perspectivas

Quarta-feira, 20 Agosto 2014

A coisa está “braba”, no Brasil

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:57 am
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Segunda-feira, 18 Agosto 2014

Fernando Pessoa escrito segundo a novilíngua brasileira

Filed under: acordo ortográfico — O. Braga @ 7:44 pm
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“Depois qe as últimas xuvas deixaram o séu e ficaram na terra — séu limpo, terra úmida e espelhenta — a clareza maior da vida qe com o azul voltou ao alto, e na frescura de ter avido água se alegrou em baixo, deixou um séu próprio nas almas, uma frescura sua nos corasões.

Somos, por pouco qe o qeiramos, servos da ora e das suas cores e formas, súditos do séu e da terra. Aqele de nós qe mais se embrenhe em si mesmo, desprezando o qe o serca, esse mesmo se não embrenha pelos mesmos caminhos quando xove do qe quando o séu está bom. Obscuras transmutasões, sentidas talvez só no íntimo dos sentimentos abstratos, se operam porqe xove ou deixou de xover, se sentem sem qe se sintam porqe sem sentir o tempo se sentiu.

Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso, aqele qe despreza o ambiente não é o mesmo qe dele se alegra ou padece. Na vasta colónia do nosso ser á gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente. Neste mesmo momento, em qe escrevo, num intervalo legítimo do trabalho oje escaso, estas poucas palavras de impresão, sou o qe as escreve atentamente, sou o qe está contente de não ter nesta ora de trabalhar, sou o qe está vendo o séu lá fora, invizível de aqi, sou o qe está pensando isto tudo, sou o qe sente o corpo contente e as mãos ainda vagamente frias. E todo este mundo meu de gente entre si alheia projeta, como uma multidão diversa mas compacta, uma sombra única — este corpo qieto e escrevente com qe reclino, de pé, contra a secretária alta do Borges onde vim buscar o meu mata borrão, qe lhe emprestara.”

— Fernando Pessoa, “Livro do Desassossego”


Agora pergunto: um cidadão que necessita que a língua seja “simplificada” para aprender a ler e a escrever, ¿irá entender minimamente o que Fernando Pessoa escreveu?! Vem daqui a resposta:

“Quando algumas dessas regras forem simplificadas, haverá uma economia de tempo (250 horas-aula) e dinheiro (R$ 2 biliões por ano) e um aprendizado mais eficaz e prazeroso. Pode-se prever uma forte redução nos índices de analfabetismo e na taxa de rejeição ao estudo da língua, simultaneamente fortalecendo a inclusão social. E mais: a quantidade de cidadãos plenamente alfabetizados (capazes de ler e produzir textos mais profundos) pode ser multiplicada por dois, três, quatro ou cinco.

Isso significa dizer que na mesma proporção crescerá o número de leitores e autores, permitindo uma produção literária, intelectual e científica jamais vista, criando saber e riqueza suficientes para colocar estrategicamente nossos povos e países em estágio muito superior de respeito e influência internacionais.”

Ernani Pimentel (professor e presidente do Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa no Brasil)

¿Alguém acredita nisso?!

Sábado, 16 Agosto 2014

O Brasil prepara-se para impôr um novo Acordo Ortográfico

 

“A Comissão de Educação (CE) do Senado debate uma nova reforma ortográfica propondo uma maior “simplificação” da Língua Portuguesa. De acordo com nota divulgada no site do presidente da comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), a ideia é excluir o “h” inicial de palavras como “homem e “hoje”, abolir o “ch” substituído pelo “x”, como em “flecha” e, ainda, substituir “x” e “s” por “z” nas palavras com esse som, como “exemplo” e “analisar”. O “ç” seria outra norma da língua com os dias contados, com a “educação” passando a ser escrita como “educasão”.”

Comissão de “Educasão” do Senado estuda abolir “h” e “ç” do Português

No Brasil, a língua portuguesa não faz parte da cultura. Por isso é que o Brasil é um anão literário — não produz literatura na proporção da sua população, quando comparado com Portugal, por exemplo — já nem falando nos Estados Unidos.

O problema é que Portugal está a adoptar o princípio do divórcio brasileiro entre a cultura e a língua. Se, por exemplo, o Brasil adoptar o Tupi como língua oficial, os políticos portugueses secundariam imediatamente essa adopção.

Nós não temos políticos: temos invertebrados1, gente sem planta nenhuma, “gente menor” como dizia o professor José Hermano Saraiva; gente moralmente miserável que vende a História e a Cultura do seu país por um prato de lentilhas. Nós não temos políticos: temos um conjunto de “Josés de Vasconcelos”.

“Omem”, “qeijo” | Novo acordo ortográfico propõe suprimir letras de palavras

Onra aos omens onestos

Nota
1. O Pedro Santana Lopes bem pode limpar as mãos à parede!

Quinta-feira, 24 Julho 2014

Portugal deve ponderar a saída da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa)

Filed under: acordo ortográfico — O. Braga @ 5:38 pm
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«Adriano Moreira, antigo presidente do CDS e especialista em Relações Internacionais, considera “absolutamente inaceitável” a inclusão da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O “regime político” ditatorial, a sua “relação com os direitos do homem” e a fraca presença da língua portuguesa no país configuram um “desvio” à essência da CPLP, diz Adriano Moreira à Renascença.

“A CPLP é um valor tão importante para o futuro português que tudo aquilo que ofenda a essência do pensamento que organizou a CPLP pode prever-se que põe em risco interesses portugueses fundamentais porque muda a natureza da organização”, defende.»

Admitir a Guiné Equatorial na CPLP é “inaceitável”, diz Adriano Moreira


A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa) foi criada essencialmente para unir os países de fala portuguesa e, por isso, para a defesa da língua portuguesa no contexto internacional. Ora, o que acontece é que o Brasil, que apoiou e patrocinou a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, tudo tem feito não só para destruir o padrão culto da língua portuguesa, como tenta destruir os próprios fundamentos da organização quando a afasta dos seus propósitos originais.

Veja o leitor o seguinte quadro: o Brasil ostenta o argumento dos seus “200 milhões” para impôr a entrada da Guiné Equatorial na CPLP — mas contribui tanto como Portugal para a organização. Ou seja, o Brasil quer mandar na CPLP sem pagar mais por isso: é um pouco como o Zé Carioca: entra no baile de costas, fingindo que está saindo.

brasil cplp web

Dentro deste contexto, Portugal deve seriamente ponderar a sua saída da CPLP, ao mesmo tempo que se impõe desde já a revogação do Acordo Ortográfico tupiniquim.

Terça-feira, 15 Julho 2014

Foram os brasileiros que elegeram a “presidenta”: o povo tem o que merece e não vale a pena chiar

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:39 am
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“A Presidente brasileira Dilma Rousseff vai estar ausente da X Cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) que se celebra na próxima semana em Díli na capital de Timor-Leste, confirmou esta tarde o PÚBLICO junto da delegação diplomática do Brasil na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa).”

Dilma Rousseff ausente da cimeira de Díli da CPLP

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Domingo, 13 Julho 2014

Quando a fala brasileira era próxima da portuguesa

Filed under: cultura — O. Braga @ 1:29 pm
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Sexta-feira, 4 Julho 2014

Este Brasil não tem a mínima hipótese frente à Alemanha

Filed under: Futebol — O. Braga @ 10:56 pm
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Os brasileiros que se vão habituando à ideia de que não vão à final do Campeonato do Mundo de Futebol; esta selecção brasileira não tem qualquer hipótese contra a Alemanha.

Domingo, 29 Junho 2014

Estudante proibida de entrar em escola do Brasil por causa de uma camiseta de futebol

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 1:01 pm
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Você já imaginou que uma estudante pudesse ser proibida de entrar em uma escola portuguesa só porque traria vestida uma camiseta da selecção brasileira de futebol? É coisa que não passa pela cabeça, certamente, de 99,99% do povo português. Não lembra ao careca. É um absurdo total. Nem que fosse a camisola da selecção alemã de futebol — não ocorreria a nenhum português lembrar-se de proibir alguém de entrar numa escola por causa disso.

Mas no Brasil, lembra! E eu não vou dizer mais nada acerca da mentalidade brasileira: o leitor que tire as conclusões (e Viva o Acordo Ortográfico!).

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Terça-feira, 15 Abril 2014

O Brasil e a arbitrariedade da língua

Filed under: acordo ortográfico — O. Braga @ 7:04 pm
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«[Pergunta] Li no livro de estilo de um grande jornal brasileiro que a palavra «caráter» forma o plural em «caracteres» (assim mesmo, com «c» antes de «t»). Como se explica esta alteração?

[Resposta] Não é uma alteração que afete globalmente os países em que o português tem estatuto oficial. Antes parece tratar-se de uma especificidade brasileira que está há muito fixada no próprio Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (ver também o Dicionário Houaiss).»


Agora, pergunto eu: ¿como é possível um cidadão dominar uma língua que se afastou da sua raiz etimológica? Como é possível conhecer bem o presente sem ter uma noção do passado? E como é possível que se caia no ridículo de o singular de um substantivo não seguir a regra etimológica, mas, por outro lado, o plural do mesmo substantivo já seguir essa regra?!

Segunda-feira, 18 Novembro 2013

Alguma coisa vai muito mal no reino do Brasil

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 7:39 am
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Como é possível um presidente da república em exercício participar em um congresso de um partido político?!!

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Seria inimaginável, por exemplo, que o ex-presidente da república portuguesa, Mário Soares, e/ou Jorge Sampaio, que eram ambos militantes do Partido Socialista antes da eleição, participassem em um congresso do Partido Socialista enquanto exerciam as funções de presidente da república. Faz parte da tradição política portuguesa que um presidente da república em exercício se abstenha de actividade partidária.

No Brasil parece que não é assim. A presidente Dilma Roussef participou e discursou no congresso do Partido Comunista do Brasil! Já seria mau que ela, na qualidade de presidente da república em exercício, participasse no congresso do seu próprio partido (o PT); mas pior ainda foi a presidente da república ter participado e intervindo em um congresso de um outro partido que parece não ser o seu.

O activismo partidário de um, ou uma, presidente da república é a subversão do Estado de Direito. Dilma Roussef foi eleita para minar qualquer possibilidade de sedimentação cultural da tradição democrática no Brasil.

Sábado, 16 Novembro 2013

Nacionalismo não é chauvinismo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 3:31 am
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Conta-me a minha mãe que a minha avó materna teve uma prima direita, de seu nome Marina Estela, que foi casada com um dos filhos de Ruy Barbosa. Segue-se que esta menina, que também se chama Marina, é trineta de uma prima em segundo grau da minha mãe; e, quer ela queira ou não, a origem genética dela é, em parte, comum à minha.

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Segunda-feira, 28 Outubro 2013

Brasil: o Acordo Ortográfico não chega: é preciso que a estupidez seja geral

 

“Também em 2012, conforme divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Acção Educativa, os analfabetos funcionais — aqueles que, embora sabendo escrever e ler um bilhete, um recado, não têm competência de escrita, leitura e cálculo necessária para interagir no trabalho, nas associações, na política etc. — chegam a ser em vastas regiões do Brasil mais de 30% da população e, pasmem, correspondem a 38% dos universitários brasileiros, quando em países como a Suécia, o analfabetismo funcional não atinge 10%.”

É hora de simplificar a ortografia (Artigo)

Parece que o Acordo Ortográfico não chega. É preciso transformar todos os cidadãos em analfabetos funcionais para que o analfabetismo funcional deixe de existir — porque se toda a gente passar a ser estúpida, então deixará de haver estúpidos devido à ausência de uma bitola que meça a estupidez.

Primeiro, os brasileiros descaracterizaram a língua portuguesa, desligando-a das suas raízes etimológicas. E depois dessa descaracterização, dizem agora que “a língua portuguesa está repleta de excepções, de situações inexplicáveis e ilógicas”. Pudera! Se as raízes etimológicas da língua foram eliminadas do seu ensino, ¿como é que a língua pode ter alguma lógica?!

Ao que parece, no Brasil existem 13,2 milhões de analfabetos. ¿E de quem é a culpa? Da língua portuguesa! O tipo de ensino e a ideologia política predominante não têm culpa nenhuma!

Portanto — dizem os imbecis — "é preciso simplificar".

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