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Sábado, 16 Janeiro 2016

O espírito de manada da classe política portuguesa

 

No recente debate televisionado entre Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa, a primeira disse o seguinte acerca de uma eventual lei da eutanásia:

“É preciso ter cuidado com a questão da eutanásia, até porque só existem dois países da União Europeia que aprovaram uma lei da eutanásia”.

Esta frase passou despercebida a muita gente; e significa o seguinte:

Se a maioria dos países da União Europeia tivesse já aprovada uma lei da eutanásia, a questão seria diferente e Portugal poderia adoptar também uma lei idêntica.

A preocupação da Maria de Belém com aquilo que os outros países da União Europeia fazem, é evidente; se a maioria dos países da União Europeia se atirar a um poço, a Maria de Belém vai a seguir. Isto revela um espírito de manada por parte da nossa classe política. Não são indivíduos: são bois e vacas que nos representam e que nos controlam.

No espírito de manada, os indivíduos (políticos) actuam colectivamente sem uma direcção centralizada, ou seja, actuam em roda livre. A manada (da nossa classe política) aparece como uma unidade em movimento, mas a sua função resulta de um comportamento descoordenado de indivíduos em regime de auto-gestão.

Kierkegaard e Nietzsche criticaram o espírito de manada. A classe política portuguesa, que supostamente deveria ser um melhor exemplo para a sociedade, é um grupo de pessoas que imita os membros de outro grupo que consideram superior — as classes políticas dos outros países da União Europeia.

O ser humano não pode escapar ao mimetismo cultural. Mas em questões fundamentais da cultura, como por exemplo na estética ou na ética, o espírito de manada é a antítese de civilização.

Quarta-feira, 29 Janeiro 2014

A indigência intelectual da nossa classe política, e o preconceito

 

Reparem bem na linguagem utilizada pela assembleia da república em relação ao projecto de lei da chamada “co-adopção”:

“Nos últimos anos tem-se tornado cada vez mais claro o aumento do número de casais do mesmo sexo, casados ou unidos de facto, que constituem família e cujos filhos, biológicos ou adoptados, crescem num contexto familiar desprovido de protecção jurídica adequada.1

Com vista a dar uma resposta clara ao problema, o presente projecto de lei destina-se a oferecer um quadro jurídico mais seguro a situações residuais não solucionadas1 por institutos conhecidos como o da adopção. Não se trata, portanto, para já, de revisitar temas como o do alargamento do instituto da adopção a todas as pessoas 2, solução que, a bem da verdade, tudo incluiria, mas de atender a um olhar pragmático que as realidades familiares já existentes nos exigem.

Conscientes de que a adopção singular já é permitida, independentemente da orientação sexual do adoptante, mas já não a adopção conjunta por um casal do mesmo sexo, vedada pelo artigo 3º da Lei nº 9/2010, de 31 de Maio e pelo artigo 7º da lei 7/2001, de 11 de Maio, politicamente não é possível pôr termo a todos os resquícios de discriminações fundadas no preconceito 3 quanto à homossexualidade.”

Notas
1. Ou seja: segundo a assembleia da república, qualquer facto dita o Direito.
2. Fica claro que, para já, a adopção não é concedida a qualquer bicho careta, a qualquer par de gays, ou “famílias plurais” com três ou quatro ou mais adultos (poliamoria). “Para já”, ou seja, “por enquanto”.
3. Quando um projecto de lei da assembleia da república fala em “preconceito”, incorre em preconceito. ¿O que é “preconceito”?


¿O que é “preconceito”?

Todas as pessoas têm preconceitos. A maior parte dos preconceitos são teorias que se aceitam como evidentes: as pessoas recebem-nas do seu meio intelectual ou por via da tradição. Essas teorias só constituem “preconceitos” no sentido em que são defendidas sem qualquer verificação crítica, ainda que sejam de extrema importância para a acção prática e para a vida do homem.

Porém, quando uma teoria é submetida à análise crítica e racional, e ainda assim resiste a essa análise crítica mantendo-se válida, não pode de modo nenhum ser classificada de “preconceito” no sentido supracitado.

Dizer que existe “preconceito em relação à homossexualidade” na medida em que não se aceita a adopção de crianças por pares de invertidos, é em si mesmo preconceito, porque isso é afirmado sem qualquer verificação crítica, ainda que corresponda ao meio social em que se move a classe política lisboeta. Ou seja, quando se demonstra racionalmente que a adopção de crianças por pares de invertidos não pode ser positiva para a educação da crianças; e ainda assim esses argumentos racionais são classificados de “preconceitos”, estamos em presença do mais puro preconceito adoptado pela classe política em geral.

A verdade não pode ser concebida como expressão do espírito da época; trata-se de uma ideia hegeliana que não resiste minimamente à crítica (é um preconceito). Quem procure seriamente a verdade — tanto na ciência, como na ética (filosofia) — não segue modas: pelo contrário, desconfia das modas e combate-as! Ou seja, combate o preconceito da moda.

Sábado, 19 Outubro 2013

Até Santana Lopes já coloca em hipótese a saída de Portugal do Euro

 

«Considero uma obrigação patriótica a leitura do livro de João Ferreira do Amaral "Porque devemos sair do Euro" (Grupo Leya, 2013).

Já tive ocasião de o sugerir no meu espaço semanal das segundas-feiras, na CMTV. Marcelo Rebelo de Sousa também o referiu no seu comentário dominical.

No complexo momento que Portugal atravessa, tudo tem de estar em cima da mesa. Tudo, menos a independência nacional e a liberdade. Tudo para evitarmos o empobrecimento continuado.»

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Terça-feira, 15 Outubro 2013

O José Pacheco Pereira deve estar muito contente!

 

"O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou hoje, em Luanda, o fim da parceria estratégica com Portugal, durante o discurso sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola."

José Eduardo dos Santos anuncia fim da parceria estratégica com Portugal

Mas não só o José Pacheco Pereira: a toda a Esquerda deve estar feliz, e que lhes faça bom proveito!

Da nossa parte — nós, que não somos de Esquerda — não vamos pedir desculpa a ninguém, nem ninguém nunca deveria ter pedido desculpa de nada: Rui Machete deve sair do governo em passo de corrida. Rui Machete e o José Pacheco Pereira são as duas faces do mesmo problema.

Portugal, ou melhor, os políticos portugueses e a Justiça portuguesa, não têm nada a ver com o que se passa em Angola; não têm que se pronunciar publicamente — nem a favor, nem contra! — sobre os assuntos internos de um outro país.

Não passa pela cabeça de ninguém, por exemplo, que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal comentasse em público a recente vitória eleitoral da Frente Nacional de Marie Le Pen em França — nem contra nem a favor! Sendo assim, por que razão a classe política e membros do governo português comentam o que se passa em Angola?!

Sobre aquilo que o presidente da república de Angola diz, a classe política e o governo português têm que dar o exemplo: “no comments!”. E, de resto, que os angolanos façam o que quiserem, porque são um país soberano.

Quinta-feira, 10 Outubro 2013

A estratégia dos políticos portugueses: "O sapo na panela"

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:06 am
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o sapo na panela do euro

Diziam os europeístas que, se Portugal saísse do Euro, os portugueses perderiam 30% dos seus salários de uma assentada. Já lá vão 20% de perda de salários, em morte lenta, devagarinho — mas dentro do Euro!

A estratégia dos nossos políticos é a do “sapo na panela”:

1/ Coloca-se um sapo numa panela com água quente, e o sapo salta logo fora porque a água está quente.

2/ Mas se colocarmos um sapo numa panela com água fria e formos aquecendo muito lentamente a água, o sapo não nota o aquecimento da água, e acaba por morrer.

Vamos morrer como o sapo, mas orgulhosos de estamos no Euro! Viva o Euro!

Quinta-feira, 6 Junho 2013

A chulice da classe política e a escravidão institucionalizada

Santana Lopes: “É impossível acabar com a austeridade”

O ex-líder do PSD justifica que “só essa opção torna, por si só, completamente impossível essa solução política”. “E tão só porque é impossível acabar com a austeridade”, aponta Santana Lopes, adiantando que, “na verdade, para falarem da realidade”, os que se opõem à lógica da austeridade, “têm de dizer o que defendem no lugar da austeridade”. “Recusar a austeridade é uma óbvia responsabilidade”, alerta.


“Existência de Portugal está em perigo”, diz Freitas do Amaral

“Para Freitas do Amaral, é preciso que a política alemã mude, porque está a dar cabo da Europa. O fundador do CDS indica também que uma outra situação que deve levar à convocação de eleições antecipadas é a necessidade de pedir um segundo resgate.”


O que é que estas duas avantesmas têm em comum? São ambos euro-federalistas e apoiantes incondicionais da permanência de Portugal no Euro. E porquê? Porque fazem parte de uma elite de sibaritas e nepotes que dependem das sinecuras e privilégios que a União Europeia providencia.

Segundo o dicionário, “austeridade” pode significar várias coisas, por exemplo: “rigor de disciplina”, “severidade”, “penitência”, “mortificação da carne”. Será que, para Santana Lopes, “austeridade” significa “rigor de disciplina”, ou “mortificação da carne”? (a carne dos outros, e não a dele). É que se a austeridade for “mortificação da carne”, os portugueses vão ter que passar a ser obrigados a frequentar saunas gay criadas e subsidiadas pela Santa Casa da Misericórdia.

O delírio de Freitas de Amaral, ao confiar o destino de um pais e de uma nação com 900 anos de existência em uma putativa e eventual mudança da política alemã, é confrangedor. Não é o povo que tem medo, porque o povo já não tem grande coisa a perder: são as elites e a classe política que andam aterrorizadas com a perspectiva de perder privilégios ilegítimos.

A Islândia é um país e uma nação com cerca de 400 mil habitantes, em um território onde não cresce quase nada do chão porque está coberto de gelo durante todo o ano – e esse país não só recusou o Euro mas também recusou a entrada na União Europeia!

E nós temos uma classe política composta maioritariamente por autênticos chulos, pagos a peso de ouro pela União Europeia para manter Portugal e os portugueses em um processo de construção política de uma escravidão institucionalizada.

Sexta-feira, 31 Maio 2013

O manifesto ‘Tó-Zero’, por José Pacheco Pereira

1/ José Pacheco Pereira dirige-se a Mário Soares com o qualificativo de “presidente”, o que é uma característica da monarquia cuja tradição os Estados Unidos seguiram. Na monarquia, um rei que tenha abdicado em favor de outro rei (seja filho, sobrinho, ou de outro ramo familiar, mesmo afastado ou mesmo sem ligação familiar) não deixa de ser “alteza real”. Esta gente criou, com a república, uma paródia da monarquia. Fernando Pessoa constata isso mesmo:

“É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da república? Não melhoramos em administração financeira, não melhoramos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito e impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.”
(…)
“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”
(…)
“Este regime [republicano] é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto em que a república veio a ser.”

[citações de Fernando Pessoa: “Balanço Crítico”, textos em prosa].

2/ o manifesto Tó-Zero, de José Pacheco Pereira, critica com razão a linha ideológica de Passos Coelho. Mas em vez de solicitar uma mudança de rumo dentro do próprio governo, diaboliza-o associando-se a Mário Soares, e abre as portas a um novo governo dos “Khmers Rosa” coordenado pelo GOL (Grande Oriente Lusitano). Entre o neoliberalismo e o jacobinismo, José Pacheco Pereira escolhe o segundo. É o próprio José Pacheco Pereira que nos coloca em uma situação de double blind — ou neoliberalismo, ou jacobinismo, com terceiro excluído —, e, como dizia Fernando Pessoa (outra vez), as situações de double blind reflectem um estado de tirania: “a tirania consiste na escolha forçada entre um mal e outro mal”.

3/ a III república de Mário Soares et al, transformou-se em um estado de tirania. Com José Pacheco Pereira ou sem ele. Aliás, penso que José Pacheco Pereira faz parte do problema, e não da solução. Perante o double blind tirânico da III república, o povo tem que encontrar uma terceira alternativa que o faça respirar a liberdade.

Sexta-feira, 24 Maio 2013

A palhaçada de Miguel Sousa Tavares

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 4:03 pm
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Eu não li a entrevista de Miguel Sousa Tavares em que alegadamente este chamou Cavaco Silva de “palhaço”, e apenas li a notícia aqui, aqui e aqui. Desde logo, os palhaços no circo têm dignidade, e por isso seria mister dizer-se que Cavaco Silva é um palhaço fora do circo. Eu estou perfeitamente à vontade para falar disto porque não votei nas eleições presidenciais, tal era a indigência política ou intelectual dos candidatos.

Portanto, Miguel Sousa Tavares teria razão se tivesse dito aquando das últimas eleições presidenciais que Cavaco Silva era um palhaço fora do circo. Mas dizer hoje que Cavaco Silva é um palhaço não acrescenta nenhuma solução ao problema em que se transformou a realidade política portuguesa.

Miguel Sousa Tavares (assim como José Pacheco Pereira) faz parte do problema: uma série de palhaços fora do circo a chamar “palhaços” uns aos outros.

Miguel Sousa Tavares confunde o pedido de resgate, por um lado, com as condições do resgate aceites pelo Partido Socialista, por outro lado. Por exemplo, um empréstimo pedido por um cidadão a um Banco não significa que o contrato seja necessariamente usurário, irracional ou prepotente, e para isso é que os empréstimos são negociados. E quando um resgate é aceite e assinado pelo Partido Socialista praticamente sem qualquer negociação, e sabendo o Partido Socialista que já tinha perdido as eleições, a assinatura deste resgate com a Troika parece ter sido uma armadilha política herdada por Passos Coelho.

O mal não foi o pedido de resgate entendido em si mesmo; o mal foi assinar praticamente de cruz os termos de um regaste. Por exemplo, a Irlanda bateu o pé e não seguiu o mesmo critério de submissão canina adoptado pela classe política portuguesa — e não consta que os políticos no poder na Irlanda sejam radicais de esquerda.

Não devemos fazer juízos psicológicos acerca de outrem. Em vez disso devemos perguntar: o que eu faria se estivesse no lugar de Cavaco Silva? Ou ainda: com António José Seguro na oposição, o que eu faria estando no lugar de Cavaco Silva? Temos aqui um enorme problema. E talvez por isso é que seja necessário “brincar aos generais” — mas com generais a sério.

Quarta-feira, 22 Maio 2013

A classe política e os privilégios dos corcundas

“O socialismo, em vez de ser uma libertação económica, é uma ausência completa de liberdade. O socialismo torna extensivo a toda a gente o servismo da maioria. Não são os escravos que querem libertar-se: são os escravos que querem escravizar tudo. Se eu sou corcunda, sejam todos corcundas.

É esta a razão por que, sem querer mas sabiamente, a Natureza fez o Homem construir o privilégio. (…) Bem diziam os homens da Idade Média, concebendo a liberdade, não como um direito, mas como um privilégio.”

— Fernando Pessoa, “Cinco Diálogos Sobre a Tirania”, Obras em Prosa, Tomo III, edição do Círculo de Leitores, 1975.

Hoje, e ao contrário do que defendeu Fernando Pessoa, a liberdade é entendida exclusivamente como direito no seu sentido negativo (só considera o indivíduo e exclui a sociedade e a nação), ou seja, a liberdade negativa é considerada pelas elites políticas como um direito.

Podemos classificar a cultura política actual em duas categorias.

1/ a negação dos determinismos naturais em nome da autonomia e da liberdade.

el corcunda png web 350Decorre daqui o obscurecimento do conceito de “equidade” que implica a existência dos “direitos dos corcundas”, e, em vez disso, acontece a imposição da “igualdade” da “corcunda para todos”.

Há na actual elite política uma contradição fundamental: por um lado, recusa as diferenças naturais em nome da liberdade negativa e da autonomia do indivíduo; e, por outro, lado cria diferenças artificiais através do Direito Positivo que tendem a limitar a liberdade e a autonomia da maioria dos indivíduos.

E a negação ontológica das diferenças naturais — em nome da igualdade, da liberdade e da autonomia do indivíduo — entre os corcundas e os outros, são utilizadas para impor a condição de corcunda a toda a gente, quanto mais não seja por mimetismo cultural. É nisto que consiste a nova tirania do politicamente correcto. E esta contradição fundamental é propositada, e baseia-se no instrumentalização política de dissonância cognitiva da maioria do povo.

Uma coisa é o facto de os corcundas terem direitos naturais, que lhe são devidos pela lei natural e pelo Direito Natural; outra coisa diferente é exigir que os direitos dos corcundas sejam iguais aos de todas as outras pessoas, transformando os direitos dos corcundas em privilégios, porque a maioria das pessoas não é corcunda. O problema é o de saber se os corcundas, apenas em função do seu estatuto natural, devem merecer privilégios.

2/ a subversão do conceito de “servismo da maioria”, segundo Fernando Pessoa.

O servismo da maioria era, segundo Fernando Pessoa, a condição voluntária do servo: a maioria era serva porque aceitava a sua condição como sendo natural. O servismo da maioria, segundo Fernando Pessoa, era o estatuto natural da maioria.

Hoje, com a actual classe política, já não podemos falar no “servismo da maioria”, mas antes na “servidão da maioria”. A servidão é imposta à maioria pela elite política em nome da putativa e alegada erradicação do servismo da maioria.

E enquanto os privilégios da aristocracia, atribuídos na Idade Média, eram consentidos pelo servismo da maioria, ou seja, eram reconhecidos como válidos pelo povo enquanto privilégios (e não eram direitos), os privilégios actuais atribuídos aos corcundas são impostos coercivamente pela elite política à maioria como sendo direitos. Passamos a ter uma elite de corcundas com privilégios que entram em conflito com os direitos da maioria entendida enquanto sociedade e nação.

O princípio da “igualdade, da liberdade e da fraternidade” é hoje um instrumento essencial e fundamental para a construção de uma nova tirania.

A domesticação jacobina da Igreja Católica

Em entrevista à TVI24, o truculento, diabólico e laicista jacobino Augusto Santos Silva afirmou que o novo cardeal de Lisboa, D. Manuel Clemente, tem que ser igual ao “cardeal colorido”. Porque “quem se mete com os jacobinos, leva!”.

Sábado, 18 Maio 2013

A quântica deve fazer parte do ensino da filosofia

Filed under: filosofia,Quântica,Ut Edita — O. Braga @ 8:33 pm
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Os princípios que orientam a dialéctica hegeliana e/ou marxista estão hoje destruídos pela verificação dos factos científicos.

A quântica deveria ser uma disciplina do curso superior de filosofia. Não a mecânica quântica propriamente dita (com o seu formalismo matemático), mas antes as consequências teóricas e filosóficas da mecânica quântica. Se a quântica fosse uma cadeira do curso superior de filosofia, haveria desde logo duas implicações directas na cultura intelectual: os paradigmas da ciência passariam a ser olhados muito mais criticamente, por um lado, e, por outro lado, a dialéctica hegeliana e marxista seriam totalmente destruídas através da infiltração dos novos intelectuais nos me®dia. Ora, é isto que não convém à actual classe política. À actual classe política convém o obscurantismo.

Os princípios que orientam a dialéctica hegeliana e/ou marxista estão hoje destruídos pela verificação dos factos científicos, mas a maioria das pessoas ainda não se deu conta disso. A filosofia não pode só olhar para o passado. Tem que olhar também para o presente, para aquilo que existe hoje. A filosofia não pode olhar só para o passado para fazer de conta que o presente não existe. A filosofia não pode continuar a validar a dialéctica hegeliana e marxista, mesmo que se saiba hoje que a ciência já as invalidou. A filosofia não se pode afastar da ciência.

Mesmo em Proudhon, a sua “dialéctica das sociedades” — oposto a Hegel na medida em que recusa o movimento da síntese — é aparente. Se eu olho para, ou analiso a sociedade que me rodeia, é-me impossível dissociar dela, fazer de conta de que eu estou numa posição exterior a ela. É essa também a dificuldade dos antropólogos e dos sociólogos que estudam a sociedade como um objecto em relação ao qual eles se colocam numa posição de sujeito, como se estivessem separados da sociedade que analisam. No conceito de “dialéctica das sociedades” de Proudhon, acontece um fenómeno semelhante: conceitos como os da “dialéctica das sociedades” são simplificadores, interpretam a aparência.

A lógica matemática, que está na base da física quântica, tem símbolos que se referem representações. A filosofia não tem que se preocupar com os símbolos matemáticos, mas com as representações desses símbolos com recurso a imagens perfeitamente compreensíveis por alguém minimamente preparado intelectualmente.

Com a quântica, alguns conceitos familiares — como por exemplo, o de dialéctica, de Hegel ou de Proudhon — abrem falência desde que tentemos transpô-los para fora do domínio limitado no qual têm uma utilidade prática. A dialéctica é um método aparente ( uma “bengala” ) de interpretação de uma parte da realidade, assim como o conceito abstracto mas inexistente de “espaço absoluto” foi um método (uma “bengala conceptual”) utilizado por Newton para conceber a sua mecânica.

A dialéctica, com síntese (Hegel e Karl Marx) ou sem síntese (Proudhon) é uma interpretação ingénua da realidade, porque num caso como noutro, pressupõe um determinismo na acção humana ou das sociedades. Um exemplo de um “escritor quântico”, por assim dizer, é José Luís Borges, que através da sua obra desenvolveu o paroxismo a tal ponto em que as estratégias de conhecimento desembocam num universo labiríntico em relação ao qual não se aplica qualquer sistema dialéctico, em que a acção flui sem que se oponham tese e antítese e sem que exista uma síntese, e na medida em que cada momento do tempo é totalmente independente de qualquer outro momento — como se o universo fosse recriado a cada segundo cósmico.

Da mesma forma que nós vemos de facto uma trajectória de uma seta disparada contra um alvo, quando na realidade essa trajectória não existe de facto mas é apenas a soma de todas as posições isoladas, e independentes umas das outras, da seta no decurso do movimento em direcção ao alvo — assim a dialéctica é a trajectória da História que nós “vemos”, ilusoriamente, mas que não existe na realidade enquanto tal.

Esta ‘direita’ está controlada pela esquerda.

Sobre este verbete no Insurgente:

1/ Já se começa a perceber que o argumento ad Novitatem aplicado à cultura antropológica, constantemente utilizado pela esquerda, coincide com a construção do Homem Novo que mais não é do que uma tentativa de metanóia colectiva e revolucionária, que não é só defendida pelo marxismo cultural, mas também pela maçonaria jacobina.

Por exemplo, o argumento da “geração grisalha” esgrimido por Passos Coelho e pelo seu Partido Social Democrata vai totalmente ao encontro da validação do argumento ad Novitatem defendido pela esquerda — e por isso (e por outras razões) é que eu considero Passos Coelho o líder do Partido Social Democrata mais limitado intelectualmente (mais burro!) da história desse partido.

Muita gente ainda não ganhou consciência do prejuízo que Passos Coelho provocou ao Partido Social Democrata, por simples estupidez. Quando olhamos para a estrutura intelectual de Carlos Moedas, de Vítor Gaspar ou de Álvaro Santos Pereira, entre muitos outros, percebemos o enorme problema do Partido Social Democrata de Passos Coelho.

Um partido liberal (no sentido de “liberalismo económico”) e simultaneamente revolucionário, como é o Partido Social Democrata de Passos Coelho, é uma contradição em termos. Um partido precisa de técnicos, mas precisa sobretudo de capacidade crítica que orienta a política. Os técnicos aplicam a política, mas não são eles que a definem. E este Partido Social Democrata de Passos Coelho não tem capacidade crítica.

2/ O caso do CDS/PP é diferente. O problema está em Paulo Portas, não porque ele seja burro, que não é, e pelo contrário tem aquilo que Fernando Pessoa chamava da “degeneração moral dos génios políticos”, mas antes pela truculência que utiliza em função da sua própria condição ontológica. Em questões culturais e de costumes, é impossível a um homossexual não ser homossexual. E por muito que Paulo Portas diga que é contra a adopção de crianças por pares de invertidos, a sua acção prática dentro do CDS/PP revela que Paulo Portas não se lhe opõe. “Em política, o que parece, é!” — dizia o velho António. E parece que Paulo Portas não é contra a adopção de crianças por pares de fanchonos; e, portanto, como parece, ele não é de facto contra a adopção de crianças por pares de fanchonos. Ponto final.

3/ Esta “direita” está controlada pela esquerda. Através do “progresso da opinião pública”, esta direita dissolve-se (desaparece) na cultura antropológica, e com o passar do tempo. Só não vê quem não quer ver.

4/ a política económica é indissociável da cultura antropológica. Isto é dos livros. Por exemplo, quando eu vejo “liberais” defender a ideia segundo a qual o Estado deve pagar abortos em hospitais públicos, concluo que a esquerda radical já ganhou a batalha política. Mas existe outra armadilha em que os liberais caem: a insensibilidade social. A burrice de Passos Coelho é de tal calibre que a ideologia hayekiana assume nele as mesmas proporções que o marxismo assume nos neurónios de Jerónimo de Sousa.

Não é possível transformar a sociedade portuguesa e liberalizar a economia em dois ou três anos. Passos Coelho pensa que sim; é um revolucionário hayekiano. É um político que não tem a virtude da Fronèsis (a prudência) que Sólon alardeou. Na Alemanha comunista de leste (ex-RDA) a liberalização da economia durou mais de dez anos e com muito investimento do Estado alemão.

5/ as pessoas devem começar a circunscrever Hayek a uma determinada realidade ideológica. A obra e das ideias de Hayek não são uma espécie de Bíblia ou Livro Vermelho de Mao Tsé Tung. Mas para a maioria dos liberais, Hayek é autor de uma cartilha ideológica.

 

Adenda: um exemplo do que a direita deve fazer:

“A reforma da Educação aprovada pelo Governo espanhol do Partido Popular (direita) prevê que a nota na disciplina de Religião no ensino secundário volte a contar para a média.”

Naturalmente que, em Portugal, viríamos o Fernando Rosas a chorar baba e ranho nas pantalhas, a berrar que “Deus é injusto”, a clamar pela matança de inocentes em uma nova revolução francesa — mas a direita é isto mesmo: agir e não ter medo da acção.

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