perspectivas

Domingo, 28 Outubro 2012

O conhecimento é um meio, e não um fim em si mesmo

“O modelo geocêntrico servia para a organização da vida humana na Terra, mas era insuficiente para compreender a organização, o comportamento dos astros no céu. Incompleto para o conhecimento, última morada do destino humano (como apontou Carl Sagan).”

via De Rerum Natura: UM CÉU MAIS PERFEITO..

Atlas, o titã

Aristarco de Samos, que viveu no século III a.C., foi simbolicamente condenado à morte — ou seja, não foi realmente morto — por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam à volta da Terra, precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos, porque segundo a mitologia grega era suposto a Terra ser o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

Portanto, Copérnico, que era aliás um prelado católico, não foi o primeiro a defender o heliocentrismo.

O problema do conhecimento é o de saber para que serve e como é utilizado. Os titãs da mitologia grega também tinham o conhecimento que os humildes humanos não tinham. Se o conhecimento é “a última morada do destino humano”, ou seja, um fim em si mesmo, então o ser humano terá o destino dos titãs — com o seu líder, Atlas, condenado pelos deuses a suportar eternamente o Céu, porque os titãs fizeram do conhecimento um fim em si mesmo, e não um meio.

Se o conhecimento é “a última morada do destino humano”, ou seja, um fim em si mesmo, então o conhecimento torna-se inútil. É, então, o conhecimento dos titãs que fugiram a sete pés, assustados, perante a presença de Pã, o irmão de Zeus (e vem daqui a palavra “pânico”). G. K. Chesterton tem uma frase lapidar que passo a citar:

“Os secularistas não destruíram as coisas divinas: em vez disso, destruíram as coisas seculares — se é que isso constituiu algum conforto para eles. Os titãs não ascenderam aos Céus, mas assolaram a Terra.”
(G. K. Chesterton, “Ortodoxia”).

A noção de conhecimento como “a última morada do destino humano” é uma noção adoptada pelos titãs da modernidade que assolam hoje a Terra. Eles iludem-se quando pensam que destruíram as coisas divinas, e apenas ignoram que destroem as coisas seculares.

Adenda:

O paradoxo epistemológico ou paradoxo do conhecimento (Meyerson)

“Um objecto de conhecimento dissolve-se, perde a sua identidade à medida em que o conheço melhor, quando conhecer só pode consistir em identificar.”

Quarta-feira, 5 Setembro 2012

Os professores de Filosofia e Carl Sagan

«Se um livro tiver sucesso, enriquece o autor, o que é justo, apesar de muito distante da nossa realidade. Mas tanto em Inglaterra como nos EUA ou em Portugal há sempre um bom motivo comum, que é a paixão de trazer mais pessoas ao saber, à ciência e à filosofia. Não há outra explicação para trabalhos tão intensos e de qualidade suprema como os de Carl Sagan, por exemplo.»

via Realy Realy Big Questions. About Me.

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Terça-feira, 23 Novembro 2010

O dogma naturalista de Carl Sagan : um exemplo de cientismo e da traição dos intelectuais

Karl Popper

Ao longo da sua imensa obra literária e filosófica, Karl Popper demonstrou que a objectividade do cientista, entendido como indivíduo, não existe — e esta realidade aplica-se não só às ciências sociais como às ciências da natureza. O que torna a ciência objectiva é toda uma estrutura composta pelas instituições que, numa sociedade onde exista um alto grau de liberdade política, se dedicam à ciência (universidades, colóquios, congressos); é também a concorrência saudável entre cientistas e, em consequência, podemos dizer que a objectividade da ciência depende da análise crítica das teorias, independentemente do cientista ou cientistas que as concebem.

Porém, convém aqui dizer que também se demonstrou que a maioria das teorias científicas são falsas, e esta tese é também corroborada pelo académico grego John Ioannides, um dos maiores especialistas mundiais sobre estatística da ciência. Ioannides vai mais longe: de uma forma geral, quanto mais “bombástico” for o anúncio nos me®dia de uma nova descoberta ou de uma nova teoria, maior probabilidade estatística existe de que essa descoberta ou teoria sejam falsas.

Portanto, um cientista contemporâneo é, normalmente, e antes de o ser, um mau filósofo; ou melhor : um sofista. É impossível que a sua “nova teoria” seja asséptica ou objectiva, e só a análise crítica pode deduzir realmente a sua objectividade, verdade ou falsidade. Esta asserção foi demonstrada pela própria realidade dos factos.
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