perspectivas

Terça-feira, 30 Abril 2013

A bovinotecnia confunde propositadamente Estado Social e Estado Decente

“Consciente dos malefícios do seu estado social, a Dinamarca está já a promover reformas que, provavelmente, impedirão a implosão do país. Em Portugal, mesmo depois de termos estoirado, continuamos sem conseguir compreender as razões que nos levaram à situação em que nos encontramos, nem tão pouco somos capazes de enfrentar as reformas necessárias para voltarmos a ser um país decente.”

Qualquer comparação entre o Estado Social na Dinamarca e a caricatura congénere portuguesa ou é má-fé ou estupidez. Ou ignorância em relação ao que se passa na Dinamarca, o que não parece ser o caso. O bovinotécnico em causa escreve um relambório coerente e racional para chegar aonde quer: dizer que Portugal, tal como a Dinamarca, tem um Estado Social, tentando subrepticiamente impor ao leitor uma comparação entre as duas situações.

Que se diga que a esquerda pretende (se pudesse) transformar Portugal numa espécie de Dinamarca, concordo. Que se diga que Portugal tem um Estado Social comparável ao espanhol, só um psicótico o diria. E se não tem comparação com o Estado Social espanhol, muito menos tem com o congénere inglês, francês e alemão; e ainda muito menos ainda com o dinamarquês, sueco ou norueguês.

Se há tiques do Estado Social nórdicos em Portugal? É claro que sim. Por exemplo, as reformas antecipadas. Mas a concessão errónea de reformas antecipadas não pode justificar a punição das pessoas que se reformaram na idade certa e legal: não é defensável que em nome do combate à anomalia se puna o normal — que é o que Passos Coelho pretende fazer.
Outro tique do Estado Social nórdico é, por exemplo, o aborto grátis. Por que carga de água o Estado (o contribuinte) tem que pagar as “cambalhotas” irresponsáveis de alguns cidadãos?

Outra coisa, bem diferente, é por exemplo o apoio do Estado aos idosos doentes; ou a preferência do Estado (em benefícios fiscais) em relação aos casais efectivamente casados e com filhos, em detrimento da actual preferência do Estado em relação aos solteiros. Quando Estado apoia os desempregados que contribuíram previamente para a SS (Segurança Social), não é um Estado Social, mas antes é um Estado Decente.

(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do “gado” de uma forma tal que se consiga fazer crer aos “bovinos” que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

Terça-feira, 9 Outubro 2012

Os dinamarqueses mudam de opinião em relação ao Euro

Em Fevereiro de 2011, 41% dos dinamarqueses era a favor da entrada da Dinamarca no Euro. Hoje, apenas 22% dos dinamarqueses quer entrar no Euro. Mas a Islândia foi mais longe: retirou o seu pedido de adesão à União Europeia.

Porém, se virmos a pseudo-informação dos me®dia portugueses, todos os países do mundo — e arredores! — querem entrar na União Europeia e no Euro; e marcianos incluídos!.

Segunda-feira, 30 Abril 2012

O “crime de ódio” e a morte da liberdade de expressão

«When an opinion on sociological trends or a critique of a group ideology results in criminal charges of hate speech, liberal democracy is in danger.

The Danish supreme court has just highlighted that danger. While deciding to acquit Lars Hedegaard, president of the Danish Free Press Society, of intending to speak hatefully for public dissemination, the court emphatically affirmed a statute according to which anyone who “publicly or with the intent of public dissemination issues a pronouncement or other communication by which a group of persons are threatened, insulted or denigrated due to their race, skin colour, national or ethnic origin, religion or sexual orientation is liable to a fine or incarceration for up to two years.”»

via The Death of Free Speech, Continued – Karen Lugo – National Review Online.

O que se está a passar nos países do norte da Europa é inacreditável. Por exemplo, se uma idiossincrasia cultural do homem muçulmano é a de bater na mulher, nada pode ser dito em público acerca do assunto sem incorrer numa pena de prisão até dois anos por “crime de ódio”.

No sul da Europa, apenas a Espanha saída do regime de Zapatero tem algumas semelhanças com o que se passa no norte da Europa; nem a França atinge os níveis de radicalismo vigentes em Espanha. Cinco anos de governo de Zapatero foram absolutamente demolidores para o tecido cultural espanhol.

Em Portugal, os cabrões do Bloco de Esquerda, acolitados pela ala esquerda do Partido Socialista, pretendem impor em Portugal um regime semelhante ao dinamarquês. O Bloco de Esquerda vive obcecado com a proibição daquilo que não lhe interessa e com a liberalização daquilo que lhe interessa. Por exemplo, o Bloco de Esquerda pretende proibir as transmissões televisivas das touradas, mas está contra a proibição da rebaldaria dos costumes dos funcionários do hospital de Braga. A tourada tem um simbolismo conservador — e por isso o Bloco de Esquerda quer proibir —, enquanto que a tipologia da enfermeira-galdéria obedece a critérios de corrupção progressista da cultura.

Porém, o que mais assusta nesta nova ideologia política é que mesmo que tenhamos provas dos factos que sustentem a pertinência da nossa opinião tornada pública, essas provas não podem ser levadas a tribunal. Poderíamos supor que alguém se queixaria por difamação ou por injúria, e que seriam necessárias provas de que os factos não consubstanciam tais crimes [como é normal em qualquer Estado de Direito]; mas não se trata disso. Se eu tiver provas de que, por exemplo e em juízo universal, a comunidade islâmica se comporta de uma maneira incivilizada em determinado aspecto da sua cultura, o tribunal não aceita essas provas.

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