perspectivas

Quinta-feira, 24 Abril 2014

O cardeal Bergoglio e a comunhão dos divorciados e recasados

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 9:30 pm
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1/ Uma pessoa que nunca se casou pela Igreja Católica, e mesmo que se tenha casado pelo civil, não é considerada, pela Igreja Católica, como estando oficialmente casada.

2/ Uma pessoa que foi casada pela Igreja Católica e que se separou do cônjuge (ou se divorciou dele ou dela), não vive necessariamente em pecado, porque é necessário saber por que razão essa separação aconteceu — quais as razões que podem levar a um acto de separação ou de divórcio.

Por exemplo, uma mulher que é sistematicamente agredida (física ou/e psicologicamente) pelo marido, pode e deve separar-se e divorciar-se dele, apesar de ser casada pela Igreja. A Igreja Católica não deve (eticamente) impôr a um cônjuge um sofrimento insuportável em nome da fidelidade ao casamento.

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Segunda-feira, 25 Novembro 2013

Frei Bento Domingues e a Igreja Católica do mercado das ideias e dos valores

 

“Só devemos consagrar-nos a causas que a derrota deixaria intactas. Só de causas perdidas se pode ser partidário irrestrito.” — Nicolás Gómez Dávila

1/ Neste texto, Frei Bento Domingues começa por constar o óbvio: ao longo da história e pré-história humanas, sempre houve diversas estruturas de família. Por exemplo, ainda hoje existe a poligenia entre os muçulmanos (vulgo “poligamia”), e entre os tobriandeses ainda hoje existe a família “avuncular”, em que o irmão mais velho da mãe de uma criança tem um lugar mais importante na família do que o pai. Nestas sociedades, a lei do grupo é predominante; as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano. O indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam. As relações são nitidamente menos individualizadas, menos personalizadas.

Portanto, é um facto que existem e existiram sempre vários tipos de família. Aqui, o Frei Bento Domingues diz a verdade, mas não diz toda a verdade, porque eu tive que adicionar as características de outros tipos de família que ele escamoteou talvez por falta de espaço.

“O clero progressista não decepciona nunca o aficionado do ridículo” — Nicolás Gómez Dávila

julio-machado-vaz-web2/ Numa família tipo como a portuguesa, onde a dimensão afectiva é central, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem um lugar fulcral: é a pessoa toda, na sua dimensão corporal, afectiva e espiritual que está comprometida nas relações. Diz o povo que “não podemos ter sol na eira e chuva no nabal”, ou seja, não podemos tirar vantagem do facto de as relações serem individualizadas e, simultaneamente, procurar referências de maneira superficial e fragmentária em sociedades absolutamente diferentes, onde a codificação social é predominante e muito restrita.

Portanto, a ideia de Frei Bento Domingues segundo a qual “há vários tipos de família” é pura retórica. Mas é retórica perigosa porque ele procura, em minha opinião, propositadamente enganar os tolos — como aliás o faz sistematicamente o “curandeiro da RDP” de onde fui respigar o texto do Frei Bento Domingues.

“Apenas porque ordenou amar os homens, o clero moderno não se resigna a crer na divindade de Jesus; quando, em verdade, é somente porque cremos na divindade de Cristo que nos resignamos a amá-los” — Nicolás Gómez Dávila

3/ em função do que já foi escrito aqui e acima, não devemos (no sentido da lógica e da ética) dizer que a realidade social (ou a realidade das relações sociais), por ser exactamente tal como é, não se deve discutir e deve ser aceite — que é o que Frei Bento Domingues defende. Perante uma determinada cultura de relacionamentos sociais, Frei Bento Domingues pede à Igreja Católica que soçobre e aceite o “facto consumado”. É exactamente isto que o Frei Bento Domingues defende no seu texto.

“Antes, a Igreja Católica absolvia os pecadores; hoje, absolve os pecados” — Nicolás Gómez Dávila

Frei Bento Domingues web 400O arquétipo mental de Frei Bento Domingues é transcrito a partir da Nova Teologia e principalmente de Rudolfo Bultmann, e consiste basicamente em separar a fé, por um lado, de todo e qualquer elemento cosmológico ou mítico, por outro lado. A Nova Teologia, tal como o Frei Bento Domingues, é imanente e situa-se em um determinado espírito do tempo que é o nosso.

E, nessa defesa da aceitação do facto consumado, Frei Bento Domingues invoca, de uma forma inaceitável e enviesada, Jesus Cristo que nos disse:

“Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.” (S. Marcos, 10, 6 -9).

Jesus Cristo defende aqui a concepção actual e moderna de família nuclear, que é basicamente composta pela mulher como núcleo central, e depois por três seres humanos do sexo masculino: o filho da mulher, o marido da mulher, e o irmão da mulher. Mas Jesus Cristo adiciona um conceito crucial: o de que “o que Deus uniu não o separe o homem”. O seja, segundo Jesus Cristo, o casamento cristão é indissolúvel.

“Contra a Igreja triunfante e a Igreja militante, o novo clero incorpora-se na Igreja claudicante” — Nicolás Gómez Dávila

Mas para Frei Bento Domingues, esta opinião de Jesus Cristo acerca do casamento é “coisa do passado”. Diz ele que “o Cristianismo não é nostalgia de um paraíso perdido, mas a saudade de um futuro de transfiguração”. A influência da Nova Teologia, por um lado, e os elementos gnósticos de uma fé metastática estão bem presentes no pensamento de Frei Bento Domingues. A verdade, porém, e ao contrário do que defende o frade, é que o “futuro de transfiguração”, segundo a doutrina cristã genuína, não é imanente mas antes é transcendência, por um lado; e, por outro lado, esse “futuro de transfiguração” não pode ser concebido sem o conceito de “paraíso perdido” e de “queda”. O que Frei Bento Domingues defende não é o Cristianismo: é outra coisa, que ele não se atreve a dizer o que é.

“Nos tempos aristocráticos, o que tem valor não tem preço; em tempos democráticos, o que não tem preço não tem valor” — Nicolás Gómez Dávila

Mas o mais grave, nas ideias do Frei Bento Domingues, é a submissão da doutrina da Igreja Católica às leis do mercado das ideias e dos valores; é, neste caso concreto, a submissão da ética cristã ao Modelo Discursivo do marxismo cultural de Habermas. Mas se o mercado das ideias e dos valores mudar, o Frei Bento Domingues também muda de ideias e de valores, como uma espécie de cata-vento na torre de uma igreja:

“Sobre o campanário da igreja moderna, o clero progressista, em vez de uma cruz, coloca um cata-vento” — Nicolás Gómez Dávila.


Texto do frade em PDF

Sábado, 2 Novembro 2013

Rússia pretende taxar o divórcio em 800 Euros

Filed under: cultura — O. Braga @ 8:39 am
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A Rússia tenciona instituir uma taxa de divórcio que ronda os 800 Euros: quem se casa e quer divorciar-se, terá que pensar duas vezes antes de desembolsar 950 US Dollars.

Mas a classe política portuguesa é mais “progressista”: instituiu o divórcio expresso, unilateral e "na hora", destruindo famílias em massa em um momento de crise em que a união das famílias seria mais necessária. Não vejo a hora em que esta classe política seja julgada.

Sábado, 3 Agosto 2013

A confusão do Neanderthal contemporâneo

O Padre Portocarrero de Almada confunde aqui “divisão do trabalho”, que é uma característica endógena do homo sapiens que nem sequer Karl Marx colocou em causa, por um lado, com “machismo e repressão da mulher”, por outro lado. Muito sinceramente, não gosto do discurso do Padre, porque não contribui para a resolução do problema da permutabilidade dos indivíduos (não só entre homem e mulher) na sociedade actual, e pelo contrário acaba por ser um esteio para essa mesma permutabilidade. Quando, numa sociedade, quaisquer dois indivíduos são absolutamente permutáveis e intermutáveis, vivemos numa sociedade orwelliana e de pesadelo.

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Terça-feira, 2 Abril 2013

Em Espanha, a cada quatro minutos há um divórcio

É o resultado do “divórcio na hora” que foi instituído por Zapatero para acomodar, na lei espanhola, o “casamento” gay, e que serviu de exemplo ao famigerado José Sócrates: de quatro em quatro minutos há um divórcio unilateral e expresso em Espanha — e isto para além de já não ocorrerem muitos casamentos, e apesar da crise económica em Espanha.

Zapatero e José Sócrates ficarão para a história como criminosos lesa-sociedade. Se não forem julgados por um tribunal de Direito, serão certamente julgados pelo tribunal da História.

Quarta-feira, 30 Janeiro 2013

Como o “casamento” gay destruiu os fundamentos da instituição do casamento e da justiça

Filed under: homocepticismo,Justiça,politicamente correcto — O. Braga @ 2:23 pm
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No caso recente da mulher que matou os seus dois filhos e que se suicidou a seguir, vamos reter factos objectivos:

  1. O crime e suicídio aconteceram quatro dias depois de o tribunal ter decretado a entrega imediata das crianças ao pai e a proibição da mãe de os visitar sem supervisão, determinando que estas visitas ocorressem em casa de familiares para que não estivesse sozinha com os menores.
  2. A mulher em causa, professora de 40 anos, sofria de depressão psicológica.
  3. A polícia encontrou, no apartamento da mulher, três cartas de despedida, endereçadas à mãe, ao ex-marido e ao actual companheiro, e nas quais terá relacionado o crime à perda da guarda dos menores e ao processo de divórcio.

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Segunda-feira, 28 Janeiro 2013

A consequência do divórcio socratino e socialista “unilateral e na hora”

“Dois irmãos de 12 e 13 anos foram encontrados mortos no interior de um carro, nas imediações da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), na Cruz Quebrada, Oeiras, na noite de domingo. Hoje de manhã, as autoridades encontraram o corpo da mãe.”

via Irmãos de 12 e 13 anos encontrados mortos no interior de carro. Corpo da mãe encontrado esta manhã – Visao.pt.

A Esquerda há-de pagar os seus excessos ideológicos com língua-de-palmo.

Segunda-feira, 15 Outubro 2012

Número de divórcios por 100 casamentos em Portugal

Filed under: Portugal,Sociedade — O. Braga @ 7:15 pm
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Não há sociedade que aguente esta taxa de divórcio! Agradeçam ao Partido Comunista, ao Bloco de Esquerda, ao Partido Socialista de José Sócrates e ao Partido Social Democrata, que votaram a lei do divórcio unilateral, sem justa causa, e “na hora”.

E ao mesmo tempo que os políticos estão na origem deste descalabro social e cultural, ainda tiveram o topete de legalizar o “casamento” gay! Só podem estar a brincar com o povo…!

Domingo, 3 Abril 2011

Zita Seabra tem razão

As leis do aborto e do divórcio “na hora” são leis machistas. Os machos convenceram as mulas de que as ditas leis também servem os seus interesses, e de fora ficaram as crianças, os homens e as mulheres deste país. Estas leis revelam o machismo escondido da Esquerda, e a ideologia politicamente correcta transformou o mulismo na imagem espelhada do machismo.

Ambas as leis traduzem a aliança abstrusa entre a Esquerda marxista cultural (que inclui a Esquerda radical e a fabiana) e a Direita Neoliberal: “o inimigo do meu inimigo, meu amigo é”, é o lema. E o inimigo comum a ambas é a ética do humanismo cristão. Tanto a Esquerda (António Gramsci, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã, José Sócrates) como a plutocracia neoliberal (George Soros, Rockefeller, Bilderberg) escolheram a ética do humanismo cristão como alvo a abater; são aliados nesse desiderato.

As ditas leis precisam de revisão urgente.

===> Modernos e progressistas – por Zita Seabra

Quarta-feira, 24 Fevereiro 2010

Maus auspícios e oráculo de desastre

Para os romanos, o auspices (auspício) era uma forma de a entidade divina (normalmente o deus do lar ou o deus predilecto) aprovar ou não as decisões tomadas pelos homens, muitas destas até já executadas ― ao contrário do oráculo grego que alegadamente previa o futuro. Um exercício dos auspícios da actual situação portuguesa não seria aprovado pelos deuses romanos, nomeadamente a intenção do governo em aumentar a idade de reforma para os 67 anos de idade, copiando a recente decisão do governo espanhol de Zapatero. E se conciliarmos os auspícios romanos negativos com um exercício de um oráculo grego, verificamos que a segurança social e o Estado social estão já antecipadamente mortos.
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Sexta-feira, 18 Setembro 2009

O ataque da Esquerda à família natural

casamento

A proposta esquerdista e marxista cultural, assumida não só pela esquerda radical (PCP e BE) e pela esquerda fabiana (PS e os pequenos partidos da órbita socialista), de legalização do “casamento” entre duas avantesmas com “pêlo na bunda”, significa aparentemente a concessão de um direito positivo, na medida em que estende o conceito de “família” a qualquer gato-pardo.

Em contraponto, o direito das duplas peludas ao “casamento” ― e à consequente adopção de crianças ―, constitui um direito negativo porque implica o direito absoluto de não interferência na decisão das avantesmas peludas. O casamento e a adopção de crianças passa a ser uma “coisa” à discrição e culturalmente “descartável”, uma decisão à la carte.

divorcio

Isto significa que, em termos práticos, a esquerda em geral pretende transformar ― numa primeira fase ― o casamento num direito negativo. E a esquerda mais radical vai mais longe: pretende, desde já, erradicar a figura cultural do casamento, substituindo-a por um contrato precário e desvalorizado culturalmente que permita a adopção de crianças, por um lado, e a capacidade praticamente absoluta e discricionária de o Estado poder retirar a tutela de uma criança a uma família natural, por outro.

A lei do “divórcio unilateral e em um minuto”, confirma essa estratégia.

Quem diz que “o comunismo morreu” ainda não se apercebeu do dedo de Engels na estratégia da esquerda em geral ― incluindo o partido socialista. Acabem com o valor social e cultural da família natural e teremos, a breve trecho, um Estado totalitário em todo o esplendor.

Os comunistas perderam a guerra económica. Falta-nos vencer a guerra cultural.

(E não se esqueçam de votar em Louçã, em Sócrates ou em Jerónimo; um dia destes, quando acordarem, têm uma nova PIDE à vossa porta).

Quarta-feira, 26 Agosto 2009

O progresso bastardo

Não sei quem é a tal Inês Cardoso que escreveu esta coisa, mas vejam como aquilo que é naturalmente contra a instituição da família ― e portanto, contra a sociedade ― é apresentado como positivo. Por exemplo, o divórcio não é apresentado como um “mal necessário”, algo que deveria ser evitado e a que se deveria recorrer depois de esgotadas todas as possíveis soluções. Não.

Segundo aquela “mente de galinha”, o divórcio é intrinsecamente positivo; deveria ser mesmo obrigatório casar e divorciar logo a seguir; a função única do casamento é permitir o êxtase psicológico e cultural de meter os papéis para o divórcio; o divórcio é um fim moral em si mesmo. A única justificação moral para o casamento é o divórcio.
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