perspectivas

Sábado, 27 Setembro 2008

O relativismo como monismo e essência religiosa

Filed under: filosofia,Religare — O. Braga @ 9:00 am
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O cepticismo de Hume aponta para a probabilística ― não uma probabilística científica baseada na supremacia da razão sobre o instinto, mas uma probabilística que existe inerente à submissão da razão pelo instinto. Para David Hume, a razão é uma espécie de instinto, e assim sendo, nada é racional e verdadeiramente certo. O conhecimento humano (incluindo a ciência) não pode ter certezas, apenas a certeza da probabilidade do conhecimento, induzido ou deduzido.
Neste sentido, Hume está nos antípodas do Naturalismo ateísta como monismo religioso que é. O cepticismo de Hume põe em causa o próprio Naturalismo ateísta.
Os herdeiros ideológicos do relativismo de Hume foram os seguidores do Pragmatismo (Charles Peirce, Hans Vaihinger, Miguel de Unamuno) e do Neo-Pragmatismo (Richard Rorty).

O relativismo de Hume é a sua própria “Quinta-Essência” ― é o próprio relativismo que se transforma num objecto religioso. O livre-arbítrio no ser humano, isto é, a possibilidade de livre escolha racional, incomoda David Hume; neste sentido, Hume é um existencialista quando reduz a essência da razão ao próprio instinto que limita a liberdade humana ― ao contrário de Descartes e de Kant, que defenderam a natureza dualista do Homem (a razão e o instinto como características diferenciadas no Homem) e a sua liberdade essencial.

Se David Hume vivesse hoje, estaria nas parangonas dos me®dia.

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Sábado, 5 Abril 2008

Cepticismo

Filed under: Religare — O. Braga @ 11:04 pm
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O cepticismo é uma crença. Crê-se que não se crê, acredita-se que não se acredita, e as razões para que isso aconteça são as mais diversas e subjectivas. O ser humano é crente por natureza, porque é induzido por esta a crer, embora por vezes acredite na não-crença. O ser humano precisa de acreditar. Até o ateu mais empedernido crê que não crê; a não-crença é uma crença, e a indiferença que se tenta mostrar em relação a uma determinada crença é uma forma que encontramos para focar a nossa crença natural em alguma coisa que nos dê proveito directo e mais imediato.

Quando uma pessoa é céptica, não acredita em Deus porque acredita que Deus não existe. Quando acredita que não tem a certeza sobre Deus, crê na dúvida. Mas pela simples afirmação da sua não-existência, mostra que Dele tem algum conhecimento, pois de outra forma nada poderia dizer Dele — nem que Ele existe ou que não existe –, para além de admitir implicitamente que Deus é diferente das outras coisas, e que por isso, podemos distingui-Lo.

Domingo, 23 Dezembro 2007

John Gray

Filed under: Religare — O. Braga @ 6:38 am
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Não há nada de novo em John Gray, senão o desenvolvimento e a actualização do cepticismo de Hume, e só encontra algo de novo nele quem não conhece a história da filosofia. “As crenças convencionais estão sempre muito afastadas da realidade”, e o mesmo se pode dizer da ciência – que é uma crença lógica e empiricamente fundamentada, e é “crença” porque se acredita precária e temporariamente que ela contenha a verdade – que todos os dias descobre que estava errada no dia anterior. Quando Gray critica os gregos, critica toda a ética que com eles nasceu muito antes do cristianismo – e é exactamente aí onde ele quer chegar, por motivos estritamente pessoais e subjectivos.

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