perspectivas

Sábado, 10 Agosto 2013

Santo Agostinho e o Cogito de Descartes

Filed under: filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 2:20 pm
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Nós aprendemos que o conceito de Cogito“eu penso, logo existo” – é de Descartes, mas trata-se de uma meia verdade. Em boa verdade, o conceito de Cogito é de Santo Agostinho, embora elaborado de uma forma ligeiramente diferente: dizia Santo Agostinho que “eu duvido, logo existo”.

“No entanto, ¿quem quereria duvidar que existe, se lembra, compreende, deseja, pensa, sabe e julga? E que, mesmo quando se duvida de tudo o resto, não deve ter dúvidas acerca disto. Se não existisse o Eu, não poderia duvidar absolutamente de nada. Por conseguinte, a dúvida prova por si própria a verdade: eu existo se duvido. Porque a dúvida só é possível se eu existo.” – (Confissões).

O que é extraordinário é que nas aulas de filosofia do ensino secundário se fale do Cogito de Descartes e não se refira o facto de que, de certa maneira, Descartes plagiou Santo Agostinho. Parece que os meus professores fizeram de propósito: riscaram Santo Agostinho do mapa. Ou então, desconheciam a origem do “cogito, ergo sum”. Só mais tarde me apercebi do plágio de Descartes.

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Sexta-feira, 26 Junho 2009

A verdade de Descartes

Filed under: filosofia,Religare — O. Braga @ 6:44 pm
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René Descartes

René Descartes

Kant considerou um escândalo que não existisse uma prova da existência do mundo exterior ao sujeito pensante. Verificamos que não é possível provar racionalmente a existência de um mundo exterior, independente do ser humano ― e por isso é que a teoria das ciências modernas, nomeadamente a mecânica quântica, parte do princípio de que esse mundo exterior independente só pode ter o estatuto lógico de uma hipótese. Karl Popper, defendendo a sua dama, afirmou: “o mundo exterior é uma hipótese de trabalho para a ciência da natureza”.

Quando a mecânica quântica coloca literalmente em causa a consubstancialidade do mundo macroscópico exterior ao sujeito, não só corrobora Descartes como corrobora, até certo ponto, George Berkeley e o seu Imaterialismo.
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Sábado, 1 Novembro 2008

O “Problema” da Humanidade Contemporânea

O que separa radicalmente a Humanidade contemporânea é uma simples e pequena diferença de opinião:

  • As maioria das elites utilitaristas e bem instaladas na sociedade, (política, científica, plutocrata) acreditam que a mente humana, que engloba o “pensamento” e a “consciência”, é um mero resultado da actividade cerebral (“epifenomenalismo” de Thomas Huxley e Darwin).
  • Uma elite científica minoritária, todas as religiões e a maioria dos habitantes do planeta, acreditam que mente humana existe essencialmente como “consciência” (“Cogito” de Descartes), e os cientistas do “Cogito” defendem a ideia de que é inclusivamente a “consciência” que contribui activamente para a formatação do cérebro, existindo médicos neurocientistas que se baseiam na noção de “Cogito” para aliviar doenças como a obsessão compulsiva e fobias.

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