perspectivas

Domingo, 17 Abril 2016

O que existe hoje não é democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 8:02 pm
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“Não creio no sufrágio universal, porque o voto individual não tem em conta a diferenciação humana. Não creio na igualdade, mas na hierarquia. Os homens, na minha opinião, devem ser iguais perante a lei, mas considero perigoso atribuir a todos os mesmos direitos políticos.”

António de Oliveira Salazar, entrevista ao jornal «Le Figaro», Setembro de 1958.

O problema desta proposição de Salazar é o seguinte: ¿quem deve governar? Esta pergunta foi feita por Platão. ¿Quem estabelece o critério da desigualdade dos direitos políticos?

A democracia tem a vantagem de as mudanças políticas se operarem sem derramamento de sangue. Por outro lado, a igualdade natural não significa que as pessoas sejam idênticas, ou seja, a igualdade natural (Direito Natural) não é impedimento da hierarquia.

Não devemos confundir democracia com o que existe hoje. Vejamos o que escreve o reaccionário Alain de Benoist:

“A democracia mudou. Foi no início um meio para o povo participar na vida pública elegendo representantes. Em vez disso, a democracia tornou-se em um meio para que os representantes adquirissem legitimidade popular para o exercício do Poder. O povo já não governa através de representantes: são os representantes que se governam a si própios. ¿Quem representa o quê? A noção de ‘representação’ está em crise”.

Alain de Benoist, The Problem of Democracy

Sexta-feira, 7 Dezembro 2012

O liberalismo actual e a sua negação da liberdade do indivíduo (2)

Alain de Benoist escreve o seguinte:

« Uma nação só pode sobreviver se:

  • a) se o povo mantém plena consciência da sua História e das suas origens;
  • b) quando o povo se reúne em volta de um mediador, seja um indivíduo e/ou um símbolo (por exemplo, o Rei), que é capaz de juntar as energias e catalisar vontades para um destino comum;
  • c) se o povo consegue manter a coragem de designar os seus inimigos.

A liberdade não pode ser reduzida ao sentimento que alguém tenha acerca dela. Porque se assim for, tanto o escravo como o robô podem igualmente sentir-se livres.

Nenhuma destas condições ocorrem em sociedades que colocam o ganho económico acima de todos os outros valores, e consequentemente essas sociedades

  • a) dissolvem as memórias históricas;
  • b) extinguem o sublime e eliminam ideias subliminares respectivas;
  • c) assumem que é possível não ter inimigos. »

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Quarta-feira, 5 Dezembro 2012

Alain de Benoist, o liberalismo actual e a sua negação da liberdade do indivíduo (1)

Recomendo a leitura deste texto de Alain de Benoist, em que faz uma análise resumida da evolução do liberalismo desde a revolução burguesa de 1789. Não há nada no texto com que eu discorde: tenho vindo a dizer aqui essencialmente a mesmas coisas embora de forma esparsa e ao longo de muitos verbetes — embora eu pense que Alain de Benoist se esqueceu de referir o “factor China” que é contraditório na actual tendência ideológica ocidental.
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Segunda-feira, 21 Fevereiro 2011

A “Direita Revolucionária”

A “direita revolucionária” utiliza o conceito de “vontade geral” de Rousseau — como podemos ver neste artigo acerca de Alain de Benoist — para questionar a democracia parlamentar de tipo ocidental, da mesma forma que a esquerda totalitária utiliza o dito conceito de “vontade geral” para justificar o seu totalitarismo e, de modo semelhante, os partidos políticos ditos democráticos (como por exemplo, o Partido Social Democrata, Partido Socialista, ou CDS) também utilizam a “vontade geral” de Rousseau para governar sem referendos.
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