perspectivas

Domingo, 14 Abril 2013

Hegel e Averróis

Filed under: filosofia,gnosticismo,Quântica,Ut Edita — orlando braga @ 6:12 pm
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S e olharmos para a essência do pensamento metafísico de Averróis (o “intelecto, agente separado”) verificamos que coincide com a essência do pensamento metafísico de Hegel (o “Espírito do Mundo em marcha”). O “intelecto, agente separado” de Averróis, e o “Espírito do Mundo em marcha” de Hegel, para além de terem uma essência idêntica, anulam a individualidade humana que fica reduzida à estrutura (Eidos) da História. Não admira que a metafísica de Hegel resultasse no marxismo. As mesmas razões que serviram para refutar Averróis, servem para refutar Hegel.

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Segunda-feira, 16 Julho 2012

O Relativismo Activo do “Livro do Desassossego”

«O meu hábito vital de descrença em tudo, especialmente no instintivo, e a minha atitude natural de insinceridade, são a negação de obstáculos em que eu faço isto constantemente.

No fundo, o que acontece é que eu faço dos outros o meu sonho, dobrando-me às opiniões deles para, expandindo-as pelo meu raciocínio e a minha intuição, as tornar minhas e (eu, não tendo opinião, posso ter a deles, como quaisquer outras) para as dobrar a meu gosto e fazer das suas personalidades coisas aparentadas com os meus sonhos.

De tal modo anteponho o sonho à vida que consigo, no trato verbal (outro não tenho), continuar sonhando, e persistir, através das opiniões alheias e dos sentimentos dos outros, na linha fluída da vida individualmente amorfa.

Cada outro é um canal ou uma calha por onde a água do mar só corre a gosto deles, marcado, com as cintilações da água ao sol, o curso turvo da sua orientação mais realmente do que a secura deles o poderia fazer.

Parecendo, às vezes, à minha análise rápida parasitar os outros, na realidade o que acontece é que os obrigo a ser parasitas da minha posterior emoção. Hábito de viver as cascas das suas individualidades. Decalco as suas passadas em argila do meu espírito e assim mais do que eles, tomando-as para dentro da minha consciência, eu tenho dado os seus passos e andando no seu caminho».

— “Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares [aka, Fernando Pessoa]

Quando lemos o “Livro do Desassossego” devemos fazê-lo analiticamente, de outra forma correndo o risco de entrarmos em depressão psíquica. Das duas uma: ou não compreendemos minimamente o que está lá escrito — o que é óptimo para uma mente sadia —, ou compreendendo alguma coisa teremos sempre que manter um espírito crítico e impessoal, semelhante ao do médico que analisa cientificamente uma metástase.
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Quinta-feira, 18 Novembro 2010

O gnosticismo moderno da esquerda jugular e caviar

Eu tenho muita dificuldade em lidar com gente que chama os outros de “ignorantes” mas não explica por quê. Eu penso que chamar alguém de ignorante, ou estúpido, ou seja o que for, é legítimo desde que se explique por quê. Porém, uma característica da esquerda jugular / caviar é a adjectivação panfletária — tipo “slogan” : cola-se um rótulo no adversário e fica o assunto resolvido.

Acho que se deveria dizer: “você é ignorante por isto, aquilo e aqueloutro”. Reparem: é uma chatice a gente ser ignorante e não saber a razão da nossa ignorância…
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