselmo Borges é o sexo e a política, e não a religião

 

O Anselmo Borges diz aqui que a Igreja Católica deve colocar-se contra o capitalismo, e que o papa deve passar a ser um Bispo como outro qualquer. E depois diz que a Igreja Católica se deve transformar em um partido político cuja ideologia defende “um mundo mais justo”. E a seguir diz que os homens católicos casados e as mulheres “quase não tem voz” no interior da Igreja Católica.

E conclui o Anselmo Borges que a Igreja Católica deve mudar por forma a transformar-se em um partido político anti-capitalista, deve acabar-se com o papado e dissolver a sua autoridade pelos bispos, retirar ao clero a sua característica do celibato, e talvez eleger uma papisa Joana. E diz o Anselmo Borges que esta seria a verdadeira Igreja Católica democrática e que pertenceria ao povo.

O que o Anselmo Borges defende pode ser facilmente aceite por um analfabeto funcional. Aliás, ele dirige-se aos analfabetos; os populistas escolhem sempre os ignaros como alvo da sua propaganda. Mas, para uma pessoa avisada, o que o Anselmo Borges pretende é acabar com a Igreja Católica.


Convém que se informe os leitores menos familiarizados com as diversas confissões cristãs, o seguinte:

A tradição luterana parte exclusivamente da consciência do indivíduo (qualquer que seja, ignaro e bruto que seja), como última instância no reconhecimento, não só dos dogmas, mas também da própria doutrina, e de uma maneira completamente independente do carácter lógico que lhes possa ser atribuído. Isto permite a liberdade evangélica, o que implica também uma teologia diferente em cada púlpito (cada sacerdote ou pastor prega a doutrina que quiser).

Na Igreja Católica, sublinha-se a doutrina e os dogmas como uma função da constituição de uma comunidade. A verdade religiosa é entendida de uma maneira análoga a uma verdade factual objectiva. A comunidade da Igreja Católica deve ser reforçada através da sua uniformidade em questões doutrinais e dogmáticas.

A Igreja Ortodoxa opta pelo meio-termo; nega a possibilidade de um magistério infalível. Os dignitários — o clero —, os teólogos e os concílios são convocados para apresentar propostas sobre questões doutrinais, mas a decisão sobre a rejeição ou aprovação realiza-se através do processo de recepção por parte dos crentes, através do qual uma tese formulada ganha vida em toda a Igreja Ortodoxa. Sem esta recepção popular dos verdadeiros crentes e frequentadores da Igreja Ortodoxa, as decisões do clero sobre a doutrina e os dogmas permanecem mortas.


O que o Anselmo Borges defende é que se utilize a força de uma nova gerontocracia clerical “progressista”, representada pelo papa Chiquinho, para transformar a Igreja Católica em uma igreja luterana. Ele pretende que a infalibilidade do papa e a autoridade do clero católico sejam utilizadas unilateralmente para transformar a Igreja Católica em uma confissão protestante, sem ouvir o povo católico. É isto que o Anselmo Borges pretende.

Se o Anselmo Borges defendesse uma aproximação ao método da Igreja Ortodoxa, eu estaria disponível para o ouvir. Mas o facto de a Igreja Ortodoxa também ter um clero celibatário e de as mulheres não poderem ser bispos, impede-o de defender esta aproximação. O problema do Anselmo Borges é o sexo e a política, e não a religião.

Quarta-feira, 4 Maio 2016

Os amigos do papa Chiquinho

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:05 pm
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Marco Pannella — figura histórica da esquerda radical italiana, paneleiro inveterado (como diz o seu próprio nome), gayzista, abortista, ateu, anti-católico furioso, líder do Partido Radical — fez anos e recebeu um presente do papa Chiquinho.

Marco_Pannella

Militant pro-avortement, pro gay, bi-sexuel, athée, anti-clérical, leader du Parti Radical, Marco Pannella reçoit un cadeau du pape François

papa-freak-web

Les bons esprits se rencontrent…

Segunda-feira, 2 Maio 2016

O Frei Bento Domingues e o paganismo do papa Chiquinho

 

“Não é necessário acreditar em Deus para se ser boa pessoa. Em certo sentido, a ideia tradicional de Deus não está actualizada. Pode-se ser espiritual, sem se ser religioso. Não é preciso ir à Igreja e dar a esmola. Para muitas pessoas, a natureza pode ser uma igreja. Na história, algumas das melhores pessoas não acreditavam em Deus, enquanto alguns dos piores actos foram cometidos em Seu nome.”

Estas declarações, atribuídas a este Papa, circulam na internet, em forma de postal. Talvez não tenham sido ditas assim de seguida. Parecem-me um arranjo de várias declarações.

Frei Bento Domingues

Vemos na citação supra uma súmula do ilogismo argumentativo assumido pelo papa Chico; desde logo, ignora propositadamente a noção de juízo universal: parece-nos claro que as regras têm excepções, mas a cultura do politicamente correcto isola a excepção em relação à regra (nominalismo radical); a excepção assume a dimensão de regra, uma vez que é entendida fora do contexto da regra.

papa-freak-webMas o mais importante, na citação, é verificarmos que o papa Chico excomungou S. Paulo que sempre defendeu que a fé tem a primazia em relação à razão. S. Paulo é hoje persona non grata na Igreja Católica do papa Chico. Os princípios místicos Paulinos da iniciação cristã foram ostracizados pelo papa Chiquinho.

É claro que o Frei Bento Domingues identifica-se com a citação atribuída ao papa Chico.

Teríamos que saber o que significa “ser boa pessoa” — teríamos que ter a noção de “virtude”, por um lado, e se essa virtude teria como objecto um fim último, por outro lado. E depois teríamos que tentar saber se a positividade do sentido de vida é independente da religião (o Frei Bento Domingues e o papa Chiquinho parecem defender essa independência). E finalmente, saber se a putativa ausência de religião (a “espiritualidade sem religião”) não é uma forma de religião baseada num individualismo radical que o Frei Bento Domingues parece defender. Eu digo “parece”, porque a ambiguidade é a arma dos relativistas.

Frei Bento Domingues irá pagar bem caro as ideias que anda a propalar; pagará perante a sua própria alma — porque Deus não castiga ninguém. Será o próprio Frei Bento Domingues que se castigará a ele mesmo. Chama-se a isso “purgatório”, conceito que não existe senão no catolicismo que ele critica sistematicamente.

Talvez a principal característica do Cristianismo, desde a sua origem e para o bem e o para o mal, é o exclusivismo. Um pagão do império romano podia pertencer a um número ilimitado de seitas pagãs, mas um cristão era exclusivista (não podia abraçar outra seita) — e isto desde os primeiros apóstolos, passando pela patrística. O papa Chico transformou a Igreja Católica em uma religião pagã; e o Frei Bento Domingues rejubila.

Sábado, 30 Abril 2016

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor", do papa Chico

 

O papa Pio X avisou-nos que a ambiguidade é uma arma dos relativistas para apresentar as suas doutrinas sem uma ordem clara e identificável, dando a ilusão de que o ambíguo relativista pode ter dúvidas quando, na realidade, sabe bem o que quer.

Como não podia deixar de ser, o Anselmo Borges faz uma ode à sexortação pós-sinodal "A alegria do amor". Começa por dizer que “a pessoa é a verdade”, para daí concluir que “qualquer pessoa é a verdade”; ou seja, infere-se que a pessoa do santo é a verdade, na mesma proporção em que a pessoa do assassino é a verdade. O Anselmo Borges faz lembrar o Marginalismo.

A sexortação pós-sinodal "A alegria do amor" do papa Chico segue dois padrões ideológicos: a casuística jesuíta e a intencionalidade subjectivista de Pedro Abelardo. A ler:

Não vou aqui comentar profusamente a opinião do Anselmo Borges acerca da “profunda alteração do casamento”, porque só isso daria um artigo. O casamento, em si mesmo, não se alterou; o que se alterou foi a cultura, e as culturas não são todas iguais ou equivalentes entre si. O divórcio não é invenção moderna; já existia, por exemplo, entre os romanos do império, e não consta que os romanos fossem modernos e prá-frentex; a redução da chamada “família tradicional” a uma unidade económica é um absurdo, porque toma a parte pelo todo.

Para além de impôr a casuística como norma arbitrária, por um lado, e de adoptar o subjectivismo como padrão de juízo ético (o que é impossível, em termos práticos), por outro lado, o papa Chico repudia as epístolas do verdadeiro S. Paulo, para além de se colocar acima de Jesus Cristo quando Este definiu o casamento (“não separe o homem aquilo que Deus uniu”). O papa Chico considera-se acima do próprio Jesus Cristo, e o Anselmo Borges presta-lhe vassalagem.

O papa Chico é o coveiro da Igreja Católica, com a bênção de Anselmo Borges e quejandos. O Anselmo Borges pode enganá-lo a si, caro leitor; mas não engana toda a gente. O Anselmo Borges não resistiria a cinco minutos de discussão comigo acerca do papa Chico. E ele sabe disso; e por isso é que tenta branquear aquilo que está de tal forma maculado que já não pode ser recuperado.

Quarta-feira, 27 Abril 2016

O papa Chico critica o papa Chico

Filed under: Tirem-me deste filme — O. Braga @ 8:16 am
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Quando li que o papa Chico criticou o clericalismo, por um segundo acreditei que a sua (dele) crítica fosse pertinente.

Domingo, 17 Abril 2016

O papa do sul que odeia o norte

 

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Na sequência da sua visita à ilha de Lesbos na Grécia, o papa Chico escolheu 13 refugiados muçulmanos para acolher no Estado do Vaticano. Tratam-se de três famílias de refugiados sírios.

papa-freak-webHá aqui três comentários que eu quero fazer.

O primeiro: o papa Chico não usa o passaporte do Estado do Vaticano — ao contrário dos seus antecessores. Ele usa o passaporte argentino porque, segundo as suas próprias palavras, a Igreja Católica deve ser descentralizada e o Estado do Vaticano não faz sentido. Vemos aqui o homem ressabiado do hemisfério sul contra a História do mundo do norte. Mas se ele usa o passaporte argentino e se recusa a usar o do Vaticano, ¿por que razão ele utiliza o Estado do Vaticano para acolher refugiados?

Segundo: haveria certamente uma família cristã síria refugiada em Lesbos; o papa Chico poderia ter acolhido no Estado do Vaticano uma família cristã e duas muçulmanas, por exemplo; mas ele decidiu que as três famílias seriam muçulmanas. Vemos aqui, mais uma vez, o ressabiamento do homem do sul em relação à cultura endógena da Europa. Existe uma forte dose de sociopatia no papa Chiquinho.

Terceiro: o papa Chiquinho terá que construir uma mesquita no Estado do Vaticano (¿por que não na Praça de S. Pedro?) para que as famílias muçulmanas acolhidas por ele possam rezar a Alá.

Sábado, 16 Abril 2016

Anselmo Borges, o papa Chico e a quadratura do círculo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:07 pm
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Com a verdade me enganas, Anselmo Borges!

É verdade — como diz o Anselmo Borges referindo-se ao papa Chico — que cada ser humano tem a sua própria consciência que é distinta das dos outros seres humanos.

Porém, todas as manifestações da vida humana individual são precedidas de uma interpretação do mundo, que é uma hipótese de fundo — na maior parte dos casos, não reflectida — sobre o sentido da vida e sobre o valor das coisas que são desejáveis. Sem uma confiança primordial (ou desconfiança) em um determinado sentido da vida, não é possível viver, nem agir — caso se entenda por viver e agir algo mais do que um simples processo biológico.

Esse sentido da vida, qualquer que seja, é um juízo último não expresso (subconsciente ou mesmo inconsciente) sobre a realidade global cósmica e humana que entram na nossa existência quotidiana, determinando — como uma espécie de bússola invisível — a nossa relação com o mundo e connosco próprios. Cada ser humano vive a partir de uma determinada e particular cosmovisão; e esta nunca é um resultado de uma reflexão racional. Os budistas chamam a isso (a essa determinada e particular cosmovisão) de “Kharma”.

Essa cosmovisão, particular a cada ser humano, é sempre o resultado de uma interpretação pré-racional das experiências feitas no mundo: nunca é possível comprová-la em termos experimentais ou científicos. Se alguém vive, mais ou menos consciente, de acordo com a máxima segundo a qual a vida não obedece a nenhum valor superior; ou se concebe o casamento como um acidente da sua vida pessoal; ou se concebe o comportamento homossexual como sendo normal e até recomendável — então, em cada um destes juízos, a Existência é interpretada sempre em relação à sua Totalidade. Quando alguém goza a vida sem quaisquer limitações, também já fez uma interpretação da Existência (não só a existência desse alguém, mas também a de todos!).

As acções do ser humano, enquanto ente individual, reflectem essa interpretação da existência que é pré-racional (Kharma).

O Anselmo Borges escreve (parafraseando o papa Chico):

“É preciso dar "espaço à consciência dos fiéis: somos chamados a formar consciências, não a pretender substituí-las". A Igreja não abandona pastoralmente "os fiéis que simplesmente vivem juntos, que contraíram matrimónio apenas civil ou são divorciados e voltaram a casar". É contra o machismo, exalta o prazer erótico, é a favor do feminismo, entende quem tem tendência homossexual e percebe que há situações em que "a separação é inevitável, podendo até chegar a ser moralmente necessária". "Não há receitas simples." "A Igreja não é uma alfândega", mas "um hospital de campanha", "a misericórdia é a trave-mestra que sustenta a sua vida." "Na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e de práxis, mas isso não impede que subsistam diferentes modos de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que derivam dela."

“A Igreja Católica é contra o machismo mas a favor do feminismo” — diz ele (passemos adiante).

A interpretação pré-racional da existência (de que falamos acima) também caracteriza, por exemplo, o psicopata. E se as múltiplas interpretações pré-racionais da existência são equivalentes, ou pelo menos semelhantes, então chegamos à conclusão do Anselmo Borges e do papa Chico: “Na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e de práxis, mas isso não impede que subsistam diferentes modos de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que derivam dela."

Entramos já no relativismo ético. A Igreja Católica do papa Chico defende o relativismo como único valor absoluto; pretende transformar o conceito de “interpretação” em uma espécie de círculo quadrado que acomoda todas as interpretações pré-racionais da existência.

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