perspectivas

Quarta-feira, 25 Julho 2012

Neognosticismo (2) — a cisão de Duns Escoto

É vulgar ouvirmos alguns católicos dizer que o movimento revolucionário iniciou-se com a Reforma protestante. Isso é parcialmente verdadeiro, mas as sementes ideológicas do movimento revolucionário e da Reforma estavam já presentes na Igreja Católica medieval. Para além da irmandade franciscana, e de um caso ou outro como o de Joaquim de Fiore, é importante falar na cisão de Duns Escoto.

O futuro é apenas uma miríade infinita de possibilidades, e nada está pré-determinado. E mesmo aquilo que parece estar pré-determinado, por exemplo, as leis da física, não só não têm qualquer valor face à singularidade [por exemplo, face a um buraco negro], como não existe racionalmente qualquer certeza de que não possam ser anuladas a qualquer momento.

Vimos no verbete anterior, grosso modo, as diferenças entre a ética voluntarista neoplatónica baseada no “paradoxo paulino” e em parte adoptada por Santo Agostinho, e que se estendeu ao longo dos séculos, tornando-se dominante, até que surgiu S. Tomás de Aquino. Este último introduziu uma nova ética cristã e católica, embora intelectualista e racional. Depois de Aquino surgiu Duns Escoto com o retorno a uma ética voluntarista radical e de ruptura total com S. Tomás de Aquino. Duns Escoto levou o paradoxo paulino a um extremo radical e absurdo, comparável em absurdez à ciência actual que diz que o universo surgiu do Nada.

Duns Escoto levou o determinismo e a recusa do livre-arbítrio a tal ponto que defendeu que Deus é desprovido de liberdade [evolução para Espinoza, misturada com o estoicismo: Deus sive Natura].
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Quinta-feira, 8 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (4)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 12:09 pm
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Uma das características de alguma teoria política modernista (por exemplo, Hannah Arendt) ― recuso a designação de “filosofia política” pela razão explicada, assim como a designação de “ciências políticas” porque de acordo com o princípio de falsificabilidade de Karl Popper, as chamadas “ciências políticas e sociais” não podem ser consideradas como ciências positivistas e o mesmo acontece, por exemplo, com a psicanálise (Freud) e/ou com o marxismo ― é considerar que a liberdade depende [é efeito] da acção.
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