perspectivas

Sexta-feira, 14 Outubro 2011

A estupidez cansativa dos intelectuais modernos

Filed under: A vida custa,filosofia — O. Braga @ 7:17 am
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“A origem da História é a consciência humana (…) a História é constituída pela consciência” — Eric Voegelin, “A Consciência do Fundamento”

Este conceito de “História” consta de um opúsculo precioso de Eric Voegelin, o “filósofo maldito” que muita pouca gente estuda — se bem que eu duvido que muitos licenciados em filosofia tenham a capacidade necessária para entender Eric Voegelin; não estudar Eric Voegelin é desculpar insuficiências próprias. Penso até que Eric Voegelin se tornou ininteligível: o conceito de Fundamento deixou de ter um sentido na experiência humana objectiva: o Fundamento sobrevive, recalcado, sob a crusta do embotamento espiritual do Homem ocidental.

Os “intelectuais” ocidentais têm muita culpa no cartório. Gente cega; e o pior cego é aquele que não quer ver. E são esses “intelectuais” os principais responsáveis por situações como esta: as redes sociais em geral censuram a ética cristã.
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Quinta-feira, 16 Setembro 2010

A insustentável e insuportável leveza dos erros repetidos pela demência de esquerda

« Simone Beauvoir disse que foi na China que a alienação da mulher desapareceu. A vida privada deixou de ser problema. O amor deixou de ser problema. Não há divergências, não há conflitos, excepto o conflito entre o velho e o novo, violentamente superado pelo novo triunfante, sem oposição, sem hipocrisia. A ordem é liberdade. O futuro é harmonia. »

Edgar Morin, “Do Mito Chinês”, 1961


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Segunda-feira, 14 Junho 2010

O problema existencial dos libertários de direita face ao marxismo cultural

O André Azevedo Alves (AAA) pretende aqui “salvar a honra do convento” (passo a expressão clerical que não pretende ofender a laicidade de quem quer que seja; trata-se apenas de uma expressão popular 🙂 ). Sobre o “casamento” gay, escreve: “importa perguntar por que razão há-de o Estado impor uma determinada tipificação legal [sobre o casamento] , seja ela de que natureza for.”

O AAA parte do princípio de que o casamento é anterior ao Estado — o que é verdade, se nos recordarmos dos clãs de 30 membros de Homo Sapiens Sapiens do neolítico — e que portanto este (o Estado) não deveria determinar aquele (o casamento). Porém, a animosidade que os libertários de direita têm ao Estado não deveria assumir proporções tais que se pretenda transformar a sociedade numa selva.

Já o filósofo chinês Confúcio dizia que “o casamento é a fundação da civilização” — reparem que Confúcio não fazia a mais pequena ideia do que seria o “capitalismo” e a “civilização ocidental” !.

Agora, que me expliquem como pode haver civilização sem Estado e, por isso, sem casamento reconhecido pelo Estado — a não ser que passemos a viver em tribos do neolítico organizadas em uma sociedade espartilhada e atomizada. Eis o drama dos libertários de direita :

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

Edgar Morin, ex-comunista francês (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)

Eric Voegelin escreveu no seu livro “Nova ciência da política” (página 133):

« A civilização pode, de facto, avançar e declinar em simultaneidade ― mas não para sempre. Existe um limite em relação ao qual se dirige este ambíguo processo; o limite é alcançado quando uma seita activista que representa a verdade gnóstica, organiza a civilização em forma de um império sob seu controlo. O totalitarismo, definido como o governo existencial dos activistas gnósticos, é a forma final da civilização progressista. »

Segunda-feira, 4 Janeiro 2010

A moral relativista das religiões políticas

« Uma ideologia tende a remeter para a periferia, isto é, considerar secundário, qualquer dado cuja existência deva admitir, mas de que não posa conceber o sentido, a não ser que ela própria se ponha em causa. Assim, se em dado momento a ideologia comunista tiver que reconhecer a existência dos Gulag, este parecerá como um fenómeno não necessário, mas contingente (relacionado com os avatares históricos, com o atraso da Rússia, com o cerco capitalista), não principal (pois o principal é globalmente positivo), mas secundário. A partir daí, tendo em conta que “se não fazem omeletas sem partir ovos”, as sombras não devem ocultar a luz, a árvore não deve esconder a floresta e é escusado deitar o bebé fora com a água do banho.

O notável, então, é que a ideologia se bate em dois campos diferentes, com dois pesos e duas medidas. As mesmas prisões, as mesmas proibições e as mesmas interdições que são crimes nos outros (capitalistas e imperialistas) são “erros” e “imperícias” no seu caso. É um erro prender os dissidentes, é um erro meter os opositores em campos; mas Pinochet e os fascistas, esses, cometem crimes praticando os mesmos actos.

O paralelismo objectivo entre os sistemas nazi e estalinista é evidente: campos de concentração, partido único, julgamentos deturpados, proibição da arte “decadente”, censura generalizada (com acentuação muito maior da censura literária, artística e filosófica na URSS). Mas enquanto os mesmos actos, por parte dos nazis, constituem um mal absoluto, por parte dos estalinistas não passam de males relativos. Os crimes nazis são imprescritíveis, eternos; os crimes estalinistas são esquecidos, os seus autores vivem em paz, ninguém exige investigação, procedimento… Melhor ainda: a “moral”, do ponto de vista marxista, é uma mistificação idealista se se indigna com os excessos revolucionários.

Mas o marxismo que relativiza a moral dos outros situa-se no plano da ética absoluta quando denuncia os crimes capitalistas e imperialistas. Assim, a ideologia coloca-se num trono autocêntrico, no lugar da Terra no sistema de Ptolomeu, no lugar do Sol no sistema de Copérnico. Torna-se o centro de referência absoluto. »

— Edgar Morin (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)


A “ideologia” a que se refere Morin é a religião política. Morin, na sua condição de ex-marxista e gnóstico, tem dificuldade em associar a ideologia à religião política.

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