perspectivas

Quarta-feira, 3 Novembro 2010

Uma mistura foleira e caseira de Messalina com Salomé

Não comentar os textos da Fernanda Câncio, é um acto de caridade cristã; mas vou abrir uma excepção em função deste postal do Jairo Entrecosto — até porque, como dizia S. Tomás de Aquino, “não devemos respeitar quem não merece respeito”.
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Sexta-feira, 18 Julho 2008

Afinal há vida para além do dogma

Ao ler este postal da Fernandinha “Que Cansa” assistimos ao desabar de mais um pilar ideológico politicamente correcto: o dogma de que só os brancos são racistas, e que os negros só assumem atitudes racistas como reacção ao racismo dos brancos. Depois, o texto da Fernandinha revela um outra novidade surpreendente: a subliminar negação do multiculturalismo:

«A clivagem baseada na etnia e alimentada pelos media: haveria “a comunidade cigana” e “a comunidade africana”. Ninguém se lembrou de questionar os entrevistados, nas TV, sobre tais generalizações, ou perguntar-lhes se consideravam aceitável falar assim. E ninguém o fez porque a linguagem dos directos e das reportagens de rua reiterava a visão comum: há “os ciganos” e “os pretos”.»

Luís Filipe Menezes, que é de direita e que — segundo a Fernandinha — é “lélé da cuca”, fez em Vila Nova de Gaia o que a esquerda lisboeta não teve a coragem de fazer: não existem bairros de ciganos ou bairros de pretos em Gaia; os ciganos habitam apartamentos por todo o lado e não estão concentrados numa determinada urbanização, e o mesmo acontece com os pretos e outras minorias étnicas. A atribuição de casas camarárias é feita de modo a que a concentração de minorias étnicas seja evitada, tendo em vista a integração plena dos cidadãos das minorias étnicas no mainstream social e cultural.

Pouco a pouco, facto a facto, vamos descobrindo quem é realmente “léle da cuca”.

Sexta-feira, 29 Fevereiro 2008

E o DN paga!

Filed under: ética — O. Braga @ 10:42 am
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Nascimento de Vénus — Botticelli (1485)

Sei que não devia falar nisto, “que será dar demasiada importância a quem não a merece”, mas não resisto. Leiam este artigo da Fernanda Câncio no DN e digam-me se faz algum sentido. Senão vejamos (vamos ao fisking):

1. Critica a FC o facto do Metro de Londres ter retirado uma reprodução de uma pintura de Lucas Cranach de um dos murais de uma estação. Eu concordo, neste particular, com a FC, nomeadamente porque a reprodução do nu faz parte da pintura europeia renascentista, e não podemos esquecer que a cultura da Renascença — nomeadamente, a do renascimento italiano — foi apadrinhada por altos dignitários da Igreja Católica. A partir de finais da Idade Média, a tradição cristã conviveu razoavelmente com a estética do nu, e o cristianismo tem o condão de ser a religião que mais coaduna a ética com a estética — ao contrário do judaísmo, que sacrificou a estética em nome da moral, ou do islamismo, que sacrificou ambas as coisas.

2. Em seguida, a FC confunde a educação sexual do nu implícito no sexo explícito que defende para as crianças de 6 ou 7 anos (que não tem nada a ver com a estética expressa numa pintura renascentista de um nu) com a estética do nu renascentista, quando a educação sexual para essa faixa etária deve ser mais simbolista do que explícita, por razões óbvias.

3. Depois, a FC coloca no mesmo nível de juízo este caso de censura social de manifestação pública de sado-masoquismo com a censura da exposição do quadro de Lucas Cranach, como se fossem ambos os casos passíveis de serem ajuizados à luz dos mesmos critérios.

Ou a FC não se sabe expressar, ou foi isto que entendi. E o DN paga.

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