perspectivas

Quarta-feira, 14 Agosto 2013

A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios

“Portanto – como sempre! -, não se busque nos outros a razão da nossa desgraça política. É dentro da direita que se consente esta corrupção de Estado. E é por causa da nossa debilidade moral – votação corrupta – que os socialistas mandam (é sempre «culpa nossa»). Não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção.”

Eu só não recomendo a leitura deste verbete porque está escrito “desconforme o desacordo ortográfico”; mas façam de conta que está escrito correctamente: a nossa imaginação não tem limites.

Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Diz o texto que “não há redenção da direita sem limpeza da sua corrupção”. Ora, essa “limpeza”, efectuada dentro do e pelo sistema, é absolutamente impossível! O Direito Positivo apoia-se espontaneamente nos costumes, e no caso específico da política, nos costumes das elites; e o fundamento dos costumes das elites deve ser procurado nas tradições (boas ou más) mantidas vivas pela História, costumes esses que se manifestam de forma inconsciente na vida política.

A partir do momento em que o Direito Positivo se separou totalmente do Direito Natural – o que aconteceu já na III república, mas principalmente com a alienação progressiva da nossa soberania à União Europeia (e porque no tempo de Salazar ainda existia uma ligação entre os dois tipos de Direito) – o problema ético-político agravou-se. A alienação da soberania portuguesa desresponsabilizou a classe política nacional. Os portugueses vivem hoje num limbo, em que existe uma classe política dentro de num sistema que já não é soberano e que não pertence cabalmente a qualquer soberania. Portugal está à deriva.

A “limpeza da corrupção” não é possível nem à Esquerda nem à Direita – porque na esquerda também existe corrupção, embora diferente. Vemos o que se passa, por exemplo, no Brasil de Dilma Roussef governado à esquerda. Ou o que se passa em França socialista de François Hollande governado pela maçonaria. E se tivermos um governo do Partido Comunista ou do Bloco de Esquerda, a corrupção passa a ser escondida da opinião pública através de uma “ideologia de granito” que confunde a sociedade civil com o Partido, e este com o Estado – mas não deixará de haver corrupção.

Por outro lado, é uma ilusão falar em Direita em Portugal; estamos a enganar-nos a nós próprios! A política e a realidade não se reduzem à economia! Não existe “direita” em Portugal.

Quando o ethos que rege o Partido Socialista é essencialmente semelhante – senão idêntico – ao que rege a tal “direita”, essa “direita” simplesmente não existe. Qualquer “reviravolta” no ethos político português conduzir-nos-ia a uma versão nacional da democracia húngara, e nesse caso teríamos a União Europeia de Durão Barroso a condenar e a perseguir Portugal. Existe um nexo causal entre o processo progressivo da perda da soberania para a União Europeia, por um lado, e por outro lado, a normalização paulatina da corrupção que se entranha nos costumes das elites.

Dizer que é possível uma “limpeza da corrupção” dentro do actual sistema é equivalente a dizer que o teorema de Gödel está errado. O teorema de Gödel diz que é impossível demonstrar a não-contradição de um sistema pelos seus próprios meios, ou mediante meios mais fracos. O actual sistema político não pode logicamente demonstrar, pelos seus próprios meios, as suas contradições. A III república portuguesa não é regenerável pelos seus próprios meios.

Sexta-feira, 26 Outubro 2012

Passos Coelho e a suspeita de tráfico de influências

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga,Política,Portugal — O. Braga @ 1:49 pm
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Amigo de José Maria Ricciardi há vários anos, Passos Coelho foi peremptório quando o presidente do BES Investimento (BESI), lhe telefonou:  «Desculpa, não posso falar contigo sobre esse assunto» , respondeu o primeiro-ministro.

via Suspeita de tráfico de influências – Política – Sol.

Segunda-feira, 8 Outubro 2012

A bovinotecnia da Helena Matos

Paulo Morais responde aqui a este postal bovinotécnico da Helena Matos:

«A corrupção é a principal causa da crise em que estamos mergulhados. É este fenómeno que está na origem de sucessivos negócios ruinosos, verdadeiros roubos, que conduziram ao descalabro das contas públicas. Nas últimas décadas, assistimos a um regabofe sem limite com os dinheiros públicos.»

via Corrupção – Opinião – Correio da Manhã.

A bovinotecnia é a arte de tratar do gado de uma forma tal que se consiga fazer crer aos bovinos que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

Sexta-feira, 4 Maio 2012

A vigarice dos Bancos nos empréstimos à habitação, e os juízes corruptos

Filed under: A vida custa,ética,Democracia em perigo,Justiça,Portugal — O. Braga @ 2:27 pm
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Tenho sido confrontado ultimamente com alguns casos de penhoras judiciais movidas por Bancos em relação a apartamentos e casas, devido a impossibilidade manifesta de pagamento por parte dos credores de empréstimo. Muitas vezes, os cidadãos credores dos empréstimos bancários à habitação caíram em uma situação de desemprego, deles próprios ou de alguém da sua família próxima, o que torna impossível o cumprimento das obrigações para com os Bancos.

Ninguém põe em causa — nem pode pôr — o direito dos Bancos à penhora e à restituição do valores imóveis. Porém, existem situações de injustiça gritante patrocinadas pelos próprios tribunais; chego mesmo a pensar que existem juízes corruptos — porque são sempre os mesmos designados para os juízos, consoante o Banco que move os processos; já verifiquei alguns casos em que o Banco X tem uma espécie de “juiz privado”, porque é quase sempre o mesmo a tratar das penhoras desses Bancos.

Dou um exemplo de um caso concreto de que tive conhecimento [os números são arredondados, para facilitar a escrita e o entendimento do leitor]. (more…)

Terça-feira, 12 Julho 2011

Reacção da população de Coimbrões, Gaia, ao corte discricionário da mirtácea secular

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Sexta-feira, 23 Abril 2010

A justiça tem razões que a razão desconhece

Filed under: Justiça — O. Braga @ 9:47 am
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Normalmente diz-se que a justiça é cega porque usa uma venda, o que significa que tem olhos mas não quer ver para qualquer dos lados.

No processo Sá Fernandes vs. Bragaparques não se pode dizer que a justiça seja cega, mas antes que não tem olhos. Se a justiça fosse cega (no sentido de estar vendada), não veria para os lados por critério próprio ; não tendo olhos, não vê por necessidade, está amputada da sua principal virtude que é a de poder ver e prescindir da visão. A justiça portuguesa não vê porque está condicionada e não pode ver, e não porque não queira ver.

Sábado, 13 Fevereiro 2010

Face aos factos publicados no semanário “SOL”, o presidente da república, Prof. Cavaco Silva, deve demitir o primeiro-ministro, José Sócrates

Dos factos relatados nas duas últimas edições do semanário “SOL” acerca de escutas telefónicas realizadas no processo Face Oculta que ― segundo as interpretações do juiz de instrução e do procurador do Ministério Público do processo, ambos de Aveiro ― constituem fortes indícios de crime de atentado ao Estado de Direito envolvendo o nome do primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, há que retirar imediatamente as seguintes ilações:

  1. O primeiro-ministro de Portugal não tem condições políticas objectivas para continuar no cargo; ou se demite, ou deve ser demitido pelo presidente da república.
  2. A cúpula da justiça portuguesa revelou-se em todo este processo ― no mínimo ― incompetente; porém, atendendo à interpretação racional dos factos e à forma como essa cúpula se comportou em todo o processo, o senso-comum aponta para a existência de fortes indícios de obstaculização da própria justiça que essa cúpula deveria coordenar e proteger. Essa obstaculização da justiça por parte de agentes de cúpula da própria justiça, só pode ter tido motivações políticas, o que significa que ou a justiça “arruma a sua casa” autónoma e rapidamente, ou deverá ser a política (em consenso alargado) a intervir na justiça de forma a repor a sua imparcialidade.


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Sábado, 28 Novembro 2009

Uma caixa de robalos

Armando Vara diz que recebeu, do empresário Manuel Godinho, um equipamento de pesca para o filho e uma caixa de roubados de roubá-los de robalos.

Segunda-feira, 16 Novembro 2009

A estratégia presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa disse ontem, na RTP1, que o presidente da república deveria permanecer arredado ― e não se pronunciando sequer ― do que se está a passar com a operação “face oculta”. Naturalmente que Marcelo está a pensar na sua possibilidade de candidatura às eleições presidenciais, apoiado pelo PSD e pelo PS (bloco central); e para isso, ele necessita de “queimar” Cavaco Silva à direita do PS ― porque no PS corrupto de Sócrates, Cavaco já está “queimado”.

Mais uma vez, a pequena política dos interesses pessoais cinicamente sobrepõe-se aos interesses do país em nome de um alegado e presumível “interesse do país”.

Sexta-feira, 13 Novembro 2009

Ou Cavaco Silva demite José Sócrates, ou que apresente a sua exoneração

“Que fique claro que o problema das escutas do processo Face Oculta ao Dr. Armando Vara nas quais entrou o primeiro-ministro José Sócrates não está no negócio tentado de compra da PT pela TVI e o domínio da estação televisiva pelo Governo.

Está nas alegadas, no semanário Sol, de 13-11-2009, «actividades que poderão ser consideradas tráfico de influências» em cinco certidões alegadamente o Coordenador do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro terá extraído e nas alegadas, na mesma notícia, «manobras para financiar a campanha eleitoral do PS para as últimas legislativas e para ajudar a salvar o grupo empresarial de Joaquim Oliveira (DN, JN, 24Horas, TSF, O Jogo e Sport TV)»”.

Respigado aqui.

corruptos2

O Sol revelou ontem, dia 13-11-2009, que cinco certidões das nove certidões extraídas pelo coordenador do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro para inquérito criminal ao primeiro-ministro, senhor José Sócrates, respeitam a factos que a confirmarem-se podem alegadamente constituir indícios do crime de tráfico de influências (segundo o Sol, «actividades que poderão ser consideradas tráfico de influências»).

corruptos

Estamos aqui a falar em crime organizado ! O país não pode ter como primeiro-ministro um suspeito de participação em crime organizado. Por muito menos que isto ― e nem nada que se pareça! ― o ex-presidente Jorge Sampaio demitiu o ex-primeiro-ministro Santana Lopes. Para mim é claro: se Cavaco Silva não pode, arreie! Para fazer a figura de um rei, os portugueses preferem um Rei a sério.

Quarta-feira, 11 Novembro 2009

Os sintomas totalitários em Portugal

A sensação que dá é que vivemos num país em que um primeiro-ministro pode estar eventualmente envolvido no crime organizado, e é a própria justiça ― por via de uma lei de imunidade emanada do parlamento ― que obstaculiza a investigação desse eventual crime. E depois há quem critique a Itália de Berlusconi: ao menos, nesse país sabe-se que o PM, mais tarde ou mais cedo e logo que deixe o seu cargo político, vai ter que se confrontar com a justiça.

Em Portugal, muitas das verdades de factos que envolvem a classe política são, quase sempre e cada vez mais, “apagadas” da História por decisão de uma elite política que se organiza de uma forma corporativa, reduzindo o político ao jurídico através de uma ideia de Estado que se submete a um controlo por parte de um substrato maçónico-religioso.

Quinta-feira, 4 Junho 2009

Dois porcento dos portugueses pagam subornos

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