perspectivas

Domingo, 24 Novembro 2013

O silêncio popular é de anuência, mas a anuência não é em relação ao governo

 

O que mais me assusta neste governo é a arrogância e a demonstração de uma certa pesporrência em relação ao povo.

Quando membros do governo e dos partidos políticos da coligação vêm a terreiro dizer que os polícias — que se manifestavam em frente do parlamento — fizeram mal em avançar para além das barreiras de segurança, o que eles dizem é o óbvio; e por isso, é patético que venham dizer o óbvio. Mas a razão por que vêm dizer o óbvio é porque sabem que, por estes tempos, o óbvio não é tanto como parece ser, e são os próprios membros do governo que dão o exemplo transformando o que seria óbvio em absurdo.

policias arA verdade é que grande parte do povo, se não mesmo a maioria, não discorda (pelo menos de forma veemente) daquele avanço dos polícias à paisana sobre as barreiras da assembleia da república. Em vez de criticar aqueles polícias, grande parte do povo prefere o silêncio que anui. E portanto, de nada vale ao Paulo Portas vir criticar Mário Soares acusando-o de “legitimar a violência”, como se a opinião pública não fosse maioritariamente composta por um conjunto de indivíduos idóneos que não depende da opinião dos membros do governo. Cada vez mais, a opinião pública está divorciada da opinião do governo.

O governo está convencido de que pode transformar o silêncio do povo em uma forma de expressão de um síndroma de Estocolmo em que o povo é a vítima e o governo o agressor. Que o governo não se engane! O estado de coisas pode mudar tão repentinamente como muda um pequeno incêndio em um dia ventoso de Verão: basta, por exemplo, que o discurso da Esquerda se desloque do actual eixo ideológico marxista para se concentrar exclusivamente em um discurso pragmático que demonstre aos portugueses que “perdidos por um, perdidos por mil”.

De forma inconsciente, o povo sabe que, na política, as acções são passíveis de retroactividade — podem conduzir a situações que resultam em uma retroacção da realidade social e política. Mas se a retroactividade existe em política, a acção deste governo também incorre no mesmo risco de retroacção, e isso pode acontecer quando se chega a um ponto tal em que o povo aceita (como a colmeia “sente”, ou seja, de forma inconsciente) correr o risco de uma qualquer retroacção só para que o estado de coisas actual não se mantenha.

O que mais me assusta neste governo é a arrogância e a demonstração de uma certa pesporrência em relação ao povo; e por isso é que a acção de Mário Soares e de José Pacheco Pereira, entre outros, serve de válvula de escape: em vez de Paulo Portas criticar Mário Soares, deveria estar calado, porque o velho socialista está-lhe a prestar um serviço.

 

Sábado, 2 Novembro 2013

Tragédia humanitária: Portugal estará pior do que a Grécia em 2014

 

A população portuguesa abaixo do nível de pobreza era de 18% em 2006, e na Grécia era de 20% em 2009. Hoje, o nível de pobreza é (alegadamente) de 25% em Portugal e tende a aproximar-se do nível de pobreza grego em 2014. Entretanto, os banqueiros portugueses estão hoje no topo dos banqueiros mais bem pagos em toda a Europa, e com a conivência política de Passos Coelho.

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Sábado, 9 Fevereiro 2013

É preciso que os me®dia tenham cuidado com o mimetismo cultural

Filed under: ética,cultura,me®dia — O. Braga @ 7:41 pm
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“Uma mulher de 47 anos e o filho de 12 foram encontrados mortos, ao início desta tarde, no passeio de uma das mais movimentadas avenidas de Bragança.
(..)
Este caso ocorre poucos dias depois de um outro, na região de Lisboa, em que uma mãe terá envenenado dois filhos, suicidando-se em seguida. Neste caso, em causa estava um diferendo sobre a regulação do poder paternal.”

Uma das muitas razões por que a eutanásia (activa ou passiva), entendida como um “direito”, transporta consigo um elemento cultural de aniquilação social e cultural [niilismo], tem a ver com o fenómeno de mimetismo cultural. Algo de se semelhante se passa com as notícias dos me®dia.

Segunda-feira, 9 Abril 2012

A Grécia vai alugar a sua polícia para conseguir dinheiro extra

Filed under: Europa — O. Braga @ 2:38 pm
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“Atenas alquilará a sus agentes de policía para recaudar fondos y así equilibrar los gastos de equipamiento de las fuerzas de seguridad.”

via Grecia alquilará a sus policías para ingresar dinero extra – Libre Mercado.

Quinta-feira, 26 Janeiro 2012

A Irlanda volta aos “mercados”

Filed under: economia — O. Braga @ 8:13 am
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“THE GOVERNMENT made its first return to the bond markets since September 2010 today as short-term borrowing costs fell.

The National Treasury Management Agency, which manages the State’s debt, swapped bonds due to be repaid in 2014 into new bonds due for repayment at the later date of 2015.”

via Debt Crisis: Government succeeds in re-entering bond market with €3.5bn swap – Irish, Business – Independent.ie.

Sábado, 24 Dezembro 2011

A Europa está sentada em cima de duas bombas-relógio

Os países da União Europeia estão sentados em duas bombas-relógio que poderão rebentar simultaneamente: a bomba da dívida soberana e a bomba do definhamento demográfico.
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Quarta-feira, 2 Novembro 2011

O que eu penso, neste momento, sobre a crise grega

Filed under: Europa — O. Braga @ 8:02 am
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A crise na Grécia é um aviso para a União Europeia acerca da política de alargamento da união e do Euro a leste, tão cara a Ângela Merkel.

É compreensível que Ângela Merkel e os alemães pensem no Euro como uma força económica centrípeta que “suga” as economias periféricas, transferindo recursos económicos e financeiros em massa para os países do centro da Europa; neste sentido, o alargamento da União Europeia a leste e a expansão do Euro é uma forma de “engordar” os países do directório; e em troca do definhamento progressivo e da perda de soberania das economias periféricas, a União Europeia do directório lança programas de transferência de fundos para esses países neófitos, fundos esses que servem para fomentar as importações e alimentar a máquina industrial exportadora alemã, por um lado e, por outro lado, para impor o desmantelamento das indústrias nacionais dos países periféricos.

Depois de dois anos em que o directório da União Europeia (a Alemanha e a nova França de Vichy) andaram a brincar com o caso grego, e depois do anúncio do primeiro-ministro grego Papandreou em anunciar um referendo acerca do novo plano de resgate para a Grécia, a União Europeia protesta com o “credo na boca”.

Desde logo é estranho que esta União Europeia — a começar por Durão Barroso — proteste contra um acto de democracia, como é o caso do referendo grego. Muito estranho, mesmo! Ouvi Paulo Portas dizer implicitamente que nós, portugueses, é que somos bons porque não praticamos referendos democráticos. Existe nesta União Europeia uma cultura política anti-democrática, desta feita de pendor neoliberal, que é muitíssimo perigosa.

A demissão simultânea das chefias de todos os ramos das Forças Armadas gregas pode significar já a existência de uma conspiração para um golpe militar (realizado ao Domingo, como convém, porque os mercados estão fechados). Portanto, um retorno a uma espécie de “Grécia dos Coronéis” não é uma hipótese remota.

O grego não é como o português. Carpe Diem, é a divisa grega: o grego vulgar vive o dia-a-dia, não se preocupa com o passado nem com o futuro: os problemas de amanhã resolvem-se amanhã e não há como se preocupar hoje; vamos viver hoje e amanhã logo se verá. Esta é a mentalidade típica do grego. Ora, esta cultura grega é potencializadora de uma mudança radical à mínima contrariedade; a capacidade de risco através da mudança (mesmo com fortes probabilidades de a situação grega piorar) aumenta geometricamente, quando comparada com Portugal. E, portanto, não me admirava nada que na Grécia existam hoje forças políticas com grande influência na sociedade que pretendam sair da actual situação crísica sem pagar um cêntimo de Euro aos credores.

Sexta-feira, 28 Outubro 2011

O crime compensa, se for de comum acordo

Filed under: economia,Portugal — O. Braga @ 6:30 am
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Os 50% de perdão da dívida (“haircut”) da Grécia foram voluntários, ou seja, os Bancos e os credores da Grécia estiveram de acordo (pelo menos até agora) em perdoar 50% da dívida grega. Esta anuência [concordância] dos credores é muito importante, porque é em função dela que, provavelmente, a Grécia sairá da crise mais depressa e começará a crescer mais cedo do que Portugal.

A partir do momento em que se verifica o “haircut” voluntário de 50% da dívida da Grécia, o défice anual deste país é automaticamente reduzido, devido à baixa de taxas de juro e a redução de pagamentos da dívida [serviço da dívida], tendo como consequência o aliviar da austeridade na Grécia. Por outro lado, o BCE (Banco Central Europeu) continuará a financiar a Banca grega, segundo os planos assinados com a “troika” para a Grécia.

Provavelmente, a Grécia voltará aos mercados em 2014 — bem antes do “Portugal cumpridor e bom aluno” — com taxas de juro aceitáveis em função da redução de risco de falência (default); e começará então a ter taxas de crescimento interessantes, enquanto Portugal se afundará na letargia económica durante, pelo menos, uma década.

Quando todos estão de acordo, o crime compensa. “Quem não chora, não mama”.

Quarta-feira, 11 Maio 2011

As medidas draconianas contra a Irlanda serviram de exemplo para pressionar a Espanha

Ângela Merkel move-se na política como um elefante numa loja de loiças, e contribuiu decisivamente para criar um enorme problema a nível europeu cujas consequências não serão só económicas e financeiras — e criarão também problemas económicos também à Alemanha — mas também problemas políticos graves. Os alemães nunca foram hábeis em política e isso ficou mais uma vez demonstrado.
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Quarta-feira, 4 Maio 2011

Resumo as medidas de austeridade para Portugal

Filed under: A vida custa,josé sócrates — O. Braga @ 5:31 am
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Fiquei sem saber exactamente se vão cortar nas reformas, já que parece claro que não vão existir cortes nos salários dos funcionários públicos.

O custo total da brincadeira de José Sócrates é de 78 mil milhões de Euros.

(fonte)

Domingo, 17 Abril 2011

Uma demonstração empírica de que o Euro não serve os interesses de Portugal

O Henrique chegou aqui à conclusão, através de um raciocínio empírico que toda a gente pode perceber, de que uma unidade monetária não é absolutamente possível senão através de uma unidade política. Até mesmo em um só e mesmo país, a unidade monetária não funciona de forma perfeita, porque assistimos muitas vezes a uma desarmonia gritante nos índices de desenvolvimento entre as várias regiões desse país. Por isso é que o governo de um país deve ter uma política de correcção das desigualdades inter-regionais.
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A nova política da União Europeia: “Deutsch wirtschaftlichen Lebensraum auf Schwarzkopf Länder”

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:01 pm
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Sai a notícia de que os planos do FMI para Portugal são mais favoráveis e expansionistas do que a estratégia da União Europeia; a maior parte dos economistas portugueses concorda com esta ideia. Para percebermos esta discrepância entre a visão do FMI para Portugal e a da União Europeia, temos que nos ater a um princípio de Oliveira Salazar: “Em política, o que parece, é!”.
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