perspectivas

Quinta-feira, 28 Maio 2015

A Maria vai c’as outras

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:18 pm
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A Maria João Marques reconhece que é como umas e outras; podia ser pior, porque há pexoas que nem axim xão.

O argumento da Maria João Marques, para justificar o ser uma Maria vai c’as outras, é o seguinte: “toda a gente tem uma ideologia qualquer”. Por exemplo, se eu penso que é preciso trabalhar para viver, é ideologia minha; mas se o meu vizinho pensa que não é preciso trabalhar, é ideologia dele.

O argumento é tu quoque: se toda a gente tem uma ideologia, não me podem criticar por ter minha.

O marginalista Carl Menger escreveu o seguinte: “É tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”. Para a Maria João Marques, o homem santo tem uma ideologia, e o criminoso tem outra. Vivam as diferenças!

relativismoQualquer pessoa que procura a justiça nada mais faz do que seguir a sua própria ideologia, uma vez que o conceito de “justiça” varia de pessoa para pessoa e tem tantas noções quantos seres humanos existem. Por isso é que a Maria João Marques diz que o CDS/PP tem um “socialismo beato” como ideologia, porque, segundo ela, a noção de justiça do CDS/PP passa pela “utilidade da oração para o homem santo”; e presume-se que a Maria João Marques, em contraponto, prefira porventura a liberdade da “utilidade do homem criminoso”.


Uma ideologia é um sistema de representações dominantes em uma determinada época, relativamente à qual constituem a vulgarização de uma filosofia, mais ou menos inconsciente. Trata-se, de facto, de uma redução/simplificação da filosofia: não tendo o estatuto de ciência, também não é possível decidir da sua exclusão do domínio dos conhecimentos regidos pela relação entre a teoria e a prática.

Ou seja, uma ideologia é uma simplificação de uma qualquer corrente filosófica. Mas não devemos confundir os ideólogos, por um lado, com as “Marias que vão c’as outras”, por outro lado. Os ideólogos simplificam uma doutrina para que as “Marias que vão c’as outras” as possam assimilar facilmente sem pensarem muito, e sem se preocuparem com a complexidade de alguns conceitos, como por exemplo, o conceito de “justiça” ou de Direito Natural.

Quarta-feira, 20 Maio 2015

Outra que não é loira (isto está ficando monótono, né?!)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 5:26 pm
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« “Os casos de violência a que assistimos nesta semana não têm origem na ordem natural ou divina, são formas históricas de determinadas relações sociais. E são, naturalmente, chocantes – só isso têm de natural, a nossa instintiva repulsa pela brutalidade. Ser servil ao de cima, espezinhar o de baixo, está naturalizado, do Governo aos locais de trabalho, em grande parte dos partidos políticos, as relações de poder e de força são dominantes.

Os jovens expressam a sociedade violenta em que são educados, lamentavelmente. O que os jovens assistem todos os dias em matéria de valores sociais são umas centenas a esmagar milhões de “piegas”, 6 a bater em 1 é portanto um prolongamento de uma sociedade onde o primeiro-ministro nunca trabalhou na vida, e depois de eleito diz que um “bom exemplo é Dias Loureiro” ».

Esta senhora é doutorada em História

Ou seja, houve um tempo em que as “relações sociais” eram diferentes e não havia casos de violência: no tempo do paraíso de Adão e Eva. E a nossa instintiva repulsa pela brutalidade também não tem origem na ordem natural ou divina, mas antes reflecte aquelas formas de relações sociais diferentes que existiam in illo tempore no paraíso, em que não existia “domínio” senão o de Eva sobre Adão (belos tempos!). O Tempora! O Mores!

No paraíso também não havia o governo de Passos Coelho — por isso é que não havia violência no Éden. A causa da violência é também o facto de o primeiro-ministro nunca ter trabalhado na vida, ao passo que o Adão estava sempre disponível para trabalhar para a Eva. E depois veio a serpente Passos Coelho que, afoito passeava por aquelas paragens onde a epifania regia as formas de relações sociais, corrompeu a Eva, e o Adão passou a assumir a violência e o domínio.

A Fernanda Câncio da Direita (também não é loira!)

 

«Há algumas gerações, os adolescentes machos andavam à pancada uns com os outros, e as raparigas arrancavam os cabelos umas às outras; e hoje matam pessoas. Por isso não me venham com a conversa de que ‘a juventude de hoje está perdida’ e que ‘antes o mundo era maravilhoso e agora está um descalabro’. Antes o mundo não era maravilhoso e agora não está um descalabro. Ou, se está um descalabro, pelo menos está menos do que costumava estar; por isso não me venham com a estória de que o mundo está condenado.

A adolescência é tempo de fazer disparates, por exemplo, violência em grupo e filmada para mais tarde recordar, atirar pedras e garrafas à polícia, matar o colega, etc.. São os disparates normais dos adolescentes; como disse Óscar Wilde, ‘experiência é o nome que damos aos nossos erros’; naturalmente que a experiência se constrói dando uma marretadas na cabeça de um puto e esmigalhando-lhe o pénis: é uma “experiência penal” (vem de pénis); nada de anormal na adolescência actual, ao contrário do que dizem as mentes serôdias e pessimistas.

Além disso, temos o exemplo dos adolescentes da revolução cultural chinesa ou dos adolescentes guerrilheiros do regime dos Kmers Vermelhos no Cambodja, ou ainda os adolescentes radicais do ISIS, que provam que os nossos adolescentes até nem são tão maus quanto pensam os Velhos do Restelo. Nós temos sempre que nivelar por baixo para saber o nosso valor, e por isso é que sou liberal. Se nos compararmos com a merda, sempre podemos chegar à conclusão e dizer que somos melhor que merda — o que nos enche o ego!

No caso do adolescente que cometeu o disparate singelo de matar um puto e de esmigalhar as partes pudibundas, a culpa é da mãe porque não impediu que o marido e pai morresse e a criança fosse educada sem pai. A culpa é da mãe que tinha que ir trabalhar e deixar o filho entregue a um sistema de ensino que não permite que se toque nos meninos nem como uma flor — porque os disparates dos meninos são normais.»

A Fernanda Câncio da Direita

A crente em um mundo perfeito (e não é loira!)

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:02 am
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Assim como Freud é um caso freudiano, a Fernanda Câncio é um caso “cânciano”. A sua “compagnon de route” Ana Matos Pires deveria analisá-la.

policia-guimaraes-webO discurso, para além de ser irrealista (por exemplo: um polícia que, no meio de uma acção violenta por parte de um colega, protegeu uma criança, segundo a Câncio não fez mais do que a sua obrigação espontânea: a Fernanda Câncio não faz a puta da ideia do que é estar em um ambiente de tensão colectiva, e depois caga postas de pescada desta índole), confunde e mistura situações diferentes, como foi a agressão policial a uma família em Guimarães, por um lado, e a defesa policial na praça do Marquês de Pombal, por outro lado. Mete tudo no mesmo saco; nós é que já não temos saco para meter a Fernanda Câncio.

Fico sem saber o que significa “democratizar a polícia”; gostaria de saber em que país do mundo existe empiricamente uma “democratização da polícia”.

A função de qualquer polícia é essencialmente a de repressão, assim como a função da lei é a de punição. Se a Fernanda Câncio pretende abolir a polícia e a lei, então que se coloque por exemplo no meio de meia dúzia de gandulos no Bairro Alto pela madrugada; mas não se mexa muito, para não lhes dar mais prazer. Pelo menos seria consequente.

Eu fico perplexo com o facto da Fernanda Câncio se ter alcandorado a fazedora de opinião neste país; ou então terei que dar razão ao povo: “quem tem uma vagina tem uma mina; e quem tem um pénis tem um caralho!”.

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