perspectivas

Segunda-feira, 11 Agosto 2008

Directo e sem rodeios: desembrulho!

Posso estar de acordo com a ideia deste postal: é preciso que a imigração seja contida dentro dos limites económicos e sociais que Portugal pode oferecer; não é possível “importarmos” imigrantes para depois não lhes darmos condições de sobrevivência condignas e segurança aos que já cá estão. Até aqui estou de acordo, e tenho-o escrito desde há 5 anos a esta parte.

Contudo, não concordo com a ideia de que os criminosos, por o serem, passem por isso à condição de sub-humanos (“Untermenschen”, para utilizar a terminologia nazi).

Desde logo, qualquer pessoa com dois dedos de testa se apercebe que se os assaltantes quisessem matar os reféns (todos ou algum) poderiam tê-lo feito, em vez de terem libertado quatro deles; tiveram a oportunidade e o momento para o fazer. Parece que a polícia não se apercebeu disso. Quando a polícia mata alguém nestas condições, é essencial que a intenção da pessoa abatida seja prévia e racionalmente avalizada.
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O Correio da Manhã é um tablóide sem credibilidade

Enquanto esperava no Sábado passado, no aeroporto, a chegada da minha nora que vinha do estrangeiro, comprei o Correio da Manhã para passar o tempo (lendo alguma coisa). Deparei-me com a notícia de que o jovem baleado em Campolide (Wellington Nazaré) tinha tentado fugir do hospital de S. José.
Leio hoje no Diário de Notícias:

Até ontem, e segundo confirmou ao DN uma enfermeira de serviço, continuava inconsciente, não tendo acordado desde que ali deu entrada, na noite de quinta-feira..

Entretanto, confirmei no Público a veracidade da notícia do DN.

Portanto, o Correio da Manhã mentiu na informação que deu ao público. Este jornal está cada vez mais um tablóide com muito pouca credibilidade, e é exactamente este jornal que tem feito a propaganda que convém ao Gorila Amaral no caso Maddie.

Nauseabundo

Filed under: Justiça — O. Braga @ 12:33 am
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É muito raro; mas por vezes, ao ler a blogosfera, chego a sentir náuseas.

« “Mais valia ter salvo os quatro”, parecem dizer alguns. Sejamos francos: ali só havia dois que careciam de ser salvos – aqueles que não se tinham lembrado de tomar reféns e de lhes apontar armas à cabeça.
O resto nem danos colaterais são.»

Parece que Fernando Pessoa afinal tinha razão.

Via

Sexta-feira, 8 Agosto 2008

Fernando Pessoa e a Segurança na Sociedade

Eu devo confessar que sinto muitas dúvidas sobre se tudo teria sido feito pelos agentes da autoridade para que ninguém tivesse sido morto na operação policial de ontem. Penso que seria possível terem saído todos com vida, e os assaltantes seriam apanhados mais tarde num café em Montegordo, ou comendo tapas na Diagonal de Barcelona, ou bêbedos na Bierfest em Munique (1). A morte “in loco” revela a fraqueza da União Europeia em matéria de prevenção e controle da segurança no espaço Schengen, é sinónimo de que o Tratado de Schengen não funciona de forma a garantir uma segurança racional dos Estados e das nações.
Não conheço os detalhes das negociações entre a polícia e os assaltantes, mas mesmo assim mantenho as minhas dúvidas.

Hoje vou falar sobre o conceito de Fernando Pessoa sobre ordem e segurança. Nas suas obras em prosa, Pessoa critica o conceito comtista (Augusto Comte) de Ordem e Segurança.

“Evidentemente que por “ordem” os seus defensores não entendem a mera ordem material e ostensiva, aquela que a polícia guarda. Entendem a ordem nos espíritos também, a disciplina íntima de onde resulta o bom funcionamento, físico como psíquico, da engrenagem social. Eles compreendem, de resto, que não há ordem só material, que é nos espíritos que a ordem começa.”

Aqui, Pessoa critica os defensores extremistas (comtistas) da ordem e da segurança como defendendo não só a ordem de guarda policial, como a ordem dos espíritos, a ordem psíquica, isto é, Pessoa critica a ideia de uma ordem que antevê e procura um totalitarismo.

A ordem é nas sociedades o que a saúde é no indivíduo. Não é uma coisa: é um estado. Resulta do bom funcionamento do organismo, mas não é esse bom funcionamento. (…) Na sociedade, semelhantemente: quando aparece a desordem, a sociedade sã procura logo, não manter a ordem, que pode ser provisória e aparente, mas atacar o mal que produziu a desordem. A exclusiva preocupação com a ordem é um morfinismo social.
(…)
No indivíduo, a constante preocupação com a saúde é um sintoma de neurastenia, ou males psíquicos mais graves ainda. Na sociedade, paralelamente, a preocupação da ordem é uma doença de espírito colectivo.

O que se está a passar na nossa sociedade é exactamente aquilo que Fernando Pessoa criticou nos defensores do comtismo securitário do seu tempo (defesa comtista da “ordem” que desembocou no Salazarismo). A História não se repete, mas a essência das coisas existe independentemente daquela. O que assistimos ontem em directo pela TV é próprio de um Estado securitário com altos índices de totalitarismo comtista (científico, no seu pior sentido).

Fiquei com a sensação de que a exibição policial de ontem tem uma intenção, quis passar uma mensagem claríssima: “Cuidado! cidadãos deste país: hoje foi abatido um assaltante armado, amanhã será um delinquente que rouba um pão para comer”. Pode ser só sensação minha; queira Deus que assim seja.

(1) Bastava que polícia tivesse colocado um sinalizador GPS no carro que permitisse a fuga aos assaltantes.

(textos de Pessoa tirados de “O Preconceito Tradicionalista”)

Quinta-feira, 7 Agosto 2008

Animação na SIC Notícias

Filed under: Portugal — O. Braga @ 11:22 pm
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Temos que abrir ainda mais as portas à imigração. Tenho passado a noite entretido com as imagens na SIC Notícias com o assalto ao Banco em Campolide. Não havendo um bom filme de acção violenta de tipo “Miami Vice”, nada como os imigrantes para animar a malta.

Adenda: lamentavelmente aconteceram mortes a sério. Enquanto as pessoas não se convenceram de que Schengen não interessa a Portugal (muita gente entra em Portugal pelas fronteiras terrestres vindos da UE), cenas destas vão se repetir regularmente e Ad Etaernum.

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