perspectivas

Domingo, 13 Outubro 2013

A língua oficial de Cabo Verde passou a ser o crioulo

Filed under: cultura — O. Braga @ 5:25 pm
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Parece-me claro que o presidente da república de Cabo Verde pode discursar na ONU na língua que ele quiser (até pode discursar em chinês).

Porém, quando o presidente da república de Cabo Verde discursa na ONU em crioulo, o que isso significa politicamente é que a língua oficial desse país é agora o crioulo. Como dizia o Salazar, “Em política o que parece, é”. E parece que a língua oficial de Cabo Verde é o crioulo.

Ao querer demarcar-se de uma herança histórica colonial, afastando a língua portuguesa do discurso político oficial de Cabo Verde, o presidente da república de Cabo Verde assume uma posição ainda mais inferiorizada do ponto de vista cultural e nacional: assume perante a comunidade internacional que existe uma língua culta em Cabo Verde que não é a língua oficial do país (a língua portuguesa), língua essa que tem um estatuto internacional, cultural e intelectual superior à língua oficial de Cabo Verde que passou a ser agora o crioulo.

Foi pior a emenda do que o soneto. É nisto que está a dar o Acordo Ortográfico.

(via)

Sexta-feira, 16 Agosto 2013

No que respeita à língua, do Brasil só vem merda

«Alguns podem pensar que ao escrever “penço” estou cometendo um erro de gramática. Não. O erro, isso mesmo, erro é ortográfico. Tanto já se comentou por aqui em acerto e erro, adequado e inadequado, que acredito que a confusão agora está completa.»

Marcia Meurier Sandri, Mestre em Língua Portuguesa UERI

Que me perdoem os amigos brasileiros, mas já não aguento mais! Puta que pariu! Em matéria de política da língua “portuguesa”, a grande diferença entre Portugal e o Brasil é que a de que a oposição ao Acordo Ortográfico, a existir no Brasil, não é organizada, ao passo que os defensores brasileiros do Acordo Ortográfico estão fortemente organizados – e a razão pela qual os putativos opositores brasileiros ao Acordo Ortográfico não estão organizados é a de que (apesar da aberração do Acordo Ortográfico) pensam que “o Brasil vai tirar vantagem”. Mas não vai.

Enquanto que os defensores portugueses do Acordo Ortográfico andam envergonhados, os defensores brasileiros do Acordo Ortográfico andam orgulhosos. E esta diferença faz toda a diferença.

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Domingo, 1 Julho 2012

Os factos desmontam os argumentos da cultura masoquista de Esquerda em relação ao colonialismo português

Using the 2000 population weights, the data and estimated coefficients indicate that 47% of the development outside of Europe is attributed to the share of European settlers during the early stages of colonization … it is striking how much of global development is associated with Europeans (not even considering the development of Europe itself).

via Oz Conservative: Did Western colonialism create economic inequality?.

A Esquerda portuguesa tem por costume crucificar a nossa cultura e a nossa História que, como sabemos, passou pelas colónias e pela colonização de territórios que hoje são independentes. Portugal colonizou a Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, a Índia Portuguesa, Malaca, Timor, Macau e o Brasil.

É interessante saber que 47% do desenvolvimento económico fora da Europa se deve aos colonos europeus durante o período colonial — o que significa, por exemplo, que se Moçambique teve uma aumento do PIB per capita de 1000 dólares entre o ano de 1700 e o ano de 2000, 470 dólares desse aumento de 1000 dólares é atribuível à presença dos portugueses em Moçambique. E se o Brasil tivesse tido uma maior ligação à economia europeia na década entre 1995 e 2005, o PIB per capita brasileiro seria hoje superior em 2000 dólares.

Terça-feira, 8 Junho 2010

Vamos manter o NÃO ao acordo ortográfico; vamos colocar os políticos contra a parede

Eu não vou aqui comentar em profundidade a política da língua levada a cabo pelos políticos brasileiros desde a década de 20 do século passado; apenas dizer que essa política da língua não conseguiu prever que, em menos de um século, vários países para além do Brasil e Portugal, falassem português. Foi uma política brasileira de visão de curto prazo.

Porém, o problema começou nos anos 60, quando o Brasil — que tradicionalmente se concentra no seu umbigo — se deu conta de que afinal existiam “outros países que falam português”, e quis impor o seu erro estratégico na política da língua aos outros países. O Acordo Ortográfico é imposto pelo Brasil em nome da “alfabetização dos mais pobres”, quando esse país tem uma taxa relativa de analfabetos superior à média da América latina.

O problema brasileiro é exactamente o oposto daquilo que a política brasileira tem afirmado: a alfabetização do Brasil tornou-se mais difícil porque a reforma da língua, feita no Brasil dos anos vinte, desligou a língua das suas raízes etimológicas — nós aprendemos mais facilmente uma língua se tivermos referências que permitam estabelecer conexões entre as diversas palavras. Dou um exemplo:

  • Arquitecto e arquitectónico . Segundo o novo acordo ortográfico, passa a ser escrito “arquiteto” e “arquitetónico”.
  • Ctónico (= subterrâneo, relativo à terra). Entre “arquitectónico” e “ctónico”, existe uma raiz etimológica comum estabelecida pelo sufixo “ctónico”. A partir do momento em que eliminemos o “c” de “arquitectónico” (passando a ser “arquitetónico”), qualquer relação entre as duas palavras passa ser pura coincidência. E podemos multiplicar este exemplo por muitos mais.

Eu tenho muito respeito pelo Brasil e pelos brasileiros, mas penso que os erros do Brasil devem ser assumidos pelo Brasil. O Brasil é soberano para mudar a sua língua para o chinês — e ainda assim eu continuaria a ter muito respeito pelo Brasil e pelos brasileiros. O que eu não posso aceitar (e a maioria do povo português não aceita) é a importação dos erros dos outros, por muito respeito que tenha por estes.


Reparem numa coisa muito simples: se estabelecermos uma relação entre as populações dos dois países (Portugal e Brasil) e as respectivas produções literárias — isto é, se estabelecermos uma percentagem relativa —, e se é verdade que o português do Brasil “traz mais vantagens na alfabetização”, porque é que a produção literária e poética no Brasil é , em termos proporcionais, inferior à portuguesa? A razão é simples: o português da reforma da língua dos anos 20 no Brasil foi construído para ser básico e funcional, e por isso, avesso à literatura e à cultura. E agora pretendem que esse erro brasileiro seja assimilado em outros países através da educação das crianças… ?!


A política de esquerda que tem imperado em Portugal nos últimos 35 anos, decretou coercivamente a importação do erro brasileiro, e sem acordo do povo. Os governos portugueses de esquerda sabem que não conseguem convencer os portugueses a seguir o erro brasileiro. Por isso, a ministra socialista vem agora com paliativos e estratégias de anestesia cultural.

Adenda: eu não preciso do acordo ortográfico para entender o que os brasileiros escrevem.

Sexta-feira, 2 Maio 2008

Aborto Ortográfico? Nem morto!

No Independent de hoje:

«Portugal may have to recognise the inevitable by bowing to the economic and cultural predominance of Brazil, its former colony. The once proud imperial power is considering reforming its language to accommodate recent linguistic developments in the South American economic powerhouse, with which it shares a language.

However the proposed reform of the Portuguese language in favour of Brazilian usage has sparked a heated polemic among the Portuguese, with the distinguished poet Vasco Graça Moura leading the rearguard action. “There is no need for us to take a back seat to Brazil,” he protests.»

Podem ler aqui uma súmula do Aborto Ortográfico.
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