perspectivas

Sábado, 13 Fevereiro 2016

A redução da antropologia à economia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:39 pm
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A redução de toda a realidade à economia é uma característica da pós-modernidade. Essa atitude redutora está bem patente em quase toda a opinião publicada: é como que, perante a perda de sentido, as pessoas se agarrassem a uma qualquer “ciência” para afastarem os demónios do absurdo que elas próprias criam ou adoptam.

Um exemplo da redução da realidade à economia é este texto: é uma logomaquia em “economês” em defesa do Rendimento Básico Incondicional.

Porém, o problema do Rendimento Básico Incondicional é antes de mais um problema antropológico lato sensu que não pode ser reduzido à economia. Antes de ser um problema económico, é um problema metafísico; e depois, é um problema ético; a seguir é um problema cultural; depois passa a ser um problema político; e só finalmente é um problema financeiro.

A definição de Rendimento Básico Incondicional pode ser lida aqui:

“O Rendimento Básico Incondicional é uma prestação atribuída a cada cidadão, independentemente da sua situação financeira, familiar ou profissional, e suficiente para permitir uma vida com dignidade”.

O Rendimento Básico Incondicional significa que o Estado tem a obrigação de sustentar o indivíduo independentemente de ele querer trabalhar muito, pouco, ou mesmo nada. Como se vê, o problema é antes de mais, metafísico e ético. E depois é cultural (antropológico) e político. A economia vem no fim da linha.

Quarta-feira, 13 Novembro 2013

O “progresso” do mito e da religião, segundo Cassirer

 

Passo a citar Cassirer, interpolando algumas imagens:

«Do ponto de vista do pensamento primitivo, torna-se desastrosa a mínima alteração do estável esquema das coisas. As palavras de uma fórmula mágica, de um conjunto ou exorcismo, as fases de um acto religioso, um sacrifício ou uma oração, têm de ser repetidas na mesma invariável ordem.

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Quarta-feira, 13 Março 2013

Vem aí o “casamento” grupal

“Boris Dittrich, the homosexual activist called the “father” of the political movement in favor of Dutch gay “marriage”, has admitted that group marriages of three or more people, is the next, inevitable logical step in the dismantling of the western world’s traditional marriage laws.”

via Group marriage is next, admits Dutch ‘father’ of gay ‘marriage’ | LifeSiteNews.com.

casamento grupal webPrimeiro, dirigiram-se ao coração e aos sentimentos dos tolos, reclamando por direitos de reconhecimento legal da relação homossexual, e obtiveram a união-de-facto gay.

Depois, em nome da não-discriminação, convenceram os tolos sentimentais de que o “casamento” gay não incomoda nem prejudica o casamento da maioria dos membros da sociedade; e os tolos tiveram pena deles, e não só aceitaram o “casamento” gay , como chamaram aqueles que não concordavam com ele , de “intolerantes”.

A seguir, quiseram adoptar crianças, e os tolos piegas aceitaram que se colocassem os interesses dos adultos acima dos interesses das crianças. E agora, os mesmos que “com papas e bolos enganaram os tolos”, já reclamam o “casamento grupal” constituído por três ou mais pessoas que poderão adoptar crianças. E os tolos continuam democraticamente tolos.


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Sábado, 19 Fevereiro 2011

Peter Singer e a defesa da bestialização do ser humano

A ser verdade o que está escrito aqui, Peter Singer considera que 1) “a evolução é neutra no que respeita aos valores” [éticos e morais], por um lado, e que 2) “na medida em o nosso senso moral evoluiu, este serve para aperfeiçoar a nossa capacidade reprodutiva”, por outro lado.

O que Peter Singer diz, na segunda proposição, é que o nosso senso moral evoluiu; mas antes tinha dito, na primeira proposição, que a evolução é neutra em relação aos valores éticos e morais. A pergunta é: esta tese está de acordo com a realidade?
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Domingo, 8 Novembro 2009

Ainda sobre Claude Lévi-Strauss e a antropologia

Filed under: cultura,Sociedade — O. Braga @ 3:49 am
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« A antropologia é a ciência que trata as diversas tribos do Homem, enquanto bandidos, ladrões, escroques, miseráveis, lunáticos, idiotas, estúpidos e antropólogos. »

Ambrose Bierce

Quarta-feira, 29 Julho 2009

Carta de Voltaire a Rousseau

Filed under: filosofia — O. Braga @ 11:53 pm
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Depois de ter escrito um ensaio com o título “Discurso sobre a Desigualdade” (1754), Jean Jacques Rousseau enviou um exemplar do livro a Voltaire. Nesse ensaio, Rousseau fazia a apologia do “bom selvagem”, segundo a ideia de que “o homem é naturalmente bom e só as instituições o tornam mau”. Para evitar o mal, basta abandonar a civilização porque o homem é naturalmente bom, e o selvagem “depois de jantado” está em paz com toda a natureza e é amigo de todas as criaturas. Perante este ensaio, Voltaire enviou uma carta a Rousseau onde se podia ler:

“Recebi o seu novo livro contra a raça humana, e agradeço. Nunca se usou tal habilidade no intuito de tornar-nos estúpidos. Lendo este livro, deseja-se andar de gatas; mas eu perdi o hábito há mais de sessenta anos, e sinto-me incapaz de readquiri-lo. Nem posso ir ter com os selvagens do Canadá porque as doenças a que estou condenado tornam-me necessário um médico europeu, e por causa da guerra actual naquelas regiões; e porque o exemplo das nossas acções fez os selvagens tão maus como nós”.

Rousseau esteve na base da antropologia moderna (e politicamente correcta). Para se perceber a estupidez de Rousseau e dos antropólogos modernos, ler o livro “Sick Societies” (Sociedades Doentes), de Robert Edgerton, publicado em 1992 ― se fosse hoje, provavelmente Edgerton teria medo de retaliações políticas e não teria publicado o livro.


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