perspectivas

Domingo, 1 Dezembro 2013

Nicolás Gómez Dávila refuta Hegel em 112 palavras

 

“A negação dialéctica não existe entre realidades, mas apenas entre definições. A síntese em que a relação se resolve não é um estado real, mas apenas verbal. O propósito do discurso move o processo dialéctico, e a sua arbitrariedade assegura o seu êxito.

Sendo possível, com efeito, definir qualquer coisa como contrária a outra coisa qualquer; sendo também possível abstrair um atributo qualquer de uma coisa para a opôr a outros atributos seus, ou a atributos igualmente abstractos de outra coisa; sendo possível, enfim, contrapôr, no tempo, toda a coisa a si mesma — a dialéctica é o mais engenhoso instrumento para extrair da realidade o esquema que tínhamos previamente escondido nela.”

— Nicolás Gómez Dávila

Terça-feira, 18 Dezembro 2012

O conservadorismo e as elites do Iluminismo

Filed under: cultura — orlando braga @ 2:28 pm
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Este texto coloca a questão de como fugir à armadilha lógica clássica da dialéctica hegeliana: se alguém vive hoje, em princípio não pode fugir à lógica da dialéctica de hoje; alguém que vive hoje, não pode, em princípio, viver como se vivesse, por exemplo no século XVII. Esse alguém está, supostamente, sujeito ao mecanismo imanente das teses, antíteses e sínteses da dialéctica hegeliana de hoje. E neste sentido, levanta-se o problema: ¿como se pode ser conservador, hoje?
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Segunda-feira, 3 Setembro 2012

Acordo do pensamento com a realidade

« Falar de acordo do pensamento com a realidade é o mesmo que falar de acordo do pensamento consigo mesmo, e reciprocamente. E isto não por o pensamento não poder sair de si e penetrar na realidade, nem por o pensamento ser a realidade, nem por a realidade ser o pensamento — mas porque pensamento e realidade são uma e a mesma coisa. »

— Edmundo Curvelo, Introdução à Lógica, Lisboa, 1942, Edições Cosmos, página 140

Edmundo Curvelo foi considerado o melhor lógico português do século XX, foi professor liceal de História e de Filosofia, e professor universitário de História da Filosofia Antiga, Moderna e Contemporânea, Teoria do Conhecimento, Moral e Lógica. Quem sou eu, um humilde ignaro, para contradizer ou mesmo discordar do professor Edmundo Curvelo?

Em princípio, a proposição em epígrafe está correcta porque decorre da validade do princípio de autoridade de direito que supostamente se baseia numa autoridade de facto.

Vemos nessa proposição a influência de Kant — embora alterada — e a tentativa de negar S. Tomás de Aquino. O santo dizia que “a verdade é a adequação do intelecto (pensamento) à realidade”. E na minha opinião, o santo dizia bem. E, portanto, segundo o santo, se o pensamento [implícito em “intelecto”] tem que se adequar à realidade para descobrir a verdade, pensamento e realidade não são a mesma coisa. Mas o professor Curvelo diz que não: que o santo estava errado…!

Por outro lado, Kant [e também, por exemplo, o neo-kantiano ou neo-criticista Karl Popper] diz — e bem — que o cérebro humano não é uma espécie de balde onde os sentidos despejam as sensações provenientes do mundo exterior. Em vez disso, dizia Kant que existe uma espécie de software implantado no cérebro humano que faz o tratamento dos dados das percepções sensoriais recebidas do exterior por via dos sentidos. Ou seja, o cérebro interpreta; e cada interpretação de um determinado fenómeno inerente à realidade é uma teoria.

Então, como é que o professor Curvelo chega à conclusão de que “o pensamento e a realidade são uma e a mesma coisa”?! Deixo a resposta para o caro leitor, que certamente terá mais perspicácia do que eu.

Porém, eu penso que o professor Curvelo era um hegeliano — o que aliás não era de espantar porque Hegel marcou o espírito do seu (do professor Curvelo) tempo. E Hegel foi conhecido por pegar nas ideias de Kant e adulterá-las. Dizia Hegel que “o que é racional é real”, e vice-versa, o que significa que, segundo Hegel, toda a realidade pode ser traduzida mediante categorias racionais (lógicas). E, portanto, se “o que real é racional”, então “o pensamento e realidade são uma e a mesma coisa” — conclui o professor Curvelo.

Mas não é.

Em primeiro lugar, o professor Curvelo parte do princípio segundo o qual, o pensamento enquanto tal, é sempre racional (ou seja, o pensamento é sempre sustentado pela lógica).

Em segundo lugar, o professor Curvelo parte do princípio de que a realidade, entendida em si mesma, não é nunca logicamente contraditória, e por isso pode ser categorizada racionalmente [Hegel].

Tanto o primeiro princípio como o segundo são falsos. E quando um princípio está errado, toda a concepção teórica está errada [Aristóteles], o que significa que, neste caso, o pensamento do professor Curvelo não se adequa à realidade — lá dizia S. Tomás de Aquino, e com razão!

Segunda-feira, 30 Julho 2012

Refutação da dialéctica de Hegel

Filed under: filosofia — orlando braga @ 1:01 pm
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Abstracto

  1. O Todo é mais do que a simples soma das partes.
  2. As partes são ininteligíveis separadamente do Todo — do tal Todo que é mais do que a soma das partes.
  3. O formalismo matemático aplicado à quântica: a noção formal [simbólica] quântica de “espaço abstracto”.

O desenvolvimento destes três pontos refutam radical e totalmente a dialéctica de Hegel.


“O concreto é o abstracto tornado familiar pelo hábito.” — Paul Langevin (1872 – 1946)


Domingo, 29 Julho 2012

Aliança sincrética entre o marxismo cultural e o neoliberalismo

«A senior gov’t official stated that one way to curb Britain’s social problems is to tell mothers with large families not to have any more children.

Louise Casey, head of a government agency set up to deal with troubled families following last summer’s riots, said the state should “interfere” and tell women they are irresponsible and should be “ashamed” of how they are damaging society if they have “too many children,” according to a report in the Telegraph.»

via UK gov’t official calls for sanctions against large families | LifeSiteNews.com.

O que assistimos hoje na política é algo totalmente novo e que, por vezes, nos deixa desorientados e aparentemente sem referências históricas/ideológicas. “De onde vêm esta ou aquela ideia?” — perguntamo-nos. “Será esta ou aquela ideia de esquerda, ou de direita?” — questionamo-nos.

A responsável por uma agência governamental inglesa, de seu nome Louise Casey [na imagem] defendeu publicamente a ideia segundo a qual a solução dos problemas sociais das famílias problemáticas passa pela “interferência” do Estado na instituição da família — Estado, esse, que deve dizer às mães das famílias numerosas que elas são “irresponsáveis” e que deveriam ter “vergonha” em ter muitos filhos.

E qual é o argumento causal de Louise Casey? É o de que entre as 120 mil famílias disfuncionais analisadas, 1/5 ou 20% delas têm mais de cinco crianças. Ou seja, 80% das famílias disfuncionais inglesas têm cinco ou menos crianças. E a partir destes 20%, Louise Casey parte para um juízo universal, como se a maioria das famílias disfuncionais tivesse, de facto, mais de cinco filhos.

Louise Casey vai mais longe: as mães que têm muitos filhos e que, por isso e segundo ela, são “irresponsáveis” e deveriam ter “vergonha”, deveriam “sofrer sanções” por parte do Estado, na medida — e continuo a citá-la — em que não há dinheiro público disponível para prestar a assistência social a essas famílias.


Este discurso político é de direita ou de esquerda? Pois bem, é simultaneamente de esquerda [resíduos do marxismo cultural, do ecofascismo, do eugenismo tipicamente esquerdista] e de direita neoliberal [redução de custos sociais]. A novidade política actual é o sincretismo ideológico do marxismo cultural e do neoliberalismo — que tivemos, por exemplo, com José Sócrates e que prossegue com Passos Coelho e Paulo Portas.


A estratégia da direita conservadora — a única direita — é considerar e classificar politicamente esse sincretismo político e ideológico como sendo de esquerda — e por isso, Passos Coelho é considerado de esquerda. A direita propriamente dita — a conservadora — considera o conjunto da nova ideologia sincrética como fascizante ou mesmo fascista. Estamos perante um novo fascismo em construção.

Ao contrário do novo fascismo sincrético de esquerda, a verdadeira direita — a conservadora — defende que a solução para os problemas sociais das economias em definhamento reside exactamente no apoio do Estado às famílias numerosas: como defende o Vaticano, “as crianças são o motor da recuperação económica”. Por outro lado, a direita critica o Estado pela desvalorização da família e do casamento estável, pelo facilitismo no divórcio, pela hiper-sexualização da cultura e dos me®dia , pela cultura de sexualização das crianças, a putativa “educação sexual” nas escolas (que não educa nada, pelo contrário!), etc..

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