perspectivas

Terça-feira, 4 Maio 2010

A refutação de Aristóteles da Teoria das Ideias de Platão

Este texto faz, de forma parcial, referência à refutação por parte de Aristóteles à teoria das Ideias de Platão (Metafísica de Aristóteles). Diz-se: “a potência para ser real, há-de ser potência de algo existente, portanto, já em acto em respeito ao ser”; e a seguir: “(…) nada impede pensar em um Acto Puro, não limitado por potência alguma…”

Sólidos platónicos

Eu considero a filosofia política de Platão uma anormalidade escabrosa, e portanto sou insuspeito para falar dele. Porém, a teoria das Formas (Ideias) de Platão foi, de certa forma, corroborada pela filosofia quântica que se baseia em conceitos extrapolados de resultados verificados pela ciência física nas ultimas décadas. Em termos de comparação filosófica (e só nestes termos), a quântica substitui a noção platónica e aristotélica de Acto pelo de Evento; este último é mais abrangente porque não diz respeito somente àquilo que existe em acto mas também às possibilidades de ocorrência de eventos ou actos futuros, e aos eventos do passado.

É preciso ter em conta que tanto Aristóteles como Platão movem-se no mundo da imanência. Imanência não é a mesma coisa que transcendência. Os deuses gregos eram intracósmicos — não transcendiam o universo; Zeus era um demiurgo na verdadeira acepção da palavra. Aristarco de Samos foi simbolicamente condenado à morte por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam à volta da Terra, precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos — era suposto a Terra ser o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

Tanto Aristóteles como Platão não conseguiram demarcar-se totalmente da sua herança cultural cosmológica. Mais tarde, durante a escolástica cristã, as doutrinas gregas — tanto a de Aristóteles como a de Platão através de Plotino — foram “recicladas” através da introdução das mundividências cristã da patrística e do judaísmo; e aqui, sim, as filosofias de Aristóteles e Platão foram reinterpretadas e ganharam também uma dimensão transcendente. É sempre importante, contudo, fazer a distinção entre imanência e transcendência, porque ambas as dimensões pertencem à realidade — conforme demonstrado pela quântica.
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