perspectivas

Quinta-feira, 16 Maio 2013

Camaradas! Depois da IVG, vamos impor a IVV!

Camaradas!

A razão por que o Bloco de Esquerda apoia a União Europeia é a de que a União Europeia apoia o Bloco de Esquerda. Nós apoiamos quem nos apoia. No caso da IVG (e da IVV), a União Europeia também apoia o Bloco de Esquerda. A União Europeia e o Bloco de Esquerda falam a uma só voz.

good cop bad cop be 242 webNós, no Bloco de Esquerda, depois de termos tido a iniciativa de legalizar a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez), estamos totalmente de acordo com o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que pretende impor a legalização da IVV (Interrupção Voluntária da Velhice) a todos os países da Europa e do mundo.

Uma pessoa que chega a uma certa idade e já não tem pedalada para uma orgia, deve-se interromper voluntariamente a si mesmo. A interrupção voluntária de si mesmo é um acto de dignidade: só um indivíduo digno dá um tiro na sua cabeça depois de constatar a sua falta de “pica”. A única excepção é o gay passivo, que é sempre digno porque não necessita de “pica”; e a mulher também, porque possui a dignidade óbvia e intrínseca de uma boneca insuflável.

Mas não só. Por exemplo, os benfiquistas têm o direito à IVV, porque já estão carecas de tanto perder as finais das competições europeias de futebol. Por isso, todo o benfiquista com dignidade deveria ter o direito inalienável de solicitar uma IVV gratuita e em hospital público! Não é admissível assistirmos a suicídios clandestinos de benfiquistas em vãos-de-escada, ou na ponte 25 de Abril.

A realidade da interrupção voluntária de si mesmo, por parte de benfiquistas, existe. E se um fenómeno social existe, qualquer que seja, deve ser legalizado. Por isso é necessário legalizar a IVV para que esses benfiquistas, carecas de perder, possam interromper-se voluntariamente a si mesmos com dignidade.

A interrupção voluntária de si mesmo, ou IVV, também é um acto de amor à natureza, porque — tal como a IVG! — impede o aumento do aquecimento global. Nós, no Bloco de Esquerda, aconselhamos a toda a gente a IVV, com excepção dos militantes do Bloco de Esquerda que não podem, infelizmente, praticar a IVV porque somos necessários para aconselhar todos os portugueses nesse sentido. Nós, no Bloco de Esquerda, somos os guardiões da defesa da universalidade da IVG e da IVV.

Conhecemos o futuro! A vitória é certa! A luta continua!

Terça-feira, 16 Abril 2013

Diferença e tolerância

“Diferença” é sinónimo de alteridade. Esta definição não explica nada e é até tautológica. Seria como se se dissesse que “a cor branca é clara”. Por isso vamos ter que “trocar por miúdos” a noção de “diferença”.

Quando vários termos (ou pessoas, ou grupos de pessoas) têm algo em comum, isso significa que também existem característicos desses termos que não são comuns. Ou seja, esses termos são semelhantes, mas não são idênticos.
Ao contrário do que Heidegger dizia — que “a diferença só pode ser definida negativamente” porque alegadamente “não é idêntica nem semelhante” —, a diferença entre termos implica necessáriamente a existência de semelhanças entre esses termos. Se não existe qualquer semelhança entre uma série de termos entendidos individualmente, não podemos falar de “diferença”, mas de “diversidade”: o “diverso”, sendo a desmultiplicação ad infinitum das características que separam radicalmente as identidades dos termos em questão, reúne em si tudo o que não pode ser incluído no discurso filosófico ou racional. Falar em “diversidade” não é falar naquilo que é concreto e objectivo: antes, é uma abstracção que nos conduz ao infinito e, portanto, ao ininteligível.

“Diferença” não é a mesma coisa que “diversidade”.

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