perspectivas

Quarta-feira, 13 Janeiro 2016

Cátaros, albigenses e valdenses eram seitas gnósticas

 

O problema da narrativa histórica é o de que depende da interpretação dos factos, e não dos factos em si mesmos; ou melhor dizendo, os factos documentados apenas servem para fundamentar uma qualquer interpretação deles. Os historiadores contam uma história que não tem necessariamente uma relação causal e, sobretudo, não vai à essência dos factos.

Temos aqui uma narrativa histórica acerca dos cátaros, albigenses e valdenses; os factos citados (datas, eventos, nomes de pessoas) correspondem, grosso modo, à verdade histórica. Mas o erro da narrativa está na essência: parte-se do princípio (na narrativa) de que as seitas da Antiguidade Tardia que deram origem aos cátaros, albigenses e valdenses, eram cristãs — o que é absolutamente falso.

O problema dos historiadores em geral é o de não terem estudado suficientemente filosofia. Afirmar que as seitas gnósticas da Antiguidade Tardia eram cristãs, é um erro de palmatória.

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Domingo, 20 Dezembro 2015

A religião completa e acabada

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 1:37 pm
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Não existe uma “religião completa”, ou uma “religião total”, porque a capacidade do ser humano de perceber ou compreender a Realidade é incompleta. Por isso, o Cristianismo, ou melhor, o catolicismo não é uma religião completa. Mas existem religiões que integram em si mesmas conceitos mais ricos e mais complexos do que em outras religiões; por isso é falso que se diga que todas as religiões são equivalentes, e muito mais falso é que se diga que são todas semelhantes.

Embora nenhuma religião seja completa ou total, o catolicismo integra em si mesmo a maior complexidade conceptual entre todas as religiões.

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Segunda-feira, 15 Junho 2015

O misticismo no Cristianismo

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 7:15 am
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Analisemos a seguinte proposição:

The Christian of tomorrow will be a mystic, or not a Christian at all.”

(“O cristão do futuro será um místico, ou então não será cristão”)


Antes de mais temos que saber o que significa “místico”, ou misticismo.

mestre-eckhartDepois de definirmos misticismo, constatamos que a proposição supracitada é falsa, porque o misticismo é um fenómeno subjectivo que surge da religião que é, por definição, intersubjectiva. Reduzir a religião à subjectividade é negar o próprio conceito de religião. Dizer que que religião cristã se confinará ao misticismo é afirmar o fim da própria religião cristã.

Seja por exemplo o misticismo budista — aquele que é praticado ou experimentado nos conventos do Tibete. Esse misticismo não sobreviveria sem a religião popular budista (a religião do povo), que tem dogmas, divindades, santos e ritos como outra religião qualquer. Basta o exemplo budista para verificarmos que a asserção em epígrafe é falsa.

Por fim, a história do misticismo na cristandade demonstra uma clara tendência para o panteísmo — ou seja, a preferência pela imanência e pelo monismo, em detrimento da transcendência que caracteriza a doutrina do catolicismo desde a Antiguidade Tardia.

Segunda-feira, 25 Maio 2015

Um erro comum na interpretação da Santíssima Trindade

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 8:02 am
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Em época de Pentecostes, vem a talhe de foice falar de um erro comum na concepção da Santíssima Trindade: “se Jesus Cristo é Deus”, concluem então os “católicos fervorosos” que “Deus é Jesus Cristo” (se A = B → B = A). Confunde-se o Ser Absoluto com a essência individual de Jesus Cristo. O Padre Pio de Pietrelcina sublinha a dimensão individual de Jesus Cristo, quando disse:

“Quando passares diante de uma imagem de Maria Mãe de Jesus, deves dizer: ‘Saúdo-Te Maria!, e saúda Jesus da minha parte’.”

Se Jesus Cristo é Deus, não se segue que Deus seja (o próprio) Jesus Cristo. Significa antes que Jesus Cristo é consubstancial a Deus, ou, em termos simples, que Jesus Cristo é divino [divino = de Deus, ou relativo a Deus] — qualidade que nenhum ser humano jamais teve.

Terça-feira, 21 Abril 2015

A falsa dicotomia entre o epicurismo e o estoicismo

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 9:06 am
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“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste, porque julgamos a doença um mal e esperamos diminuir-lhe a frequência.”

Temos aqui uma proposição consequencialista de um “filósofo” moderno 1 .


Na modernidade, a ética foi dividida artificialmente em duas facções: os epicuristas — que influenciaram Bentham e o utilitarismo —, e os estóicos — que influenciaram Kant, que diria, em oposição à proposição supracitada, o seguinte:

“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste apenas e só pela sua acção e independentemente de quaisquer consequências.”

O estóico Kant não é virtuoso para proceder bem, mas antes procede bem para ser virtuoso — o que corresponde à ética luterana, em oposição à ética católica que se baseia — pelo menos até ao “papa Francisco” — nas obras e na acção do católico. Portanto, quando falamos em “Cristianismo” temos que saber de que espécie de Cristianismo estamos a falar.

Na frase em epígrafe, não passa pela cabeça do “filósofo” epicurista moderno mencionar o altruísmo do médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste: só lhe interessa a consequência da acção do médico. Porém, seja qual for a suposta motivação subjectiva do médico que arrisca a sua vida, essa motivação é sempre passível de ser objectivamente classificada de “altruísta”.

Ao estóico Kant, não lhe interessa saber quais as consequências dos actos da pessoa, porque o sábio estóico — que é o modelo a seguir — é considerado um ser perfeito.

O catolicismo propriamente dito valoriza o acto entendido em si mesmo (porque, para o catolicismo, as obras são importantes), mas essa valorização é feita no contexto da consequência desses actos.

O catolicismo tradicional não separa a causa e o efeito, exactamente porque “causa” e “efeito” são tautológicos“não há efeito sem causa”: cada um dos dois termos só se podem definir por intermédio um do outro. Não há nada que indique que os dois termos (causa e efeito) possam ser inscritos em um discurso puramente lógico (como erradamente pressupõem epicuristas e estóicos modernos).

Um católico diria assim:

“Admiramos um médico que arrisca a vida durante uma epidemia ou uma peste, pelo valor ético do seu altruísmo e pela sua sensibilidade em relação ao sofrimento humano, na luta contra a doença.”


Nota
1. Não considero Bertrand Russell um filósofo, mas antes um estudioso de filosofia.

Sexta-feira, 26 Setembro 2014

O Frei Bento Domingues é psicótico

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 9:02 pm
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Os católicos — porque são esses que interessam para este caso, e não agnósticos ou ateus — que leiam esta entrevista do Frei Bento Domingues na revista Visão.

fbdPor um lado, Frei Bento Domingues pretende um regresso à Igreja primordial; mas, por outro lado, pretende que a linha católica primordial — marcada por gente como Orígenes ou Santo Agostinho, entre centenas de outros que, muitos deles, foram mártires — seja revogada. Ou seja, vinda de um frade católico, esta incongruência revela um delírio interpretativo próprio de uma psicose  (porque ele próprio parece não ter consciência da sua condição: para combater a acédia, caiu numa psicose).

Ou, de outro modo e para salvarmos as aparências, poderíamos dizer que o Frei Bento Domingues pretende ter “sol na eira e chuva no nabal”: pretende ter uma Igreja primordial transportada para o Zeitgeist actual e que tolere o aborto, aceite o “casamento” gay, promova o casamento dos sacerdotes (que podem passar a tolerar o aborto das respectivas esposas), defenda a protestantização da Igreja Católica e a destruição da centralidade do Vaticano, organize a ordenação de mulheres, etc..

Neste segundo caso, a situação ainda é mais grave: já não se trataria de uma psicose — que tem desculpa — mas de uma incongruência baseada em uma má-fé de índole diabólica.

Em um debate comigo — que não sou um teólogo! —, o Frei Bento Domingues seria confrontado com as suas contradições. O problema é que os me®dia politicamente correctos, por um lado, e a hierarquia da Igreja Católica está minada por dentro; e, por isso, ninguém reage.

Mas depois de passada a moda do Zeitgeist, o Frei Bento Domingues será julgado e recordado por aquilo que é: ou um psicótico ou um retórico maquiavélico ao serviço do anticristo.


Ficheiro PDF da entrevista do Frei Bento Domingues: clique aqui.

Segunda-feira, 8 Setembro 2014

A entropia do protestantismo conduz à incompreensão da Bíblia

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 8:04 am
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“In the Roman Catholic Church, Vatican official have denounced what they refer to as radical feminism. But two official church dogmas proclaimed respectively in 1854 and 1950 involving Mary, the mother of the historical Jesus, strike me as expressing the spirit of radical feminism, albeit on a symbolic level: The Immaculate Conception (1854) and the Assumption of the Blessed Virgin Mary into Heaven (1950). So why aren’t Vatican officials today keeping up with the spirit of radical feminism of these two official church dogmas about Mary?”

Cardinal Mueller and Pope Francis Are Hopeless Misogynists


Este texto longo, escrito por um americano protestante, revela que as culturas protestante e a católica estão de tal forma afastadas entre si que dificilmente se entendem. O texto é longo, e por isso é impossível comentá-lo todo aqui; fico-me apenas pela introdução supracitada.

O dito protestante, que dá pelo nome de Thomas James Farrell, diz que os dogmas católicos da Imaculada Concepção (ou Conceição) e da Assunção de Nossa Senhora, são formas de “feminismo radical”; e, por isso, o dito protestante não entende por que razão a Igreja Católica critica o “feminismo radical” — na medida em que se parte do princípio que ambos os dogmas são, alegadamente, expressão de um “feminismo radical”.

O dogma da Imaculada Concepção de Maria é referido no Novo Testamento: parece que os protestantes necessitam de ler a Bíblia. Portanto, o dogma não é apenas católico: é inerente ao próprio Cristianismo desde a sua origem.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora, introduzido pelo Papa Pio XII em 1950, surge no seguimento do reconhecimento oficial, pela Igreja Católica, das aparições de  Nossa Senhora em Fátima em 1917.

É claro que um protestante comum não acredita que a Santa Maria, Mãe de Jesus, tenha aparecido em Fátima aos três pastorinhos. Aliás, os protestantes não aceitam que a Mãe de Jesus seja santa, porque não aceitam o conceito católico de “santidade”.

A partir do momento em que os protestantes não aceitam que a Mãe de Jesus seja santa, Maria passa a ser considerada uma mulher qualquer — o que está em contradição com o estatuto de Maria no Novo Testamento, por um lado, e por outro lado está de acordo com a imagem de Maria que o Alcorão nos dá (“les bons esprits se rencontrent…”).

A entropia ideológica do protestantismo conduz a uma reinterpretação da Bíblia à luz de conceitos estritamente modernos, o que significa que se afasta progressivamente não só das origens do Cristianismo, como se torna cada vez mais difícil um diálogo com o catolicismo autêntico.

Sexta-feira, 9 Maio 2014

Antes ser ortodoxo do que protestante

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 7:44 am
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“¿De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? ¿Acaso essa fé poderá salvá-lo?

Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, ¿de que lhe aproveitará? Assim também é a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.”

Carta de Tiago, 3, 14

Ontem dei comigo a ver este vídeo sobre as profecias de Newton (o físico inglês) acerca do fim do mundo que, segundo os cálculos matemáticos dele, acabará no ano de 2060. Newton era protestante anglicano envolvido com a Cabala.

As profecias do fim do mundo são tipicamente uma “vocação” protestante.

Os dois livros da Bíblia mais importantes para os protestantes são os de Daniel e o Apocalipse. Os protestantes, tal qual os revolucionários, gostam de ter a certeza do futuro; e a tal ponto que os calvinistas negam (pelo menos parcialmente) o livre-arbítrio humano, na medida em que, segundo eles, há uma elite de predestinados (gnósticos) que será salva por Deus (os “Pneumáticos” modernos) e uma maioria de condenados à morte espiritual (os “Hílicos” modernos).

Mas há dois livros da Bíblia que os protestantes censuraram : a Carta de Tiago (de que lemos em epígrafe uma passagem), e os dois Livros de Macabeus. A Carta de Tiago foi censurada pelos protestantes porque afirma que a fé, sem as obras, não serve para nada; ou seja, “de boas intenções está o inferno cheio” — como diz o povo católico. Ora, Lutero retirou a Carta de Tiago da Bíblia luterana, porque para ele, as obras de caridade não contavam: o que contava era a fé e só a fé, e as obras de caridade eram deixadas por Lutero a cargo do príncipe e do Estado. Lutero esteve na génese do Camaralismo alemão (o Estado providência).

O livro de Macabeus fala da realidade do purgatório — e os protestantes não aceitam o purgatório. Consta que em Inglaterra, imediatamente depois do fim da II Guerra Mundial, não se realizaram cerimónias religiosas (leia-se, “missas”) pelas almas dos soldados ingleses mortos na guerra, porque o anglicanismo não aceita o purgatório. Ora, isto seria impensável em qualquer país católico.

A razão por que os protestantes não aceitam a realidade do purgatório é a de que eles acreditam que eles (protestantes) vão directamente para o Céu depois da morte, e que, por isso, o purgatório não faz sentido algum — nem sequer faz sentido que o purgatório seja o destino dos católicos, porque, segundo os protestantes, os católicos vão directamente para o inferno (porque não são protestantes e não fazem parte dos “eleitos”).

Quando vemos, por exemplo, o Júlio Severo criticar o “casamento” gay (e também criticar o catolicismo), devemos ficar surpreendidos: foi Lutero que retirou o casamento do rol dos Sete Sacramentos, transformando-o em um mero contrato celebrado pelas autoridades civis. E perguntamos: ¿que autoridade moral tem o protestante Júlio Severo para criticar o “casamento” gay? — quando foi o “chefe” dele que transformou o casamento em um simples contrato?!

Para os católicos, o casamento continua (ainda hoje) a ser um sacramento (segundo o simbolismo do casamento de Cristo com a sua Igreja), e por isso os católicos não perderam a autoridade moral para criticar o “casamento” gay.

O catolicismo está muito mais perto da Igreja Ortodoxa Grega ou da Igreja Ortodoxa Russa do que do protestantismo (qualquer que seja a seita). Por exemplo, os protestantes não acreditam na presença real de Jesus Cristo na celebração da Eucaristia, ao passo que, para os católicos e para os ortodoxos, essa presença de Jesus Cristo na Eucaristia faz parte da doutrina da fé.

Quinta-feira, 13 Março 2014

O tradicionalismo e o capitalismo

Filed under: Tirem-me deste filme — O. Braga @ 1:15 pm
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Alguém sabe quem inventou, na Europa, os prémios de seguro de risco e a taxa de juro de empréstimos financeiros?

O prémio de seguro de risco foi “inventado” (no sentido de ser concebido pela primeira vez na Idade Média) pelos Fraticelli católicos!, de finais do século XII (frades menores franciscanos, devotos da pobreza), e a taxa de juro foi “inventada” pela ordem católica dos Templários!, no século XIII.

Ou seja, a base do capitalismo foi concebida nos séculos XII e XIII!, em plena Idade Média católica! A prosperidade das cidades-estado italianas, durante o Renascimento, foi fundada em um capitalismo incipiente e elitista, nas taxas de juros e nos prémios de seguros de risco!

A novidade do Calvinismo — em relação ao capitalismo incipiente que existia já na Europa antes da Contra-reforma do Concílio de Trento — foi que o capitalismo se tornou popular (ler “A Ética Protestante”, de Max Weber), e não já uma prerrogativa de uma certa elite. ¿E por que razão o capitalismo se tornou popular?

O capitalismo popular, introduzido à sombra do Calvinismo, e segundo Max Weber, não se revela na procura desenfreada e cega do lucro por especuladores e aventureiros: pelo contrário, o capitalismo popular surge com a procura racional e sistemática, metódica e controlada, do lucro — mas no exercício honesto e constante de uma profissão.

A outra razão por que o capitalismo se tornou popular — em oposição ao capitalismo elitista que já existia, de certa forma, antes da Reforma — foi a doutrina determinista calvinista, segundo a qual Deus decidiu, em virtude de decretos insondáveis e irrevogáveis — portanto, para todo o sempre — que “certos homens estão destinados à vida eterna e outros votados à morte eterna” (Confissão de Westminster, de 1647).

E, como perder a Graça de Deus é tão impossível àqueles a quem foi (a priori) concebida, como também é impossível obtê-la por aqueles a quem foi (a priori) recusada, instalou-se uma angústia profunda no calvinista que se interroga: “¿Serei eu o eleito?”.

Nunca certo da sua eleição, o calvinista buscava os sinais da sua salvação aqui na Terra, nos frutos do seu trabalho sem descanso e sem alegria, trabalhava para a glória de Deus e para apaziguar a sua angústia. Tendo o trabalho por vocação e a riqueza por sinal da bênção divina, o calvinista acumulava necessariamente capital que não gastava. Foi assim que o capitalismo popular nasceu.

Hoje, em muitos países da Europa, esse capitalismo popular está moribundo e surgiu de novo (embora por outras razões) uma espécie de capitalismo de elites. A concentração de capital destruiu o capitalismo popular.

Portanto, ao contrário do que escreve o Guilherme Koehler, não é verdade que “antes da Reforma não existia capitalismo”. O que não existia era uma cultura utilitarista (utilitarismo), que também não existiu com a Reforma protestante. Mais tarde, já no século XVIII, e uma vez instituído, o sistema capitalista passou a obedecer às suas próprias leis, já não tendo necessidade da religião para nada; e surgiu, então, o império da ética utilitarista profana (com Bentham) que passou a assombrar a modernidade.

Enfim: os tradicionalistas deveriam ter mais respeito pela História para que possam ser mais credíveis.

Sábado, 18 Janeiro 2014

Libertar o voto católico do cativeiro em que se encontra

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 8:06 am
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“O eleitorado católico é um gigante adormecido que tem de acordar definitivamente e fazer-se respeitar! Já chega de os interesses anticristãos em Portugal, representados por clubes de influência com poucos milhares de membros no máximo, continuarem a fazer com total impunidade a chuva e o bom tempo na vida política nacional, ao mesmo tempo que remetem os católicos – muitíssimos mais dos que aqueles em qualquer caso – para uma cidadania de segunda classe! E para que tal suceda, urge libertar o voto católico do cativeiro em que se encontra!”

Libertar o voto católico do cativeiro

Sábado, 14 Dezembro 2013

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada diz que Nelson Mandela foi para o Céu

 

Eu não vou discutir aqui o conceito de “Paraíso” que é comum ao Cristianismo e ao Islamismo; nem sequer vou aqui discutir se um ateu pode ou não aceder ao Paraíso. A minha questão, aqui, não é teológica: em vez disso, é ética.

Eu não sou Deus nem Jesus Cristo para saber, com toda a certeza, se o Mandela foi para o Céu; mas o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, que fala directamente com Deus e com Jesus Cristo (o que, aparentemente é vedado ao comum dos mortais), lá terá as suas razões.

Do ponto de vista ético, o problema não é o de saber se Nelson Mandela era católico ou não: a ética não escolhe religiões, embora as religiões tenham influência na (boa) ética. O problema é o de saber se Nelson Mandela foi, ou não, responsável moral pela morte de dezenas de vítimas de atentados bombistas — incluindo uma freira católica assassinada às mãos do ANC dirigido por Nelson Mandela.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada poderá dizer que “sem ovos não se fazem omeletas”, e que “os fins justificam os meios”; e que o Mandela entendeu que os atentados bombistas que mataram inocentes eram um bom meio para atingir um determinado fim político. O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada pode defender o quiser, mas não pode dizer que a sua opinião segundo a qual o Mandela foi para o Céu é eticamente defensável à luz do Cristianismo: está seguramente mais livre de pecado mortal o nosso Álvaro Cunhal do que Nelson Mandela.

Por fim, quando o Mandela defendeu o aborto e aplicou-o na ordem jurídica do seu país, o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada deve ter ficado muito feliz — e por isso é que o Padre defende que o Mandela foi para o Céu. Ainda vou ver o Padre fazer campanha a favor do aborto (a tudo se chega, enquanto a vida dura!).

Se julgarmos Mandela do ponto de vista da ética cristã, não é defensável que ele tenha ido para o Céu; mas a teologia do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada parece ter em fraca conta a ética católica: parece que, para o Padre, os pecados mortais deixaram de existir. Que lhe faça bom proveito!

Segunda-feira, 2 Dezembro 2013

Evangelii Gaudium: o discurso do cardeal Bergoglio é contraditório e ambíguo, como é seu timbre

 

“O diabo escolhe, a cada século, um demónio diferente para tentar a Igreja. O actual é singularmente subtil. A angústia da Igreja perante a miséria das multidões obscurece a sua consciência de Deus. A Igreja cai na mais astuciosa das tentações: a tentação da caridade.” — Nicolás Gómez Dávila


Não é por acaso que gente que sempre se afirmou publicamente agnóstica — como o José Pacheco Pereira ou Mário Soares — e mesmo gente da esquerda radical que se diz ateia — como por exemplo Daniel Oliveira ou Carvalho da Silva — andam sistematicamente com o “Papa Francisco” na boca. E os católicos, em contraponto e face a esta situação, andam agora com o Credo na boca.

Eu não gosto absolutamente deste Papa. Aliás, penso que ele é um anti-Papa. O tempo encarregar-se-á de me dar razão.

A linguagem e o discurso do cardeal Bergoglio são luciferinos. Por exemplo, quando tenta alterar a ética e a moral cristãs em nome da caridade. Para sermos caridosos — defende o Papa subliminarmente e sibilinamente — devemos abdicar de alguns valores éticos essenciais do Cristianismo. O discurso deste Papa é perigoso porque ele inventa problemas onde não existem problemas; ele tem uma necessidade compulsiva de criar problemas para depois os “resolver” através da alienação da ética cristã mas, alegadamente, essa alienação é justificada e invocada em nome do Cristianismo.

Essa criação artificial de problemas é feita pelo Bergoglio através da chamada “falácia do espantalho”, quando, por exemplo, ele se refere aos clérigos (a tal “preocupação exagerada pela liturgia”, que o Bergoglio refere sistematicamente) como não sendo compatíveis com a vida das pessoas. O argumento do Bergoglio é non sequitur: não se segue que “a preocupação com a liturgia” signifique que o clero se afaste necessariamente da vida das pessoas.

Outro exemplo da falácia do espantalho por parte do Bergoglio é quando ele diz que “os sacramentos da Igreja Católica devem estar disponíveis para todos”, e que “as portas da Igreja devem estar abertas” — mais uma vez, ele cria um problema (falácia do espantalho) que não existe, porque se existe hoje, na nossa sociedade, uma instituição com as portas abertas, é a Igreja Católica.

E quem se queixa da Igreja Católica das “portas fechadas”? Os homossexuais, as feministas, os divorciados, os sexualmente promíscuos, e as pessoas de outras religiões. São estes a quem o Bergoglio quer estender os sacramentos.

Por exemplo, e por um lado, o Papa exalta o valor do casamento; mas, por outro lado, exalta a alienação do valor do casamento através da aceitação dos divorciados na Eucaristia. Este Papa defende sistematicamente uma coisa e o seu contrário. É nisto que ele é luciferino. Através de uma postura de uma alegada “abertura ao mundo”, o antipapa mascara uma hostilidade profunda em relação à tradição católica.

As ideias do cardeal Bergoglio, expressas no luciferino texto Evangelii Gaudium, segundo as quais “a Igreja Católica é, em primeiro lugar, para os pobres”; que “a Igreja Católica é culpada de excessivo clericalismo”; que “a autoridade da Igreja deve ser descentralizada” — à maneira protestante — e “a autoridade do Papa diminuída”; que “a tradição e o esplendor monarquista da Igreja Católica é imoral”; que “a Igreja Católica desprezou a mulher”; que “o capitalismo é, em si mesmo, mau e que o secularismo pode corrigir a maldade do capitalismo”; que o Islamismo é uma religião tão boa quanto o catolicismo — tudo isto é pura Teologia da Libertação.

O ataque do Bergoglio à liturgia católica é sistemática e permanente. Ele quer uma Igreja de acção política mediante a transformação do catolicismo em uma espécie de religião política — a alusão da “Igreja das ruas” (a por ele invocada “teia das obsessões e procedimentos”) e contra “a Igreja das igrejas”.

Quando o Bergoglio ataca o capitalismo e a desigualdade natural entre os homens, considerando-os, em si mesmos, como um Mal, ele confunde capitalismo e a desigualdade natural, por um lado, com neoliberalismo, por outro lado. Mas essa “confusão” do Bergoglio é propositada e intencional.

O neoliberalismo é a ausência de qualquer regulação legal do capitalismo, é a alienação do Estado de Direito e a sua submissão total às leis do mercado. Ora, o neoliberalismo não se combate apenas com a intervenção do Estado na economia, mas sobretudo através de uma mudança de mentalidades; e a Igreja pode contribuir para essa mudança de mentalidades — como fez, por exemplo, o Papa Bento XVI — sem colocar em causa os princípios éticos, morais e litúrgicos da Igreja Católica.

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