perspectivas

Segunda-feira, 14 Março 2011

O neo-ateísmo e a quântica (I)

Quando discutimos com ateus temos que falar em ciência, porque é a única linguagem que eles entendem, e é através da ciência que os argumentos neo-ateístas e neodarwinistas são reduzidos ao absurdo.
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Quarta-feira, 11 Agosto 2010

Filosofia quântica para todos

Recebi o seguinte email:

Caro Braga,
Tenho seguido o seu blogue quase diariamente, com particular interesse nas questões da física quântica, relacionando com a existência de Deus.

Para um leigo na matéria como Eu, habituado à física clássica, é particularmente difícil assimilar os conceitos de incerteza, não-localidade e dualidade partícula-onda.

a) Com é que é possível concluir que na escala microscópica não é possível determinar a posição da partícula quando na escala macroscópica podemos determinar a posição de um objecto.

b) Como é possível concluir pela não localidade espaço-tempo das partículas, quando, no plano macroscópico, a matéria é matéria porque está individualizada no espaço-tempo.

Se toda a matéria é constituída por partículas, como é que se articula a física clássica com a física quântica. Parece que há um intervalo, um salto de lógica que não está explicado ou que para mim é de difícil assimilação.

Serve isto para lhe pedir que me recomende leitura acessível e de introdução sobre estes assuntos, deixando nota que sou de facto ignorante na matéria, mas cheiro de curiosidade em perceber a razão de ser das coisas.

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Sexta-feira, 2 Julho 2010

Sobre o Ser e o Não-ser

« O Panteísmo imanentista é uma filosofia interessante e sedutora na medida em que defende que Deus gerou o Universo a partir da sua própria substância e, deste modo, não o criou a partir do Nada. O Universo é gerado e não criado. Assim, parece ficar resolvido e ultrapassado o problema do Nada.

É que do Nada não pode surgir alguma coisa a não ser que o Nada seja tratado como sendo alguma coisa. A criação a partir do Nada, quer seja por Deus quer seja pelo Acaso dos ateus materialistas, levanta uma contradição lógica, pois o Nada para “ser” Nada não pode ser “alguma coisa” e do verdadeiro Nada nada sai ou se produz ou se cria. O Nada é a ausência e a impossibilidade da Existência. Deste modo, é filosoficamente sedutor ver o Mundo como derivado da substância do próprio Deus, conquanto ele não seja Deus. »

Sérgio Sodré

Para resolver este problema, temos que invocar Parménides e Platão. Para o primeiro (no poema “Da Natureza”), “O Ser é, e o Não-ser não é”. Isto parece tautológico, mas não é. Se o Ser é a única coisa que pode ser pensada e dita, ele (o Ser) existe em contraposição ao Não-ser. O mesmo salienta Platão (no “Sofista”): é preciso que exista o Não-ser se quisermos conceber a existência do Ser — isto é, se quisermos pensar, falar, etc.. Para Platão, dizer o que é uma coisa, é dizer o que ela não é.
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Domingo, 28 Fevereiro 2010

A experiência do pensamento

« Ele tem dois adversários. O primeiro empurra-o pelas costas, desde a origem. O segundo bloqueia o caminho à sua frente. Ele dá luta a ambos. Na verdade, o primeiro apoia-o no seu combate contra o segundo, ao empurrá-lo para diante; e, do mesmo modo, o segundo apoia-o no seu combate contra o primeiro, ao fazê-lo retroceder. Mas isto é assim apenas em teoria; pois não existem apenas os seus adversários, existe ele próprio também, ¿ e quem sabe realmente quais são as suas intenções ?

O seu sonho, porém, é ver chegar um momento de menor vigilância ― o que exigiria uma noite mais negra do que alguma vez se viu ― em que pudesse fugir da frente de batalha e ser promovido, à conta da sua experiência de combatente, à posição de árbitro na luta entre os outros dois adversários. »

Franz Kafka, “Ele”, in “Notas do Ano de 1920”

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Sábado, 19 Dezembro 2009

A origem da teoria do Eterno Retorno de Nietzsche

Filed under: filosofia — orlando braga @ 3:17 pm
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A ideia propalada segundo a qual Nietzsche “concebeu” a teoria do Eterno Retorno, é falsa. De facto, pouco há de original em Nietzsche em relação a esta teoria. Dizem-nos, de uma forma muito vaga ― como convém à mistificação dos admiradores doentios de Nietzsche (que se multiplicaram no pós-modernismo da decadência europeia) sobre a sua alegada autoria da teoria do Eterno Retorno ― que Nietzsche se inspirou nos pitagóricos; e é verdade. E também é verdade que alguns pitagóricos tinham já, no seu tempo, a noção matemática de “zero” que é de origem indiana; se tivermos em conta que a numeração romana ainda não incluía a noção de “zero”, e que só depois de Maomé e do império árabe islâmico se assimilou a noção de “zero” na Europa a partir da influência cultural indiana que os islamitas trouxeram consigo, concluímos que de alguma forma e por algum meio existiu um intercâmbio cultural entre os pitagóricos e a Índia.
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Segunda-feira, 13 Outubro 2008

O Movimento cósmico e a respectiva subsidariedade segundo os níveis de organização

Filed under: Religare — orlando braga @ 11:48 am
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O inexorável Tempo

O inexorável Tempo

Naturalmente que o tempo está ligado ao movimento. É impossível mexermo-nos sem que influenciemos tudo no nosso universo; nem sequer podemos observar uma coisa sem mudar esse objecto e a nós próprios.

Quando Aristóteles diz que “o tempo é algo que pertence ao movimento mas não é o movimento”, quer dizer que o movimento não é só “tempo”, mas “algo” mais que o “tempo”, embora este esteja ligado ao movimento. O tempo acompanha o movimento e flui em duas direcções: do futuro para o passado, através dos buracos negros, e do passado para o futuro, através dos buracos brancos, embora normalmente nos pareça que ele (o tempo) flua numa só direcção, a do passado para o futuro.

Todas as coisas, em todos os “níveis de organização”, movem-se segundo uma sincrossimilaridade básica (uma espécie de princípio de subsidariedade cósmica no que respeita ao movimento), isto é, existe só um tipo de “acção de movimento” adaptada às diferentes dimensões (tamanhos) onde ocorrem esses movimentos. O movimento de uma galáxia constitui uma “onda de movimento” diferente da “onda” de uma estrela que se move, e diferente de uma “onda de movimento” de uma pessoa movendo-se na Terra. “Ondas” de tamanho diferentes determinam níveis diferentes de organização. Mas não existindo nenhum tamanho absoluto no interior do espaço-tempo, o tamanho da “onda” depende directamente do modo como ela é observada. Por isso, podemos dizer que apenas existem movimentos arquetípicos ― todas as escalas de organização operam em concorrência e movem-se de uma forma similar e síncrona (sincrossimilaridade).
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Sábado, 23 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (10)

Buraco-negro giratório

Buraco-negro giratório

Através da lógica matemática, o físico Martin Kruskal (entre outros) conseguiu solucionar a questão do comportamento dos buracos-negros. Esta imagem aqui ao lado pretende dar uma ideia de como Kruskal definiu o que acontece no buraco-negro. Já antes dele, o matemático australiano Roy P. Kerr descobriu (nos anos sessenta do século passado) que existem buracos-negros giratórios, isto é, buracos-negros com massa em rotação, e que o buraco-negro rotativo ganhava uma estrutura própria.

Nota: os “poços” ou mini-buracos-negros quânticos têm uma estrutura semelhante aos buracos-negros do macrocosmos.

O que acontece dentro de um buraco-negro rotativo? À medida que nos aproximamos do “limite estático” (orla exterior), independentemente da velocidade a que viajemos (inferior à da luz), começamos a observar que qualquer luz que emitamos a partir da nossa nave espacial é literalmente desviada na direcção da rotação do buraco, isto é, a luz emitida pela nossa nave passa a acompanhar a massa em rotação em torno do buraco-negro, como se existisse um gigantesco “vento” invisível que “soprasse” a luz no sentido da rotação do buraco-negro.

Depois de atravessarmos o “limite estático”, entramos na “ergosfera”, que é a fonte de energia rotativa. Trata-se de uma zona energética onde a luz é “desviada” circularmente e atraída pela gravidade em direcção ao centro do buraco-negro. Nesta região, a nossa nave ainda poderia (com muita sorte) escapar à gravidade do buraco-negro, e da ergosfera poderia ser extraída energia (ser fonte de energia). A propósito da “ergosfera”, o cientista Roger Penrose descobriu um princípio segundo o qual, se uma nave se partisse em dois ao entrar nesta zona do buraco-negro, uma das metades seria ejectada com mais energia do que dispunha ao entrar, enquanto a outra seria capturada pelo buraco-negro (ver “mecanismo de Penrose”).

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Quarta-feira, 13 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (8)

Qual o tamanho do Universo?

Universo Quântico

Universo Quântico

É hoje ponto assente que o nosso universo teve início com o Big Bang. Portanto, tendo tido um princípio, podemos ― sob o ponto de vista filosófico ― dizer que o universo foi criado, porque tudo o que tem um início é um efeito de uma causa. Quando os darwinistas dizem que não existiu a Criação do Universo, vão contra a própria lógica científica que pressupõe uma causa para um efeito, e por isso podemos dizer que o darwinismo esteve na origem de um monismo religioso dogmático: o Naturalismo.

Estando o universo em expansão a partir de um início, ele é finito; podemos dizer que o Universo tem uma “orla” exterior que se expande ocupando o lugar do “Nada” que está para além do universo.

Imaginemos a totalidade do universo existindo na superfície de um balão: ainda que nos deslocássemos sempre na mesma direcção sobre a superfície dessa esfera, jamais chegaríamos a uma borda exterior; e se caminharmos sempre em redor da superfície do balão, não voltaremos necessariamente ao ponto de partida, embora este possa parecer idêntico ― isto se o balão estiver em expansão, como está (ou em contracção). Este facto deve-se à introdução da dimensão do Tempo na equação.
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Terça-feira, 12 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (7)

A “luta” entre a relatividade de Einstein e o Princípio da Incerteza de Heisenberg

Se dividirmos um segundo do nosso tempo, a meio, conservando apenas uma das metades e rejeitando a outra, e fizermos esta mesma operação ― isto é, dividirmos o “meio-segundo” que conservámos, a meio ― 150 vezes, chegaremos ao intervalo de tempo mais curto que os físicos consideram até hoje, e a que a Física quântica chamou de “cronão”. De igual modo, e com um centímetro, repetindo 110 vezes a sua divisão a meio, chegaremos à porção mais curta do espaço como tal considerada pelos físicos.

Os físicos quânticos (John Wheeler, et al) deduziram que, nesta escala infinitesimal, a Física quântica se mistura com a relatividade de Einstein, o que inclui a gravidade e a produção de “buracos negros” quânticos . Nesta escala de grandeza, os buracos negros são rasgões minúsculos no espaço-tempo que constituem um “borbulhar” contínuo ocorrendo espontaneamente; de facto, assistimos aqui a um “duelo” entre o Princípio da Incerteza de Heisenberg ― que tenta impedir a superdefinição da matéria, isto é, impedir a matéria se localizar com demasiada precisão no espaço-tempo ― e os super-enormes campos gravitacionais (em termos relativos e à escala) que ocorrem em tão reduzidas distâncias. Deste conceito, John Wheeler e os seus colaboradores extrapolaram (dedução) a ideia de “espuma quântica”, que é o resultado desse “duelo” entre o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a relatividade de Einstein, sendo que a espuma quântica é, provavelmente, o universo inteiro. (ver)

O espaço e o tempo são apenas medidas de grandeza, unidades diferentes de conversão do espaço-tempo. O espaço e o tempo encontram-se ligados e são intermutavéis, e por isso, o carácter não-absoluto do tempo e do espaço foi substituído por uma ideia de carácter absoluto do espaço-tempo.

Quando se diz que o Princípio da Incerteza de Heisenberg não se aplica no macrocosmos (ver), esta posição é defendida porque a conexão entre o espaço e o tempo só se torna aparente (empirismo; verificação empírica) quando consideramos distâncias enormes, intervalos de tempo muito curtos, ou a objectos viajando a velocidades muito perto da velocidade da luz, porque é nestas escalas que se faz sentir (à nossa escala) a presença da gravidade ― o que não significa que em outras situações e noutras escalas, não sendo aparente e empiricamente constatável, o mesmo tipo de fenómenos não ocorra. “Se uma árvore se quebra na floresta, e não houver nenhum ser humano na floresta para ouvir o ruído da queda da árvore, será que o ruído existe de facto?”. Claro que sim; o facto de o ser humano não se aperceber de um determinado fenómeno, não significa que esse fenómeno não exista, só por esse facto.

A seguir: “Qual é o tamanho do universo”?

(1) Por isso é que a ideia da ciência determinista e determinada por “leis naturais” restritas e estáticas, e alegadamente “somente aplicáveis ao macrocosmos”, segundo a qual o Princípio da Incerteza de Heisenberg é exclusivamente aplicado ao microcosmos ― e nunca aplicável no macrocosmos conforme defendido aqui –, está desfasada, porque a análise empírica do macrocosmos constitui uma visão parcial do universo, e portanto desfasada do seu conjunto e da sua verdadeira realidade. Por muito que custe à nomenclatura científico-técnica clássica, vão ter que se habituar a novas ideias sobre o universo. Mais adiante falaremos mais concisamente sobre a aplicabilidade do “princípio da incerteza”, e do seu “duelo” com a relatividade de Einstein, em todo o universo.

Sexta-feira, 11 Julho 2008

Thomas Huxley estava errado (2)

A consciência universal

No postal anterior vimos como o princípio físico da “complementaridade” se aplica às relações humanas e ao pensamento, e como a matéria se dissolveria na indistinção do olvido se não existissem as observações e pensamentos da “mente universal” ― de que fazemos parte ― acerca da matéria atómica. Vimos também o processo de auto-construção do pensamento humano, que está ligado à consciência universal onde a nossa consciência se percebe a ela própria.
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