perspectivas

Sábado, 4 Agosto 2012

A filosofia irracional e contraditória de Espinoza

Filed under: filosofia,Geral — O. Braga @ 6:43 pm
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“Uma pedra lançada ao ar, se pudesse tornar-se consciente como um ser humano, imaginaria que se movia por sua própria vontade, embora isso não fosse verdade.”

via O determinismo de Espinosa.

Esta história supra, acerca do determinismo de Espinoza, está mal contada. A filosofia de Espinoza é contraditória na sua essência — no seu âmago —, para além de podermos, mais ou menos subjectivamente, considerar que os princípios de que partiu Espinoza para montar todo o seu esquema de pensamento, estão errados. E se os princípios estão errados, a teoria está errada.

Atentemos a três pontos-chave:

1) as concepções da ética e do direito natural de Espinoza entroncam em Hobbes.

2) as premissas metafisicas de Espinoza, entendidas hoje à luz da filosofia quântica, estão erradas.

3) o conceito de liberdade total do indivíduo, segundo o direito natural de Espinoza, por um lado; e o seu [dele] conceito ético de determinismo do indivíduo, por outro lado, são essencial e profundamente contraditórios.
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Quarta-feira, 28 Janeiro 2009

Edmundo Husserl

Num dos últimos postais fiz referência à fenomenologia de Husserl que foi utilizada pela Utopia Negativa, pelo Existencialismo contemporâneo e pelo desconstrucionismo esquerdista..
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Sexta-feira, 1 Agosto 2008

Liberdade e necessidade

Baruch Espinosa entrou em várias contradições, e uma delas foi a de defender a liberdade do indivíduo face ao Estado ao mesmo tempo que defendia um Determinismo do universo e a total falta de livre-arbítrio do ser humano. A característica determinante da filosofia de Espinosa é o determinismo que, segundo ele, marca a vida de todo o ser humano inserido num universo panteísta ― um universo que consiste no próprio Deus. Espinosa foi um dos precursores do Naturalismo ateísta contemporâneo.

«Chamo livre, quanto a mim, uma coisa que é e que age através da única necessidade da sua natureza; oprimida, aquela que é obrigada por uma outra coisa a existir e a agir de uma certa maneira. (…) Para tornar isto claro e inteligível, vamos conceber uma coisa muito simples: uma pedra, por exemplo, recebe de uma causa exterior que a empurra, uma certa quantidade de movimento e, ao acabar a impulsão da causa exterior, continuará necessariamente a mover-se. Esta persistência da pedra no movimento é uma imposição, não porque seja necessária, mas porque é definida pela impulsão de uma causa exterior (…) Vamos conceber agora que a pedra, enquanto continua a mover-se, pensa e sabe que faz esforço, tanto quanto pode, para se mover. Esta pedra (…) pensará que é bastante livre e que apenas continua o seu movimento porque assim o quer.» ― Espinosa, Carta 58.

…o
determinismo filosófico
é incompatível com a liberdade…
Portanto, para Espinosa a nossa liberdade é uma ilusão porque ela é determinada por uma causa exterior que a condiciona totalmente, apesar de nós pensarmos que temos liberdade. Não vejo é como se pode defender esta ideia e ao mesmo tempo defender a liberdade do indivíduo em sociedade ― liberdade de expressão incluída. A filosofia de Espinosa, como todo o Naturalismo, é intrínseca e essencialmente totalitária; o determinismo filosófico é incompatível com a ideia de liberdade individual.
Esta ideia foi mais tarde seguida por Kierkegaard e por outros existencialistas (para além dos materialistas). Contudo, Maquiavel dois séculos antes de Espinosa escreveu que o ser humano tem liberdade em 50% do seu comportamento, sendo que os outros 50% são restrições à liberdade devido ao meio-ambiente, condicionalismo de vida, educação, etc. Na minha opinião, Maquiavel estará muito mais próximo da Razão do que Espinosa, e a filosofia quântica veio corroborar isso mesmo.

A Física quântica veio demonstrar que o Determinismo não existe na Natureza, mas apenas a Probabilidade de que algo aconteça (“Princípio da Incerteza”, de Heisenberg). Analisando um fenómeno, podemos concluir sobre as suas probabilidades de ocorrência, mas nunca podemos estar 100% seguros de que ele aconteça. É nessa probabilidade falível que reside a liberdade; pelo facto de um determinado fenómeno ser provável significa que existe uma margem de manobra que possa demonstrar a sua não ocorrência: é provável que algo aconteça de determinada maneira salvo exista uma vontade e uma consciência que decida que essa probabilidade se transforme numa impossibilidade objectiva.
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