perspectivas

Domingo, 23 Junho 2013

A ligação entre a física quântica e a biologia

Filed under: Ciência — O. Braga @ 4:50 pm
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“These results show that coherence, a genuine quantum effect of superposition of states, is responsible for maintaining high levels of transport efficiency in biological systems, even while they adapt their energy transport pathways due to environmental influences”.

Uncovering Quantum Secret in Photosynthesis

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Segunda-feira, 17 Outubro 2011

O cientismo que critica o cientismo que, por sua vez, critica o cientismo

O cientismo não desarma. Face à lógica, pretende derrubá-la. O cúmulo do cientismo é aquele cientismo que critica o cientismo para se poder afirmar na opinião pública como não sendo cientismo. Este tipo de cientismo faz lembrar os novos marxistas, como por exemplo, Edgar Morin, que criticam o marxismo-leninismo dizendo que “aquilo não é marxismo”, e que o verdadeiro marxismo virá nos “amanhãs que cantam” — ao mesmo tempo que dizem que devemos desistir dos “amanhãs que cantam”. O novo cientismo é um fenómeno que se recusa a si mesmo afirmando que, afinal, é “outra coisa”: é a esquizofrenia ideológica e política em todo o seu esplendor, travestida de ciência.

Para quem acredita no mito segundo o qual a neurociência poderá substituir a filosofia, aconselho a leitura deste artigo (em inglês). Entretanto, eu vou dar aqui umas “achegas” que o artigo não incluiu.

As ciências da natureza — com excepção da física — e principalmente a biologia e a neurobiologia, quando pretendem transformar a consciência humana e, portanto, a ética e a moral, em subprodutos da química do cérebro, transformam a sua “teoria da identidade” (que é o nome desta teoria cientificista da neurociência) em um absurdo, conforme demonstrou Karl Popper que chamou a esta armadilha lógica “o pesadelo do determinismo físico”.

Se as minhas ideias são produtos da química que se processa na minha cabeça, então nem sequer vale a pena discutir qualquer teoria biológica ou neurobiológica, incluindo a própria “teoria da identidade”: estas não podem ter nenhuma pretensão à verdade, visto que as provas apresentadas por esses “cientistas” são igualmente química pura. E se eu disser que a biologia e a neurobiologia estão erradas e que os neurobiólogos são burros, então também tenho razão, dado que a minha química apenas chegou a um resultado diferente.

Por outro lado, nós não recebemos passivamente as impressões do mundo exterior, tal como se tivéssemos uma cópia do mundo na nossa cabeça (ver “teoria do balde”, de Karl Popper, de que falei em postais anteriores). Através dos nossos sentidos e da nossa percepção, o fluxo de sinais que aflui ao cérebro — aproximadamente de 100 milhões de células sensoriais mais conhecidas por neurónios — não é portador de qualquer indicação de quaisquer propriedades para além destas células, a não ser o facto de estas terem sido estimuladas em determinados pontos da superfície do corpo. Isto significa que é preciso acrescentar algo mais aos dados sensoriais na nossa cabeça, para que estes possam dar origem a uma realidade.

Ou seja: os nossos órgãos sensoriais registam “diferenças”, mas não registam “coisas” que se pudessem distinguir, como tais, de outros objectos. Isto quer dizer que a realidade é construída por nós mesmos, quando a consciência utiliza o cérebro. O cérebro é apenas e só uma ferramenta da consciência. Construímo-nos com a ajuda do cérebro, a partir de dados das nossas percepções sensoriais, tal como construímos, com a ajuda do nosso cérebro, uma história a partir dos pixeis do ecrã do nosso televisor.

Por último, e talvez o mais absurdo das ciências biológicas, é que ignoram ostensiva e irracionalmente as descobertas da física. Atrevo-me a dizer que a condição do neurocientista é a burrice e o autismo teórico. A física já demonstrou que o nosso cérebro, como qualquer outro objecto, é um conglomerado de Partículas Elementares Longevas que existem por via da força entrópica da gravidade: o cérebro humano, em si mesmo e no que respeita à sua génese (origem) física, não é diferente de um outro objecto físico qualquer. O que diferencia um cérebro humano, por exemplo, de um cérebro de uma barata, é o tipo de organização intrínseca das partículas elementares que os constituem.

Terça-feira, 4 Outubro 2011

O Tratado de Tordesilhas entre a religião e a ciência

Filed under: A vida custa,Ciência,cultura — O. Braga @ 12:11 pm
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Existe hoje uma determinada visão religiosa que mete no mesmo saco a biologia ou a sociobiologia, por um lado, e a física ou a matemática, por outro lado. Podemos constatar essa visão, aqui. Essa confusão é absurda e decorre de uma posição anti-científica primária.

Essa confusão, vinda de gente religiosa, tem como fundamento a própria confusão do cientismo em relação à noção de “prova” (evidence) — ou seja, muitas vezes, à religião interessa que os erros do cientismo sejam validados como verdade. E isto viu-se no caso recente da experiência dos neutrinos no CERN: tanto naturalistas como religiosos, por razões diferentes, tentam a todo o custo desacreditar a validação da experiência; e essa foi a razão por que eu escrevi isto.

Nem católicos nem naturalistas se lembram já das experiências feitas em Paris por Alain Aspect, em 1982, em que se constatou, sem margem para dúvidas, que dois fotões comunicam entre si a velocidades muito superiores à velocidade da luz. Portanto, a barreira da velocidade da luz no universo já foi oficialmente quebrada em 1982, e não agora com esta experiência dos neutrinos.


Tratado de Tordesilhas

Um determinado tipo de católico e o cientista naturalista fizeram um acordo: cada um deles toma conta de uma parte da realidade. O católico diz que se ocupa exclusivamente da fé, e o cientista diz que se ocupa exclusivamente das provas; ambos celebraram uma espécie de Tratado de Tordesilhas acerca da realidade. O interesse de ambos é mundano, utilitarista e materialista.

Mas a verdade é que as provas do naturalista partem de um pressuposto de fé nas ditas provas, ou seja, o naturalista tem fé (ou tem a certeza) dos seguintes pressupostos, anteriores à própria prova:

1) as leis da natureza (ou as leis da física) são imutáveis e a natureza é uniforme; 2) existe um mundo material exterior que se relaciona com a nossa percepção sensorial; 3) a forma como a nossa percepção sensorial interpreta o mundo “é aquilo que é” na realidade (WYSIWYG — What You See Is What You Get); 4) a lógica e a matemática aplicam-se ao mundo da nossa percepção sensorial.

Nenhum dos 4 pontos são factos (no sentido de “evidence”), mas apenas crenças ou fé acerca da realidade.

Portanto, a esse católico em particular, e ao cientista naturalista, interessa que a fé do cientista seja escamoteada e obnubilada, porque só assim o Tratado de Tordesilhas acerca da realidade pode ser aplicável no mundo dos homens. E é assim que se cria a ilusão de que a ciência e a religião se antagonizam, por um lado, e se cria, por outro lado, a ideia de que é legítimo, e até normal, ao religioso assumir uma posição anti-científica (e vice-versa).

A ler, acerca deste assunto:

Quarta-feira, 27 Outubro 2010

A religião evolucionista e darwiniana dos biólogos actuais

Os biólogos actuais, e portanto, darwinistas na sua maioria, como é o caso do zoólogo Richard Dawkins, confundem filosofia com ciência. O bioquímico Michael Behe refere-se assim aos biólogos neodarwinistas:

«Por princípio, a maioria dos biólogos trabalha a partir de uma estrutura darwiniana e simplesmente assume aquilo que não pode ser demonstrado. Infelizmente isto pode levar a um hábito intelectual corrosivo que consiste em esquecer a diferença entre aquilo que é assumido e aquilo que é demonstrado.»

( “Edge of Evolution”, 2007).

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Segunda-feira, 25 Outubro 2010

Os mitos modernos

Filed under: filosofia — O. Braga @ 10:12 am
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Sartre e Che Guevara

O materialismo filosófico está directamente ligado às ideias de Engels e Karl Marx (para não falar aqui das suas origens históricas), e portanto, ao marxismo. Durante a guerra fria, a esquerda marxista nos países democráticos a ocidente, não era muito popular porque defendia uma visão totalitária para a sociedade. Por isso, essa esquerda marxista teve que se camuflar, atribuindo aos mesmos conceitos marxistas outras designações que induzissem na opinião pública a ideia de que aquilo que defendiam era coisa diferente do materialismo filosófico. Surgiu então o existencialismo ateu de Sartre e, principalmente, o Fisicalismo e o Reducionismo.

O fisicalismo reduz toda a realidade à matéria, ou seja, segue fielmente o materialismo filosófico, embora reelaborando-o e reestruturando-o; é o materialismo filosófico com outro nome e mais sofisticado. Mudou o nome mantendo a mesma essência.
O reducionismo defende a ideia de que tudo o que acontece no mundo (os factos) é passível de ser descrito em termos puramente físicos (“físicos” entendido aqui no sentido de “material” sendo que a matéria é tudo aquilo que tem massa — e não entendido aqui em termos da “Ciência Física).
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Sábado, 12 Setembro 2009

O ilogismo de Richard Dawkins

O Novo Papa

O Novo Papa

No seu novo livro [The Greatest Show on Earth: The Evidence for Evolution], Richard Dawkins afirma que

“A evolução é um processo não conduzido [unguided process] de mutações aleatórias [random mutations] e de selecção natural.”.

Temos, pois, as componentes da “evolução”, segundo Dawkins:

  • processo não conduzido
  • mutações aleatórias
  • selecção natural

Se um processo não é minimamente conduzido e as mutações são totalmente aleatórias, como pode acontecer uma selecção natural?

Segundo o raciocínio de Dawkins, a selecção natural obedece à “escolha” [selecção] de uns critérios de selecção em relação a outros. Se a natureza “escolhe” ou “opta” por determinados critérios em relação a outros, como é que as mutações podem ser consideradas “aleatórias”?

Por outro lado, se a natureza não escolhe nem opta por determinados critérios de selecção, mas apenas aceita passivamente esses critérios a partir de mutações aleatórias através de um processo não-conduzido, como é possível validar as leis das ciências da natureza?

E como é possível conceber um “processo” que “não seja conduzido” por algum ou vários factores? A não-condução é a negação da definição de “processo”; no processo está implícito um método que se relaciona com uma ordem geral. Como é possível que o “método da evolução” consista na ausência de método e da ordem geral?

O problema de Dawkins é o dogma, que consiste na renúncia à lógica; ele entra em contradição com a lógica matemática que aponta inexoravelmente para a afirmação positiva do Ser.


De um tal Filipe, recebi o seguinte comentário transcrito na íntegra:

esse cara não teve aula de evolução na escola….

Seleção natural é um termo, nada de decompor o termo
As mutações são aleatórias e sem critérios, como qualquer um que já esteve no ensino médio sabe. Ocorrem naturalmente na natureza mutações no DNA que são passadas para frente, e algumas dessas mutações podem trazer benefícios ou malefícios para os que herdarem essa mutação, isto é, podem trazer características que darão maior ou menor chance de sobrevivência e reprodução. Seres que adquirem características que lhe conferem maior chance de sobrevivência tem maior tendência a prosperarem, se tornarem numerosos, enquanto os outros e seus decendentes podem ter novas mutações (e assim sucessivamente), enquanto aqueles que não tiveram tal mutação tem maior chance de extinção. Este processo se chama “seleção natural”, como isto é um termo, nem deveríamos discutir aqui se é correto chamar isto de seleção, mas é assim que o processo ocorre . A Natureza não “seleciona” de fato nada, apenas ocorrem mutações e mudanças no ambiente (incluindo as outras espécies existentes) podem favorecer certas características que tenham surgido de uma mutação e condenar outros seres. E essas mutações são de fatos aleatórias e não são conduzidas por ninguém nem por nada, apenas algumas seres portadores de mutações sobrevivem e outros não.

Em primeiro lugar, vemos um jovenzinho a dizer que alguém que tem uma licenciatura e 50 anos de vida e de experiência, é ignorante. Por aqui vemos o calibre da juventude actual.

E depois reparem bem na estupidez:

[1] As mutações são aleatórias e sem critérios, como qualquer um que já esteve no ensino médio sabe. [2 ] Ocorrem naturalmente na natureza mutações no DNA que são passadas para frente, e algumas dessas mutações podem trazer benefícios ou malefícios para os que herdarem essa mutação, isto é, podem trazer características que darão maior ou menor chance de sobrevivência e reprodução.

Desde logo, “naturalmente na natureza” é “obviamente óbvio”.

E depois vem o dogma: as coisas ocorrem naturalmente sem critérios e de forma aleatória, isto é, a natureza não tem leis. A coisa é fácil: como desconhecemos o critério de ocorrência dos fenómenos ― porque é impossível explicar a mutação das formas, pelo menos nesta fase das ciências experimentais ― dogmatizamos a coisa e dizemos que o critério da natureza é a ausência de critério, e que a lei da natureza é a aleatoriedade.

Se, como diz o burro, “nem deveríamos discutir aqui se é correto chamar isto de seleção, mas é assim que o processo ocorre”, existe um processo sem critérios. Será que as pessoas não se dão conta da contradição?! Um processo sem critérios?! Que se diga que se desconhecem os critérios do processo, para além de ser verdade, é honesto; que se diga que é possível que os fenómenos se processem sem algum critério, é estupidez. E acho que não há volta a dar a tanta burrice.


De uma vez por todas: a Física não é, hoje, uma ciência experimental, mas uma ciência dedutiva e formal

Os jovens continuam a aprender nas escolas que a Física é uma ciência experimental, como é a biologia. Esta ideia incutida aos jovens não é inocente: pretende nivelar a Física pela biologia no sentido de legitimar os princípios dogmáticos do evolucionismo naturalista (Naturalismo). A verdade é que a partir do princípio do século XX, surgiu a mecânica quântica e a relatividade que transformaram a Física em uma ciência formal, e por isso dedutiva ― substituindo a Física clássica newtoniana. Para que eu não tenha aqui jovenzinhos a debitar a doutrina dogmática aprendida nas escolas politicamente correctas, vamos definir alguns conceitos.

  • Formal: o atributo “formal” aplica-se em oposição aos conceitos prevalecentes no senso-comum acerca do conhecimento intuitivo, representável, visual, empírico, ou exprimível por palavras. O conceito formal acerca da realidade (na Física, por exemplo) é considerado como tal se é exprimível ou pode ser compreendido somente através da matemática.
  • Linguagem formal: Em lógica matemática, uma linguagem formal consiste num conjunto de símbolos e de outro conjunto de regras precisas especificando como os símbolos podem ser combinados entre si para se formarem proposições.

A Física é hoje uma ciência “formal” que utiliza uma “linguagem formal”. A Física moderna nada tem a ver com o método científico utilizado na biologia (porra!).

Segunda-feira, 24 Agosto 2009

Richard Dawkins reconhece que não é Deus

Richard Dawkins reconhece aqui que é ignorante em matéria de futebol, assim como as pessoas ditas “criacionistas” ― diz ele ― são ignorantes em matéria de “evolução”.

“Is creationism, would he say, a form of stupidity? Does he find it annoying that there are so many stupid people in the world?

(Dawkins): “I don’t think I would put it that way,” he says. “Well, I was going to say a lot of ignorant people, but that sounds abrasive too.
Ignorant is just a factual statement. I’m ignorant about football and all sorts of things. And I don’t think you’d take it as an insult if I said you don’t seem to know anything about football. It’s actually just a factual statement; it means you don’t know anything about it. I know quite a lot about evolution and there are plenty of people out there who know nothing about evolution and who probably who would enjoy learning something about evolution. Perhaps they can teach me about football.” “

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Segunda-feira, 17 Agosto 2009

O problema do inatismo das ideias

brain

Uma das grandes polémicas filosóficas foi a do inatismo das ideias. Não vai muito tempo, o ateu Bertrand Russell insultava Platão e Leibniz; Nietzsche dizia que Kant era estúpido; Locke afirmava que Descartes não estava totalmente certo, embora não o desmentisse em toda a linha e até entrasse em contradição em relação ao inatismo. A contradição ética de Espinosa ainda foi mais flagrante: ao mesmo tempo que adoptou a teoria de Hobbes no que respeita à valorização do poder absoluto político e terreno, com a consequente ausência do inatismo, considerava que o Bem consistia na união com o seu Deus panteísta; Espinosa foi ateu e panteísta ao mesmo tempo.

Mas o problema já vinha de trás, dos gregos da escola Megárica e dos estóicos. Do epicurismo e do estoicismo surgiu a teoria da “tábua rasa” mais tarde adoptada pelos empiristas ingleses a partir de John Locke. Influenciado por este, Voltaire assumiu a mesma linha de pensamento. Com o positivismo, a luta contra o inatismo passou a ser feroz e atingiu o seu clímax com Karl Marx; pelo meio ficou o coitado do Darwin que nunca se assumiu publicamente como ateu.

A atitude mais moderada no meio desta controvérsia foi a de Leibniz que considerava que o inatismo era parcelar e diminuto, isto é, existem apenas pequenos resquícios de ideias inatas, e todas as outras são consequência da experiência. Mesmo assim, foi criticado pelos empiristas ingleses como Hume, Bentham e Stuart Mill (entre outros).

Entretanto, vão aparecendo notícias da ciência que nos dizem que Leibniz não estaria de todo errado, e que Platão viu aquilo que a alegada inteligência do Bertrand Russell não conseguiu ver: o cérebro humano processa a informação da realidade exterior independentemente do sentido da visão.

O cérebro de um cego de nascença separa os objectos concebidos através das ideias e conceitos que tem desses objectos (sem nunca os ter visto, naturalmente) por categorias específicas processadas em determinadas áreas do cérebro ― tal como o faz uma pessoa que não é cega, isto é, o funcionamento do cérebro humano é independente da sensação, ou melhor, o cérebro não necessita da sensação para a percepção.

Terça-feira, 4 Novembro 2008

A ciência dogmática

Filed under: Religare — O. Braga @ 3:28 pm
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Recentemente surgiu a notícia nos me®dia de que um biólogo americano afirmou categoricamente que “Deus é um produto do cérebro humano”. Esta proposição é dogmática, e por isso, não é científica. É preciso que as pessoas comecem a ganhar consciência de que existe hoje uma “ciência dogmática”.

A proposição “Deus é um produto do cérebro humano, e por isso, não existe” é dogmática porque a ciência não pode provar a não-existência do que quer que seja ― e principalmente a biologia que segue um princípio tosco de indução e com pouca dedução. A proposição referida é uma crença, e nada mais do que uma crença. A ciência só pode provar que “existe algo”, e nunca pode fazer prova de que “algo não existe”. Desafio o biólogo tosco (ou outro qualquer da nossa praça) a provar-me que as sereias não existem; o que ele me pode dizer é que não foi encontrada nenhuma sereia até hoje, o que não significa que isso seja a prova científica de que as sereias não existem.

E mesmo que fosse provado pela ciência que algo parecido com “Deus” é produto do cérebro humano, isso não significaria absolutamente nada senão o facto da ciência provar a existência de uma determinada excrescência psicológica (a tal ciência que prova que “existe algo”), que é independente da existência ou não de Deus (que a ciência não consegue provar que não existe). Segundo o biólogo em causa, a sua (dele) mente “produz” o seu (dele) “deus” exactamente como o seu (dele) intestino grosso enforma as suas (dele) fezes; o problema é dele, e se o ideal divino dele é cagativo, a verdade é que a prova ontológica não tem nada a ver com isso. A subjectividade do biólogo em causa não é mais do que isso mesmo: subjectividade.

A “vida” não é o que se passa nas células, nas funções somáticas, na digestão e na cagação do biólogo, no sistema nervoso dele e nas suas disfunções, etc. Todas essas coisas biológicas são realidades hipotéticas construídas pela Ciência Biológica que nada mais é do que uma das muitas actividades de função de perspectiva do mundo, que faz parte da “vida” de quem a estuda e investiga ― essas coisas biológicas são apenas um detalhe e um conjunto de ingredientes entre incontáveis que achamos ante nós em função do que é realmente a vida e o universo.

Adenda: afinal, Pascal Boyer é antropólogo; p.f. substituam “biologia” por “antropologia”.

A ler: Arrogance, dogma and why science – not faith – is the new enemy of reason

Sábado, 12 Julho 2008

Thomas Huxley estava errado (3)

Vimos já que a construção que fazemos de nós próprios e dos outros é feita para Além do tempo, onde a consciência se percebe a si própria, e por isso, não faz nenhum sentido falar-se de sequências temporais.

Nesta sequência de postais (parte I, parte II), tem-se propositadamente evitado falar em “Deus”, porque tradicionalmente (e estupidamente) o substantivo adjectivado “Deus” tem uma conotação científica negativa. Contudo, não há absolutamente nada na pura ciência contemporânea que afaste Deus como uma probabilidade, o que significa que a ciência tem sido contaminada pela política correcta. Quando falamos em “consciência universal” ― de que nós fazemos parte por via da nossa consciência e pensamentos ― ela é um dos atributos de Deus e portanto, não o único atributo. Neste sentido, nós existimos, de facto, à semelhança de Deus, porque partilhamos a “consciência universal” e coexistimos também no mundo quântico.
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