perspectivas

Terça-feira, 23 Dezembro 2014

Os antolhos ideológicos do jornal “O Diabo”

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:32 am
Tags: , ,

 

Qualquer português sabe que a privatização dos CTT (uma empresa pública que dava lucro!) deu na degradação dos serviços de correios, por um lado, e por outro  lado transformou um monopólio do Estado em um monopólio privado.

A maior contradição liberal que possamos conceber é a ideia de “monopólio privado”; um liberal (em economia) que defenda um monopólio privado não faz ideia do que seja o liberalismo económico. Por isso é que o Carlos Abreu Amorim acaba por ser mais coerente do que os liberais de pacotilha que por aí pululam.

Portanto, é evidente que os serviços de correio, prestados pelos CTT, estão hoje degradados, e ainda não passou um ano sobre a privatização. Por este andar, Portugal vai voltar aos correios da Idade Média.

O jornal “O Diabo” tenta justificar a opção ideológica do governo de Passos Coelho de privatizar a TAP (nos termos em que a quer privatizar) através da crítica à ideologia aos sindicatos. Ou seja: tu quoque.

É este tipo de irracionalidade, de ambas as partes (capital versus sindicatos), que tomou conta de Portugal desde 1974, e que impede que ambas as partes tenham argumentos sólidos e atitudes e acções úteis — porque aquilo que é útil pode não ser pragmático, e porque o pragmatismo não considera a verdade como um valor. O pragmatismo de Passos Coelho (tal como o pragmatismo dos sindicatos) também é ideológico e não se preocupa com a verdade.


Diz O Diabo:

“O argumento oficial dos grevistas é primário: a TAP não deveria ser entregue a privados porque a empresa representa um interesse estratégico nacional. De nada tem servido lembrar-lhes que não cabe aos sindicatos decidir o que é ou não é o interesse nacional e como este deve ou não deve ser defendido, pois não detêm qualquer prerrogativa legislativa ou executiva no regime democrático.

Essa decisão cabe aos deputados da Nação, legitimamente eleitos pelo povo, e ao Governo que desse Parlamento imana e periodicamente presta contas ao eleitorado.”

burro com oculos 300 webQuando Passos Coelho foi eleito com um programa eleitoral que depois virou (literalmente) do avesso, é estranho que se venha defender a “legitimidade dos deputados da Nação”.

Ou seja, os “deputados da Nação” podem defender uma coisa e o seu contrário, mas a opinião pública e as organizações da sociedade civil (como é o caso dos sindicatos: são organizações da sociedade civil) não podem ter qualquer opinião ou empreender quaisquer acções “em defesa da Nação”. Foi com posições destas que o Estado chegou a este estado.

Com o programa eleitoral apresentado por Passos Coelho em 2011, e com o qual ganhou as eleições, o presidente da república deveria ter convocado eleições antecipadas logo que possível — porque Passos Coelho foi eleito de forma legal mas não é um legítimo primeiro-ministro. Nem tudo o que é legal é legítimo. Não é legítimo enganar os portugueses, embora neste país seja legal.

Mas como o presidente da república é da mesma cor política do primeiro-ministro, tornou-se legítimo o que é de facto ilegítimo. Esta é uma das muitas razões por que o Chefe-de-estado deve ser o Rei.

Sexta-feira, 28 Março 2014

Isto é apenas o princípio do abuso sistemático dos CTT privatizados

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 11:47 am
Tags: ,

 

«Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa diz que a actualização do tarifário terá efeitos a partir de 7 de Abril e enquadra-se no “Convénio de Preços assinado entre os CTT e o regulador, reflectindo não só a queda de tráfego” em 2013, mas também o aumento dos “custos operacionais com combustíveis e transportes”.»

Preços dos CTT vão aumentar 2,6%

Em Portugal, a “queda de tráfego” — ou seja a diminuição do consumo de um determinado produto ou serviço autóctone — justifica sempre um aumento de preços. Mas em qualquer país racional, deveria acontecer o contrário disto.

Em tempo de crise aguda — em Portugal — praticamente nunca existe deflação, a não ser de alguns produtos importados. A tradição portuguesa impõe que os preços dos produtos e serviços autóctones aumentem em tempo de crise económica, mesmo que de forma ligeira e residual.

Portugal é talvez o único país da Europa em que quanto menos um produto é consumido ou um serviço é utilizado, mais aumenta o preço desse produto e/ou desse serviço. Portugal funciona endemicamente “anti-mercado”, devido a uma histórica protecção do Estado aos monopólios privados. E quando não existem monopólios privados, o Estado protege sempre e invariavelmente a cartelização dos preços.

Por isso é que eu fui contra a privatização dos CTT (e desde sempre, contra Passos Coelho!) 1, contra a privatização da água, da TAP, da REN, e mesmo da EDP: entre ter monopólios privados, por um lado, e monopólios do Estado, por outro lado, prefiro os segundos, porque estes pelo menos podemos controlar mesmo que remota- e indirectamente através do voto.

Nota
1. Eu fui convidado para ser militante do PSD. Quando soube que era o Passos Coelho que ia para o “poleiro”, recusei o convite.

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

A privatização dos CTT é crime

Filed under: Coelhismo — O. Braga @ 11:23 am
Tags: ,

 

Em nenhum país da zona Euro, os serviços dos correios estão na mão de entidades privadas.

Passos Coelho deverá ser levado a tribunal por um crime lesa-pátria. Quando algumas regiões do país passarem a ter a recepção do correio apenas duas vezes por semana, então os portugueses perceberão a dimensão do crime de Passos Coelho.

Quinta-feira, 3 Outubro 2013

Passos Coelho e a privatização dos CTT

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 4:49 am
Tags:

 

A lógica política de Passos Coelho é igual à da Esquerda: as leis que passam na assembleia da república são irrevogáveis, como se não houvesse “Ó tempo, volta p’ra trás”. Este princípio aplica-se à privatização dos CTT: privatiza-se e pronto!: o passado morreu!, deixa de existir; só fica a falácia ad Novitatem…!

Seria bom que o líder do Partido Socialista afirmasse o seguinte: “se formos Poder, os CTT voltarão a ser nacionalizados”. Teria a vantagem de acabar com essa coisa totalitária da “irreversibilidade das leis”.

A propósito dos CTT, aconselho a leitura deste verbete.

Quarta-feira, 7 Agosto 2013

Um aviso à direcção do CDS/PP

1/ Qualquer governo – seja este ou outro – só terá legitimidade para baixar as pensões de reforma – sejam públicas ou privadas – quando o Estado se desmarcar das PPP (Parcerias Público-privadas). O Estado tem duas opções: ou se desmarca das PPP (Parcerias Público-privadas) e deixa-as entregues ao sector privado, ou nacionaliza as PPP (Parcerias Público-privadas).

Enquanto essa demarcação não for feita, qualquer corte nas reformas dos cidadãos contribui para a morte acelerada do regime. O problema, antes de ser económico, é ético e moral.

2/ A privatização dos CTT transforma um monopólio do Estado num monopólio privado. Entre os dois males, é preferível o primeiro.

3/ A ideia segundo a qual “a História chegou ao fim“, e que o fim da História justifica tudo e mais alguma coisa, foi um dos erros políticos do espírito de cada tempo, sempre recorrentes desde Hegel. É impossível prever o futuro.

Quarta-feira, 8 Maio 2013

Sobre a privatização dos CTT

Filed under: A vida custa,Coelhismo,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 8:06 pm
Tags: , ,

Com a privatização dos CTT, os serviços de correios vão piorar. Por exemplo, em vez de entregas diárias, em muitos pontos do país irão começar a acontecer entregas de correio de dois em dois dias. Nas cidades, muitos balcões de correios vão fechar, obrigando o cidadão a deslocar-se mais longe para enviar uma carta ou uma encomenda postal.

A privatização dos CTT é um acto gratuito, porque é uma empresa que não dá prejuízo ao Estado. Pelo contrário: é uma empresa estatal que dá lucro! E com a privatização, o cidadão e consumidor ficará — estou absolutamente convencido disso — pior servido, para além de se instalar um monopólio privado em lugar de um monopólio de Estado.

Eu não consigo perceber o arquétipo mental de Passos Coelho. Às vezes passa-me pela cabeça de que ele seja convictamente anti-português.

Sábado, 28 Abril 2012

Perguntas infantis

Filed under: A vida custa,economia,Esta gente vota,Passos Coelho,Pernalonga — O. Braga @ 7:48 am
Tags: , , ,

Quando eu era um infante de 5 ou 6 anos, fazia aquelas perguntas infantis típicas: “Ó mãe, o que são as estrelas? E o que é o Sol? Por que é que à noite há luar?”; etc.. A Maria Teixeira Alves [MTA *] também parece estar na “idade dos porquês”.

Um dos problemas da nossa cultura é o presentismo — o corte epistemológico com o passado. Este fenómeno cultural é transversal à sociedade e àquilo a que se convencionou chamar de Esquerda e Direita. E um outro problema da cultura nacional é aquilo a que Fernando Pessoa chamou de “nacionalismo cosmopolita ou sintético”, que no fundo se traduz na negação da nacionalidade — a nacionalidade é considerada um direito negativo.
(more…)

Terça-feira, 30 Agosto 2011

Vem aí novamente o Real de Água?

Entre 1580 e 1640, Portugal esteve sob domínio da dinastia filipina espanhola, e em 1632 o juiz do povo de Lisboa enviou um relatório ao governo de Madrid onde demonstrava, com números e estatísticas, que os impostos pagos pelo povo português eram relativamente os mais altos em todo o império espanhol — o tal império onde nunca o Sol se punha.

Entre os impostos exorbitantes pagos pelo povo português à potência estrangeira constava o chamado “Real da Água”: os espanhóis chegaram ao ponto de cobrar um imposto aos portugueses por estes beberem água ― o chamado “real de água”; o simples facto de os portugueses serem obrigados a beber água das fontes públicas ou naturais deu azo a mais um imposto estrangeiro em Portugal.

Apesar da degradação da economia devido à delapidação espanhola dos nossos recursos, os impostos sobre o povo português aumentavam a cada ano que passava. O povo permanecia em um desespero silencioso, vergado pela brutalidade dos impostos vindos do estrangeiro que manifestava sistematicamente atitudes de desprezo, vexame e novas extorsões.

Foi então que se deu a revolução: a Restauração da Independência em 1640; se os espanhóis não tivessem sido tão gananciosos e estúpidos, possivelmente Portugal seria hoje uma província espanhola, mas a verdade é que um espanhol é naturalmente estúpido e ganancioso; está-lhe no sangue.


(more…)

Terça-feira, 17 Junho 2008

Aqui há selo

Filed under: cultura — O. Braga @ 11:34 am
Tags:

Os CTT organizam um concurso de selos sobre vários temas, entre estes o da “maternidades fugazes”. Gostei particularmente deste (ver imagem acima, link aqui), da autoria de Manuela Pontes, e votei nele porque vi nele uma originalidade notável.

%d bloggers like this: