perspectivas

Segunda-feira, 24 Fevereiro 2014

O que é o bullying, segundo Inês Teotónio Pereira ?

 

Quando leio textos como este, da Inês Pereira, fico um pouco confuso, por assim dizer, porque se fala em um determinado conceito (neste caso, o bullying) sem uma definição desse conceito.

E fazemos uma pergunta: ¿o que é o bullying? Mas não há, no texto da Inês, uma noção de bullying: é um conceito alargado que é “pau para toda a colher”, que qualquer pessoa pode utilizar sem qualquer critério objectivo. Ou seja, o bullying é aquilo que qualquer pessoa quiser que seja.

A Inês é muito opinativa, como as mulheres em geral, mas as opiniões devem ser racionalmente fundamentadas.

Por exemplo, não se pode dizer que “se a minha avó tivesse tido rodas eu seria um autocarro”, porque para além de ser impossível colocar em causa um determinado nexo causal baseado em factos e defender o contra-factual, não há nenhuma garantia de que eu não pudesse ser um avião, que também tem rodas; nem existe qualquer certeza de que eu não teria rodas mesmo que a minha avó fosse um autocarro.

A ideia segundo a qual “o mal actual tem origem no mal do passado”, e que “seria possível que não existisse hoje qualquer mal se o mal do passado fosse evitado”, é de uma estupidez fundamental. Esta ideia é a base ideológica do movimento revolucionário que foi responsável por mais de cem milhões de vítimas mortais no século XX. O movimento revolucionário é especialista em bullying, e depois vem censurar o bullying entre as crianças.

Este puritanismo de “espécie cristã” da Inês é muito semelhante, nas suas características fundamentais, ao puritanismo do Bloco de Esquerda. Parte-se do princípio de que o “progresso”, entendido como uma lei da natureza, vai eliminado o mal com a passagem do tempo. Trata-se de uma visão idealista e hegeliana da História e do Homem.

Ora, Jesus Cristo disse exactamente o contrário:

“Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos! Mas ai do homem por quem vem o escândalo!” — Mateus, 18, 7

Repare-se bem: os escândalos são inevitáveis.

A Inês deseja um mundo perfeito, em que, por exemplo, não exista o bullying que não se sabe bem o que é. Por exemplo, se uma menina não traz cuecas vestidas e é gozada pelos colegas na escola, é (segundo a Inês) bullying. A Inês pretende que tudo o que seja fundamentado pelo espírito crítico das crianças seja considerado bullying, na medida em que o acto de criticar a menina sem cuecas é, segundo parece, uma “desumanidade”. Segundo a Inês, uma criança não pode ser gozada pelas outras crianças, eliminando-se assim não só a interacção crítica das crianças, como assim se promove a incapacidade de discernimento crítico. A julgar pelo critério da Inês, Voltaire, quando escreveu o “Cândido”, não fez outra coisa senão bullying em relação a Leibniz.

A verdade é que só pode ser considerado bullying o ataque ad Hominem — seja físico ou psicológico, ou seja, o ataque à pessoa (neste caso, à criança), entendida em si mesma. A crítica a um determinado comportamento — que seja universalmente criticável!, e não só em relação a uma determinada pessoa em particular — não é necessariamente bullying.

O bullying é, em primeiro lugar, agressão física. E depois é agressão psicológica ad Hominem, dirigida à pessoa enquanto ela própria (uma crítica a uma criança que possua um critério universal não é “agressão psicológica”, porque a crítica, neste caso, não lhe é dirigida especifica e particularmente).

A crítica, mesmo que seja “violenta”, pode não ser bullying. Uma coisa que a Inês parece ainda não ter compreendido, é que o grande problema da educação das crianças é o de que não há receitas (como as receitas de cozinha): elas têm que aprender com a experiência. E a experiência passa pela crítica, que pode vir das outras crianças, dos professores, dos pais, etc.. Essa experiência crítica não é necessariamente bullying.

O “gozar com alguém” pode não ser bullying, se esse “gozo” obedecer a critérios e juízos universais de reprovação de um determinado comportamento. Chamam-se a esse conjunto de critérios universais de “cultura antropológica”. Era o que faltava que as nossas crianças fossem tratadas como robôs politicamente correctos: os robôs não têm dignidade.

 

Ficheiro PDF do texto da Inês

Sábado, 24 Setembro 2011

O movimento político gayzista, os me®dia , Jamey Rodemeyer e Yasmine

Recentemente veio a público mais um aproveitamento mórbido por parte do activismo político gayzista e por parte dos me®dia em relação ao suicídio de um jovem de 14 anos, de seu nome Jamey Rodemeyer. Basta fazer uma busca no Google para verificarmos o aproveitamento político deste caso.
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Quarta-feira, 31 Março 2010

A intervenção directa da política na educação das nossas crianças

A classificação do bullying como crime público, por parte deste governo e da ministra da educação (que pertence à maçonaria feminina), revela a total e completa desorientação por parte do que se considera ser hoje a “civilização laica”. Estamos, de facto, a viver num mundo governado por gente totalmente louca.

A partir de agora, pode passar a ser comum a polícia entrar numa escola e prender um miúdo de 10, 11, 12 ou 13 anos. E a coberto desta decisão de transformar o bullying em crime público, pretende-se significar que se reforça a autoridade dos professores, quando essa decisão vai exactamente no sentido contrário: a partir de agora, o professor chama a polícia e tira o “problema” de cima das suas costas; a escola transforma-se cada vez mais em “ensino sem educação”, e a área da educação, que é por sua natureza, pré-política, transforma-se num espaço de intervenção da política. Está tudo louco. Em vez de se dar meios de actuação à escola e ao corpo de professores, mete-se a polícia e política lá dentro.
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Sexta-feira, 19 Março 2010

A tentativa de politizar a educação das nossas crianças

Hoje ouvi na TSF o Sr. Albino Almeida, da Associação Nacional de Pais (ANP), em bicos-de-pés a defender o seu tacho que depende da confusão que ele próprio faz ― e fomenta na opinião pública ― entre a educação, que é essencialmente pré-política, e a política propriamente dita (a política como sendo a esfera dos assuntos humanos na pólis dos adultos). Os pais e educadores portugueses já não aturam mais as tentativas do Sr. Albino Almeida em politizar a educação das nossas crianças à custa de interesses privados e de privilégios que essa actividade política inadequada significa para o sistema de educação.

A intervenção do Sr. Albino Almeida na TSF veio a a propósito da revisão do estatuto do aluno que a ministra da educação (muito bem!) decidiu implementar tendo em vista o controlo (e não a eliminação, porque é impossível eliminar totalmente o fenómeno) do bullying. O Sr. Almeida veio com o papão do “tribunal de menores” como uma ameaça aos pais que não participam activamente na ANP, reforçando assim o poder político do Sr. Albino Almeida e os seus privilégios e prebendas decorrentes politização da educação quando esta é pré-política.
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Segunda-feira, 8 Março 2010

O fenómeno do bullying nas escolas : uma perspectiva conservadora

« Em circunstâncias normais, no seu habitat normal, os animais selvagens não se auto-mutilam, não se masturbam, não atacam a sua prole, não desenvolvem úlceras no estômago, não se tornam fetichistas, não sofrem de obesidade, não formam laços de parceria homossexual, ou não cometem assassínios. Entre os humanos citadinos é escusado dizer que todas estas coisas ocorrem.

(…)

O animal do zoológico numa jaula exibe todas estas anormalidades que nós conhecemos tão bem nas nossas companhias humanas. Claramente, a cidade não é uma selva de cimento mas é um jardim zoológico humano. »

Desmond Morris, zoólogo.

O fenómeno do bullying juvenil sempre existiu mesmo antes de existir um ensino estatal oficial e obrigatório. O problema é que aquilo que era uma manifestação da competição entre os jovens, controlada dentro de certos limites, passou para uma violência muitas vezes extrema. Portanto, o problema não é o bullying que sempre existiu e nunca deixará de existir senão através de uma repressão que terá, por sua vez, as suas consequências imprevisíveis no comportamento dos jovens.

Prefiro o bullying benigno e competitivo que sempre existiu ao superlativo do bullying actual — que resulta da sua repressão e recalque — que consiste nos assassínios em massa com armas de fogo perpetrados por jovens nas escolas dos Estados Unidos e da Finlândia. Os países “desenvolvidos” reprimem o bullying mais benigno e aparecem fenómenos muitíssimo mais negativos e devastadores nas escolas.

Resumindo: a) não é possível alterar a essência do ser humano senão por via da repressão que terá sempre consequências imprevisíveis; b) é necessário controlar ― e não reprimir com violência ― o bullying nas escolas.
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