perspectivas

Sexta-feira, 23 Dezembro 2016

O molho tártaro do Leopildo do Diário de Notícias

 

Na fotografia abaixo vemos a actual primeira-ministra romena, Sevil Shhaideh, que é muçulmana. Mas ela não é só muçulmana: vemos, na foto e ao lado dela, uma placa com a bandeira turca e com os dizeres: União Democrática Turca da Roménia.

Sevil Shhaideh

Imagine o leitor, por exemplo, que António Costa concorria às eleições com a bandeira da Índia, e com uma placa a dizer: “União Democrática da República Indiana em Portugal”.

Naturalmente que o Leopildo do Diário de Notícias vê a eleição de uma romena que se diz muçulmana e turca, para primeira-ministra de um país da União Europeia que não é a Turquia, como uma coisa boa. E por quê? Porque o Leopoldo acredita que é possível integrar na Europa uma cultura que nunca se integrou ao longo de 1500 anos.

Sexta-feira, 29 Fevereiro 2008

E o DN paga!

Filed under: ética — O. Braga @ 10:42 am
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Nascimento de Vénus — Botticelli (1485)

Sei que não devia falar nisto, “que será dar demasiada importância a quem não a merece”, mas não resisto. Leiam este artigo da Fernanda Câncio no DN e digam-me se faz algum sentido. Senão vejamos (vamos ao fisking):

1. Critica a FC o facto do Metro de Londres ter retirado uma reprodução de uma pintura de Lucas Cranach de um dos murais de uma estação. Eu concordo, neste particular, com a FC, nomeadamente porque a reprodução do nu faz parte da pintura europeia renascentista, e não podemos esquecer que a cultura da Renascença — nomeadamente, a do renascimento italiano — foi apadrinhada por altos dignitários da Igreja Católica. A partir de finais da Idade Média, a tradição cristã conviveu razoavelmente com a estética do nu, e o cristianismo tem o condão de ser a religião que mais coaduna a ética com a estética — ao contrário do judaísmo, que sacrificou a estética em nome da moral, ou do islamismo, que sacrificou ambas as coisas.

2. Em seguida, a FC confunde a educação sexual do nu implícito no sexo explícito que defende para as crianças de 6 ou 7 anos (que não tem nada a ver com a estética expressa numa pintura renascentista de um nu) com a estética do nu renascentista, quando a educação sexual para essa faixa etária deve ser mais simbolista do que explícita, por razões óbvias.

3. Depois, a FC coloca no mesmo nível de juízo este caso de censura social de manifestação pública de sado-masoquismo com a censura da exposição do quadro de Lucas Cranach, como se fossem ambos os casos passíveis de serem ajuizados à luz dos mesmos critérios.

Ou a FC não se sabe expressar, ou foi isto que entendi. E o DN paga.

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