perspectivas

Sexta-feira, 23 Janeiro 2015

¿O Distributismo é utopia?

Filed under: economia,Política,Portugal — O. Braga @ 8:31 am
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“Quem duvida… que o poder que um multimilionário — que pode ser meu vizinho ou talvez meu patrão — tem sobre mim é muito menor do que o que detém o mais pequeno funcionário [do Estado], que transporta consigo o poder do Estado, e de cuja discrição depende se e como me é permitido viver e trabalhar?”

Hayek, “The Road to Serfdom” (tradução minha)

Os recentes acontecimentos, desde a crise financeira de 2008, às dívidas soberanas, até à queda estrondosa do grupo BES, demonstram que Hayek não tinha razão: o poder de um multimilionário em relação à  minha vida é pelo menos tão grande como o do Estado.

Dar poder ao Estado para controlar o multimilionário é reforçar o poder do Estado; deixar o multimilionário actuar em roda livre é aumentar o seu poder discricionário sobre a minha vida, que não se reduz ao presente mas também a um futuro próximo. Eu não quero que o Estado e/ou o multimilionário condicionem a minha liberdade e a minha vida de uma forma para além do razoável e tolerável.

O poder discricionário do multimilionário sobre a minha vida baseia-se em uma visão de desmoralização daquilo que é útil à  sociedade: essa corrente ideológica teve a sua origem no Marginalismo do século XIX: tudo aquilo que é útil à  sociedade passou a estar desligado de qualquer corrente moral. Ou melhor: a moral subjacente àquilo que é útil passou a ser o que cada um quiser, e o limite do acto gratuito decorrente da desmoralização do útil é a lei positivista que pode ser mudada a bel-prazer dos poderes instituídos.

O poder discricionário do Estado sobre a minha vida começou com o despotismo iluminado do absolutismo monárquico do século XVIII que teve origem nas teorias da Razão de Estado dos séculos XVI, XVII e XVIII; evoluiu para o marxismo, por um lado, e para a alienação do corporativismo medieval — as guildas —  que foi o fascismo, por outro  lado.

Tanto o marxismo como o fascismo foram consequências directas do conceito abstracto de “Vontade Geral” de Rousseau.

Desde o século XIX que vivemos em um sistema económico maniqueísta e em double blind: ou o Marginalismo — que é defendido por Hayek e que deixa o multimilionário em roda livre — ou o marxismo suave que reforça o poder do Estado e estabelece salários mínimos que são defendidos por sindicatos — que é defendido por Habermas ou por John Rawls.

Nós não precisamos nem de salários mínimos,  nem de multimilionários que desmoralizam o útil e transformam, muitas vezes, a acção económica e financeira em actos gratuitos (Bill Gates, George Soros, Rockefeller, Rothschild, etc.) que têm impacto directo nas nossas vidas. A dependência do trabalhador em relação ao salário mínimo interessa tanto ao multimilionário como aos sindicatos (mais ou menos) marxistas.

Queremos que a maioria das pessoas tenham acesso à  propriedade privada, ou seja, que sejam patrões de si mesmos, e que o seu rendimento seja o produto do seu trabalho.

O poder discricionário do multimilionário e o poder burocrático do Estado fazem parte do problema, e não de qualquer solução. A contradição entre os dois é aparente: precisam um do outro para poderem sobreviver.

Sexta-feira, 6 Julho 2012

Os sete princípios fundamentais do distributista

Filed under: ética,cultura,economia,educação,Sociedade,Ut Edita — O. Braga @ 6:01 am
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  1. Entenda a sociedade à luz do princípio da subsidariedade. Aquilo que é da competência da família não é competência, por exemplo, do Estado, e vice-versa.
  2. Assuma o casamento e o compromisso com a sua mulher e tenha, pelo menos, dois filhos.
  3. Sendo casado e com filhos, faça todo o possível para que a sua mulher possa ficar tranquila em casa a cuidar do lar e dos filhos. Ou, em alternativa e em máxima concessão, ela poderá ter um trabalho em tempo parcial [part-time].
  4. A lei portuguesa permite o ensino-em-casa dos seus filhos. Se, por qualquer razão, não for possível adoptar o ensino-em-casa para os seus filhos, acompanhe de muito perto a forma com os seus filhos são educados na escola pública; e se não lhe agradar a educação recebida na escola, mude os seus filhos de escola. Em última análise, adopte o sistema de troca directa e cooperação com os vizinhos e /ou distributistas, juntando as crianças de várias famílias em um sistema comum de ensino-em-casa e contratando uma professora privada.
  5. O trabalho vem depois da família. Primeiro a família, e depois o trabalho. Se o seu patrão não compreender isto, tente trabalhar por conta própria e mande o patrão dar uma volta ao bilhar grande.
  6. Não trabalhe ao Domingo. Dedique este dia da semana inteiramente à família.
  7. Compre produtos agrícolas e/ou manufacturados de produtores locais, regionais e nacionais [por esta ordem de preferência, e sempre que possível, directamente dos produtores].
Adenda: não aprecio o termo Distributismo, porque é um “ismo”, e porque a corrente ideológica distributista vulgar e comum tende a situar a sua origem no século XIX e proveniente da mesma vergôntea do socialismo francês desse século — ao passo que a sua origem real pode ser encontrada nas teorias sociais da Idade Média.

Portanto, a minha teoria distributista é diferente daquela que pulula por aí. Antes de mais nada, o Distributismo é uma filosofia de vida com impacto na economia política, e não uma teoria económica com impacto no modus vivendi.


Adenda: Quando temos um complexo de inferioridade que se traduz num sentimento de superioridade, transformamos pequenos detalhes em grandes problemas. E é assim que um pormenor sem importância objectiva é transformado na tentativa de afirmação de uma superioridade que, de facto, não existe.

Existe gente que pensa que a cultura se aprende nos livros, ou, mais recentemente, na Internet. De facto, nos livros aprendemos a retórica, ao passo que a cultura surge praticamente do berço. Se a cultura não é genética, anda lá muito próxima. E por mais retórica que adquiramos, ou pensemos que adquirimos, nunca substituirá a cultura.

Quarta-feira, 18 Abril 2012

O trabalho, a Mulher, e as tendências do futuro

[mini-ensaio / 1438 palavras]

O que o nosso tempo nos pede é a coragem de uma autêntica revolução cultural.

Hoje é comummente aceite, mesmo pela direita dita “conservadora”, que o facto de a mulher trabalhar fora de casa [aqui entendido como “trabalho externo”] é um direito positivo [que implica a existência de um “dever”], enquanto que se a mulher ficar em casa a cuidar dos filhos, da família, ou trabalhar em comunidades restritas [aqui entendido como “trabalho institucional”], exerce um direito negativo [que implica a existência de uma mera opção]. Ou seja: na cultura coeva e nas leis, quando a mulher trabalha fora de casa, cumpre um dever; e se trabalha em casa, fá-lo por opção, ou, como se diz agora, por um “estilo alternativo de vida”.
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Quinta-feira, 29 Março 2012

Sobre a crítica ao Distributismo [parte II]

A segunda crítica ao Distributismo, deste texto, é a seguinte: “Mesmo sabendo que as pequenas empresas familiares são ‘engolidas’ pelas grandes empresas monopolistas, não é óbvio que seja sempre preferível que um homem trabalhe na sua empresa familiar em vez de trabalhar para outrem.”
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Quarta-feira, 28 Março 2012

Sobre a crítica ao Distributismo [parte I]

Filed under: ética,economia — O. Braga @ 6:51 pm
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Este texto de crítica ao Distributismo tem várias invectivas que vou dissecar, se Deus quiser, ao longo de alguns postais, tentando uma resposta disciplinada a um texto crítico confuso e indisciplinado.


Em primeiro lugar, o texto critica o desconhecimento dos católicos distributistas em relação a Carl Menger; é desta crítica que vou falar neste postal.
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Domingo, 22 Janeiro 2012

A crítica neoliberal ao Distributismo

Nesta crítica neoliberal ao Distributismo, vemos duas citações, uma de Hayek e outra de Von Mises, que raiam o cinismo: em suma, a lógica das citações é a seguinte: “se a minha avó não tivesse existido, eu não existiria”.
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