perspectivas

Sexta-feira, 1 Novembro 2013

O problema do homem moderno é o problema da culpa

 

O principal problema da modernidade — desde a Reforma (ou a revolta) de Lutero — é a tentativa de eliminar a culpa da condição humana; e para se conseguir eliminar a culpa, a modernidade tentou eliminar a consciência. Todo o "problema" da modernidade pode ser resumido nisto.

culpaO problema das elites modernas é a culpa. A culpa é um sentimento que se enraíza na consciência; e para se poder desenraizar a culpa da natureza humana, há que pensar a consciência como um epifenómeno do corpo, tentando explicá-la como uma excrescência do cérebro tal qual a urina é uma excrescência dos rins.

Reza a história que num simpósio de investigadores da natureza realizado em Göttingen, Alemanha, em 1854, um fisiólogo presente, de seu nome Jacob Moleschott, declarou que, “tal como a urina é uma secreção dos rins, assim as nossas ideias são apenas secreções do cérebro”. Perante isto, o conhecido filósofo Hermann Lotze levantou-se, e disse que “ao ouvir tais ideias do distinto colega conferencista, quase acreditei que ele tinha razão…”

Para tentar erradicar a culpa da natureza humana, a elite moderna tenta reduzir a consciência a uma excreção corporal. Ora, isto é absolutamente diabólico!

E mais diabólico é quando se verifica na prática, que essa tentativa de eliminar a culpa se tem revelado inoperante: por exemplo, não obstante o facto de as cirurgias de mudança de sexo — em Inglaterra — terem aumentado anualmente a uma média de 50%, o suicídio de transgéneros (pessoas que já efectuaram a cirurgia) aumentou em 31%.

Contudo, perante a impossibilidade de erradicação da culpa e da consciência, o homem pós-moderno tenta resolver o problema de uma outra maneira: projectando a sua culpa nos outros e/ou na sociedade. Essa transferência da culpa passou a ser um modus vivendi da pós-modernidade. Mas não é pelo facto de negarmos a culpa — e a consciência entendida em si mesma — que a culpa desaparece como que por magia; nem é pelo facto de transferirmos a nossa culpa para os outros que nos livramos dela.

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Quinta-feira, 4 Outubro 2012

As elites políticas e a tentativa de erradicação da consciência e da culpa

Eu não sou grande psicólogo (reconheço essa minha insuficiência) mas acredito que o problema das pessoas, em geral, é a consciência. Muita gente gostaria de eliminar a consciência e a capacidade do ser humano de sentir culpa — mas isso é uma impossibilidade objectiva: o que caracteriza o ser humano e que o distingue dos outros animais, é a consciência e o sentimento de culpa.

O que as pessoas têm que fazer é aprender a conviver com a consciência e com a culpa, o que significa a necessidade do uso da razão (lógica). Ou seja, através da razão aprendemos a perdoar os outros, e sobretudo a nós próprios no sentido em que interiorizamos a nossa acção no futuro. Segundo a religião cristã, podemos ser salvos até ao último minuto das nossas vidas: basta que nos arrependamos sinceramente, reconheçamos a nossa culpa, e sigamos em frente.

Quando a vivência emocional é de tal modo forte que ofusca a razão, surge então essa tentação contra-natura de erradicar a consciência e a culpa das nossas vidas. Essas pessoas que ignoram a culpa (e a consciência) conseguem ser mais infelizes do que outras que optam pelo reconhecimento da sua consciência e da sua eventual culpa.

A tentativa política (utópica! delirante!) de normalização da homossexualidade, para além de ser uma ideologia propalada pelas elites globalistas que partem de um autêntico mito do excesso de população (http://bit.ly/RfVJm8), é também o reflexo da procura da eliminação da consciência e da culpa.

Mas o que está por detrás da acção do politicamente correcto é ainda mais complexo e sofisticado, porque entra pela psicologia adentro: utilizando a tentativa da erradicação massiva da consciência e da culpa, as elites políticas pretendem relativizar a ética, retirando ao cidadão comum as referências de valores milenares e hierarquizadas que possam determinar o seu comportamento.

Ora, foi exactamente um processo político semelhante a este que se passou na Alemanha nazi.

Segunda-feira, 19 Abril 2010

A eliminação da culpa

Freud está para a psiquiatria/psicologia como Nietzsche está para a filosofia. Ambos deixaram uma espécie de vírus ideológico nas respectivas áreas de intervenção. Ambos criaram falsas teorias a partir de evidências de senso-comum que permanecem como um vírus nas memórias de quem os leu ou estudou.

Freud eliminou a moral e a liberdade humanas; transformou o Homem em um autómato. A política totalitária adoptou Freud; o marxismo cultural, que aumentou a sua influência na nossa sociedade a partir da queda do muro de Berlim, não pode sobreviver sem Freud nos intestinos da sua estrutura ideológica. E o mais perverso que Freud nos trouxe foi a justificação mecanicista e robotista da culpa — como se o Homem tivesse um mero software no seu cérebro que pode ser modificado sem dano para ele próprio e para a sociedade. Através da justificação mecânica da culpa, fenómenos de despersonalização criaram mecanismos psicológicos de defesa contra a culpa, o que levou à insensibilização social — já não falando aqui no homem-robô dos campos de concentração nazi ou dos Gulag.
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