perspectivas

Quinta-feira, 21 Julho 2016

Os direitos de braguilha e a propriedade privada subordinada ao dinheiro

 

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G. K. Chesterton falou-nos da “religião erótica” do “novo paganismo” dos direitos de braguilha, que nada tem a ver com o paganismo antigo. O novo paganismo é a adoração do sexo sem vida, porque proíbe a fertilidade — ao passo que os pagãos antigos festejavam a paternidade; os novos sacerdotes da religião erótica dos direitos de braguilha aboliram a paternidade. Conclui Chesterton que os pagãos antigos entrarão no Céu ainda antes do que os novos pagãos.

G. K. Chesterton faz um paralelismo entre a religião erótica, por um lado, e por outro lado a propriedade privada subordinada ao lucro: a propriedade deveria supôr (em primeiro lugar) um amor à terra, ou um amor à propriedade em si mesma, “amor” entendido como frutificação da acção humana, independentemente do lucro — assim como o sexo não foi separado, pelos pagãos antigos, do seu fruto (a paternidade).

O homem moderno não percebe que a propriedade privada inclui o prazer do dinheiro apenas de forma acidental: a propriedade começa e acaba com algo muito mais importante e criativo do que o lucro.

Um homem que planta uma vinha também aprecia o sabor do vinho que produziu; mas ele realizou uma obra muito mais importante do que a produção de vinho: ele está a impôr a sua vontade à Natureza de uma forma análoga à vontade de Deus no acto da Criação; ele afirma que a sua alma é apenas sua e que não pertence nem ao mercado nem ao Estado; ele está a admirar a fertilidade do mundo.

Reduzir a propriedade privada ao dinheiro é semelhante à redução do sexo ao prazer: em ambos os casos, a importância do prazer privado e incidental deve ser substituída pela participação em processo criativo grandioso, “em uma eterna criação do mundo”.

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Domingo, 21 Junho 2015

G. K. Chesterton e “a igualdade dos sem sexo”

 

“We mean something quite definite when we speak of a man being a little free with the ladies. What definite freedom is meant when the freedom of women is proposed? If it merely means the right to free opinions, the right to vote independently of fathers and husbands, what possible connection does it have with the freedom to fly to Australia or score bulls-eyes at Bisley? If it means, as we fear it does, freedom from responsibility of managing a home and a family, an equal right with men in business and social careers, at the expense of home and family, then such progress we can only call progressive deterioration.

And for men too, there is, according to a famous authoress, a hope of freedom. Men are beginning to revolt, we are told, against the old tribal custom of desiring fatherhood. The male is casting off the shackles of being a creator and a man. When all are sexless there will be equality. There will be no women and no men. There will be but a fraternity, free and equal. The only consoling thought is that it will endure but for one generation.”

G.K. Chesterton: in GK’s Weekly (July 26, 1930)

Domingo, 29 Março 2015

O evolucionismo, segundo G. K. Chesterton

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:30 am
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Sexta-feira, 23 Janeiro 2015

¿O Distributismo é utopia?

Filed under: economia,Política,Portugal — O. Braga @ 8:31 am
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“Quem duvida… que o poder que um multimilionário — que pode ser meu vizinho ou talvez meu patrão — tem sobre mim é muito menor do que o que detém o mais pequeno funcionário [do Estado], que transporta consigo o poder do Estado, e de cuja discrição depende se e como me é permitido viver e trabalhar?”

Hayek, “The Road to Serfdom” (tradução minha)

Os recentes acontecimentos, desde a crise financeira de 2008, às dívidas soberanas, até à queda estrondosa do grupo BES, demonstram que Hayek não tinha razão: o poder de um multimilionário em relação à  minha vida é pelo menos tão grande como o do Estado.

Dar poder ao Estado para controlar o multimilionário é reforçar o poder do Estado; deixar o multimilionário actuar em roda livre é aumentar o seu poder discricionário sobre a minha vida, que não se reduz ao presente mas também a um futuro próximo. Eu não quero que o Estado e/ou o multimilionário condicionem a minha liberdade e a minha vida de uma forma para além do razoável e tolerável.

O poder discricionário do multimilionário sobre a minha vida baseia-se em uma visão de desmoralização daquilo que é útil à  sociedade: essa corrente ideológica teve a sua origem no Marginalismo do século XIX: tudo aquilo que é útil à  sociedade passou a estar desligado de qualquer corrente moral. Ou melhor: a moral subjacente àquilo que é útil passou a ser o que cada um quiser, e o limite do acto gratuito decorrente da desmoralização do útil é a lei positivista que pode ser mudada a bel-prazer dos poderes instituídos.

O poder discricionário do Estado sobre a minha vida começou com o despotismo iluminado do absolutismo monárquico do século XVIII que teve origem nas teorias da Razão de Estado dos séculos XVI, XVII e XVIII; evoluiu para o marxismo, por um lado, e para a alienação do corporativismo medieval — as guildas —  que foi o fascismo, por outro  lado.

Tanto o marxismo como o fascismo foram consequências directas do conceito abstracto de “Vontade Geral” de Rousseau.

Desde o século XIX que vivemos em um sistema económico maniqueísta e em double blind: ou o Marginalismo — que é defendido por Hayek e que deixa o multimilionário em roda livre — ou o marxismo suave que reforça o poder do Estado e estabelece salários mínimos que são defendidos por sindicatos — que é defendido por Habermas ou por John Rawls.

Nós não precisamos nem de salários mínimos,  nem de multimilionários que desmoralizam o útil e transformam, muitas vezes, a acção económica e financeira em actos gratuitos (Bill Gates, George Soros, Rockefeller, Rothschild, etc.) que têm impacto directo nas nossas vidas. A dependência do trabalhador em relação ao salário mínimo interessa tanto ao multimilionário como aos sindicatos (mais ou menos) marxistas.

Queremos que a maioria das pessoas tenham acesso à  propriedade privada, ou seja, que sejam patrões de si mesmos, e que o seu rendimento seja o produto do seu trabalho.

O poder discricionário do multimilionário e o poder burocrático do Estado fazem parte do problema, e não de qualquer solução. A contradição entre os dois é aparente: precisam um do outro para poderem sobreviver.

Sexta-feira, 9 Agosto 2013

O homem moderno reduz toda a realidade à economia

«Um homem honesto apaixona-se por uma mulher honesta; ele quer, por isso, casar-se com ela, ser o pai dos seus filhos, e ser a segurança da família.

Todos os sistemas de governo devem ser testados no sentido de se saber se ele pode conseguir este objectivo. Se um determinado sistema – seja feudal, servil, ou bárbaro – lhe dá, de facto, a possibilidade da sua porção de terra para que ele a possa trabalhar, então esse sistema transporta em si próprio a essência da liberdade e da justiça.

Se qualquer sistema – republicano, mercantil, ou eugenista – lhe dá um salário tão pequeno que ele não consiga o seu objectivo, então transporta consigo a essência de uma tirania eterna e vergonha». – G. K. Chesterton, “Illustrated London News”, Março de 1911.


O que é que existe em comum entre este verbete, no blogue Insurgente, e um qualquer artigo publicado no Avante (órgão de informação do Partido Comunista)? Resposta: ambos reduzem a realidade à economia.

É verdade que, ao longo da história da existência humana, a economia sempre foi um factor muito importante na organização da sociedade e nas sucessivas diferenciações culturais. Mas nunca, como na modernidade, tinha acontecido que toda a realidade se reduzisse à economia. Isto significa que até o alegado anti-utilitarismo marxista se transforma numa variante do Utilitarismo; e até o putativo anti-utilitarismo de Nietzsche é irmão gémeo do super-utilitarismo do Marginalismo do século XIX.

Quando os liberais reduzem a realidade à economia, fazem o jogo do materialismo dialéctico, e transformam o liberalismo económico em um dos dois pilares do movimento triádico marxista de base que dará lugar à síntese revolucionária.


«Os grandes senhores recusarão ao camponês inglês os seus três acres de terra e uma vaca, em nome do progresso, caso já não seja possível negá-los em nome de uma visão reaccionária.
Recusar-lhe-ão os três acres em nome da Propriedade de Estado; e proibirão a posse da vaca em nome do Humanismo».
– G. K. Chesterton, “What’s Wrong with the World”.


« Quando eu uso o termo “capitalismo”, eu quero significar o seguinte: “A condição económica na qual existe uma classe de capitalistas, mais ou menos reconhecível e relativamente pequena, em cuja posse está concentrada a maioria do capital e de tal forma que uma larga maioria dos cidadãos servem esses capitalistas em troca de um salário”.

Este estado de coisas, em particular, pode existir e existe mesmo, e devemos ter uma qualquer designação para ele e uma qualquer forma de o discutir. Mas essa palavra (capitalismo) é, sem dúvida, uma má palavra, porque é utilizada no sentido de significar outras realidades diferentes.

Algumas pessoas identificam “capitalismo”, por um lado, com “propriedade privada”, por outro lado. Outras supõem que “capitalismo” significa qualquer coisa que envolva o uso de capital. Mas se este tipo de uso da palavra “capitalismo” é literal, também é demasiado alargado e abrangente. Se o uso do capital é “capitalismo”, então tudo é capitalismo. O bolchevismo é capitalismo e o comunismo anarquista é capitalismo: e todos os esquemas revolucionários, selvagens que sejam, continuam a ser capitalismo. »

– G.K. Chesterton: “The Outline of Sanity.”

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