perspectivas

Sábado, 9 Julho 2011

A ditadura da economia e a morte da política

A actual situação gerada pela crise económica e financeira mundial, globalizada, obriga-nos a pensar a história das ideias que nos levaram até aqui. Como nos metemos nesta “alhada” de um mundo em que parece que “vale tudo excepto arrancar olhos”? A continuarmos por este caminho, onde iremos parar?
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Quarta-feira, 16 Março 2011

Eric Voegelin foi profético

Quando Eric Voegelin escreveu o seu primeiro livro, “As Religiões Políticas”, pareceu que ele se referia apenas ao nazismo. Nas obras seguintes alargou o espectro da sua análise, e na “Ordem e História”, o seu foco já parece ser desligado de uma determinada época especifica, mas antes apresentou como que um “modelo” segundo o qual o movimento histórico gnóstico pode actuar em qualquer momento e em qualquer época.

«Stephen Glover, writing in the Daily Mail, says secular values have even been accorded the status of a religion.»

Quinta-feira, 16 Setembro 2010

A insustentável e insuportável leveza dos erros repetidos pela demência de esquerda

« Simone Beauvoir disse que foi na China que a alienação da mulher desapareceu. A vida privada deixou de ser problema. O amor deixou de ser problema. Não há divergências, não há conflitos, excepto o conflito entre o velho e o novo, violentamente superado pelo novo triunfante, sem oposição, sem hipocrisia. A ordem é liberdade. O futuro é harmonia. »

Edgar Morin, “Do Mito Chinês”, 1961


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Domingo, 29 Agosto 2010

O eterno argumento naturalista: “A ciência ainda não sabe, mas vai saber”

O argumento naturalista essencial (naturalismo = darwinismo + ateísmo) — conforme Daniel Dennett, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris, Julian Savulescu, Anthony Cashmore, Peter Singer, etc. — inclui duas noções básicas, a ver:

  • Deus não existe;
  • A ciência neopositivista ainda não sabe, mas vai saber.

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Quarta-feira, 7 Julho 2010

O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (1)

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Os três mestres da suspeita

Para que seja possível entender cabalmente não só esta Nova Esquerda que desponta — conforme retratada por Ernest Sternberg —, como o movimento revolucionário em geral, é necessária a leitura do livro “As Religiões Políticas” de Eric Voegelin e, se possível, “A Nova Ciência da Política” do mesmo autor, sendo que esta segunda obra de Eric Voegelin reveste-se já de alguma complexidade de linguagem que talvez não seja acessível a muita gente.

Para além das ditas obras de Eric Voegelin, seria também aconselhável a leitura da obra de Hans Jonas “The Gnostic Religion” ( “A Religião Gnóstica”) que serve de suporte científico à própria obra de Eric Voegelin. Outras obras de outros autores contemporâneos, como Kurt Rudolph, Giovanni Filoramo, Yuri Stoyanov e Michel Tardieu, concedem à obra de Eric Voegelin a autoridade científica irrefutável que o movimento gnóstico moderno (através dos seus ideólogos) recusa, por razões que toda a gente pode compreender.
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Domingo, 4 Julho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (12)

Todos os internautas conhecem, pelo menos de ouvir falar, o mundo virtual do “Second Life”, em que uma pessoa inventa uma personagem, muitas vezes com características pessoais diferenciadas do seu autor, personagem essa que actua em um mundo diferente daquele em que o internauta vive na realidade concreta e objectiva. Essa realidade virtual do “Second Life” é, de facto, uma “segunda realidade”, embora o internauta normal tenha a plena consciência de que essa “segunda realidade” não é verdadeira.
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Terça-feira, 22 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (11)

Num postal sobre José Saramago, alguém colocou o seguinte comentário:

« A um homem “normal” (O. Braga) não é possível compreender um Homem Extraordinário! [José Saramago] Por isso escreve, ele sim com ódio, o que escreve. Mas O. Braga é “normal”. Por isso não é de espantar. »

A ideia do comentarista é esta: o ódio de Saramago em relação à ordem cósmica e à estrutura fundamental da realidade, é positiva porque ele é um “homem extraordinário” — um super-homem e um exemplo de um Aeon gnóstico moderno. Eu, que critico o gnosticismo de Saramago, é que tenho ódio porque sou um Hílico moderno, ou seja, um “normal”. Segundo o gnosticismo moderno — e em analogia com o gnosticismo antigo —, os “normais” nunca conseguirão a “salvação”.
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Quinta-feira, 17 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (7)

— A diástase História / Natureza, a tensão existencial e a Metaxia.

Do gnosticismo antigo e medieval, evoluiu-se na modernidade para duas formas diferentes mas complementares de gnosticismo moderno: um que se baseia no determinismo da natureza que reduz o ser humano a um ser meramente material e sem alma (através do cientismo), e outro que se baseia no determinismo da História (através das religiões políticas). (more…)

Segunda-feira, 14 Junho 2010

O problema existencial dos libertários de direita face ao marxismo cultural

O André Azevedo Alves (AAA) pretende aqui “salvar a honra do convento” (passo a expressão clerical que não pretende ofender a laicidade de quem quer que seja; trata-se apenas de uma expressão popular 🙂 ). Sobre o “casamento” gay, escreve: “importa perguntar por que razão há-de o Estado impor uma determinada tipificação legal [sobre o casamento] , seja ela de que natureza for.”

O AAA parte do princípio de que o casamento é anterior ao Estado — o que é verdade, se nos recordarmos dos clãs de 30 membros de Homo Sapiens Sapiens do neolítico — e que portanto este (o Estado) não deveria determinar aquele (o casamento). Porém, a animosidade que os libertários de direita têm ao Estado não deveria assumir proporções tais que se pretenda transformar a sociedade numa selva.

Já o filósofo chinês Confúcio dizia que “o casamento é a fundação da civilização” — reparem que Confúcio não fazia a mais pequena ideia do que seria o “capitalismo” e a “civilização ocidental” !.

Agora, que me expliquem como pode haver civilização sem Estado e, por isso, sem casamento reconhecido pelo Estado — a não ser que passemos a viver em tribos do neolítico organizadas em uma sociedade espartilhada e atomizada. Eis o drama dos libertários de direita :

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

Edgar Morin, ex-comunista francês (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)

Eric Voegelin escreveu no seu livro “Nova ciência da política” (página 133):

« A civilização pode, de facto, avançar e declinar em simultaneidade ― mas não para sempre. Existe um limite em relação ao qual se dirige este ambíguo processo; o limite é alcançado quando uma seita activista que representa a verdade gnóstica, organiza a civilização em forma de um império sob seu controlo. O totalitarismo, definido como o governo existencial dos activistas gnósticos, é a forma final da civilização progressista. »

Sexta-feira, 28 Maio 2010

Algumas características do gnosticismo moderno (2)

Para termos uma ideia mais precisa das origens do gnosticismo e do que este representa na modernidade, teríamos que abordar a História das Religiões — o mesmo quer dizer, a História do género humano e, principalmente da evolução da espécie do homo sapiens sapiens. O género humano é indissociável da religião; não é possível falar num evitando a outra. Neste sentido, a própria recusa desta associação natural entre o género humano e a religião é, em si mesma, uma característica do gnosticismo moderno.
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Segunda-feira, 3 Maio 2010

A Guerra Cultural

«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se se sentir cercada, senão oprimida, por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

― Eric Voegelin

Na sequência deste postal sobre António Sardinha, em que lhe reconheço a razão sobre o diagnóstico da modernidade, é importante que a não-esquerda — que é, por definição genérica, o conjunto abrangente do pensamento político não contaminado pelo marxismo nas suas diversas vertentes — tenha a noção da importância da linguagem. Por exemplo, quando eu escrevo sobre o “casamento” gay, o termo “casamento” vem sempre entre aspas, o que significa que eu não aceito a definição de “casamento” proposta pelo marxismo cultural. Quando eu escrevo sobre o aborto, nunca me refiro à “interrupção voluntária da gravidez” ou “IVG” sem a colocação de aspas, o que significa que recuso a linguagem imposta pelo marxismo cultural. E por aí fora. Assim procedendo, e através do recurso à linguagem do senso-comum — a linguagem que não complica o que é simples e lógico — a não-esquerda reserva para si mesma o poder de declarar os termos do discurso, ou seja, de contribuir para a criação da comunidade da linguagem de que nos fala Eric Voegelin.

No mercado das ideias, o controlo dos termos do discurso é fundamental, e equivale ao controlo dos meios de produção no marxismo económico clássico. Se repararmos bem, os marxistas — partido comunista, bloco de esquerda, e parte do partido socialista — pretendem discutir os assuntos dos valores presentes na sociedade impondo, à partida, a utilização de categorias, termos e definições da sua autoria, ou seja, pretendem que toda a gente aceite os seus termos de discurso ou a sua linguagem. Quando alguém, que pensa de si próprio como não sendo marxista, utiliza a linguagem imposta pelo marxismo cultural, aceitou já discutir os valores da sociedade segundo as condições do discurso impostas pelo inimigo político, o que significa que já perdeu o debate.

Este é o principal problema da chamada “direita liberal” ou “neoliberal”(ou mesmo de uma outra direita dita “revolucionária”) : já perdeu a batalha política. É uma questão de tempo para seja neutralizada pelo marxismo cultural. Essa “direita”, que é produto directo do Iluminismo (ou seja, faz parte do problema), parte do princípio positivista (que por sua vez é transposto directamente do epicurismo) de que o importante são os factos e não os conceitos e valores.
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Quinta-feira, 18 Março 2010

A construção apocalíptica das religiões políticas

Eric Voegelin é, na minha opinião e não só, um dos maiores pensadores do século XX porque conseguiu pensar a História ― e consequentemente, a Humanidade ― fora de um determinado tempo, isto é, preocupando-se em não estar agarrado aos conceitos e preconceitos da época em que viveu (século XX). Neste sentido, podemos dizer que Eric Voegelin teve uma visão holística da História, da filosofia e da política ― a visão de quem analisa os fenómenos humanos a partir de um ponto de observação externo que não é nem a perspectiva do tempo histórico observado nem o tempo histórico na perspectiva do observador. Isto não significa que ele tenha pretendido formatar a História atribuindo-lhe um sentido formal (eidos da História); pelo contrário, a sua posição de observador externo permitiu-lhe perceber que a História não tinha acabado ― ao contrário do que defenderam as religiões políticas surgidas do Iluminismo, como o marxismo, o comteanismo, o hegelianismo, o nazismo, ou o neoliberalismo hayekiano de Francis Fukuyama.
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