perspectivas

Terça-feira, 11 Junho 2013

A realidade é aquilo que nós quisermos

François Hollande declarou que a crise económica na Europa acabou. E se alguém declara que a crise acabou, então a crise acabou. Ponto final. A realidade é aquilo que desejamos. Se olharmos para uma pedra e desejarmos que seja um pau, então, automaticamente, a pedra transforma-se em pau. Os nossos desejos são ordens.

Eric Voegelin chamou a este fenómeno de fé metastática. Por exemplo, através da ideologia de género, basta que François Hollande decrete que não existem diferenças entre os sexos, para que “tomaticamente“, essas diferenças não existam. Fernando Pessoa, num momento de delírio no Livro do Desassossego, escreveu o seguinte:

“A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que não lhe compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro.”

Este é o conceito de “civilização” segundo um Fernando Pessoa delirante, a esquerda e François Hollande. Porém, em um momento mais lúcido e já fora do Livro do Desassossego, Fernando Pessoa escreve:

“A dignidade da inteligência está em reconhecer que é limitada e que o universo está fora dela. Reconhecer, com desgosto próprio ou não, que as leis naturais se não vergam aos nossos desejos, que o mundo existe independentemente da nossa vontade, que o sermos tristes nada prova sobre o estado moral dos astros, ou até do povo que passa pelas nossas janelas: nisto está o vero uso da razão e da dignidade racional da alma.” – Barão de Teive

A política moderna parece ser a alternância entre o Fernando Pessoa delirante e o Fernando Pessoa lúcido, entre o idealismo subjectivista e quase solipsista, por um lado, e um realismo saudável não sendo ingénuo, por outro lado.

Segunda-feira, 18 Fevereiro 2013

A maçonaria e o movimento revolucionário

Filed under: gnosticismo,Maçonaria — O. Braga @ 8:15 pm
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James H. Billington characterized the Cercle Social as “nothing less than the prototype of a modern revolutionary movement” (44); while Karl Marx and Friedrich Engels, in 1844, had opined that “the revolutionary movement… began in 1789 in the Cercle Social [itself].”

via Militant Masonry: Amis de la Vérité, Buonarroti Masters and French Carbonari (Part 1 of 2).

Segunda-feira, 31 Maio 2010

O delírio interpretativo e a sociopatia de Vital Moreira

« Ilude-se quem atribui consequências políticas à zanga da direita radical com Cavaco Silva por causa da promulgação da lei do casamento das pessoas do mesmo sexo (a que aliás não poderia fugir).

Na hora de decidir, a direita não entrega as cartas. Como é evidente, as eleições presidenciais (e as outras) ganham-se ao centro, e é aí que o actual inquilino de Belém conta ganhar vantagem, podendo mesmo dar-se ao luxo de alienar os lunáticos da direita ultramontana. »


Deste texto de Vital Moreira, podemos retirar algumas ideias-base :

  1. Quem é contra o “casamento” gay é da “direita ultramontana”;
  2. Quem é contra o “casamento” gay é “lunático”;
  3. As eleições ganham-se ao centro, mesmo que esse “centro” esteja politicamente chegado ao Bloco de Esquerda;
  4. Um “centro” que esteja mais perto do CDS do que do Bloco de Esquerda, é um “centro da direita ultramontana”.

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Quinta-feira, 7 Janeiro 2010

Quero uma lobotomia, já!

« O meu exclusivismo “inclusivista” é natural, pertinente e a única opção lógica; e quem me contradizer está a fazer a prova da minha razão » ― é este o mote dos argumentos gayzistas expressos aqui por Isabel Moreira, em nome de uma pretensa “inclusão”. (via)

Isabel Moreira

Daqui a uns anos (depois do casamento gay e da adopção de crianças por duplas de gays), a Isabel Moreira escreverá um artigo insistindo na endémica vitimização gayzista, dizendo que continuam a existir suicídios porque não se tornou obrigatória a educação sexual nas nossas escolas que privilegie e imponha a apologia cultural da homossexualidade entre as nossas crianças, como “orientação sexual”. A luta gayzista não tem fim, porque se trata de uma doutrina.

A culpa é e será sempre dos outros, dos homófobos diabolizados, porque se vive uma autêntica doutrina que com o tempo se transforma em dogma. Partindo de factos concretos (o suicídio de alguns homossexuais, como se suicidam pessoas que não são homossexuais, mas estes últimos não interessam para a História da Isabel Moreira), e através de uma série de raciocínios indutivos e dedutivos erróneos, constrói-se uma narrativa desfasada da realidade e que enforma um delírio interpretativo.

Aquilo que a Isabel Moreira não diz, porque não convém à estratégia de afirmação da doutrina, é que o exclusivismo sexual é, por definição, dela própria e dos que abraçam a sua causa. Um homossexual (ou uma) acham que só eles têm direito à atracção e à repulsa sexual ― o tal “exclusivismo sexual” da Isabel Moreira ― e quando a atracção sexual que um gay tenha por um heterossexual é rechaçada por este, aquele acha-se automaticamente “discriminado”.
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