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Sexta-feira, 11 Março 2016

A Maria João Marques e a patologia feminista

 

Talvez o nosso maior filósofo moderno, Leonardo Coimbra, conta em um dos seus livros a forma como foi educado enquanto criança, em um colégio jesuíta perto de Penafiel. As descrições são perturbadoras; a violência brutal sobre as crianças era endémica. Mais tarde, Leonardo Coimbra foi Ministro da Instrução da I república e proibiu determinadas práticas brutais na educação das crianças. Que eu saiba, Leonardo Coimbra não era feminista: era apenas detentor de uma grande sensibilidade ética.

Não consta que fossem as feministas que proibiram a violência abjecta e brutal dos colégios internos deste Portugal. Mas a Maria João Marques afirma que “foram fulcrais as feministas, a partir dos anos 70 e 80 do século passado, na denúncia e na exposição dos abusos sexuais de menores”. E depois escreve que “A Igreja católica – que tem ataques de nervos quando ouve a palavra feminismo – devia ser humilde e reconhecer que neste campo tem muito a aprender com as feministas”.

Desde logo, parece que a pedofilia não se constituía como crime no Código Penal do Estado Novo. Parece, mas não é verdade. Parece que a Maria João Marques atribui às feministas a criminalização da pedofilia; parece, mas não é verdade. Por outro lado, a Maria João Marques faz uma grande confusão: confunde “mulher” com “feminismo”, e reduz a justiça ao feminismo: trata-se de uma ideologia política, ou “da lógica de uma ideia”, como dizia Hannah Arendt.

feminismo

A ideia segundo a qual o feminismo foi “fulcral na denúncia e na exposição dos abusos sexuais de menores”, é no mínimo patética. Primeiro, porque a Maria João Marques parte do princípio de que o sexo com menores de idade é característica exclusiva do sexo masculino — o que não é verdade; e depois porque ela reduz a sensibilidade ética ao sexo feminino (feminazismo). A tentativa feminista de superiorizar o sexo feminino em relação ao masculino é tão patológica como o machismo islâmico.

O problema é que não saímos desta falsa dicotomia: a de que a alternativa aos Aiatólas islâmicos são as “Ai as Tolas” ocidentais.

Em relação à menção da Igreja Católica, aconselho o leitor a ler (se souber inglês) o livro de Michael S. Rose, com o título: “Goodbye! Good Men: How Catholic Seminaries Turned Away Two Generations of Vocations From the Priesthood”. E verificará que a Igreja Católica foi minada por dentro pelo movimento homossexual aliado político do feminismo que a Maria João Marques tanto defende.

Terça-feira, 8 Março 2016

Os progressistas ainda não se deram conta de que as mulheres usam calças

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 6:04 pm
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“El alcalde de Valencia, empeñado en retirar los símbolos cristianos y eliminar tradiciones, se ha empeñado ahora en instalar a partir del lunes “semáforos paritarios”. Y lo hará por toda la ciudad”.

Joan Ribo instala ahora en Valencia “semáforos paritarios” para contentar a las feministas

semaforos-paritarios

Quinta-feira, 3 Março 2016

Depois da licença de período, vem aí a licença de caganeira

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 12:06 pm
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“Ora já se sabe como vai isto acabar: os homens também vão ter licença de período, vamos discutir a retroactividade das licenças de período, o Pablito Iglesias mais o outro beijoqueiro ainda fazem uma demonstração do dito período nas Cortes e o BE faz um cartaz quiçá com Shiva sobre o assunto. Proponho que cortemos caminho e atribuamos desde já licença de período a todos os trabalhadores e não trabalhadores. Todos, todas, todinhos… Sem limites de idade e nem quaisquer outros. Pelo menos poupamo-nos à parvidade da discussão e a ter de ouvir Arménio Carlos a defender o alargamento da licença de período para todos e todas.”

Só não percebo quem usufrui da nova licença


Depois da “licença de período”, vamos ter a “licença de caganeira” — porque isto, de evacuar, tem muito que se lhe diga. Noutro dia vi um mendigo profissional (provavelmente sindicalizado na CGTP), em uma rua de uma zona nobre da cidade do Porto, virado com a cara contra uma parede e com as calças em baixo, berrando a uma senhora que passava: “Fuja!, minha senhora! Fuja!”. E aqui vai disto!

Ora, o síndroma da caganeira não pode ser ignorado; é um facto social que clama por justiça. ¿Como é que um trabalhador pode trabalhar e cagar ao mesmo tempo? Impossível!

É da mais elementar justiça a atribuição universal da licença de caganeira, principalmente na função pública, onde se cagam amiúde postas de pescada.

Terça-feira, 16 Fevereiro 2016

Toda a gente é ignorante (excepto nós)

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 12:10 pm
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Parece que a juíza Joana Ferrer Antunes levou com a escumalha politicamente correcta toda em cima dela — só porque disse que a ex-mulher de Manuel Carrilho deveria ter oportunamente apresentado queixa em relação às alegadas agressões físicas que terá sofrido do seu ex-marido.

Mas o que me chateia mesmo é o argumento recorrente da “ignorância”. Quando o politicamente correcto não tem argumentos racionais, invoca sistematicamente a “ignorância” do condenado em auto-de-fé. Toda a gente que não cumpre o estipulado pelos cânones politicamente correctos, é “ignorante”; não escapa ninguém.

A juíza Joana Ferrer Antunes constatou o óbvio: quem sofre agressões físicas deve apresentar queixa na polícia. Mas a escumalha politicamente correcta pretende que a palavra da alegada vítima, por si só, valha uma sentença.

Segunda-feira, 15 Fevereiro 2016

O feminismo está morto

 

Em 2006, Harvey Mansfield escreveu o livroManliness” (Masculinidade) e foi crucificado pelos me®dia em geral e pelo politicamente correcto. Chegou o momento de levar a sério o livro.

goucha

A jornalista dinamarquesa Iben Thranholm denuncia a feminização da cultura antropológica europeia através da repressão do masculino, fazendo com que a sociedade não se possa defender.

 

Quinta-feira, 4 Fevereiro 2016

Nem todos os ateístas são politicamente correctos

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 2:22 pm
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“Os homens sacrificaram-se e mutilaram-se física- e emocionalmente para alimentar, acolher e proteger as mulheres e as crianças. Nem uma das suas dores ou conquistas são registadas pela retórica feminista, que os retratam como opressores e exploradores insensíveis”.

Camille Paglia (ateísta)

Sexta-feira, 15 Janeiro 2016

Oito elementos da selecção feminina de futebol do Irão são homens

 

O Ocidente, que inventou a Ideologia de Género, anda indignado porque oito elementos da equipa nacional feminina de futebol do Irão são homens que aguardam a cirurgia de mudança de sexo. Ou seja, na linguagem politicamente correcta, são do sexo masculino mas do “género feminino”.

O movimento político feminista, se for coerente com a Ideologia de Género, terá que aceitar a ideia de que uma equipa feminina (de qualquer modalidade) possa ser constituída por homens.

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Quarta-feira, 6 Janeiro 2016

O piropo dá prazer aos reles operários das classes baixas

 

A jornaleira Ana Paula Azevedo (seja ela quem for) escreve acerca da lei da piropofobia. E concorda com a lei: “habituem-se”, diz ela.

“Ora, segundo qualquer bom dicionário de Português, o piropo é um elogio dos atributos físicos de alguém.

Tendo em conta a formulação equilibrada encontrada na nova lei, não se compreendem as dúvidas e as reacções inflamadas. Pelo contrário, têm aí a melhor protecção que podia ser dada ao piropo e a quem tem o direito de continuar a expressar o seu espanto por ver uma flor a andar – é uma questão de gosto.

Já os comentários de carácter exibicionista ou de teor sexual e em tom intimidatório dirigidos a um homem ou a uma mulher, rapaz ou rapariga, todos sabemos quais são – e são estes que passaram a estar, e muito bem, sob alçada da lei. Habituem-se.”

Ou seja, a jornaleira Ana Paula Azevedo faz a distinção entre piropo (que ela considera com sendo “um elogio dos atributos físicos de alguém”), por um lado, e “comentários de teor sexual”, por outro lado — o que significa que, para ela, “um elogio dos atributos físicos de alguém” não é “um comentário de teor sexual”.

Por aqui se vê o nível de quem escreve nos me®dia e da elite política lisboeta que comanda os nossos destinos.

Se eu disser: “Tens um corpinho de sereia”, estou a fazer “um elogio dos atributos físicos de alguém”. Mas, segundo a jornaleira, não se trata de “um comentário de teor sexual”. Ela consegue a proeza de separar os elogios aos atributos físicos de alguém, por um lado, dos comentários de teor sexual, por outro lado. É obra desenganada!

Thomas B. Macaulay escreveu o seguinte no século XIX (em relação a puritanismo dos Quakers) : “os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores”.

O politicamente correcto é uma nova forma de puritanismo. O piropo é proibido não porque uma mulher madura sofra com ele, mas porque dá prazer aos reles trabalhadores das classes baixas. Este puritanismo hipócrita e politicamente correcto estende-se ao feminismo: é proibido o piropo, mas pode-se abortar à fartazana a expensas do Estado.

Segunda-feira, 4 Janeiro 2016

A Elisabete Rodrigues e o mimetismo cultural do assassinato doméstico

 

¿Já reparou, o leitor, que raramente aparecem nos me®dia estatísticas sobre suicídios? ¿E por quê? Uma das razões — se não a principal — é a de que publicação de estatísticas de suicídios induz a um comportamento mimético (mimetismo cultural). Quanto mais se noticiam suicídios, mais suicídios ocorrem.

As últimas estatísticas publicadas em Espanha sobre o suicídio revelam que, em 2013, suicidaram-se 3.870 pessoas, e destas, 2.911 homens e 959 mulheres. Falamos de mais de mais de 10 mortes por dia, sem que saibamos ao certo as causas.

E notem que o número de homens que se suicida é muitíssimo superior ao de mulheres; e a estatísticas espanholas dizem também que a percentagem de homens que se suicidam em função do divórcio, cuja legislação beneficia as mulheres, é relativamente grande: muitas vezes, o divórcio tira-lhes a casa, os filhos, o salário, e a dignidade com falsas acusações que os estigmatizam para toda a vida.

¿Por que razão a estatística dos assassínios de mulheres perpetrados pelos respectivos maridos não é alvo de um tratamento noticioso mais cuidadoso?

A única ideia que me ocorre é a de que o que se pretende é que o fenómeno cultural mimético da violência doméstica mortífera prolifere na cultura antropológica — porque, não há razão para que se tenha cuidado com os números do suicídio, e não se tenha a mesma preocupação com os números dos assassinatos domésticos.

Perante isto, a Elisabete Rodrigues tinha que vir à tona falar das 35 mulheres que foram assassinadas em Portugal, em 2014, pelos respectivos companheiros. Este discurso nos me®dia é recorrente; os me®dia não se preocupam com o mimetismo cultural: querem é vender jornais, nem que seja à custa de mais mortes. Ademais, a política correcta não se preocupa com as causas do fenómeno; e ao quererem transformar a mulher em vítima endémica, nada mais fazem do que piorar o estatuto da mulher na cultura antropológica.

Quinta-feira, 31 Dezembro 2015

A Maria João Marques, o piropo, o machismo e o mulismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:35 pm
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Modéstia à parte, quando eu era mais “viçoso” recebi muitos piropos de mulheres; alguns até de natureza brejeira — porque o mulherio da cidade do Porto não é (felizmente!) como o de Lisboa. Respondia sempre com um sorriso (tímido, como convém neste tipo de ocasião).

Em aditamento ao verbete anterior, em que falei da criminalização do piropo masculino, pretendo dizer alguma coisa mais em função deste artigo da Maria João Marques.

piropo

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Segunda-feira, 28 Dezembro 2015

A confusão entre piropo, obscenidade, e assédio sexual

Filed under: Política — O. Braga @ 7:34 pm
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Novo artigo 170 do Código Penal

O “obsceno” é tudo o que dilui ou elimina a diferença entre aquilo que é privado e aquilo que é público. É o obsceno que deve ser punido, e não o piropo.

"Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela actos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal."

Vamos lá analisar isto, uma vez que temos juristas de merda na assembleia da república.

Em primeiro lugar, temos que definir “obsceno” como sendo o que dilui ou elimina a diferença entre aquilo que é privado e aquilo que é público. Uma “boca” obscena não é piropo: é uma obscenidade, um insulto.

Em segundo lugar, a lei deveria punir apenas o obsceno. Mas não é isso que esta lei faz.

Se uma mulher “é boa como o milho”, é o que transparece dela no domínio público, e portanto não é uma obscenidade; podemos contestar o modo ou a forma linguística como o piropo é dito, mas essa contestação entra no domínio da semântica e da subjectividade.

Mas “eu fazia-te isto e aquilo” já entra no domínio privado da mulher (não é público, não é visível a nível público), e portanto já é obsceno.

Mas se uma mulher andasse nua na rua, a nudez dela já seria do domínio público (a própria mulher abdicaria do seu domínio privado), e portanto a obscenidade dela poderia justificar a obscenidade de uma “boca porca”.

Exemplos de piropos (não obscenos):

  • És como um helicóptero: gira e boa.
  • Tantas curvas e eu sem travões.
  • Ainda dizem que as flores não andam.
  • Estou a lutar desesperadamente contra o impulso de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo.
  • Só a mim é que não me calha uma destas na rifa.
  • Diz-me lá como te chamas para te pedir ao Pai Natal.
  • Abençoados pais que conceberam esta coisinha linda.
  • Ó menina, cuidado que prendeu-se-lhe a parte de baixo da saia no manípulo da betoneira.
  • Essa roupa fica-te muito bem, mas eu ficava-te melhor.
  • Se cair, já sei onde me agarrar.
  • Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui outra vez?
  • És um bilhete de primeira classe para o pecado.
  • Deves estar tão cansada, passaste a noite às voltas na minha cabeça.

Mas a frase obscena — que não é piropo propriamente dito — não é assédio sexual, porque o assédio sexual é feito de uma forma reiterada. Uma “boca porca” (obscena) circunstancial não é assédio sexual.

Esta lei pretende punir o homem pelo simples facto de ser homem. É bom que os juízes tenham isto em mente.

Sexta-feira, 25 Dezembro 2015

O valor do corpo nu na cultura antropológica

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:54 am
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A fotografia em baixo foi tirada recentemente na Suécia e mostra duas jovens mulheres, sensivelmente da mesma idade mas com idiossincrasias culturais diferentes.

choque de culturas web

Em ambas as mulheres, o aspecto sexual é valorizado, embora de maneiras diferentes.

A sueca ruiva mostra o pernão até às cuecas, e ela sabe — pelo menos inconsciente- e/ou intuitivamente — que se trata de uma demonstração de apelo sexual: não passa pela cabeça de ninguém que, com o frio sueco, uma mulher ande com o pernão à mostra senão por razões ligadas à sua própria sexualidade.

Naturalmente que as feministas dirão que “a sueca ruiva apenas afirma a individualidade feminina na cultura antropológica”; mas a verdade é que a morena islâmica também afirma (de forma diferente) a sua individualidade feminina na cultura antropológica — e portanto o argumento das feministas não é válido se for restrito à sueca ruiva.

O que difere, na cultura das duas mulheres, é o tipo de apelo sexual, ou a forma como entendem que a sua sexualidade é mais apelativa: a ruiva sueca entende que a exposição pública dos seus pêlos púbicos é uma forma eficaz de apelo sexual; e a morena islâmica pensa que a cobertura do corpo é uma forma mais eficaz de apelo sexual.

« A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. » — Fernando Pessoa, “Livro do Desassossego”

Quando uma “raça” — no sentido de “cultura” — deixa de valorizar a vestimenta que cobre o corpo, desvaloriza também a beleza do corpo nu. Mas essa desvalorização do corpo nu não é apenas estética: é também ética — porque uma conduta ética é uma conduta estética satisfatória — e, depois, política.

Quando o corpo nu é desvalorizado (perde valor) na cultura antropológica, a estética é também desvalorizada, e a ética sofre as consequências dessa desvalorização. E toda esta perda de valor tem consequências políticas, na medida em que a forma de afirmação sexual da sueca ruiva tem como consequência exactamente o oposto do que ela pretendia: a perda de valor do corpo nu, e, portanto, a perda de valor do seu apelo sexual. E com a perda de valor do apelo sexual diminui automaticamente a probabilidade de se assegurar a continuidade e o futuro da sociedade através da procriação.

Aquela fotografia mostra-nos duas culturas diferentes num mesmo país: uma cultura moribunda, a da sueca ruiva, que não assegura a sua continuidade geracional porque desvaloriza o corpo nu; e uma cultura viçosa, a da morena islâmica, que encarna uma “raça vestida que aprecia a beleza do corpo nu” (dá valor ao corpo nu), e que será provavelmente a cultura predominante na Suécia em algumas décadas.

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