perspectivas

Quarta-feira, 11 Janeiro 2012

Resposta a um comentário acerca da arte

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 8:49 pm
Tags: , , ,

A arte não é a própria realidade: é uma representação da realidade. Não basta que apreciemos a beleza de uma mulher, por exemplo, para que essa mulher possa ser considerada “uma obra de arte”; podemos considerá-la assim, mas de uma forma metafórica.

Por exemplo, quando você vai a um teatro, não vai lá para ver a realidade dos actores enquanto pessoas, mas antes vai lá para ver aquilo que os actores representam — a tal representação da realidade.

Outro exemplo: uma flor não é, em si mesma, uma obra de arte, porque a flor faz parte integrante da realidade da natureza. Mas uma pintura de flor pode ser uma obra de arte, porque a pintura é uma representação da realidade.

Por isso, uma pessoa nua, por si só, não é uma obra de arte; mas uma pintura de uma pessoa nua pode ser uma obra de arte, na medida em que é uma representação da realidade. Ou como escreveu Magritte, “Ceci n’est pas une pipe”.

Há quem diga que a fotografia, por si só, é arte — o que não é verdade. Para que uma foto possa ser considerada uma obra de arte terá que ter, em si mesma, a criatividade e a originalidade da captura da realidade, ou seja, não pode ser uma mera cópia da realidade. Por exemplo, se eu tiro uma fotografia a uma paisagem, essa foto, em si mesma, não é necessariamente uma obra de arte; o mesmo se passa com uma foto de uma mulher nua.

Uma escultura de uma pessoa nua não é uma pessoa nua: é a sua representação. E é a representação da realidade que transforma a escultura em arte.

Jean Paul-Sartre, na esteira de Hegel, vai mais longe: “O real nunca é belo”, escreveu o francês.

Por último, a estética — ou seja, a arte — está intimamente ligada à ética. Através dos gostos de cada um, que são subjectivos, podemos retirar um perfil ético da pessoa.

Quarta-feira, 11 Agosto 2010

Pintores famosos e as touradas

Filed under: cultura — O. Braga @ 8:08 am
Tags: , ,

Picasso



Júlio Pomar



Rafael Sánchez Icaza

Quarta-feira, 23 Junho 2010

A estupidez do seguidismo intelectualóide

Este senhor é o protótipo do intelectualóide estúpido, por duas razões: em primeiro lugar porque generaliza ao [implicitamente] comparar José Saramago, por exemplo, com escritores de esquerda como Gabriel Garcia Marquez, Urbano Tavares Rodrigues, Harold Bloom ou Pablo Neruda; e em segundo lugar porque separa o homem da sua obra, destituindo a obra-de-arte de um qualquer nexo causal.
(more…)

Segunda-feira, 22 Março 2010

Paulo Rangel diz que no seu “entendimento jurídico, os animais não têm direitos”

Paulo Rangel diz que no seu “entendimento jurídico, os animais não têm direitos.”

O entendimento jurídico de Paulo Rangel é irrelevante porque o direito positivo consagra uma coisa hoje e amanhã pode consagrar outra coisa mesmo totalmente diferente; o direito positivo moderno passou a ser a causa de si próprio, de uma forma cada vez mais arbitrária e reduzindo muitas vezes a norma ao facto (naquilo a que se chama o “acomodar” todas as situações ― mesmo as mais abstrusas ― ao direito). A lei do “casamento” gay ― que Paulo Rangel defende tal como está ― é um exemplo de como o direito positivo reduz a norma ao facto. Ora a filosofia já há muito tempo que segue a evidência de G. E. Moore de acordo com a qual não é possível deduzir valores e normas dos factos. Quem faz isso ocorre num “sofisma naturalista”.
(more…)

Sexta-feira, 19 Março 2010

O filisteu moderno

O substantivo adjectivado “filisteu” tem uma conotação pejorativa e está ligado ao utilitarismo da nova burguesia da “boa sociedade” do século XIX que via no objecto de arte, ou um artigo vendável e passível de lucro, transformando assim o objecto de arte num objecto de consumo, ou numa forma de se afirmar na sociedade através da exibição ostensiva de “cultura”. A imagem do filisteu era a do indivíduo que coleccionava obras de arte não pelo amor desinteressado à arte e à beleza, mas pela utilidade que essa colecção lhe traria, seja em dinheiro, seja em status social. O filisteu era um utilitarista.
(more…)

Quinta-feira, 21 Janeiro 2010

A problema da ética na acção económica e na acção política

O André Azevedo Alves escreve aqui sobre a ética nos negócios e sobre a alegada “responsabilidade social das empresas”.
O que se pode constatar é que em função da crescente colocação em causa da legitimidade da propriedade privada, o negócio é transformado num “mal necessário” que deve ser fiscalizado e controlado pela política. Em alguns países, a propriedade privada ainda não foi abolida, mas funciona agora numa espécie de concessão em leasing através da qual a propriedade é implicitamente colocada com um prazo de validade. Trata-se da política neomarxista, influenciada pela teoria de Gramsci, do “deixa-os poisar”.


(more…)

Domingo, 1 Novembro 2009

Valor e juízo (5)

Filed under: ética,cultura,Sociedade — O. Braga @ 10:13 am
Tags: , , , , ,


goyaAtravés do juízo teleológico ― que como vimos anteriormente, e segundo Kant, faz parte da categoria do juízo reflexivo que engloba também o juízo do sentimento ou juízo estético ― que se diferencia do juízo do entendimento ou da razão entendida como actividade não-reflexiva do Homem, dizia que através do juízo teleológico o Homem condiciona a subjectividade do “gosto” qua “juízo estético”. Isto significa que, e ao contrário do que é muitas vezes dito, o “gosto” não é totalmente subjectivo devido exactamente à componente teleológica da condição humana ― e por isso podemos afirmar com razão que “os gostos se discutem”.

Naturalmente que podemos sempre alegar que o juízo teleológico não existe em todos os seres humanos, e mesmo que existisse em todos, aquele poderia não ser exactamente igual em relação a cada um dos seres humanos.

Sendo o Homem um ser com capacidade cognitiva, e dada a sua condição de ser humano racional finito, o juízo teleológico faz parte da sua essência; o ser humano pode não exteriorizar, reprimir ou alienar esse juízo teleológico, mas não pode nunca extingui-lo de si próprio dada a sua própria condição objectiva. Por outro lado, sendo o juízo teleológico um juízo objectivo, ele é universal no sentido em que é comum a todos os seres humanos; o que pode diferir de um ser humano em relação a outro, é a forma como o juízo teleológico é compreendido ou entendido, mas a diferença entre os entendimentos que existe em função de graus de consciência, de cultura e/ou de educação, não alteram em nada a objectividade do juízo teleológico em si mesmo. Essa diferença entre os seres humanos apenas faz com que a expressão racional do juízo teleológico seja diferenciada em função de elementos característicos da individuação.

Para além da influência do juízo teleológico na composição do “gosto” que avalia uma obra de arte, existe a componente decisiva da genialidade do artista que consiste na união harmónica ― segundo a objectividade do juízo teleológico ― entre a imaginação e a razão enquanto entendimento. Através da genialidade, o artista utiliza o entendimento para disciplinar a liberdade sem freio da imaginação ― e é através dessa união harmónica, que é apanágio dos génios, que também se determina o princípio do “gosto” como decorrente de um misto de subjectividade e de objectividade.


Em todo o processo de avaliação de um objecto, existe, portanto, a atribuição de um valor que, como vimos, não é só e totalmente subjectivo e que tem a componente decisiva da genialidade.
(more…)

Quarta-feira, 28 Outubro 2009

Valor e juízo (4)

Vou fazer aqui um parêntesis nesta série de postais para voltar ao tema do “Caim” de Saramago, porque parece que ainda há gente que não percebeu o meu ponto-de-vista.
(more…)

Quarta-feira, 14 Outubro 2009

Maitê Proença e o novo “filistinismo cultivado” politicamente correcto

O pedido de desculpas de Maitê Proença ao povo português não impede que tenhamos que constatar a pobreza de uma certa intelectualidade brasileira que se impõe nos me®dia sob a batuta da esquerda gramsciana de Lula da Silva ― como acontece neste caso particular, mas também em termos gerais e extensível a praticamente todo o ocidente ― , de um novo “filistinismo cultivado” que caracteriza a intelectualidade da actual cultura de massas (que de um modo estrito não existe propriamente, e que no sentido lato, a sociedade de massas não pode ser responsabilizada pelos erros dessa elite filisteia) e da política correcta. Maitê Proença parece não saber o que é arte porque confunde “arte” e “cultura” (que não são de modo nenhum a mesma coisa, mas isso dava outro postal), com “entretenimento”. Pessoas como Maitê Proença, que se afirmam profissionalmente como “agentes da cultura”, são não só as maiores “inimigas” da cultura e da arte porque as transformam em objectos consumíveis no processo vital da sociedade, como induzem, na sociedade de massas, a ideia de que a arte e cultura são a mesma coisa que entretenimento: o próprio vídeo mostra essa confusão entre conceitos.
(more…)

Segunda-feira, 7 Setembro 2009

Gunther von Hagens, a expressão da cultura da morte, e o branqueamento ideológico do nazismo

Clique p/ aumentar

Clique p/ aumentar

A mensagem é subliminar, progressista, maçónica e de esquerda: entre um homem e uma paramécia a única diferença está no ADN.

Em Maio de 2009 aconteceu uma exposição em Lisboa do Doutor Morte, Gunther von Hagens. A esquerda progressista portuguesa esteve lá em peso a louvar a arte necrófila; nem podia deixar de ser não perder a oportunidade herética de profanar o cadáver dessacralizando a morte. Ui, que bom! Que progressista! Chiquérrimo! E darwinista, porra! Até o me®diatíssimo e intelectualíssmo Carlos Fiolhais não resistiu

O tribunal alemão de Augsburg proibiu recentemente o Dr. Morte de apresentar numa exposição na cidade, uma dupla de cadáveres em fornicação post-mortem (ver imagem).
(more…)

Quinta-feira, 18 Dezembro 2008

Diferença entre o “belo” e o “agradável”

Filed under: cultura — O. Braga @ 5:07 pm
Tags: ,

Se olharem para os comentários deste postal, verificam que as pessoas fazem naturalmente a distinção entre o “agradável” e o “belo”. Quando dizemos que “os gostos não se discutem”, não nos referimos ao “belo” mas ao “agradável”. Aquilo que nos agrada é subjectivo, e nesse sentido, o artista que nos presenteou com esta obra procurou publicitar aquilo que ele considerava como sendo do seu agrado. Porém, o “belo” é outra coisa.

Naturalmente que não podemos definir o bom gosto. Contudo, o juízo do gosto é racional, não pode ser arbitrário e subjectivo. Segundo Hegel, o juízo do gosto provem da compreensão do sentido espiritual presente na forma de obra de arte. Por isso, o gosto necessita de ser formado, não pela acumulação de conhecimentos sobre a arte, mas pelo convívio com a arte e com a frequência das obras.

Domingo, 22 Junho 2008

Mini “fisking”

Filed under: ética — O. Braga @ 4:52 pm
Tags: , , , , , ,

«A vontade humana rege-se pelo dever obrigado a ser cumprido através do poder ajuizado em crenças racionais e sociais normativas, instituídas pelos construtores dos autoritários e utilitaristas poderes, numa forma tão coerciva quanto adversa à natural existência de se ser.»

Como será a “natural existência do ser”? Como a podemos definir se “a vontade humana se rege pelo poder obrigado a ser cumprido”?

(more…)

« Página anteriorPágina seguinte »

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: